Como podemos trabalhar com a nossa história de vida numa sala de aula? Algumas considerações sobre história oral, local, e fontes visuais

Giovanna Pezzuol Mazza

Nº Usp 5936441

 

“Digo: o real não está na saída nem na chegada: ele se dispõe para a gente é no meio da travessia”

“Comigo as coisas não tem hoje e ant’ontem amanhã: é sempre”

João Guimarães Rosa

 

“Fala-se tanto de memória porque ela não existe mais”

Pierre Nora

 

“A história é uma ilha de edição”

Waly Salomão

 

Quando iniciamos numa sala de aula um curso de História, o que será que vem a mente dos alunos, num primeiro momento? Podemos pensar que essa resposta é bem diversificada, mas com certeza reflete contatos anteriores do aluno com o tema. Com certeza a história difundida pela mídia, pela televisão principalmente, pelos pais, pelos avós, pelos amigos, pela propaganda. Uma história que é, em muitos momentos, pasteurizada, homogênea, sedutora. Será que um aluno acreditaria que sua história de vida, a de seus pais, avós, a história do seu bairro, é uma história que merece ser contada?

Para ouvir a loucura: o silêncio e a manipulação na Ditadura Militar (1964 – 1985)

Aluno: Rafael Lima Capellari Nº USP: 6837800
Ensino de História: Teoria e Prática Profª Drª Antonia Terra Calazans Fernandes
Sequência didática
Para ouvir a loucura:
o silêncio e a manipulação na Ditadura Militar (1964 – 1985)

 

Sequência Didática


O presente trabalho busca trazer um aspecto pouco explorado sobre a ditadura militar, ainda menos explorado no que diz respeito ao seu caráter pedagógico. A loucura, como conhecimento médico fica, normalmente, fechada à discussão. No programa “Sem censura” de 2009, que debateu a reforma psiquiátrica, por vezes, os argumentos ficavam engessados no termo “é uma doença”. Não me posiciono aqui contra ou a favor da criação de leitos, mas tratar a questão apenas desta forma não basta. A reforma psiquiátrica está diretamente relacionada com a abertura política. Durante a ditadura presos políticos foram encarcerados em Hospícios e a arbitrariedade nas internações revelava a arbitrariedade com que se encontravam os direitos do cidadão.


O papel desta sequência didática é instigar o aluno. Trazer para ele a brutalidade da atuação da ditadura sobre a vida e sobre a sociedade. A questão da superlotação e do descaso dos chamados “depósitos humanos” se tornou tão latente durante a ditadura militar que um movimento de funcionários e da população se mobilizou nos anos 70 para rever e garantir condições humanas para os internados e cabe ressaltar que Basaglia e Foucault já haviam visitados os hospitais psiquiátricos no Brasil e relatados suas posturas negativas quanto às condições destes locais.

A imprensa negra através do jornal A Voz da Raça: uma São Paulo de negros para negros

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
FLH0425 - UMA HISTÓRIA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO: UM DESAFIO PEDAGÓGICO
 
Profa. Dra. Antonia Terra Calazans Fernandes
A imprensa negra através do jornal A Voz da Raça: uma São Paulo de negros para negros
Gisele Matos Chaves
Nº USP 8575879
Sequência didática – Trabalho Final
São Paulo
2016
 
 
 
 
ÍNDICE
Resumo ........................................................................................................................................... 3
Introdução ........................................................................................................................................ 4
 
Atividade 1 – Discussão: a necessidade de uma imprensa negra em pleno século XX ............................................. 6
A vida cotidiana do negro em SP: moradia e emprego ................................................................................... 8
A importância da Frente Negra Brasileira nas questões cruciais a essa população ................................................. 8
 
Atividade 2 – Análise documental: o jornal A Voz da Raça e sua atuação social em diferentes números...................... 11
Integração do negro na sociedade paulista: prós e contras da proposta defendida pela Frente Negra Brasileira em A Voz da Raça .............. 14
 
Atividade 3 – Mãos na massa! Confecção de um jornal que contemple o cotidiano do bairro aonde a escola fica localizada ...................... 18
Considerações finais ...................................................................................................................... 19
Referências bibliográficas .............................................................................................................. 20
Referências iconográficas .............................................................................................................. 20
 
 
 
Resumo
Esta sequência didática, destinada a professores de história que ministram aulas para os 2º e 3º anos do Ensino Médio Regular, tem como principal objetivo trabalhar a Lei 10.639/03, que torna obrigatório o ensino de História e Cultura Africana e Afro-Brasileira nas escolas de todo o país. A temática abordada visa entender o cotidiano do negro na cidade de São Paulo no século XX. Nossa análise se propõe a estudar o papel da imprensa negra paulista em seu período de maior reivindicação política, que se inicia com a fundação da Frente Negra Brasileira (1931) e que tem seu auge com a publicação do seu órgão fundamental, o jornal A Voz da Raça, perdura de 1933 a 1937.
 
Entendemos que as publicações jornalísticas, além de transmitir a realidade vivenciada pelo negro nesse período histórico, retrata também a mentalidade de uma classe média pobre que, em meio a tantas adversidades, procura por meios para sobreviver e ascender socialmente, buscando a integração da população negra à sociedade paulista, reivindicando seus direitos como cidadãos e criticando os preconceitos de cor existentes nessa sociedade que, em pleno século XX, vive uma intensa onda imigratória e de assimilação das teorias raciais, marginalizando, assim, cada vez mais a população negra.
 
A proposta vai além de aulas expositivas tradicionais. O intuito aqui é de incitar o professor a provocar discussões que levem o aluno a entender como os processos históricos passados influenciam nas relações sociais do presente. O modo de estruturação dos movimentos sociais negros, a maneira como esses indivíduos eram tratados pelas autoridades e/ou pela própria população não negra e as formas de sobrevivência encontradas para se integrar na São Paulo moderna e industrializada leva a reflexões que nos permitem pensar o racismo atual e a atual situação da população negra, contribuindo, assim, para que o aprendizado possa diminuir preconceitos e estereótipos associados a esses indivíduos.
 
 
Palavras-chave: Imprensa Negra; Frente Negra Brasileira; A Voz da Raça; São Paulo; Jornal