música e letra de “Para Lennon e McCartney”

 
Aluno (a): João Marcello de Araújo Costa Lopes de Almeida
Docente responsável: Antonia Terra de Calazans Fernandes
Disciplina USP: Ensino de História: teoria e prática
 
 
SEQUÊNCIA DIDÁTICA
Tema: Ciclo do ouro
Série: 5º ano do Ensino Fundamental I
Duração: 6 aulas
 
Justificativa
 
A ideia para elaborar esta sequência didática surgiu de uma situação real vivenciada com um grupo de alunos do 5º ano do Ensino Fundamental.
Esse grupo de alunos estava trabalhando nas aulas de Inglês algumas letras de canções escritas por John Lennon. A professora procurava trabalhar o vocabulário da língua inglesa com as canções, além deinserir os alunos no contexto cultural britânico do período em que John Lennon compôs suas principais músicas. O trabalho foi favorecido pelo fato dos alunos já conhecerem algumas canções por influência de seus pais.
Ao mesmo tempo em que essas atividades estavam sendo desenvolvidas pela professora de Inglês, esse grupo de alunos estava estudando nas aulas de História o ciclo do ouro no Brasil. Em dado momento, durante uma dessas aulas, um dos alunos questionou: “Quando vamos estudar a História dos Estados Unidos ou da Inglaterra?”. Perguntei qual era o interesse dele nesses países, ressaltando que, ao estudar alguns fatos e eventos da História do Brasil, também estávamos estudando esses países, através das relações comerciais e culturais estabelecidas entre eles e da influência inglesa e posteriormente norte-americana nas áreas política, econômica e social do Brasil. O aluno justificou que, em Inglês, estavam estudando as músicas dos “Beatles, o maior grupo musical de todos os tempos” e que também na atualidade “as melhores bandas e músicas cantam em inglês”, ou seja, “eles são mais importantes do que o Brasil”.
Outros alunos começaram a participar, uns “defendendo” o Brasil, outros apoiando o aluno, acreditando ser mais conveniente conhecer a história de países “mais importantes”. Organizei o debate, anotando os argumentos principais de cada grupo e prometi, ao final da aula, trazer uma nova direção para concluir o debate, sem perder de vista o tema das aulas de História, que era a mineração no Brasil colonial.
Dessa forma foi organizada uma sequência didática tendo como documento principal a letra da música “Para Lennon e McCartney”, de Fernando Brant, Lô Borges e Márcio Borges.
 
Objetivos
 
O principal objetivo dessa sequência didática é possibilitar aos alunos um conhecimento maior, e decorrente disso uma identificação, com a música e a cultura brasileiras, valorizando-as e mostrando sua ligação com o passado histórico local. A ideia não é combater a “influência estrangeira” (no caso, britânica), mas mostrar produções culturais alternativas ao modelo principal vigente e que possuem uma conexão com a vida das pessoas que aqui nasceram e cresceram.
São também objetivos dessa sequência didática: ler e analisar documentos, especialmente uma letra de música, considerando as especificidades desse tipo de linguagem, seus autores, o contexto em que foi produzida, a intenção com que foi feita, seus recursos estilísticos e referências a outras obras; refletir sobre o processo de mineração no Brasil colonial e o destino das riquezas proveniente desse ciclo econômico, questionando o papel dos ingleses nesse período (procede a ideia de que a maior parte do ouro era gasta pelos portugueses na compra de luxuosos produtos vindos da Inglaterra?); desenvolver as capacidades hipotéticas, investigativas e criativas dos alunos através das atividades propostas (leitura dos documentos, levantamento de hipóteses, debates, redação de respostas e pequenos textos).
 
ETAPAS (AULAS E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES)
 
Aula 1
O objetivo dessa aula é possibilitar aos os alunos que tomem contato com o processo de composição da música e analisem o título da obra. Ao final da aula eles devem compreender por que a canção recebeu esse título e por que ela foi composta.
Dizer aos alunos que nesta aula ouviremos uma canção chamada “Para Lennon e McCartney”. Perguntar, primeiramente, se conhecem essa música. Questioná-los sobre o título da música (a pergunta sobre se conhecem os nomes presentes no título é fundamental, embora já se saiba que o grupo de alunos que inspirou essa sequência didática tem esse conhecimento prévio). Questionar também sobre a possível origem dessa música: ela pode ser brasileira? Por quê? Por fim, questionar quem são seus compositores e por que teriam dado esse título à canção (procurar levar os alunos, através desses questionamentos, à conclusão de que o título é uma espécie de didacatória; após essa conclusão, mostrar livros e outras obras em que apareçam dedicatórias).
Após esse primeiro levantamento de hipóteses, distribuir aos alunos um pequeno relato de um dos compositores da letra da música em questão:
  
Segundo Márcio Borges essa canção foi criada em Belo Horizonte, enquanto a esposa de Fernando Brant (outro autor) preparava uma macarronada. Na saleta do piano, Lô fez a música ali na hora. Mostrou para Fernando e Márcio, que compuseram, em poucos minutos, a letra. Por que o título “Para Lennon e McCartney”? Uma homenagem aos ídolos ingleses John e Paul; uma celebração às parcerias musicais. Lô disse para Fernando e Márcio: “A gente aqui, fazendo as nossas [canções]... e eles [John e Paul] nunca vão saber” (Borges, Márcio. “Os sonhos não envelhecem. Histórias do Clube da Esquina". Geração Editorial, 2ª edição, 1996, pp. 239/240). Felizes com a criação, os autores mineiros devoraram a macarronada.”
 
Fazer um novo levantamento de conhecimento prévio com os alunos: Quem são esses autores? Identifiquem no trecho o lugar do Brasil em que a canção foi composta. Em que estado fica essa cidade? Os autores dedicaram essa música a Lennon e McCartney. Mesmo assim eles não esperavam que os “homenageados” conhecessem essa canção. Por que você acha que eles pensavam assim? (pedir que essa resposta seja registrada por escrito).
 
Para terminar essa aula, colocar a música para que os alunos possam ouvi-la. Não entregar ainda a letra. É importante que eles conheçam a melodia, o cantor (há vários intérpretes dessa canção, escolher um deles e depois sugerir que os alunos pesquisem e ouçam outros), percebam qual é a estrofe...
Em casa, os alunos deverão pesquisar sobre os autores mencionados no trecho. Eles podem entrevistar pessoas que conheçam os autores, buscar informações em livros ou sites.
 
Aulas 2 e 3
 
O objetivo dessas aulas é a análise mais detalhada dos autores e da letra da música. Ao final destas aulas, os alunos deverão ter percebido algumas estratégias para analisar esse tipo de documento, procurando identificar também qual era a mensagem que os compositores queriam passar (inclusive para “Lennon e McCartney”).

Distribuir a letra da música e colocá-la novamente, para que os alunos possam ouvir e acompanhar com a letra:    Por que vocês não sabem do lixo ocidental?  Não precisam mais temer  Não precisam da solidão  Todo dia é dia de viver  Por que você não verá meu lado ocidental?  Não precisa medo não  Não precisa da timidez  Todo dia é dia de viver  Eu sou da América do Sul  Eu sei, vocês não vão saber  Mas agora sou cowboy  Sou do ouro, eu sou vocês  Sou do mundo, sou Minas Gerais  Por que vocês não sabem do lixo ocidental?  Não precisam mais temer  Não precisam da solidão  Todo dia é dia de viver  Eu sou da América do Sul  Eu sei, vocês não vão saber  Mas agora sou cowboy  Sou do ouro, eu sou vocês

Sou do mundo, sou Minas Gerais
 
Retomar quem são os autores da música. Algumas questões podem ser colocadas para traçar o perfil dos compositores: são mineiros? Fizeram outras canções juntos? Também interpretam canções? (verificar se os alunos sabem a diferença entre cantor e compositor, salientando que um artista pode exercer os dois papéis).
          Partilhar os resultados das pesquisas feitas em casa pelos alunos. Se possível, acessar a Internet com os alunos (possibilidade de site http://clubedaesquina1.multiply.com) para aprofundar a pesquisa, abordando brevemente o contexto do período e a história do “Clube da Esquina”.
Texto de apoio retirado do site sugerido acima:

 

No início da década de 1960, jovens músicos iniciaram uma série de encontros despretensiosos. Amigos que se conheceram aos poucos, de vários lugares, mas que se cruzaram em Belo Horizonte, iriam provocar uma revolução musical. Freqüentadores assíduos de bares, restaurantes e pontos boêmios, criaram várias referências na ainda jovem capital mineira. Mas o lugar que realmente tem as suas caras é certo cruzamento, entre as ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro de Santa Tereza.

 

Próximo de lá, morava um jovem de nome Salomão Borges Filho, ou simplesmente Lô, como fora apelidado. Lô, que era filho do meio entre onze filhos, e a esquina próxima à sua casa, seriam imortalizados. Começava a se desenhar o Clube da Esquina.

 

O Clube contou em sua totalidade com quarenta e um integrantes, mas a maioria desses componentes não teve relação direta com os trabalhos do Clube. Eis aí uma forte característica do grupo: não era algo fechado, burocrático. Todos podiam dar opinião e contribuições. Foi inicialmente representado por Milton Nascimento, Wagner Tiso, Fernando Brant, Nivaldo Ornelas, Paulo Braga, Toninho Horta e Márcio Borges. Algum tempo depois, Flávio Venturini, Lô Borges, Beto Guedes, Celso Adolfo e uma verdadeira constelação de compositores, intérpretes e colaboradores foram sendo agregados.

 

Para melhor entender a época abordada, faremos uma breve contextualização política e cultural.

 

O Brasil vivia, desde 1964, uma ditadura militar, e direitos básicos como a liberdade de imprensa e de expressão foram fortemente podados. Nos Estados Unidos, o movimento hippie ganhava força, assim como o movimento feminino e os beatniks. Na França ocorreu o lendário maio de 1968.

 

Na música, o rock’n’roll era a sensação do momento. Grupos como Rolling Stones, Beatles, Jimi Hendrix, Led Zeppelin, ditavam as regras do inovador estilo em voga. O Rock’n’roll, que se baseava no blues dos negros americanos, com guitarras distorcidas e com maior velocidade, se destacava também por suas letras de protesto – assim como sua atitude.                                

 

Entre os tupiniquins, a Bossa Nova havia surgido no fim da década de 1950. O termo designa um movimento que misturava samba e jazz. Possui forma específica de ser tocada, com batida inconfundível e acordes dissonantes, além de ser cantada suavemente. A Jovem Guarda tentara absorver a influência do rock americano, e tornou-se febre em meados da década de 1960. Seu ritmo ficou conhecido como iê-iê-iê e utilizava-se de letras descontraídas, voltadas para o público adolescente. Por fim, a Tropicália, ou Tropicalismo, foi uma manifestação em diversas áreas culturais, mas se destacou na música, com fortes posturas comportamentais.

 

Em meio a tanto reboliço e apreensão, esses jovens se encontraram, fortaleceram seus laços, e lançaram os dois trabalhos: Clube da Esquina, de 1972, e Clube da Esquina 2, de 1978.

 

O próximo passo é trabalhar coletivamente com a leitura e análise da letra. Garantir a compreensão de alguns termos, como “ocidental” (primeiro geograficamente, depois, procurar levantar com os alunos o que pode definir alguém como “ocidental”; é possível, especialmente pela faixa etária das crianças, que a construção desse conceito se faça em oposição ao “oriental”).

Depois, propor duas questões centrais: Por que os autores falam em “lixo ocidental”? (quem seria esse “lixo”? que ideia essa palavra dá a quem é caracterizado por ela?); Em que momento da letra da música (em qual verso) os autores se “aproximam” de Lennon e McCartney, ou seja, estabelecem uma identificação com eles?

Os alunos poderão se dividir em grupos, discutir essas duas questões e respondê-las por escrito.

Cada grupo deverá apresentar suas respostas, conversando a respeito dessa mudança que ocorre na letra da música (de “lixo” a “ouro”).
 Concluir a aula, elencando, junto com os alunos, os pontos usados para analisar a letra da música: questões sobre os autores, trabalho com vocabulário, perguntas sobre o enredo da canção, percepção dos versos que promovem ruptura com o que vinha sendo afirmado antes.
 
Aulas 4 e 5
 
O objetivo dessas aulas é relacionar o que foi trabalhado na análise de “Para Lennon e McCartney” com o ciclo do ouro trabalhado durante as aulas de História, mais especificadamente com a arrecadação de impostos e o fluxo do ouro retirado do Brasil e destinado à Coroa de Portugal. Ao final dessas aulas, o aluno deverá relacionar  o “ouro” como símbolo de orgulho dos compositores e um elemento de ligação entre as histórias de Brasil e Inglaterra, elaborando um roteiro de questões para analisar outros documentos.
Reler com os alunos os seguintes versos da música:
“Mas agora sou cowboy  Sou do ouro, eu sou vocês  Sou do mundo, sou Minas Gerais”
 
Chamar a atenção para as frases em que o verbo “ser” é empregado e como os compositores se identificam com os “homenageados” Lennon e McCartney. Depois, discutir como o “ouro”, em seus múltiplos significados, é importante e recorrente na história mineira e, por consequência, em suas produções culturais. Pedir que os alunos levantem ligações entre o ouro e Minas Gerais (o nome do estado, de algumas cidades, outras canções que conheçam...).
Dividir novamente a classe em grupos, para que cada equipe de alunos trabalhe com um dos documentos selecionados. Os alunos deverão elaborar perguntas para investigar a documentação; orientá-los para que pensem em questões sobre o vocabulário dos textos, sobre os autores, o contexto histórico de cada documento, enfim, buscando os mesmos procedimentos metodológicos que foram utilizados para analisar a letra da música. Ao final da aula, será feito um painel com os documentos e as perguntas elaboradas por cada grupo.
 

DOCUMENTO 1

Ouro Preto

Ouro branco! Ouro preto! Ouro podre! De cada  Ribeirão trepidante e de cada recosto  De montanha o metal rolou na cascalhada  Para o fausto Del-Rei, para a gloria do imposto.    Que resta do esplendor de outrora? Quase nada:  Pedras... Templos que são fantasmas ao sol-posto.  Esta agencia postal era a Casa de Entrada...  Este escombro foi um solar... Cinza e desgosto...”

Manuel Bandeira
 
DOCUMENTO 2  “Quanto maior for a massa de ouro na Europa, tanto mais Portugal será pobre, tanto mais será uma província da Inglaterra, sem que por isso ninguém seja mais rico.” - Montesquieu - Enciclopédia - séc. XVIII  
DOCUMENTO 3  “D.João V, rei faustoso, entre fidalgos e criados, calcula grandes despesas  para os festins projetados. Ai, quanto veludo e seda, e quantos finos brocados!  (...) ai, como está com seus cofres completamente arrasados.  Ai, que mosteiro , ai que torres, ai, que sinos afinados!"  Cecília Meirelles - Romanceiro da Inconfidência
 
DOCUMENTO 4
“Virgílio Noya Pinto calcula que da produção aurífera registrada entre 1735-39, numa média de 14 toneladas anuais, os ingleses ficaram com 60% dela...”
História de Minas Gerais 1 – Maria Efigênia Resende e Luis Carlos Villalta(org.)
 
Aula 6
 
 O objetivo dessa aula é socializar o trabalho com os documentos feito por cada grupo, compondo um cenário das relações entre Brasil, Portugal e Inglaterra, intermediadas pela mineração. Ao final dessa aula, o aluno deverá ser capaz de elaborar questões para analisar um documento e de refletir sobre a mineração e algumas de suas consequências para as histórias de Brasil, Portugal e Inglaterra.
Retomar o painel montado na aula anterior, lendo as perguntas elaboradas pelos alunos, procurando, em primeiro lugar, debater sobre a pertinência delas, e posteriormente, construir respostas coletivamente. Expor posições historiográficas contrárias às ideias expostas nos documentos trabalhados, discutindo a posição de Portugal como refém do Tratado de Methuen ou dos gastos excessivos de D. João V.
Propõe-se como avaliação final dessa sequência didática as seguintes questões:
1- Faça como os compositores de “Para Lennon e McCartney” e escreva uma letra de música ou uma poesia para alguém que você admira. Pense em como você descreveria, nessa obra, o lugar onde você vive ou como as pessoas desse lugar são.
2- Em outros momentos da História, compositores brasileiros se referiram à Inglaterra. Leia a letra da música abaixo e faça perguntas para analisar esse documento:
 

Brasil Já Vai à Guerra

Juca Chaves

 

Brasil já vai à guerra, comprou um porta-avioes  um viva pra Inglaterra de oitenta e dois bilhões  ahhhh! mas que ladrões

comenta o zé povinho,   governo varonil,   coitado coitadinho,  do Banco do Brasil  há há, quase faliu.

 

A classe proletária   na certa comeria  com a verba gasta diaria  em tal quinquilharia  sem serventia.

alguns bons idiotas,  aplaudem a medida,  e o povo sem comida,   escuta as tais lorotas  dos patriotas.

 

Porém há uma peninha  de quem é o porta avião  é meu diz a marinha,  é meu diz a aviação  ahhhh! revolução!

Brasil, terra adorada  comprou um porta aviões  oitenta e dois bilhões  Brasil, oh pátria amada,  que palhaçada.

 
 
3- Afinal, é importante estudar a história do local onde se vive? Por quê?
 
Considerações finais
 
Essa sequência didática procurou trabalhar, além dos aspectos já mencionados na apresentação do trabalho, a questão da identidade, tão debatida durante o curso “Ensino de História: Teoria e Prática”. A relação com a história local, a reflexão sobre as referências culturais atuais e a ideia de superioridade do eixo Europa-Estados Unidos são alguns dos temas que inspiraram esse trabalho, procurando levar o estudante a pensar sobre sua realidade, sua relação com o outro, com o passado público e com a cultura na qual está inserido.
Também foi considerada, na elaboração dessa sequência, a aplicação das atividades para um grupo de alunos específico, que já vinha trabalhando com determinados conceitos, como por exemplo, o sistema de arrecadação de impostos sobre o ouro criado e mantido pela Coroa de Portugal, sendo necessários adaptações e ajustes para a aplicação dessas atividades para outros grupos.
 
Bibliografia
- BORGES, Márcio. Os sonhos não envelhecem. Histórias do Clube da Esquina. Belo Horizonte: Geração Editorial, 2ª edição, 1996.
- MAXWELL, Kenneth. A devassa da devassa: a Inconfidência Mineira, Brasil – Portugal, 1750-1808. São Paulo: Editora Paz e Terra, 6ª edição, 2005.
- RESENDE, Maria Efigênia Lage de (org.) História de Minas Gerais – As Minas Setecentistas 1. Belo Horizonte: Autêntica, 2008.
Sites consultados:
http://clubedaesquina1.multiply.com
http://poemasdebandeira.blogspot.com
http://letras.terra.com.br
http://educaterra.terra.com.br/voltaire/500br/br_ouro9.htm