Africanos Livres em São Paulo no Oitocentos: Experiências Históricas Singulares na Sala de Aula

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
 
AFRICANOS LIVRES EM SÃO PAULO NOS OITOCENTOS:
experiências históricas singulares na sala de aula
 
 
Trabalho final para compor a nota da disciplina
(FLH0425) Uma história para a cidade de São
Paulo: um desafio pedagógico, ministrada pela
profa. Dra. Antonia Terra de Calazans Fernandes.
Disciplina optativa eletiva para o curso de
Bacharelado em História.
 
 
Aluno: Paulo Roberto Marques de Oliveira
N. USP: 8576115
Período: vespertino
São Paulo
Dezembro / 2016
 
 
 
 
Introdução
 
Este material didático tem como objetivo trazer informações e propostas de atividades para o(a) professor(a) responsável pela disciplina de história sobre o tema dos
africanos livres em plena sociedade escravista brasileira dos Oitocentos.
 
Para que tanto a(o) docente quanto as(os) alunas(os) pudessem desfrutar melhor das discussões sobre este assunto, optou-se por fazer um recorte específico: as relações sociais dos africanos livres na cidade de São Paulo. Tal temática assume uma grande importância na atualidade, sobretudo porque vemos, com frequência, nos noticiários brasileiros, a chegada de imigrantes provenientes de vários países do continente africano. Claro que há uma diferença significativa entre os africanos livres que chegaram em São Paulo no século XIX a partir do comércio, então, ilegal de seres humanos, e os imigrantes africanos atuais cuja maioria, mesmo não tendo escolha de permanecer em seus países de origem, optaram por viver nesta capital brasileira. O contraste entre ambas as condições visa sensibilizar tanto a(o) docente quanto os(as) alunas(os) com as discussões sobre ser um negro imigrante num país com um forte legado escravista.
 
No século XIX, a discriminação era aberta e cotidiana, já, no século XXI, observa-se a alteração apenas da característica “aberta”. Como um país de “democracia racial”, “ficaria feio” para o Brasil discriminar declaradamente os negros. Nosso racismo assumiu características históricas particulares. Como alguns estudiosos apontam, ele é um racismo diferencialista, isto é, que deixou de segregar abertamente por causa da raça, passando a unir esta característica à condição socioeconômica à qual os negros (pardos e pretos) foram relegados historicamente em nosso país (SILVA, 2008, p. 16). Ao se entender que, infelizmente, o racismo é um discurso assumido como inexistente no Brasil (portanto, não necessitaria, supostamente, de uma problematização, muito menos de um combate direto), podemos refletir sobre as expressões dele “sem que se necessite atribuir o epíteto de racista a seus emissores” (ROSEMBERG; BAZZILI; SILVA, 20031, p. 129 apud SILVA, 2008, p.
19). Este caminho para a análise facilita, a meu ver, a abordagem deste tema em sala de aula.
 
 
As atividades propostas possuem um caráter de sugestão, por isso, podem ser modificadas visando objetivos outros. No entanto, da maneira, como foram organizadas, elas não só privilegiam a discussão sobre fontes escritas e não escritas, fotografias, principalmente, mas também sobre diferentes temas como a escravidão em São Paulo na segunda metade do século XIX, o Hospício dos Alienados, o abandono de edifícios tombados por órgãos de 1 ROSEMBERG, Fúlvia; BRAZILLI, Chirlei; SILVA, Paulo V. B. “Racismo em livros didáticos brasileiros e seu combate: uma revisão da literatura”. In: Educação & Realidade, v. 27, n. 1, jan.-jun./2003, p. 125-46. preservação patrimonial e a história dos rios. Todos concatenados a fim de complexificar o tema central deste material didático que é a experiência histórica dos africanos livres na cidade de São Paulo.
 

O (esquecido) protagonismo de Carolina de Jesus numa São Paulo miserável

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS

DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

CURSO DE UMA HISTÓRIA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO: UM DESAFIO PEDAGÓGICO – FLH0425/ 2º SEMESTRE DE 2013

PROFESSORA DRA. ANTONIA TERRA DE CALAZANS FERNANDES

BASEADO EM FATOS REAIS:

O (esquecido) protagonismo de Carolina de Jesus numa São Paulo miserável

 Sequência didática elaborada como trabalho de finalização do curso.

Aluno: José Bento de Oliveira Camassa

Número USP: 8575409

São Paulo

2015

 

“Daria um filme, uma negra e uma criança nos braços/

Solitária na floresta de concreto e aço”

(Racionais Mc’s, Negro Drama, 2002)

 

 

Resumo

            Este projeto de sequência didática, destinado a professores de Educação de Jovens e Adultos (EJA), tem como tema o famoso livro-diário Quarto de Despejo – Diário de uma favelada[1] (1960) da escritora Carolina Maria de Jesus (1914 – 1977), moradora da favela do Canindé, na capital paulista. Nossas análises são uma tentativa de olhar as contradições da década de 1950 da cidade de São Paulo por meio da história individual de Carolina e da dura realidade vivida por ela. Assim, pretendemos resgatar a memória da importante figura de Carolina, que tem estado em desconhecimento do grande público nas últimas décadas. Também sugerimos que se aproveite Carolina de Jesus como um caso que abre portas para se refletir com os alunos, em forma de diálogo, outros dois temas: a relação entre a História e as histórias de vidas; e a importância da leitura e da escrita para o ser humano.

 

A evolução da escolaridade feminina brasileira no estudo de diversas fontes - século XIX ao XXI

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
Sequência didática
A evolução da escolaridade feminina brasileira no estudo de diversas fontes - século
XIX ao XXI
Isabela Rodrigues de Souza
Número USP: 8980089
SÃO PAULO
2015

 

Tema:
A evolução da escolaridade feminina brasileira no estudo de diversas fontes - século XIX ao XXI.


• Público alvo: alunos do 9º ano do Ensino Fundamental.


Objetivos:
A elaboração dos fatos históricos, ao longo do tempo, tem mostrado uma clara preferência pela
História do homem e das grandes figuras masculinas, permeados por uma visão eurocentrica. Isso
levou a exclusão dos agentes femininos como construtores dos acontecimentos, sendo esse assunto
interesse de pesquisa apenas recentemente.


Este trabalho quer contribuir, de certo modo, para a elevação dos estudos que possuem as mulheres
como foco central em análises sobre a educação. Pensando nisso, o intuito dessa sequência didática
é a elucidação da história da educação das mulheres desde a permissão de ensino ao gênero
feminino até os dias de hoje.


Para isso, será realizado um estudo comparativo de textos e leis referentes ao final do século XIX e
início do XX e relatos recolhidos pelos alunos com avós, mães, outros familiares e/ou vizinhas
relativos a segunda metade do século XX. Destarte, os estudantes conseguirão observar as
principais mudanças no decorrer do tempo. Ademais, enfatizar-se-á que os próprios alunos podem
ser construtores do saber histórico, pois os dados para análise da educação das mulheres no século
XX serão recolhidos e examinados por eles mesmos.