O desigual acesso da população negra à educação: uma realidade a ser entendida e superada

UNIVERSIDADE DE SAO PAULO FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
2° Semestre de 2014
Giulia Bortoliero Coli Badini, n" USP: 8576668
SEQUÊNCIA DIDÁTICA:  "O desigual acesso da população negra à educação: uma realidade a ser entendida e superada."
SAOPAULO 2015

 

Essa sequência didática é proposta para alunos do Ensino Fundamental, considerando que deva ser desenvolvida num conjunto de quatro aulas com, aproximadamente, 50 minutos de duração.
o objetivo dessa sequência é discutir com os alunos o acesso da população negra brasileira à educação e como foi construída ao longo da história brasileira uma desigual participação desta. Pretende-se fazer uma abordagem histórica, analisando as condições desses indivíduos desde o período colonial, e como houve a perpetuação da marginalização da população negra.
Ao final desse conjunto de aulas, almeja-se que os alunos desenvolvam criticamente propostas para a inclusão social dos negros na educação.

Quilombos

Nome: Claudius Roberto dos Santos da Silva
Numero: 5683332
Prof: Antonia Terra
Matéria: Ensino de História: Teoria e Prática

 

 

Tema:

 

  •  Quilombos
  •  Definição de quilombos pelas autoridades coloniais
  •  O entorno das áreas quilombolas (não eram sociedades isoladas à margem do sistema escravista)
  •  Participação dos quilombos em movimentos sociais e rebeliões
  •  O paradoxo dos quilombos e sua idealização (não era uma volta total às origens culturais africanas e derrubar a ideia de heroísmo atribuído a estas comunidades)

Objetivo:

 

          Durante um longo período, a historiografia brasileira tem tratado o assunto Quilombo com pouca importância ou de modo tendencioso. Passando uma ideia equivocada do que era um quilombo (área onde todos eram recebidos de “braços abertos” e onde não havia hierarquias), como os seus membros se relacionavam com o seu entorno e sua estrutura social; criando, também, um mito sobre a cultura interna desta sociedade. Esta forma de ver os quilombos contaminou os livros didáticos e, por fim, as salas de aula.
           O propósito deste trabalho é demonstrar dentro de uma perspectiva histórica algumas mistificações relacionadas aos quilombos (mistificações que são perpetuadas pelos manuais de história e por professores que pecam mais pela falta de conhecimento do assunto e pela escassa produção sobre o tema que por má-fé) e elucidá-las da forma mais clara e simples possível. E também apresentar um esquema de aula que tenha uma proposta didática clara e que esclareça e dissolva os velhos paradigmas.

 

A Revolta dos Malês, em Salvador da Bahia (1835).

Ensino de História: Teoria e prática (FLH0421)                 Sequência didática - 2015

Docente: Antônia F. C. Terra                                                           Rubens Baldini Neto

 

 

 

Introdução

A cultura é a herança de uma sociedade, o conjunto de objetivos materiais que permitem ao grupo assegurar sua vida cotidiana e a de instituições que coordenam as atividades dos membros dos grupos, de representações coletivas que constituem uma concepção do mundo, uma moral, uma arte. E esse conjunto é transmitido de geração a geração, para cada membro da sociedade, por meio do processo educativo. (Kabenguele MUNANGA, 1986)[1]

 

                A importância do estudo da História da África e dos afro-brasileiros em todos os níveis da Educação brasileira refletida na Lei 11.645/08 foi resultado da luta do movimento negro pela afirmação e valorização de sua cultura como forma de combate ao racismo, que sempre foi negado pela classe dominante brasileira[2], mas que ganhou argumentação consistente nas décadas de 1930 e 1940 com a profusão do “mito da democracia racial no Brasil” excluindo a população negra dos lugares de destaque e as marginalizando.[3]

 

            Assim, podemos afirmar que o ensino de História da África, da cultura e da luta dos afro-descentes no Brasil é importante para combater o racismo estrutural da nossa sociedade, mas vai além e possibilita o conhecer o outro, que na dinâmica da identidade-alteridade se constrói a pluralidade, a diversidade e o respeito.[4] É enriquecer a Educação e a formação dos jovens como um todo, por isso “as crianças e adolescentes que se identificam e são identificados como brancos têm muito a ganhar com o ensino qualificado das histórias e cultura afro-brasileira e indígena” como nos aclara Alberti (2013, p.28).[5]