Nacionalismo de Vargas e a política da boa vizinhança

Docente responsável: Antonia Terra
Aluno (a): Raphael Leon de Vasconcelos
 

 

Objetivos:

O objetivo dessa sequência é demonstrar de uma forma dinâmica, divertida e , ao mesmo tempo, crítica sobre o nacionalismo e sua função durante a ditadura Vargas. Um nacionalismo que não foi só demonstrado dentro do país, mas também para o exterior construindo uma imagem que perdura até os dias atuais.

Essa imagem para o exterior foi incentivado através de uma política que visava a aproximação norte-americana dos países latinos construindo, assim, uma aliança num momento de situação crítica com os adventos da segunda guerra e a crise dos regime democrático-liberais da América.

 

Desenvolvimento:

A sequência é dividida em quatro partes:

1-) O nacionalismo como forma de legitimação de uma ditadura.

2-) A razão da cultura brasileira ser demonstrado no estrangeiro.

3-) A cultura brasileira no exterior, uma questão de identidade

4-) Um processo que envolve toda a América Latina

Essas partes estão ligadas, mas caso uma aula não seja suficiente para demonstrar o conteúdo proposto, a sugestão é não deixar os tópicos por incompleto. Se você quiser acabar a sua aula e continuar numa outra, termine totalmente um dos tópico. Tal medida faz com que o aluno não perca a linha de raciocínio. Lembre-se de reservar alguns minutos para lembrar o aluno do que foi aprendido na aula anterior.

Se precisar, altere a sequência para que ela corresponda a realidade da sala e dos alunos.

Nº de aulas: 3 ou 4 dependendo do ritmo da aula.

Duração total dos filmes: 22 minutos e 31 segundos

Total de imagens a serem trabalhadas: 4

Nº de textos a serem trabalhados: 4

Série a qual poderá ser tratado o conteúdo: 9º ano do ensino fundamental ou 3º ano do ensino médio, logo em seguida ao conteúdo da aula de Getúlio Vargas.

As propostas são meramente sugestivas e podem ser adaptados conforme a vontade do professor.

Etapas da aula:

1- O nacionalismo como forma de legitimação de uma ditadura:

A- Mostre o texto e a figura abaixo:

* (Trecho retirado do livro de Jorge Amado “Capitães da Areia” do capítulo “Os atabaques ressoam como clarins de guerra”)

“A voz o chama. Uma voz que o alegra, que faz bater seu coração. Ajudar a mudar o destino de todos os pobres. Uma voz que atravessa a cidade, que parece vir dos atabaques que ressoam nas macumbas da religião ilegal dos negros. Uma voz que vem com o ruído dos bondes onde vão os condutores e motorneiros grevistas. Uma voz que vem do cais, do peito dos estivadores, de João de Adão, de seu pai morrendo num comício, dos marinheiros dos navios, dos saveiristas e dos canoeiros. Uma voz que vem do grupo que joga a luta da capoeira, que vem dos golpes que o Querido-de-Deus aplica. Uma voz que vem mesmo do padre José Pedro, padre pobre de olhos espantados diante do destino terrível dos Capitães da Areia. (….) Uma voz que vem de todos os pobres, do peito de todos os pobres. Uma voz que diz uma palavra bonita de solidariedade, de amizade: companheiros. Uma voz que convida para a festa da luta. Que é como um samba alegre de negro, como ressoar dos atabaques nas macumbas. Voz que vem da lembrança de Dora, valente lutadora. Voz que chama Pedro Bala.(….) Porque é uma voz que chama para lutar por todos, pelo destino de todos, sem exceção. Voz poderosa como nenhuma outra. Voz que atravessa a cidade e vem de todos os lados. Voz que traz com ela uma festa, que faz o inverno acabar lá fora e ser a primavera. A primavera da luta. Voz que chama Pedro Bala, que o leva para a luta. Voz que vem de todos os peitos esfomeados da cidade, de todos os peitos explorados da cidade. Voz que traz o bem maior do mundo, bem que é igual ao sol, mesmo maior que o sol: a liberdade. A cidade no dia de primavera é deslumbradoramente bela. Uma voz de mulher canta a canção da Bahia. Canção da beleza da Bahia. Cidade negra e velha, sinos de igreja, ruas calçadas de pedra. Canção da Bahia que uma mulher canta. Dentro de Pedro Bala uma voz o chama: voz que traz para a canção da Bahia, a canção da liberdade. Voz poderosa que o chama. Voz de toda a cidade pobre da Bahia, voz da liberdade. A revolução chama Pedro Bala.”

*Cartaz representando a revolução constitucionalista de 1932

 

 

O que essa figura representa?

Qual ideologia que é manifestada no texto?

Como uma ditadura consegue se manter no poder com tantas vozes divergentes?

O que você acha que aconteceu com a revolta do cartaz e o livro?

 

B- Demonstre aos alunos que eles acertaram demonstrando os trechos da constituição de 1937

Constituição de 1937

“15) todo cidadão tem o direito de manifestar o seu pensamento, oralmente, ou por escrito, impresso ou por imagens, mediante as condições e nos limites prescritos em lei.

A lei pode prescrever:

a) com o fim de garantir a paz, a ordem e a segurança pública, a censura prévia da imprensa, do teatro, do cinematógrafo, da radiodifusão, facultando à autoridade competente proibir a circulação, a difusão ou a representação;

b) medidas para impedir as manifestações contrárias à moralidade pública e aos bons costumes, assim como as especialmente destinadas à proteção da infância e da juventude;

c) providências destinadas à proteção do interesse público, bem-estar do povo e segurança do Estado.

A imprensa reger-se-á por lei especial, de acordo com os seguintes princípios:

a) a imprensa exerce uma função de caráter público;

b) nenhum jornal pode recusar a inserção de comunicados do Governo, nas dimensões taxadas em lei;

c) é assegurado a todo cidadão o direito de fazer inserir gratuitamente nos jornais que o informarem ou injuriarem, resposta, defesa ou retificação;

d) é proibido o anonimato;

e) a responsabilidade se tornará efetiva por pena de prisão contra o diretor responsável e pena pecuniária aplicada à empresa;

f) as máquinas, caracteres e outros objetos tipográficos utilizados na impressão do jornal constituem garantia do pagamento da multa, reparação ou indenização, e das despesas com o processo nas condenações pronunciadas por delito de imprensa, excluídos os privilégios eventuais derivados do contrato de trabalho da empresa jornalística com os seus empregados. A garantia poderá ser substituída por uma caução depositada no principio de cada ano e arbitrada pela autoridade competente, de acordo com a natureza, a importância e a circulação do jornal;

g) não podem ser proprietários de empresas jornalisticas as sociedades por ações ao portador e os estrangeiros, vedado tanto a estes como às pessoas jurídicas participar de tais empresas como acionistas. A direção dos jornais, bem como a sua orientação intelectual, política e administrativa, só poderá ser exercida por brasileiros natos;”

Pergunte-os se conseguem ver o clima de censura.

Quais são os elementos que demonstre a censura?

Como a imprensa deveria reagir no Estado Novo?

C- Mostre a próxima documentação para demonstrar que o acerto não foi absoluto, que sempre existe resistência numa ditadura por mais dura que seja.

Entrevista com a professora Maria Ledda Leite Linhares. Trecho transcrito do livro: “Conversa com historiadores”

“Quando a senhora retornou, o país vivia em pleno Estado Novo. Como a senhora avalia esse período?

Tenho algumas ideias nada ortodoxas sobre o Estado Novo. Dependendo do período em que estamos, muda a visão, muda o enfoque. Em primeiro lugar, em 1930, como criança e adolescente, admirava Getúlio, a revolução de 30 e a Aliança Liberal. Fui contra a revolução paulista e contra São Paulo. Getúlio naquele momento, para uma garota como eu, representava uma nova mensagem, anunciava um novo país. Mas já nos EUA, num encontro em Geor getown com um grupo de estudantes americanos, vi ser impossível defender a política brasileira, face aquela proximidade inicial com o Eixo. Quando cheguei ao Brasil, o perigo alemão já tinha sido desfeito, o Brasil declarara guerra. Conheci então a União Nacional dos Estudantes (UNE), que tivera um bonito papel no movimento que culminou com o repúdio ao afundamento dos navios brasileiros e levou ao alinhamento com os Estados Unidos. Foi minha forma pessoal de voltar a sentir profundamente o Brasil. Conheci assim toda uma juventude intelectual e politizada. Foi nessa época que me tornei amiga de Samuel Wainer, de Paulo Silveira e Joel Silveira, de Carlos Drummond de Andrade, de Sérgio Buarque de Holanda, Hermes Lima, e encontrei em reuniões estudantis Mario Alves, Carlos Marighela. O Estado Novo para nós era o regime a ser combatido. Outra pessoa que conheci nesse período e que foi muito importante para mim foi Gabriel Lacombe, um francês que costuma dizer que não sabia se era um brasileiro afrancesado ou um francês abrasileirado, então diretor da agência Reuters e depois fundador da France Presse no Brasil. Até sua morte em Lisboa, em 1973, foi talvez a pessoa que exerceu maior influência sobre a minha maneira de pensar politicamente o Brasil dentro do mundo. A partir de 1964, e sobretudo nos dias atuais, vejo Getúlio com mais clareza, creio que sem parti pris, com um pouco da simpatia da criança que eu era em 1930 e do idealismo da jovem antifascista que defendia o envio de soldados brasileiros para lutar contra a barbárie.”

Qual era o pensamento de Maria Ledda sobre o Estado Novo?

Só ela era contra a ditadura?

Com tão dura repressão, como eles poderiam ter um pensamento desses?

Será que as ditaduras conseguem censurar todas as vozes?

Será que basta apenas tentar controlar as vozes?

D- Mostre a outra imagem que se refere a uma parte da cartilha oferecida pelos estudantes na época de Getúlio Vargas.

Texto da imagem: “Crianças! Aprendendo no lar e nas

escolas, o culto da Pátria trareis para a vida prática todas as

probabilidades de êxito. Só o amor constrói e amando

o Brasil, forçosamente o conduzireis aos mais altos destinos

entre as Nações, realizando os desejos de engrandecimento

alinhado em cada coração brasileiro.”

 

 

O que essa imagem representa sobre a imagem de Getúlio Vargas?

Segundo o texto, qual é o papel da escola?

Como essa imagem influencia nas vozes divergentes?

 

E- Toque para eles a música de Chico Alves no link abaixo  destacando o ano em que foi feito a música.

 

 

1Canta Brasil

 

 

Pergunte aos seus alunos se conseguem ver o sentimento patriótico que emanava no Brasil nessa época.

Escute as conclusões.

2- A razão da cultura brasileira ser demonstrada no exterior:

A- Mostre a imagem do álbum de Carmen Miranda.

 

 

 

 

 

O que vocês notam de diferente no álbum?

Qual é a data do álbum?

Por que está escrito em inglês?

Por que foi lançado música brasileira num país de língua inglesa?

Que país de língua inglesa foi lançado essa música?

 

 

B- Toque a música de Carmem Miranda “O que a baiana tem”?

 

 

Quais são os elementos do Brasil que são encontrados na figura do álbum e no vídeo?

Por que ela está sendo lançado num país estrangeiro?

C- Mostre o manifesto da política da Boa vizinhança.

Executive order 8840 – President Franklin Delano Roosevelt

“By virtue of the authority vested in me by the Constitution and statutes of the United States, and in order to define further the functions and duties of the Office for Emergency Management with respect to the unlimited national emergency declared by the President on May 27, 1941, and to provide for the development of commercial and cultural relations between the American Republics and thereby increasing the solidarity of this hemisphere and furthering the spirit of cooperation between the Americas in the interest of hemisphere defense, it is hereby ordered as follows:

1. There is established within the Office for Emergency Management of the Executive Office of the President the Office of the Coordinator of Inter-American Affairs, at the head of which there shall be a Coordinator appointed by the President. The Coordinator shall discharge and perform his duties and responsibilities under the direction and supervision of the President. The Coordinator shall serve as such without compensation, but shall be entitled to actual and necessary transportation, subsistence, and other expenses incidental to the performance of his duties.

2. Subject to such policies, regulations, and directions as the President may from time to time prescribe, the Office of the Coordinator of Inter-American Affairs shall:

a. Serve as the center for the coordination of the cultural and commercial relations of the Nation affecting hemisphere defense.

b. Formulate and execute programs, in cooperation with the Department of State which, by effective use of governmental and private facilities in such fields as the arts and sciences, education and travel, the radio, the press, and the cinema, will further the national defense and strengthen the bonds between the Nations of the Western Hemisphere.

c. Formulate, recommend, and execute programs in the commercial and economic fields which, by the effective use of governmental and private facilities, will further the commercial well-being of the Western Hemisphere.

d. Assist in the coordination and carrying out of the purposes of Public Resolution No. 83 approved June 15, 1941, entitled “To authorize the Secretaries of War and of the Navy to assist the Governments of American Republics to increase their military and naval establishments, and for other purposes.”

e. Review existing laws and recommend such new legislation as may be deemed essential to the effective realization of the basic cultural and commercial objectives of the Government’s program of hemisphere solidarity.

f. Exercise and perform all powers and functions now or heretofore vested in the Office for Coordination of Commercial and Cultural Relations Between the American Republics, established by order of the Council of National Defense on August 16, 1940.

g. Keep the President informed with respect to progress made in carrying out this Order; and perform such other related duties as the President may from time to time assign or delegate to it.

3. In the study of problems and in the execution of programs, it shall be the policy of the Office of the Coordinator of Inter-American Affairs to collaborate with and to utilize the facilities of existing departments and agencies which perform functions and activities affecting the cultural and commercial aspects of hemisphere defense. Such departments and agencies are requested to cooperate with the Coordinator in arranging for appropriate clearance of proposed policies and measures involving the commercial and cultural aspects of Inter-American affairs.

4. Within the limits of funds appropriated or allocated for purposes encompassed by this Order, the Coordinator may contract with and transfer funds to existing governmental agencies and institutions and may enter into contracts and agreements with individuals, educational, informational, commercial, scientific, and cultural institutions, associations, agencies, and industrial organizations, firms, and corporations.

5. The Coordinator is authorized and directed to take over and carry out the provisions of any contracts heretofore entered into by the Office for Coordination of Commercial and Cultural Relations Between the American Republics, established by order of the Council of National Defense on August 16, 1940. The Coordinator is further authorized to assume any obligations or responsibilities which have heretofore been undertaken by the said Office for and on behalf of the United States Government.

6. There is hereby established within the Office of the Coordinator of Inter-American Affairs a Committee on Inter-American Affairs, consisting of the Coordinator as Chairman, one designee each from the Departments of State, Treasury, Agriculture, and Commerce, the President of the Export-Import Bank, and such additional representatives from other agencies and departments as may be designated by the heads of such departments or agencies at the request of the Coordinator of Inter-American Affairs. The Committee shall consider and correlate proposals with respect to the commercial, cultural, educational, and scientific aspects of hemisphere defense relations, and shall make recommendations to the appropriate Government departments and agencies.

7. The Coordinator may provide for the internal organization and management of the Office of the Coordinator of Inter-American Affairs. The Coordinator shall obtain the President’s approval for the establishment of the principal subdivisions of the Office and the appointment of the heads thereof. The Coordinator may appoint such committees as may be required for the conduct of the activities of his office.

8. Within the limits of such funds as may be appropriated to the Coordinator or as may be allocated to him by the President, the Coordinator may employ necessary personnel and make provisions for necessary supplies, facilities, and services. However, the Coordinator shall use such statistical, informational, fiscal, personnel, and other general business services and facilities as may be made available to him through the Office for Emergency Management.”

Tradução:

Ordem Executiva 8840 – Presidente Franklin Delano Roosevelt

Em virtude da autoridade investida por mim pela Constituição e leis dos Estados Unidos, a fim de definir novas tarefas e funções do Instituto de Gestão de Emergência que diz respeito à emergência nacional ilimitada declarada pelo Presidente, em 27 de maio de 1941 , e prever o desenvolvimento das relações comerciais e culturais entre as Repúblicas Americanas, e assim aumentar a solidariedade do hemisfério e promover o espírito de cooperação entre as Américas, no interesse da defesa do hemisfério, fica ordenado da seguinte forma:

1. É estabelecido que o Instituto de Gestão de Emergência do Escritório Executivo do Presidente do Gabinete do Coordenador de Assuntos interamericanos deve haver um coordenador nomeado pelo presidente. O coordenador exerce as suas funções e responsabilidades sob a direção e supervisão do presidente. O coordenador deve servir como tal sem compensações, mas terá direito a transporte necessário, a subsistência e outras despesas extras durante o seu ofício.

2. Sujeito a tais políticas, regulamentos e instruções que o presidente pode, de tempos em tempos, prescrever, o Escritório do Coordenador de Assuntos Interamericanos deve:

a. Servir como centro de coordenação das relações comerciais e culturais da Nação que afetam a defesa do hemisfério.

b. Formular e executar programas, em cooperação com o Departamento de Estado que, através da utilização eficaz das instalações governamentais e privadas em áreas como as artes e ciências, educação e viagens, o rádio, a imprensa e o cinema, ainda mais para a defesa nacional e fortalecer os laços entre as nações do Hemisfério Ocidental.

c. Formular, recomendar e executar programas nas áreas comercial e econômica para que haja uso efetivo do governo e privados , ainda mais o comercial do bem-estar do Hemisfério Ocidental.

d. Auxiliar na coordenação e realização das finalidades públicas da Resolução n º 83 aprovada 15 junho de 1941, intitulado “Para autorizar os Secretários da Guerra e da Marinha para auxiliar os Governos das Repúblicas Americanas para aumentar os seus estabelecimentos militares e navais, e para outros fins. “

e. Examinar as leis existentes e recomendar a nova legislação, que pode ser considerado indispensável para a efetiva realização dos objetivos de base cultural e comercial do programa do Governo de solidariedade do hemisfério.

f. Exercer e executar todos os poderes e funções agora ou outrora pertencente do Gabinete de Coordenação de Comércio e Relações Culturais entre Repúblicas Americanas, criada pela ordem do Conselho de Defesa Nacional em 16 de agosto de 1940.

g. Manter o Presidente informado no que diz respeito aos progressos alcançados na realização desta Ordem, e executar outras tarefas que o presidente delegar.

3. No estudo dos problemas e na execução dos programas, a política do Departamento de Coordenação de Assuntos Interamericanos deve colaborar e utilizar os meios existentes dos serviços e as agências que executam as funções e atividades que afetam a cultura e aspectos comerciais da defesa do hemisfério. Esses departamentos e agências são convidadas a cooperar com o Coordenador na organização apropriada de políticas e medidas propostas, envolvendo os aspectos comercial e cultural dos Assuntos Interamericanos.

4. Dentro dos limites de recursos orçamentários ou alocados para o propósito desta Ordem, o coordenador poderá contar e transferir fundos a agências governamentais e instituições e assim fazer contratos e acordos com pessoas físicas, educacionais, de informação, comercial, científico, e instituições culturais , associações, organismos e organizações industriais, empresas e corporações.

5. O coordenador está autorizado e orientado para assumir e executar as disposições dos contratos até então feitos pelo Departamento de Coordenação de Comércio e Relações Culturais entre Repúblicas Americanas, criada pelo Conselho de Defesa Nacional em 16 de agosto de 1940. O coordenador está ainda autorizado a assumir quaisquer obrigações ou responsabilidades que até então têm sido realizadas por esse serviço por conta e em nome do Governo dos Estados Unidos.

6. É instituído no âmbito do Gabinete do Coordenador de Assuntos Interamericanos um Comitê para Assuntos Interamericanos, a constituição de um Coordenador como presidente, um representante de cada uma das Secretarias de Estado, Tesouro, Agricultura e Comércio, o presidente da Export-Import Bank, e como outros representantes de outros órgãos e serviços que possam ser designados pelos chefes de departamentos ou agências, a pedido do Coordenador de Assuntos Interamericanos. O Comitê examinará as propostas e correlacionar com relação aos aspectos comerciais, culturais, educacionais e científicas das relações de defesa do hemisfério, e fará recomendações aos departamentos governamentais competentes e as agências.

7. O Coordenador pode prever a organização interna e gestão do Gabinete do Coordenador de Assuntos Interamericanos. O coordenador deverá obter a aprovação do presidente para o estabelecimento das subdivisões principais do departamento e a nomeação dos chefes dos mesmos. O Coordenador poderá nomear comissões que possam ser necessários para a realização das atividades de seu escritório.

8. Dentro dos limites dos fundos, como pode ser apropriado para o Coordenador ou que venham a ser atribuídas a ele pelo presidente, o coordenador poderá contratar pessoal necessário, tomará as disposições necessárias para os fornecimentos, instalações e serviços. No entanto, o coordenador deve utilizar tais estatísticas, informação, fiscal, pessoal e outros serviços gerais de negócios e facilidades que possam ser colocados à sua disposição através do Instituto de Gestão de Emergência.

 

 

 

E agora? Você sabe em qual país o disco está sendo lançado?

Por que os EUA estão preocupados em ter uma política da boa vizinhança?

Que repercussões tal política teve posteriormente?

Será que todos os brasileiros gostavam de ser mostrado para o exterior?

D- Mostre a música “Não tem tradução” da cantora Aracy de Almeida e compositor Joe Rosa. Em seguida, mostre a música na qual Carmen Miranda responde ao fato de chamá-la de “americanizada”.

 

Você consegue enxergar os elementos nacionais das músicas?

O que o compositor da música “Não tem tradução” acha do processo de modernização e “internacionalização” do país?

Por que Carmem Miranda canta uma música respondendo que ela não foi americanizada?

Quem a acusa de ser americanizada?

Por que a acusam de ser americanizada?

Será que realmente todos os brasileiros aprovavam essa “internacionalização” da cultura brasileira?

 

 

3- A cultura brasileira no exterior, uma questão de identidade:

A- Mostre o desenho “Aquarela do Brasil”

 

 

 

 

Quais são os elementos nacionalistas desse desenho?

Quais elementos demonstram que esse desenho foi exibido nos Estados Unidos?

Como é mostrado o Brasil ?

O que representa o Pato Donald e o Zé Carioca?

Quais são as características do Zé Carioca?

Todo brasileiro é igual ao Zé Carioca?

Como está sendo construído a identidade do Brasil para o resto do mundo?

 

4- Um processo que envolve toda a América Latina:

A- Para demonstrar que a política da boa vizinhança não se restringia apenas ao Brasil, coloque o trecho do filme “Você já foi a Bahia?”, trecho na qual estão os “três caballeros”.

 

O que representa o Panchito?

O que você pode concluir a mais?

Até onde chegava a política da Boa vizinhança?

 

Apesar da política da boa vizinhança ser pouco trabalhado nos livros didáticos, este assunto apresenta uma grande variedade de tópicos que podem ser tratados. Em virtude do escasso tempo destinado as aulas de história, não se pode trabalhar com a profundidade que tal tema exige nas escolas, porém a sequência acima tem como objetivo despertar o anseio dos alunos para que através de sua vontade busque sempre mais.

A política da boa vizinhança moldou uma identidade do Brasil, muitas vezes não muito agradável, que continua a ser visto até os dias atuais, como sugestão de pesquisa ou para os alunos que interessarem você pode orientá-los a seguir por esse caminho com entrevistas de brasileiros que foram para o exterior ou observando o modo que certos filmes, jogos, jornais retratam o Brasil.

Exemplos:

episódio de “The Simpsons” da 13ª temporada: “Blame it on Lisa” (O feitiço de Lisa)

Jogo de videogame chamado “Street Fighter”, representações do Brasil.

Filme da Disney “Você já foi a Bahia?”

Existem inúmeras formas de estudar, o caminho está além dos livros didáticos; mas da vontade, perseverança e criatividade de cada um.

 

“Não se pode ensinar nada a um homem, mas sim encontrar a resposta dentro de si”

(Galileu Galilei)

 

Letras da música

Canta, Brasil

As selvas te deram nas noites seus ritmos bárbaros…

Os negros trouxeram de longe reservas de pranto…

Os brancos falaram de amores em suas canções…

E dessa mistura de vozes nasceu o teu pranto…

Brasil

Minha voz enternecida

Já dourou os teus brasões

Na expressão mais comovida

Das mais ardentes canções…

Também,

A beleza deste céu

Onde o azul é mais azul

Na aquarela do Brasil

Eu cantei de Norte a Sul

Mas agora o teu cantar,

Meu Brasil quero escutar:

Nas preces da sertaneja,

Nas ondas do rio-mar…

Oh! 
Este rio – turbilhão,

Entre selvas e rojão,

Continente a caminhar!

No céu!

No mar!

Na terra!

Canta, Brasil !!!

O que que a baiana tem?

O que é que a baiana tem?
O que é que a baiana tem?

Tem torso de seda tem (tem)
Tem brinco de ouro tem (tem)

Corrente de ouro tem (tem)
Tem pano da Costa tem (tem)

Tem bata rendada tem (tem) 
Pulseira de ouro tem (tem)

E tem saia engomada tem (tem)
Tem sandália enfeitada tem (tem)

E tem graça como ninguém…!

O que é que a baiana tem? (bis)

Como ela requebra bem…!
O que é que a baiana tem? (bis)

Quando você se requebrar caia
por cima de mim (tris)

O que é que a baiana tem?
Mas o que é que a baiana tem?

O que é que a baiana tem?
Tem torso de seda tem (tem?)

Tem brinco de ouro tem (ah!)
Corrente de ouro tem (que bom!)

Tem pano da Costa tem (tem)
Tem bata rendada tem (e que mais?)

Pulseira de ouro tem (tem)
Tem saia engomada tem (tem)

Sandália enfeitada tem
Só vai no Bonfim quem tem…

O que é que a baiana tem? (bis)
Só vai no Bonfim quem tem…

O que é que a baiana tem? (bis)

Um rosário de ouro, uma bolota assim
Ai, quem não tem balangandãs
não vai no Bonfim
Ôi,

quem não tem balangandãs
Não vai no Bonfim

Ôi, não vai no Bonfim (6 vezes)

Não tem tradução

O cinema falado é o grande culpado da

transformação

Dessa gente que sente que um barracão prende

mais que o xadrez
Lá no morro, seu eu fizer uma falseta

A Risoleta desiste logo do francês e do Inglês

A gíria que o nosso morro criou

Bem cedo a cidade aceitou e usou

Mais tarde o malandro deixou de sambar, dando

pinote

Na gafieira dançar o Fox-Trote

Essa gente hoje em dia que tem a mania da

exibição

Não entende que o samba não tem tradução no

idioma francês

Tudo aquilo que o malandro pronuncia

Com voz macia é brasileiro, já passou de

português

Amor lá no morro é amor pra chuchu

As rimas do samba não são I love you

E esse negócio de alô, alô boy e alô Johnny

Só pode ser conversa de telefone..

Disseram que voltei internacionalizada

Me disseram que eu voltei americanizada.

Com o burro do dinheiro.

Que estou muito rica.

Que não suporto mais o breque do pandeiro.

E fico arrepiada ouvindo uma cuíca.

Disseram que com as mãos.

Estou preocupada.

E corre por aí.

Que eu sei certo zum zum.

Que já não tenho molho, ritmo, nem nada.

E dos balangandans já “nem” existe mais

nenhum.

Mas pra cima de mim, pra que tanto veneno.

Eu posso lá ficar americanizada.
Eu que nasci com o samba e vivo no sereno.

Topando a noite inteira a velha batucada.

Nas rodas de malandro minhas preferidas.

Eu digo mesmo eu te amo, e nunca I love you.

Enquanto houver Brasil.

Na hora da comidas.

Eu sou do camarão ensopadinho com chuchu.

Fontes

 

http://www.presidency.ucsb.edu/ws/index.php?pid=16152

http://www.planalto.gov.br/ccivil/Constituicao/Constituiçao37.htm

http://www.culturabrasil.pro.br/zip/capitaesdeareia.pdf

http://www.youtube.com/watch?v=hPI7p3LxCT0

http://www.youtube.com/watch?v=ojo3I59Gn6c

http://www.youtube.com/watch?v=dRbbq_Czfgo

http://www.youtube.com/watch?v=fmwMGzfKdoM

http://www.youtube.com/watch?v=_mQHr8bAojU

http://www.youtube.com/watch?v=JGWOY8nPCMw

http://letras.terra.com.br/carmen-miranda/259221/

http://letras.terra.com.br/noel-rosa-musicas/184718/

http://letras.terra.com.br/gal-costa/46103/

http://letras.terra.com.br/carmen-miranda/185585/

MORAES, José Geraldo Vinci de; REGO, José Maria – “Conversa com historiadores”, editora 34, São Paulo.

Martins, Luciano – “A gênese de uma intelligentsia. Os intelectuais e a política no Brasil. 1920 a 1940”Revista Brasileira de Ciências Sociais, número 4, volume 2