Cinema e História: O uso de filmes nas aulas de História

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO
FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS
DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA
Seqüência Didática de Ensino de História
Experiência do Estágio:
“Cinema e História: O uso de filmes nas aulas de
História”

Nome: Laís Alves Sanchez
Nº USP: 5974076
Professora: Antonia Terra Calazans
Ensino de História: Teoria e Prática

Seqüência Didática desenvolvida para a Disciplina de Ensino de História: Teoria e Prática, orientada pela professora Antonia Terra Calazans.

Tema:
• Absolutismo Monárquico
• Formação da América Inglesa
• Constituição e Independência das Treze Colônias da América do Norte.
Público Alvo: Alunos do 2º ano do Ensino Médio.
 

Objetivos:
Trazer para a sala de aula a discussão sobre o uso de meios cinematográficos e como trabalhar os conteúdos de História a partir dos mesmos. Opto pelos filmes que circulam nos cinemas e canais de televisão na atualidade, pois de maneira geral os alunos “consomem” este tipo de mídia e acredito que o trabalho feito em sala de aula os auxilia a ter uma visão crítica sobre os meios de comunicação de massa e a aproveitarem da melhor maneira as informações que lhes são dadas. Trabalharei juntamente com os filmes, com documentação de época, e sempre que possível, músicas, recortes de jornal, informações veiculadas pela Internet.

Conteúdo:
Acompanhar o conteúdo programado para esta série na disciplina regular de História, com foco em: Absolutismo Monárquico e Colonização da América do Norte.
Os filmes programados são: Elizabeth – a Era de Ouro, Pocahontas, As Bruxas de Salém, O Ultimo dos Moicanos e O Patriota.

Duração das Atividades:
As atividades demandam de 1 a 3 aulas cada, tendo como base aulas de 50 minutos, dependendo do andamento da turma e da coordenação do professor.

Desenvolvimento das Atividades:
Atividade 1:
Nesta primeira aula o professor poderá fazer uma discussão sobre o que os alunos entendem por “História” e porque eles estudam esta disciplina na escola. O professor deve ir anotando na lousa o que os alunos forem respondendo sobre esta questão.
Uma sugestão de leitura ao professor é o livro “Apologia da História ou o Ofício do Historiador” do autor Marc Bloch. Neste livro o autor faz uma discussão sobre o trabalho do Historiador, sobre o que é a Ciência histórica.
O professor deverá perguntar aos alunos o que eles entendem como documento histórico, visto que a intenção das próximas aulas é trabalhar com algumas fontes de documentos.
No final da aula o professor deverá explicar o caráter destas aulas e o objetivo a ser alcançado. O professor deverá fazer uma discussão sobre a escolha da fonte, neste caso majoritariamente o cinema, e sobre as obras escolhidas. Neste caso, os filmes foram escolhidos a partir do conteúdo programado para a disciplina de História para o 2º ano do Ensino Médio, com o foco em: Absolutismo Monárquico e Colonização da América do Norte.

Atividade 2:
Exibição do filme: “Elizabeth, a Era de Ouro” de 2007.
Antes da exibição do filme o professor deverá fazer algumas perguntas gerais à classe e que tomassem nota das principais informações ou de tudo o que achassem interessante ao assistirem o filme:
  Alguém aqui já assistiu a esse filme?
  O que o título do filme sugere como tema?
  O que vocês acham que será retratado neste filme?
  Quais as expectativas de vocês quanto à produção?

Atividade 3:
Discussão sobre o filme “Elizabeth, a Era de Ouro”
O professor deverá iniciar a discussão com algumas questões centrais, como as seguintes?
  As expectativas de vocês foram alcançadas?
  Sobre a questão do título do filme, o que vocês pensam agora? Mudou alguma coisa?
  Qual o tema geral do filme?
  Quais as impressões de vocês?
  Qual a época retratada?
  Quais países, povos, religiões e culturas retratadas no filme?
Para a discussão destas questões e proposições de outras os alunos podem ser separados em grupos pequenos para uma posterior discussão com a turma toda.
O professor poderá elaborar um quadro com os principais pontos que apareceram nas discussões dos pequenos grupos quando for abrir a discussão com toda a sala. O professor deve induzir a discussão para que sejam abordados os temas presentes no filme, pois o contexto retratado pelo filme é muito importante, então, ele deverá pontuar algumas questões como: O Absolutismo Monárquico, os Descobrimentos, a guerra entre Espanha e Inglaterra, os conflitos religiosos.
O professor poderá pontuar a questão do figurino do filme, que é exuberante e foi vencedor do Oscar.

Atividade 4:
Exibição do filme: “Pocahontas” de 1995.
Antes da exibição do filme o professor deverá explicar aos alunos a escolha de usar o desenho animado, visto que ele se enquadra na temática do Projeto.

Por se tratar de um desenho mais antigo, pode ser que a maioria dos alunos não tenham assistido o filme. O professor deverá fazer algumas perguntas antes de iniciar o filme, podendo ser semelhantes ás do filme anterior:
  O que vocês acham que é o tema central deste filme?
  Já ouviram falar da Pocahontas?
  O que vocês esperam que tenha neste filme?

Atividade 5:
Discussão do filme: “Pocahontas” O professor deverá realizar a discussão a partir de alguns temas, como por exemplo a questão do “choque de culturas”. O professor poderá pedir aos alunos que discutam e manifestem a sua opinião sobre o filme e que cada um escolha um tema a ser debatido, assim a aula poderá ser feita em grupo com a participação de todos. O professor poderá fazer o papel de mediador, deixando que os alunos conduzam as discussões.
Um aspecto formal do filme que o professor poderá discutir é a produção musical, visto que se trata de um filme onde boa parte dos diálogos com mensagens mais profundas são feitas através de músicas.
Poderá ser feito também um trabalho com a música ”Colors Of The Wind”, cuja tradução é a seguinte:
Cores do Vento
Você pensa que sou uma selvagem ignorante
E você já esteve em tantos lugares, eu acho que deve ser assim
Mas mesmo assim não posso ver, se a selvagem aqui sou eu
Como pode existir tanto que você não sabe?
Você não sabe…
Você pensa que possui qualquer terra que explora

A Terra é só uma coisa morta que você pode requerer
Mas eu conheço cada pedra e árvore e criatura
Tem uma vida, tem um espírito, tem um nome
Você pensa que o único povo que é povo
São as pessoas que parecem e pensam como você
Mas se seguir os passos de um estranho
Vai aprender coisas que nunca soube que não sabia
Você alguma vez escutou um lobo chorar para a lua azul?
Ou perguntou ao sorridente lince porque ele sorria?
Pode cantar com todas as vozes da montanha?
Pode pintar com todas as cores do vento?
Pode pintar com todas as cores do vento…?
Venha correr pelas trilhas de pinheiros da floresta
Venha provar as bagas doces da Terra
Venha rolar em todas as riquezas à sua volta
E por um momento nunca imaginar quanto custam
A tempestade e o rio são meus irmãos
A garça e a lontra são minhas amigas
E nós somos todos conectados uns aos outros
Em um círculo, em um aro que nunca acaba
Quão alto o plátano cresce
Se o cortar então nunca saberá
E você nunca vai ouvir o lobo chorar para a lua azul
Para se temos a pele branca ou cor de cobre
Nós precisamos cantar com todas as vozes da montanha
Precisamos pintar com todas as cores do vento

Você pode possuir a terra e mesmo assim
Tudo que vai possuir é terra até que
Você possa pintar com todas as cores do vento…

Se a intenção do professor for trabalhar mais a fundo a questão musical ele poderá passar esta música, em uma versão instrumental, antes da exibição do filme e pedir que os alunos escrevam, ou digam, o que acharam da música, qual mensagem a música queira passar, e trabalhar com a letra da música só após a exibição do filme.

Atividade 6:
Trabalho com documentos de época:
O professor poderá trabalhar, dentro desta temática da visão do europeu sobre o indígena americano, com um texto do Américo Vespúcio, que não trata da América do Norte, mas fornece um relato sobre o que os europeus pensavam sobre os indígenas. O documento se chama “Mundos Novus” e está redigido a seguir:
Mundus Novus (1503)
“Há dias lhe escrevi intensamente acerca do meu regresso das terras novas, que, na frota a expensas deste Sereníssimo rei de Portugal, corremos e descobrimos, as quais terras nos deve ser permitido chamar Novo Mundo, porque, entre os nossos maiores não houve o menor conhecimento de que fossem habitadas, e para todos os que ouvirem será uma novidade. E, entretanto, esta opinião vai além dos antigos, pois deles a maior parte dizem que, além da equinocial, para a banda do meio-dia, não existia terra continental, mas somente o mar Atlântico, e os que assim afirmaram haver aí terra negaram que fosse habitada de racionais. Mas o ser esta opinião falsa, e a verdade o contrário, se provou nesta minha ultima viagem, pois naqueles meridianos encontrei terra continental habitada de mais povos e animais que a nossa Europa e a Ásia ou África, e os ares mais temperados e a menos que em qualquer outra região conhecida, conforme direi, tratando do que vi ou ouvi digno de notar neste Novo Mundo, segundo se verá mais abaixo [...].

Começarei pela gente. Foi tanta a multidão dela, mansa e tratável, que encontramos naquelas regiões, que, como diz o Apocalipse, não se pôde contar. Os de um e de outro sexo andam nus, sem cobrir nenhuma parte do corpo, como saem dos corpos das mães, e assim vão até a morte. Têm os corpos grandes e robustos, bem dispostos e proporcionados, de cor tirante à vermelha, o que, segundo creio, lhes procede serem tintos pelo sol, andando nus [...].
Não possuem panos de lã nem de linho, nem mesmo de algodão porque os não necessitam, nem têm bens de propriedades; porém tudo lhes é comum. E vivem juntos, sem rei nem Império, e cada qual é senhor de si.
Tomam tantas mulheres quantas querem, e o filho se junta com a mãe, e o irmão com a irmã, e o primo com a prima, e o caminhante com a que encontra. Basta a vontade para matrimoniarem, no que não observam ordem alguma.Além disso não se possuem templos nem leis, nem são idólatras. Que mais direi? Vivem secundum naturam, e se podem conceituar de epicureus mais que de estóicos. Não há entre eles comerciantes nem comércio.
Guerream-se entre si, sem arte nem ordem. Os mais velhos, com alguma parcialidade, obrigam a quanto querem os jovens, e os levam á guerra, na qual se matam cruamente; e aos que cativam não poupam as vidas senão para os que sirvam toda a vida, ainda que a outros comem, sendo certo que é entre eles a carne humana manjar comum, e se há visto haver o pai comido mulher e os filhos. E um conhecido meu, a quem falei, que se gabava de haver saboreando trezentos corpos humanos, e até estive vinte e sete dias em certa povoação, onde vi dependurada pelas habitações carne humana salgada, como entre nós se usa com o toucinho e a chacina de porco.
Digo mais: até se admiram de como nós não comamos os nossos inimigos, bem façamos uso de sua carne, que dizem saborosíssima. Suas armas são arcos e flechas, e quando se afrontam em ação não cobrem nenhuma parte do corpo para defender-se, e nisto são semelhantes aos animais. Procuramos dissuadi-los quanto nos foi possível destes bárbaros costumes, e eles nos prometeram deixá-los.
As mulheres vão nuas, e conquanto libidinosas, como disse [anteriormente], são assaz belas e bem formadas, e pasmoso nos pareceu que, entre as que vimos, nenhuma se notava que tivesse os peitos caídos, e as que já haviam parido, pela forma do ventre e sua concentração, não se diferenciavam das virgens, e se lhes semelhavam nas outras partes do corpo, do que por decência deixo de ocupar-me, mas quando podiam tratar com os nossos cristãos, impelidas pelo desejo, não tinham o menor pudor [...].

A terra daquelas regiões é fértil e amena, de muitos montes e morros, e infinitos vales, e regada de grandes rios e fontes, coberta de extensos bosques, densos e apenas penetráveis, e povoada copiosamente de feras de todas as castas. Nela nascem, sem cultura, grandes árvores, as quais produzem frutos deleitosos, e de proveito ao corpo e nada nocivos, e nenhuns frutos são parecidos com os nossos. Produzem-se inumeráveis gêneros de árvores e raízes, de que fabricam pão e ótimos mingaus, além de muitos grãos ou sementes não semelhantes aos nossos.
Metais nenhuns ai se encontram, exceto o outro, do qual há abundância, se bem que desta viagem nenhum conosco trouxemos; mas deram-nos dele noticia aos habitantes, afirmando que nos sertões havia muito, mas que não o estimavam nem apreciavam.
[...] E por certo que se o Paraíso Terreal existem em alguma parte da terra, creio que não deve ser longe desses países; ficando situado ao meio-dia, com ares tão temperados, que nem no inverno gela, nem no verão faz calor [...]”.
(Extraído de Darcy Ribeiro & Carlos Araújo Moreira Neto – A Fundação do Brasil: testemunhos 1500- 1700. Petrópolis, Vozes, 1992, p. 101-106).
O professor poderá pedir que os alunos, individualmente, façam a leitura e anotem as principais idéias retiradas do texto. E depois, em conjunto com a sala estabelecer um debate sobre as visões produzidas pelo filme e pelo documento de época.

Atividade 7:
Exibição do filme: “As Bruxas de Salém” de 1996.
Antes da exibição do filme o professor deverá fazer algumas perguntas aos alunos, como por exemplo:
  O que o título do filme pode nos indicar sobre a sua história?
  O que vocês esperam ver neste filme?
  O que vocês pensam sobre bruxaria?
  O que esse filme pode ter a ver com o nosso tema central do Projeto?

Atividade 8
Discussão sobre o filme “As Bruxas de Salém”
O professor deverá explicar que o filme foi baseado em uma peça teatral do século XX, do diretor Arthur Miller, mas tanto a peça quanto o filme retratam um episódio ocorrido na América do Norte em 1692.
O professor deverá trabalhar a questão de ser uma comunidade puritana e por isso o filme não apresentar indígenas.
O professor deverá trabalhar neste filme outra questão. A do macarthismo, pois a produção do filme se vale da história ocorrida no século XVII, mas tem a intenção de tratar o macarthismo, fato ocorrido durante a Guerra Fria, que consiste no mesmo sistema de delação apresentado no filme, mas não em uma “caça às bruxas” mas sim aos comunistas.
Neste momento o professor poderá discutir o uso dos filmes como transmissores de ideologias , ressaltar que a produção cinematográfica não é ingênua e vem carregada de tensões da época, retomando a idéia de que não se trata de retratos fiéis do que aconteceu no passado.

Atividade 9
Exibição do filme: “O Último dos Moicanos” de 1992
O professor deverá fazer algumas perguntas antes do filme:
  O Título do filme indica qual o tema a ser retratado?
  Vocês tem alguma idéia do que se passará no filme?

Atividade 10:
Discussão do filme: O Ultimo dos Moicanos
O professor deverá iniciar a discussão com as perguntas básicas, como as seguintes:
  Qual o tema central do filme?
  Qual a visão passada sobre os nativos?
  E sobre os europeus?
  Sobre a questão cultural, o que vocês acham que o filme quis passar?
O professor deverá explicar a “Guerra dos Sete” anos aos alunos, que é o contexto geral do filme e por ser um filme de enredo mais complexo do que os anteriores, explicar as ligações dos indígenas com os franceses e ingleses, sanar as dúvidas existentes.
O professor poderá pedir aos alunos que listem as principais características formais do filme, como por exemplo a produção musical que é parte integrante do filme e diz muito sobre as cenas.
O professor poderá trabalhar as músicas contidas no filme que são essencialmente instrumentais e traduzem os sentimentos e sensações que as cenas exigem.

Atividade 11:
Exibição do filme, O Patriota, de 2000.
Como nos demais filmes o professor deverá fazer algumas perguntas antes de iniciar o filme:
  Depois de terem assistido ao “O Ultimo dos Moicanos” o que vocês acham que vão assistir neste filme?
  O que o título nos sugere?
  Quais as expectativas de vocês?

Atividade 12:
Discussão do filme “O Patriota”
Perguntas gerais:
  Qual o tema central do filme?
  O que vocês puderam depreender deste processo?
  Qual idéia sobre a Nação Norte-Americana o diretor quis passar?
  O que o filme define como “patriotismo”?

  Qual a ligação do contexto deste filme com o anterior “O Último dos Moicanos”?
O professor deverá discutir o filme e a Independência das 13 Colônias da América do Norte. Poderá dividir os alunos em grupos para que discutam as principais impressões do filme.
Sugiro que o professor faça uma atividade com a Declaração de Independência norte-americana, entregando uma cópia para cada aluno ou grupo de alunos pedindo para que eles analisem o documento. O professor poderá orientar esta análise e fornecer conhecimentos prévios sobre a inspiração iluminista presente na Declaração.
“Declaração de Independência.
No Congresso, 4 de julho de 1776
Declaração Unânime dos Treze Estados Unidos da América
Quando, no curso dos acontecimentos humanos, se torna necessário um povo dissolver laços políticos que o ligavam a outro, e assumir, entre os poderes da Terra, posição igual e separada, a que lhe dão direito as leis da natureza e as do Deus da natureza, o respeito digno às opiniões dos homens exige que se declarem as causas que os levam a essa separação.
Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens foram criados iguais, foram dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade.
Que a fim de assegurar esses direitos, governos são instituídos entre os homens, derivando seus justos poderes do consentimento dos governados; que, sempre que qualquer forma de governo se torne destrutiva de tais fins, cabe ao povo o direito de alterá-la ou aboli-la e instituir novo governo, baseando-o em tais princípios e organizando-lhe os poderes pela forma que lhe pareça mais conveniente para realizar-lhe a segurança e a felicidade. Na realidade, a prudência recomenda que não se mudem os governos instituídos há muito tempo por motivos leves e passageiros; e, assim sendo, toda experiência tem mostrado que os homens estão mais dispostos a sofrer, enquanto os males são suportáveis, do que a se desagravar, abolindo as formas a que se acostumaram. Mas quando uma longa série de abusos e usurpações, perseguindo invariavelmente o mesmo objeto, indica o desígnio de reduzi-los ao despotismo absoluto, assistem-lhes o direito, bem como o dever, de abolir tais governos e instituir novos-Guardas para sua futura segurança. Tal tem sido o sofrimento paciente destas colônias e tal agora a necessidade que as força a alterar os sistemas anteriores de governo. A história do atual Rei da Grã-Bretanha compõe-se de repetidos danos e usurpações, tendo todos por objetivo direto o estabelecimento da tirania absoluta sobre estes Estados. Para prová-lo, permitam-nos submeter os fatos a um cândido mundo. Recusou assentimento a leis das mais salutares e necessárias ao bem público.
Proibiu aos governadores a promulgação de leis de importância imediata e urgente, a menos que a aplicação fosse suspensa até que se obtivesse o seu assentimento, e, uma vez suspensas, deixou inteiramente de dispensar-lhes atenção.
Recusou promulgar outras leis para o bem-estar de grande distritos de povo, a menos que abandonassem o direito à representação no Legislativo, direito inestimável para eles temível apenas para os tiranos, Convocou os corpos legislativos a lugares não usuais, ser conforto e distantes dos locais em que se encontram os arquivos públicos, com o único fito de arrancar-lhes, pela fadiga o assentimento às medidas que lhe conviessem.
Dissolveu Casas de Representantes repetidamente porque: opunham com máscula firmeza às invasões dos direitos do povo.
Recusou por muito tempo, depois de tais dissoluções, fazer com que outros fossem eleitos; em virtude do que os poderes legislativos incapazes de aniquilação voltaram ao povo em geral para que os exercesse; ficando nesse ínterim o Estado exposto a todos os perigos de invasão externa ou convulsão interna.
Procurou impedir o povoamento destes estados, obstruindo para esse fim as leis de naturalização de estrangeiros, recusando promulgar outras que animassem as migrações para cá e complicando as condições para novas apropriações de terras.
Dificultou a administração da justiça pela recusa de assentimento a leis que estabeleciam poderes judiciários.
Tornou os juízes dependentes apenas da vontade dele para gozo do cargo e valor e pagamento dos respectivos salários.
Criou uma multidão de novos cargos e para eles enviou enxames de funcionários para perseguir o povo e devorar-nos a substância.
Manteve entre nós, em tempo de paz, exércitos permanentes sem o consentimento de nossos corpos legislativos.
Tentou tornar o militar independente do poder civil e a ele superior.
Combinou com outros sujeitar-nos a jurisdição estranha à nossa Constituição e não reconhecida por nossas leis, dando assentimento a seus atos de pretensa legislação: por aquartelar grandes corpos de tropas entre nós; por protegê-las por meio de julgamentos simulados, de punição por assassinatos que viessem a cometer contra os habitantes destes estados; por fazer cessar nosso comércio com todas as partes do mundo; pelo lançamento de taxas sem nosso consentimento; por privar-nos, em muitos casos, dos benefícios do julgamento pelo júri; por transportar-nos para além-mar para julgamento por pretensas ofensas; por abolir o sistema livre de leis inglesas em província vizinha, aí estabelecendo governo arbitrário e ampliando-lhe os limites, de sorte a torná-lo, de imediato, exemplo e instrumento apropriado para a introdução do mesmo domínio absoluto nestas colônias; por tirar-nos nossas cartas, abolindo nossas leis mais valiosas e alterando fundamentalmente a forma de nosso governo; por suspender nossos corpos legislativos, declarando se investido do poder de legislar para nós em todos e quaisquer casos.
Abdicou do governo aqui por declarar-nos fora de sua proteção e movendo guerra contra nós. Saqueou nossos mares, devastou nossas costas, incendiou nossas cidades e destruiu a vida de nosso povo. Está, agora mesmo, transportando grandes exércitos de mercenários estrangeiros para completar a obra da morte, desolação e tirania, já iniciada em circunstâncias de crueldade e perfídia raramente igualadas nas idades mais bárbaras e totalmente indignas do chefe de uma nação civilizada.
Obrigou nossos concidadãos aprisionados em alto-mar a tomarem armas contra a própria pátria, para que se tornassem algozes dos amigos e irmãos ou para que caíssem por suas mãos.
Provocou insurreições internas entre nós e procurou trazer contra os habitantes das fronteiras os índios selvagens e impiedosos, cuja regra sabida de guerra é a destruição sem distinção de idade, sexo e condições.
Em cada fase dessas opressões solicitamos reparação nos termos mais humildes; responderam a nossas apenas com repetido agravo. Um príncipe cujo caráter se assinala deste modo por todos os atos capazes de definir tirano não está em condições de governar um povo livre. Tampouco deixamos de chamar a atenção de nossos irmãos britânicos. De tempos em tempos, os advertimos sobre as tentativas do Legislativo deles de estender sobre nós jurisdição insustentável. Lembramos a eles das circunstâncias de nossa migração e estabelecimento aqui. Apelamos para a justiça natural e para a magnanimidade, e os conjuramos, pelos laços de nosso parentesco comum, a repudiarem essas usurpações que interromperiam, inevitavelmente, nossas ligações e nossa correspondência. Permaneceram também surdos à voz da justiça e da consangüinidade. Temos, portanto, de aquiescer na necessidade de  denunciar nossa separação e considerá-los, como consideramos o restante dos homens, inimigos na guerra e amigos na paz.
Nós, Por conseguinte, representantes dos Estados Unidos da América, reunidos em Congresso Geral, apelando para o Juiz Supremo do mundo pela retidão de nossas intenções, em nome e por autoridade do bom povo destas colônias, publicamos e declaramos solenemente: que estas
colônias unidas são e de direito têm de ser Estados livres e independentes, que estão desoneradas de qualquer vassalagem para com a Coroa Britânica, e que todo vínculo político entre elas e a Grã- Bretanha está e deve ficar totalmente dissolvido; e que, como Estados livres e independentes, têm inteiro poder para declarar guerra, concluir paz, contratar alianças, estabelecer comércio e praticar todos os atos e ações a que têm direito os estados independentes. E em apoio desta declaração, plenos de firme confiança na proteção da Divina Providência, empenhamos mutuamente nossas vidas, nossas fortunas e nossa sagrada honra. “

Atividade de Avaliação
O professor poderá pedir aos alunos a produção de dois textos: a produção de um trabalho final com um cruzamento dos filmes assistidos, das discussões e das impressões deixadas pelo projeto, e um segundo texto no qual o aluno fará uma reflexão a partir do seguinte questionamento “Por que é tão comum o uso de temas históricos em produções cinematográficas? Para você, qual o significado destas escolhas?”.
Além disso, uma auto-avaliação de aprendizagem e uma avaliação sobre o Projeto e o professor, com críticas e sugestões, visando melhorias.