JARDIM DA SAÚDE, VILA SANTO ESTÉFANO, ÁGUA FUNDA... MUITOS BAIRROS UMA HISTÓRIA.

Disciplina USP: Disciplina USP: FLH0425 – Uma História para a Cidade de São Paulo: Um desafio Pedagógico

Aluno (a): Jaqueline Rodrigues de Lima

Docente responsável: Antonia Terra Calazans Fernandes
 

 

Finalidade

 

     Pretendemos traçar alguns paralelos entre a formação dos bairros: Jardim da Saúde, Vila Santo Stéfano e Água Funda pertencentes ao Distrito do Cursino, Zona Sul de São Paulo. Tentar compreender o fenômeno da multiplicidade de formas de ocupação que caracteriza áreas tão próximas geograficamente, mas tão diversas em termos sociais e econômicos. Os moradores do Jardim da Saúde orgulham-se em morar em um bairro planejado nos moldes da Cia. City, a mesma que planejou os Jardins, ou seja, se orgulham em morar em um bairro Modelo, com um elevado numero de praças, composto por casas espaçosas e com jardins, com ruas arborizadas e tranqüilas. Os bairros vizinhos: Vila Santo Stéfano e Água Funda (e outros que compõe este

Distrito), possuem uma ocupação irregular, com favelas e população mista, ou seja, casas de classe média dividem espaço com casas populares.

     O Jardim da Saúde, um bairro que possui uma Associação de Moradores desde o Ano de 1945 tem sua própria história, contada oficialmente através de livro e publicações em jornais locais e de projetos de História Oral. Mas e as adjacências?  Propomos como ferramenta didática, uma tentativa de delinear brevemente esta História do Jardim da Saúde, mostrar como ela é contada, questioná-la, e ensaiar uma tentativa de elaboração da História das suas circunvizinhanças. Levando em consideração o contexto de expansão da ocupação da cidade de São Paulo, no qual estes bairros estiveram inseridos.

 

Fundamentação

 

Vários Bairros, Porque apenas Uma História?

     Sou moradora do Jardim da Saúde desde que nasci. E algo sempre me chamou a atenção: uma certa divisão que havia no bairro. Divisão não física, mas socioeconômica. Na verdade a divisão é física sim. Explico. Morei os primeiros dez anos de minha vida na mesma casa, mas a minha família teve que se mudar, pois o terreno que havia ao lado de nossa casa foi vendido e ali foi construído um prédio. O período de obras foi terrível. Era muito barulho, o dia inteiro. Quando a obra chegou ao fim pensamos que o sofrimento havia acabado. Ledo engano. Viver naquela casa havia se tornado um pesadelo, pois o prédio ficava entre nós e o Sol. A casa ficou fria, escura e as roupas não secavam pois não batia nem brisa. A opção era nos adaptarmos àquela situação, ou nos mudarmos. Optamos por mudar. Mudamo-nos para exatos 500 metros para o lado, ou para duas ruas acima.

     Trouxe esta breve lembrança de minha infância, pois ela possui um fato que se encaixa perfeitamente com o que pretendo começar a tratar: A divisão burocrática dos bairros que compõe o Distrito do Cursino. Oficialmente este distrito é dividido em 11 bairros: Água Funda, Bosque da Saúde, Brasilino Machado, Jardim Previdência, Jardim da Saúde, Jardim São Savério, Vila Brasilina, Vila Firmiano Pinto, Vila Gumercindo, Vila Moraes, Vila Santo Stéfano.[1] Mas havia, como é provável que haja em outros distritos também, uma confusão entre os moradores (principalmente nos que moravam entre os bairros) para definir em qual bairro exatamente morava. Usualmente, dizíamos que morávamos no “Jardim da Saúde”, pois assim o críamos. Mas recebíamos correspondências com os mais diversos bairros em nosso endereço: Vila Santo Stéfano, Bosque da Saúde, Saúde, Jardim da Saúde...

     Quando nos mudamos, descobrimos enfim o bairro que em oficialmente morávamos: “Vila Santo Stefano”. Este é o ponto onde queria chegar. Lembro-me que não gostei de ter que morar na vila sei-lá-oque! Primeiro porque ninguém conhecia, e eu tinha que explicar onde ficava, segundo quando eu dizia que morava no Jardim da Saúde, sempre ouvia algum bom comentário, que eu geralmente não entendia o porquê, pois a minha rua nem era tão “legal” quanto falavam que o bairro era.

    

     O poder público desmembrou bairros antigos e surgem novas denominações que mascaram as tradicionais.[2]

 

     Este acontecimento me veio à memória quando li o trecho acima da historiadora Raquel Glezer e decidi que, tentar compreender um pouco mais sobre a História do lugar onde sempre vivi, seria o meu trabalho final. Minha idéia inicial montar uma ferramenta didática que fizesse com que os alunos pensassem de uma forma critica o lugar em que viviam e as suas disparidades, que cria eu, eram antigas, pois estavam nas minhas mais remotas lembranças. Logo que iniciei a pesquisa percebi que a tarefa não seria fácil. Fui buscar na única biblioteca publica que possuímos, localizada na esquina da Avenida Cursino (a mais conhecida da região) com a Rua José Clovis de Castro, documentos da História do Bairro. Fui informada que no setor de pesquisas havia uma pasta chamada “História do Bairro Jardim da Saúde”, com duas cópias do livro de Alcina Ferreira Jorge, O Bairro do Jardim da Saúde. “História dos bairros de São Paulo. Prefeitura Municipal- Secretaria de Educação e Cultura- Departamento de Cultura. 1970. 73p. Após ler o livro e toda documentação (recortes de jornais locais com uma breve história do bairro, documentos da associação de moradores, e memórias, informes publicitários e outros), algumas questões se apresentaram de forma eloqüente a mim, uma delas foi:


[1] Ver Mapa contido no Anexo 1.

[2] GLEZER, Raquel, Chão de Terra e outros ensaios sobre São Paulo, p. 22.

 

 

     Todos os relatos eram recheados de imagens romantizadas do bairro, a começar pelo livro da sra. Alcina, no qual, muitos dos outros relatos se baseavam. E a sua origem era nas “2 glebas de 700.000 metros quadrados cada uma” adquiridas em 1921 estava em todos – Uma área que compreenderia os atuais bairros da Saúde, Bosque da Saúde, Praça da Árvore, o Jardim da Saúde e suas adjacências e ainda parte da Vila Mariana e da Santa Cruz. Mas após expor esta origem tão grandiosa (Sete mil acres), os relatos se restringiam e retratavam apenas o que se referia ao Jardim da Saúde tal qual ele é hoje.[3] Para mim havia um vazio, pois iniciava com a grandiosidade dos “sete mil acres” (ou 1.400.000 m2) e terminava relatando um espaço geograficamente muito menor. Deixava-se de fora da história os bairros adjacentes. Mas isto, eu logo compreendi o porquê. Esta é uma história contada pelos moradores do “Jardim da Saúde” que havia sido planejado pela Cia City, ou seja, pelos moradores do bairro de classe média alta, e não pelos moradores da área de ocupação irregular, que com as reestruturações organizacionais dos distritos feita ao longo dos anos pela Prefeitura haviam se tornado outros bairros: como a Vila Santo Stefano, a Vila Moraes e outros. Cheguei a duas conclusões: A primeira foi que portanto, daquela região toda que constava nos relatos, apenas uma (o Jardim da Saúde) possuía algum tipo de memória estruturada. E a segunda, era que a separação entre o Jardim da Saúde e os outros bairros não era apenas socioeconômica, mas também física, onde terminava a área que era composta pelas grandes casas, onde acabava as arvores, acabava também o Jardim da Saúde.

     A questão é: as crianças que estudam nas escolas públicas do próprio Jardim da Saúde (como a E.E. Raul Fonseca que foi base de um laboratório vivo promovido pela Fapesp em conjunto com a Escola de Comunicação e Artes da USP[4]), não moravam especificamente no Jardim da Saúde, mas sim em seus bairros adjacentes, pois é difícil imaginar que pessoas que morem em casas de alto padrão, estudem em escolas publicas. É claro, não podemos generalizar, mas com certeza o número famílias pobres no Jardim da Saúde é baixo, logo o numero de crianças que lá moram, estudam em escolas publicas também o é. É o caso do relato pessoal de minha infância que fiz acima, há uma certa confusão acerca dos limites exatos sobre onde começa um bairro e termina outro.[5] No dia a dia, esta é uma informação que não faz grande diferença, pela proximidade dos bairros, mas no “imaginário” das pessoas, fazer parte  de um bairro, onde a qualidade de vida é considerada melhor (e verdadeiramente o é) faz sim diferença, mesmo que seja um alento psicológico.


[3] Ver mapa dos limites do bairro do Jardim da Saúde no Anexo 2.

[4] Ver http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=660&bd=1&pg=1&lg=

[5] Pesquisei em diversos sites da prefeitura e não encontrei mapas, ou algo que o valesse, que delineasse exatamente quais ruas compõe cada bairro.

 

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Imagem acima - Foto da rua Oscar Bressani – Jardim da Saúde – 2010.

 

     O que pretendo, com esta proposta pedagógica não é fornecer ao aluno ferramentas para distinguir em qual bairro mora, e assim imaginar que ele vá perceber a sua realidade de uma perspectiva critica a partir desta simples e irrelevante informação. Mas sim, estudar conjuntamente com eles (porque essa é uma história ainda não escrita) através de projetos de pesquisa com fontes orais (entrevistas a moradores), levantamento de fotos, jornais e outros tipos de documentação que mostrem a eles o caráter mutável da cidade e da própria sociedade, utilizando o lugar onde ele vive, se diverte, namora, enfim, utilizando o seu espaço, que não necessariamente se encerra nos limites de um mesmo bairro. Mas, penso que será de pouca serventia se a pesquisa se fechar em: como era este “bairro” há x anos atrás, a proposta não é apenas lembrar como o bairro foi, mas é também lembrar como o bairro foi, e como ele é, e as mudanças continuam ocorrendo, trabalhar com os contextos que influíram diretamente para formar o mundo no qual estes alunos vivem, e também trabalhar com os conceitos de Memória e História.

 

O Jardim da Saúde

 

     “A segregação – tanto espacial quanto especial – é uma característica importante das cidades. As regras que organizam o espaço urbano são padrões de diferenciação social e de separação. variam cultural e historicamente, revelam os princípios que estruturam a vida publica e indicam como os grupos sociais se inter-relacionam no espaço da cidade”.[6]

      Com base nos esclarecimentos já feitos, podemos iniciar a proposta inicial que era compreender o fenômeno da multiplicidade de formas de ocupação que caracteriza áreas tão próximas geograficamente, mas tão diversas em termos sociais e econômicos.

      Iniciemos então com um relato sobre o Jardim da Saúde[7].

      Há muito considerado o bairro mais famoso e saudável de São Paulo, o Jardim da Saúde era um imenso e agradável Jardim. Ruas largas se abriam em seu corpo e, nos arredores fileiras de arvores davam charme e característica residencial a região. Ali o ar era mais puro e a vida, tranqüila e cheia de paz.

      Com o passar dos anos, a população da cidade de São Paulo aumentou e a expansão demográfica tornou-se uma realidade. O barulho do centro da capital, a poluição, trouxeram algumas pessoas ao bairro do Jardim da Saúde. Os primeiros a chegar foram atraídos pelas oportunidades das vendas, muito vantajosas. Assim surgiram em São Paulo os primeiros movimentos de um bairro que prometia ser grande. E cumpriu a promessa, ultrapassando a marca dos 300 mil habitantes.

      Continuando, mais abaixo no mesmo documento fala-se da criação da Associação de Moradores do Bairro:

      Aproximadamente em 1939 o jardim nasceu dentro da comunidade de São Paulo, na condição de bairro. A partir daí, rumou para um crescimento impressionante. A população aumentava no local, mas ainda havia problemas como falta de luz nas ruas, calçamentos e condução, entre outras coisas. Assim, um grupo de moradores se reuniu e resolveu formar uma sociedade – Amigos do Bairro do Jardim da Saúde – a fim de buscar soluções aos problemas locais. A presença desta entidade foi imprescindível para o progresso da região.

     Ainda no mesmo documento, o autor fala do comercio irregular:

     Definido como ‘zona 2’, expressão que designa áreas tipicamente residenciais, o Jardim da Saúde possui um comercio irregular.

     Porque escolhi trechos deste documento especificamente dentre todos os outros documentos localizados? É provavelmente um relato dos anos 1980, já que o autor não cita o tombamento que os moradores estavam pleiteando. O interessante: Ele trata de quatro aspectos muito relevantes:


[6] Caldeira, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros – Crime, segregação e cidadania em São Paulo. SP: Editora 34: Edusp 2000. Pag. 211.

[7] Anexo 3 – Este é um relato de um jornal não especificado sobre o Jardim da Saúde – Encontra-se na Hemeroteca da Biblioteca Amadeu Amaral – Pasta História do Bairro Jardim da Saúde.

 

     1)      Realça de forma romantizada o lindo bairro, com suas áreas verdes, e ruas largas, típicas de bairros planejados.   

     2)     Insere a ocupação do bairro dentro de um contexto mais amplo paulista, a expansão das fronteiras populacionais que ocorreu na cidade de São Paulo no século XX, e o comum fenômeno: primeiro chegavam as pessoas e depois a infra-estrutura (água, luz, rede de esgotos, etc.).

     3)      A criação da Associação de moradores do bairro em 1945, segundo alguns relatos uma das mais antigas de São Paulo. A criação desta associação transformou definitivamente a estrutura do bairro, pois com os moradores organizados havia uma maior pressão sobre o poder publico para garantir infra-estrutura, transportes, asfaltamento de ruas, e em 1943 foi sancionado o Decreto-Lei nº 206, que instituía a nomeação de ruas (pois estas ainda eram designadas por números).      

     4)      O último aspecto que destaco neste documento se insere em um contexto muito mais amplo, a definição do tipo de zoneamento do bairro.

 

     O jornal informa que o bairro esta localizado em uma área definida como “zona 2”, o que significa que esta é uma área exclusivamente residencial. Mas atenta para o fato de que mesmo havendo esta definição de zoneamento existe um pujante comércio, principalmente na Av. Cursino.

     O anexo 4 é uma publicação da Associação de Moradores do Jd. da Saúde, intitulada “Qualidade de Vida”. Nela encontramos uma reivindicação de alteração do zoneamento de “zona 2” para “zona 1” que por sua vez significa zona exclusivamente residencial de baixa densidade, segue um trecho do Jornal:

     “Nossa cidade cresce rápida e desordenadamente. O índice de área verde por habitante é extremamente baixo. A qualidade de vida é sofrível. Poluição e congestionamento são palavras que vivenciamos diariamente. Dentro desse caos há um paraíso. Nosso bairro, milagrosamente, sobreviveu a essa invasão do concreto. Temos áreas verdes, ruas tranqüilas, pouquíssimo transito e pouca poluição. O mais espantoso é que estamos dentro de São Paulo, rodeados de absurdos.      

     Infelizmente, estamos em situação de risco, pois a atual lei de zoneamento do bairro não nos protege contra esse tipo de crescimento desordenado. Por ora, estamos amparados pelo tombamento de caráter apenas provisório. Torna-se portanto, imprescindível, a alteração do zoneamento do bairro, passarmos de Z2 para Z1, o que nos deixaria, definitivamente, protegidos.”[8]


[8] Anexo 4 – “Qualidade de Vida” – Uma publicação da Associação de Moradores do Jardim da Saúde.

 

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Imagem Acima - Foto da Rua Frei Rolim – Jardim da Saúde – 2010 – Apenas um exemplo das “ruas calmas” e arborizadas.

 

      Raquel Glezer faz um fabuloso comentário sobre a questão que estamos tratando: As transformações, mesmo quando acompanhadas em seu desenvolvimento, aparecem como surpreendentes para os habitantes mais antigos. De certa forma, contribuem para a sensação de alheamento e desligamento da vida urbana[9]. O jornal fala que este bairro é um paraíso frente ao caos paulista, por este motivo a organização para defendê-lo.

     Em 1996, após um longo processo de reivindicação dos moradores[10], representado pela Associação do Bairro, O Jardim da Saúde foi tombado pelo patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental do Estado de São Paulo, abaixo consta parte da resolução[11]:

 

“RESOLUÇÃO Nº 16 / CONPRESP / 2002

O Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo - CONPRESP, no uso de suas atribuições legais e nos termos da Lei nº 10.032, de 27 de dezembro de 1985,


[9] GLEZER, Raquel, Chão de Terra e outros ensaios sobre São Paulo, p. 22

[10] Anexo 5 - [11] http://www.amjs.org.br/resolucaotombamento.htm

 

 

alterada pela Lei nº 10.236, de 16 de dezembro de 1986, e de acordo com a decisão da maioria dos Conselheiros presentes à 271ª Reunião Ordinária, realizada em 27 de agosto de 2002, e

CONSIDERANDO as adequadas condições de implantação no terreno e de concepção urbanística do bairro do Jardim da Saúde, explicitadas no projeto do engenheiro e urbanista Jorge de Macedo Vieira, consolidadas através de um processo de ocupação equilibrado e harmônico, revelando valor urbanístico herdado dos padrões de bairros-jardins introduzidos no Brasil pela Companhia City, a partir da segunda década do século XX;

CONSIDERANDO que a localização do loteamento do Jardim da Saúde e o momento em que foi implantado enquadram-no num processo de ocupação de áreas suburbanas e rurais da cidade de São Paulo, que se intensificou a partir da década de 1920, configurando um espaço urbano com valor histórico e referencial do processo de urbanização da periferia paulistana, relativamente ao centro histórico e à faixa de bairros tradicionais próximos ao centro (Brás, Bexiga, Campos Elíseos, Luz, etc.);

CONSIDERANDO que a associação entre sua concepção urbanística e o processo de ocupação, consolidado e ainda preservado até o momento, expressam um valor ambiental, raro nos loteamentos dessa categoria e na região onde se implantou; e

CONSIDERANDO que o conjunto de áreas verdes, presentes em espaços públicos e lotes particulares, associado às características urbanísticas e ambientais já descritas, apresenta valor paisagístico; RESOLVE: Artigo 1º - TOMBAR na área do JARDIM DA SAÚDE, localizada no Distrito do Cursino, Subprefeitura do Ipiranga, por seu valor urbanístico, histórico, ambiental e paisagístico, os seguintes elementos constitutivos da paisagem urbana, conforme o contido no Processo nº 1996-0.034.799-9...”

      O bairro estava tombado, mas para os moradores não se sentiam totalmente protegidos da ocupação desordenada. Por este motivo, continuaram na campanha para alterar o tipo de zoneamento. Esta reivindicação foi atendida no ano de 2002 com a aprovação do plano diretor regional do Ipiranga.[12]

     A preocupação dos moradores do Jardim da Saúde com a verticalização, se deve ao fato do grande numero de prédios que começaram a ser construídos em meados da década de 1980, mas que se acentuou a partir da década de 1990. Na imagem abaixo temos dimensão do fenômeno:


[12] No anexo 6, consta um novo mapa com informações sobre o tombamento o novo zoneamento.

 

 

 

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     Nesta imagem que apresenta parte do bairro do Jardim da Saúde, temos dimensão visual do que já tratamos. Há uma grande quantidade de arvores e praças no bairro, as ruas têm uma composição harmônica, foram planejadas para evitar transito, e nas áreas marcadas existem:

     1)      Conjunto de prédio construído a partir da década de 1980.

     2)      Hipermercado construído no fim da década de 1980.

     3)      Shopping Center inaugurado em 1994.

     4)      Megaloja de material de construção inaugurada no inicio dos anos 2000, porém, como o limite do bairro neste ponto é a Avenida Abrão de Morais, a loja está situada formalmente fora do bairro.

     Sobre o processo de verticalização que ocorreu na cidade de São Paulo a partir da década de 1960, temos uma esclarecedora análise feita por Raquel Glezer:

A partir dos anos 1960 a transformação teve início: violenta exploração demográfica, adensamento vertical em todas as regiões criando um sky-line recortado e agressivo em toda a cidade e valorização das propriedades imobiliárias deslocando parte dos habitantes para novas áreas. (…) a construção de grandes viadutos e avenidas de fundo de vale, acelerando a destruição das áreas verdes; e a invasão das várzeas dos córregos, ribeirões e rios.[13] .


[13] GLEZER, Raquel, Chão de Terra e outros ensaios sobre São Paulo, p. 20 

 

 

Vila Santo Stefano e Água Funda – Bairros com História.

 

     Se no Jardim da Saúde os moradores conseguiram frear a invasão dos prédios através do tombamento e da mudança de zoneamento do bairro, as suas adjacências por não terem as mesmas características físicas e tampouco a sua organização social (moradores associados), foram transformadas nos últimos dez anos em um imenso canteiro de obras. Não apenas prédios são construídos. Em praticamente todas as ruas dos bairros da Água Funda, Vila Santo Stefano há uma obra. Algumas casas são reformadas, outras demolidas para darem espaços a grandes prédios. Este fenômeno se deve a diversos fatores:

  • Proximidade desses bairros a um eficiente meio de transporte, que é o Metro através das estações São Judas, Saúde, Praça da Arvore na linha azul e Imigrantes na Linha Verde. Proximidade à Rodovia dos Imigrantes e Bandeirantes. Através da avenida Jabaquara, Rua Domingos de Moraes, possui fácil acesso à Avenida Paulista, através da  Avenida Ricardo Jafet e Av. Cursino fácil acesso ao Ipiranga. O que não quer dizer que a região esteja distante do trânsito, muito pelo contrário.
  • Estimulo do governo federal para construção de moradias, e a facilitação de acesso ao crédito que ocorreu na segunda metade desta década e que está em franca expansão. Além do crescimento da renda familiar.
  • Proximidade a zonas de lazer: Zoológico, Jardim Botânico, Museu do Ipiranga, Shopping’s Center’s, grandes hipermercados, grande comercio, grande numero de escolas particulares e publicas.

Além é claro, que fazerem parte das adjacências do Jardim da Saúde que possui um considerável número de praças. jaqueline4

 

Foto acima - Rua Calógero Cália (paralela à Rua Elisa Silveira ultima rua do Jardim da Saúde), no Bairro da Vila Santo Stéfano. Este é um bairro de casas mistas, ou seja, possui grandiosas casas ao lado de casas simples, mas a preponderância são casas de classe média. Ao fundo nota-se a construção de um elevado edifício no bairro da Saúde.

 

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Acima Foto tirada da rua Calógero Cália, esquina com a Rua Arthur Baptistucci. Ao fundo um grandioso prédio em fase de construção.

 

Abaixo vista da Rua Arthur Baptistucci.

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     Inicialmente já comentei que estes bairros fazem divisa com o Jardim da Saúde, Mas que a ele pouco se assemelham. Na Vila Santo Stéfano e no Bairro da Água Funda, não há biblioteca pública ou qualquer centro de documentação publica equivalente. Não há associação de moradores ou qualquer forma de livro ou documento que conte sua história, o seu processo de ocupação. Portanto teríamos que começar do zero e contar com a memória dos moradores mais antigos para iniciar esta tarefa. Consta em “outras referencias informações de cada morador que contribuiu para começarmos a formular idéias acerca da ocupação da Vila S. Stefano e da Água Funda.

     Como já mencionei, estes bairros ficam próximos ao Zoológico e ao Jardim Botânico, ambos estão localizados na Miguel Stefano, uma grande avenida que percorre desde o bairro da Saúde até a Água Funda.

     Há algum tempo, quando passava de ônibus pela Avenida Miguel Stefano, um pouco antes de chegar no Zoológico eu reparei em algo que nunca antes havia notado. Existia no local o que parecia ser uma fabrica. Como aquela dos Matarazzo, ou as que existem na Mooca, feitas de “tijolinho laranja”. Os muros eram altos e eu não tinha uma visão completa do que viria a ser aquele aglomerado de chaminés. Questionei alguns conhecidos (inclusive minha mãe que mora no bairro há mais de 30 anos) e eles não se recordavam o que viria a ser aquele local.

     Não consegui qualquer informação, e logo a curiosidade passou. Porém, quando eu tomei conhecimento da história do Jardim da Saúde, comecei a questionar, como um lugar tão grande e tão próximo não poderia constar nas memórias de nenhum morador? Reiniciei minha busca, na esperança de que quando descobrisse o que havia sido aquela antiga “fabrica” a história da Vila Santo Stefano e da Água Funda, começaria a existir.

     Eu trabalho em um escritório de uma construtora localizada no bairro do Jardim da Saúde, ela foi fundada por um italiano há 52 anos atrás. E desde a fundação da empresa o seu proprietário, Cosimo Cataldo, mora no bairro. Imaginei que ele seria a pessoa certa para me falar algo sobre aquela “fabrica”. Porém, ele também não se lembrava de ter havido uma fabrica na Av. Miguel Stefano. Mas, por sorte uma funcionaria da empresa (Márcia L. S. Oliveira) ouviu os meus questionamentos e me informou finalmente o que viria a ser aquele enorme conglomerado de chaminés e torres que apareciam por trás dos muros. Era a Siderúrgica Aliperti. A principio este nome nada me disse. E então ela me contou a história que sabia:

     Seu pai havia trabalhado mais de 20 anos na Aliperti (mais ou menos entre 1960 e 1980), e eles moravam na Água Funda, nas proximidades da Siderúrgica e depois se mudaram para a Vila Morais, quando seus pais se separaram. As suas lembranças acerca do bairro eram poucas, mas ela me disse que no bairro não havia prédios e que as casas viviam sujas pelo pó preto que a siderúrgica espalhava pelo ar, e que se lembrava de muitas coisas que a mãe contava: Como funcionários que morriam em decorrência do trabalho, pela constante inalação da fuligem, morriam presos nas maquinas ou caiam nos “caldeirões” que preparavam o ferro, o seu pai havia morrido em decorrência de complicações de saúde ocasionadas pela constante inalação da fuligem. Haviam greves que mobilizavam os funcionários. A Aliperti havia construído uma escola para os filhos dos funcionários e uma paróquia. E a mais interessante informação: A Aliperti possuía uma Vila nos arredores da sua propriedade. E existiam pensões que abrigavam os trabalhadores que eram trazidos de outros estados para trabalhar na siderúrgica. Informou-me que não imaginava qual seria a data aproximada da fundação da fabrica, mas disse que tinha um tio que havia trabalhado na Aliperti por quase 30 anos e que com certeza poderia me dar maiores informações.

     Entrei em contato com o tio da sra. Márcia Oliveira, um senhor chamado José Marques Guimarães, que atualmente mora na cidade de Itajubá, em Minas Gerais. Por telefone ele me forneceu valiosas informações para a compreensão do processo de formação destes bairros.

     Foi contratado em Junho de 1961 para trabalhar na Siderurgica Aliperti, é natural de Minas Gerais, e muitos trabalhadores eram trazidos deste estado para a Aliperti porque eram mão de obra especializada, mas também vinha um grande numero de funcionários de Minas para serviços mais “braçais”, sem grandes qualificações. O seu pai possuía um comércio na Avenida Miguel Stefano, próximo à siderúrgica e era lá que ele trabalhava antes de ser contratado pela Aliperti. Todo o comercio do bairro girava em torno da fabrica. Em 1961 ela já era antiga (da década de 1930) e estava em expansão e adquiria muitos equipamentos da Alston.

     Questionei sobre a tal vila que a sua sobrinha havia comentado, e ele me informou que ela realmente existia e que se situava onde hoje atualmente é o bairro da Água Funda, chamava-se “Vila Parque Calabrês” e que também a Aliperti havia construído uma escola chamada: Valentin Gentil para os filhos dos funcionários estudarem.

     Lembrou-se ainda do nome dos quatro irmãos, descendentes de italianos que fundaram a Aliperti, eram eles: José, o presidente da siderúrgica que conseguiu recursos para a expansão da fabrica, Domingos cuidava da parte burocrática, Afonso da parte administrativa e Alexandre da parte operacional era o mais querido dos funcionários pois estava sempre entre eles.

 

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Foto tirada no Bairro da Agua Funda 2010 - em uma rua que circunda a Aliperti, com o nome de um de seus fundadores, Alexandre Aliperti 1904 – 1976.

 

     Disse ainda que contavam uma história sobre da Aliperti, que ela havia sido fundada próximo à Revolução de 32 e que esta “guerra” (como ele próprio intitulou) havia contribuído muito para o aumento da produção, logo o aumento do numero de funcionários e crescimento da ocupação das suas adjacências. Falou sobre as greves que sua sobrinha havia comentado, disse que pelo menos após a sua entrada, elas eram poucas e eram organizadas pelo Sindicato dos Metalúrgicos e não tinham total adesão. Os funcionários tinham bom relacionamento com os donos. E se lembra que as greves eram mais para solicitar maior segurança no trabalho, pois existiam funcionários que morriam no exercício da função, segundo sua visão, porque eram descuidados, ou se suicidavam, como o caso do funcionário que se jogou a caçamba de aço derretido, mas que realmente haviam muitos funcionários que ficavam doentes e chegavam até a morrer em decorrência da constante exposição ao “pó” e ao calor, ficavam surdos pois o barulho era muito alto. Com o passar do tempo a fabrica começou a investir mais em segurança dos trabalhadores, e na segurança patrimonial, contratou um homem que diziam era reformado da policia, era chamado de “Capitão”, e murou o seu entorno.

 

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Imagem panorâmica da siderúrgica Aliperti e do que bairro que cresceu em seu entorno, a área verde corresponde ao começo do Jardim Botânico.

 

Imagem panorâmica da siderúrgica Aliperti e do que bairro que cresceu em seu entorno, a área verde corresponde ao começo do Jardim Botânico.

 

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As duas fotos acima e a imagem abaixo retratam o mesmo local. Porém uma é imagem de satélite e as outras foram imagens tiradas no ponto demarcado abaixo.

 

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     O senhor José se aposentou em 1986, como chefe de setor, e voltou morar em Minas Gerais.

     Francisco Ferreira, atualmente vive na cidade de Diadema, mas possui um comércio na Rua Calógero Calia, diz que foi funcionário da Aliperti de 1978 a 1979. Fala que a empresa possuía mais de mais de 5 mil funcionários que se dividiam em 3 turnos, e todos moravam na Água Funda. Eram 3 dias de pagamento por semana (quarta, quinta e sexta feira), e as filas para receber eram enormes. As feiras do bairro pareciam formigueiros pela quantidade de pessoas que circulavam, os comércios eram muitos e viviam sempre cheios, mas após a derrocada da siderúrgica o bairro decaiu junto, o comércio diminuiu e esvaziou, o bairro empobreceu. Ainda há um comercio, mas segundo ele, nada comparado ao que era antes.

     As histórias trágicas envolvendo a siderúrgica não são poucas. Após entender sobre o que eu estava questionando, minha mãe se lembrou da fabrica. E disse que um irmão de meu pai trabalhará lá mas que tivera que sair da empresa e voltar para o nordeste pois havia adquirido problemas pulmonares.

     Percebi através destes depoimentos que contar a história da Siderúrgica Aliperti, era contar a história da ocupação dos bairros que hoje compreendem o Distrito do Cursino. A empresa se modificou, vendida talvez, e não possui disponível na internet, qualquer informação sobre sua história, apenas diz que possuiu 80 anos de mercado. Grande parte de suas dependências agora é ocupada pela empresa Gerdau, e parte ainda é da Aliperti que continua ativa, não sei se ainda continua sendo propriedade da família Aliperti. Todos os moradores, comerciantes com mais de 30 anos que conversei, contaram que se lembram da Siderúrgica, pois ou eles próprios ou familiares trabalharam lá.

     O senhor José Marques Guimarães, cuja história já relatei acima, também mencionou a existência desde a época que chegou a esta região de uma favela. A Favela da Imigrantes, como é conhecida hoje, fica na Avenida Abrãao de Morais que seguindo em direção ao centro se transforma na Av. Ricardo Jafet, e na direção do litoral na Av. dos Imigrantes. Foram construídos prédios do programa habitacional do “Cingapura”, porém, eles apenas beneficiaram parte da população e a favela continuou existindo atrás da “cortina” de prédios que tampam a visão de quem passa em direção à Av. dos Bandeirantes, em direção ao litoral ou ao centro.

     A trama da riqueza e da miséria, coladas lado a lado, se encontra de forma característica, em todas as regiões da cidade. Miseráveis, pobres, remediados, e ricos habitam a cidade, espalhados, dispersos e misturados pelo tecido urbano, em modo difícil de ser captado.[14]

     È exatamente este o contexto em que vivemos, o da segregação. Apenas 500 metros separam o Belo Jardim da Saúde da favela do Imigrantes. A convivência não é fácil. Os moradores reclamam da violência e associam a sua existência à existência da favela. Convivem nos mesmos espaços sociais. No supermercado, nas praças onde as crianças pobres vão brincar e dividem espaço com os moradores do bairro rico que vão fazer a sua caminhada diária.

     Na parte menos favorecida (principalmente Água Funda, mas também na Vila Santo Stéfano) sobram igrejas evangélicas, pequenos comércios, e bares. E existe ainda uma alta densidade populacional.

     Pelas palavras dos memorialistas, São Paulo possuía a feição de uma cidade em obras, passando por constantes remodelações, algo, que ainda hoje, guardadas as devidas diferenciações, permanece como uma de suas características[15]. O bairro continua se expandindo, as casas estão sendo reformadas, reconstruídas, estamos acompanhando o ritmo da cidade, mas e nossas crianças? Será que elas conseguem perceber a complexidade do meio em que vivem?


[14] GLEZER, Raquel, Chão de Terra e outros ensaios sobre São Paulo, p. 22.

[15] Santos, Carlos José Ferreira dos. Nem tudo era Italiano – São Paulo e Pobreza 1890 – 1915. São Paulo: Fapesp / Annamblume, 2003. Pag. 67

 

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Foto tirada na Av. Miguel Stéfano no sentido Av. Abrãao de Moraes. À direita ao fundo parte do bairro da Água Funda e à esquerda o a favela Imigrantes e o Conjunto Habitacional Cingapura - 2010.

 

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Vista da Rua Prof. Roberto Mange no Bairro da Água Funda - 2010.

 

Atividades Propostas

 

     Estas atividades podem ser utilizadas para classes de 5ª série do Ensino ao 3º Ano do Ensino Médio.  A quantidade de escolas nos Bairros do Jardim da Saúde, Água Funda e Vila Santo Stéfano é considerável. A escola Valentin Gentil, citada pelo senhor José Marques Guimarães como tendo sido criada pela Siderurgica Aliperti ainda existe, mas é agora uma escola estadual. A proposta consiste em:

  • Montar projetos de História oral com antigos moradores e comerciantes do bairro, seriam feitas entrevistas e estas seriam gravadas. As informações fornecidas seriam confrontas tanto entre si, quanto em comparação com a história da cidade São Paulo. Assim, o aluno não ficaria apenas com as informações contidas na memória destas pessoas. Mas partiria delas para montar um leque muito mais amplo.
  • Estudar a história do local onde mora através de fotos recentes e antigas. Comparar as mudanças. Perceber que vive em uma sociedade de constante mutação, mas que tende a perpetuar algumas diferenças, como as diferenças sócias e econômicas.
  • Montar projetos de redação sobre a relação do aluno com os espaços de convívio social no local onde ele mora. A rua em que vive, os parques que freqüenta (se freqüenta), onde joga bola, pode exemplo? Existem espaços de lazer? Se existem são suficientes? Preservados? A comunidade se organiza para exigir direitos frente ao poder publico? Quais são os melhores meios de organização, associação, manifestações, abaixo-assinado?
  • Trabalhar estes pontos descritos tendo como base as informações contidas nestas paginas e nos arquivos anexos, mas não se restringir a ela, buscar outros pontos desta história que ainda não foram tratados, questões que permanecem, confrontar, perceber que duas pessoas podem ter opinião distinta sobre o mesmo objeto. Por exemplo: o caso do senhor José Marques Guimarães, quando questionado sobre as greves, ele fez questão de deixar claro que a sessão que ele chefiava jamais entrou em greve. Porque? Porque estas greves se inserem em um contexto de greves de metalúrgicos que envolveu principalmente os trabalhos do Grande ABC (Santo André, São Bernardo, São Caetano), mas que a ele não se restringiu. A mídia retratava de forma perniciosa as greves e o governo reprimia seus lideres, o Presidente Lula foi um líder sindical. Porque este senhor (José) não participava das greves? Entrevistar um antigo morador não para ficar com a sua versão,mas para ir a fundo em cada resposta que ele der. Somo também todos nós, sujeitos e objeto da História, uma História de discursos. Entender assim os diferentes conceitos de História e Memória
  • Para melhor esclarecer os conceitos de Historia e Memória, segue uma breve fundamentação baseada em um artigo de Ulpiano Bezerra de Menezes “A história, cativa da memória? Para um mapeamento da memória no campo das ciências sociais. Revista do Instituto de Estudos Brasileiros, São Paulo, v. 34, 1992, pag. 9-24.

     Para Ulpiano, a memória não é apenas um deposito de acontecimentos passados que podem e devem ser armazenados para seu “uso” ou observação no presente. Sendo “fluida” e “mutável”, a memória é controlada e direcionada segundo as necessidades e interesses do presente. Para provar essa afirmação ele utiliza como exemplo os objetos antigos guardados  em museus. De forma que o valor contido no objeto muda de acordo com a época em que ele se situa, já que sem a utilidade que possuía no passado, o objeto apenas representa o período em que possuía serventia. Portanto, a memória assumindo a forma do objeto histórico ou de uma reminiscência, não é o passado cristalizado, concreto, mas sim uma interpretação desse passado através da ótica do presente. Também no sentido de confirmar essa afirmação ele mostra como o presente produz a memória e imagina a forma que isso afetara o futuro. Mas exatamente, o autor discute como o acumulo de objetos (em coleções ou museus) sem preocupação com a interpretação da presença deles em nossa época trará um penoso “trabalho” a quem no futuro, se propôs a estudá-los. Assim, se determina o papel do presente na função de organizador da memória e até mesmo de criador.

 

Documentos Sugeridos

 

     Mapa contido no Anexo 1 – Mapa do distrito do Cursino. Através deste mapa pode-se tratar a mutabilidade da forma de administração dos bairros dentro do distrito.

     Mapa dos limites do bairro do Jardim da Saúde no Anexo 2. Qual a diferença entre fazer parte de um bairro como o Jardim da Saúde? Quem mora no Jardim da Saúde hoje, eles andam pelo bairro? Freqüentam as praças , shopping?

     Anexo 3 – Este é um relato de um jornal não especificado sobre o Jardim da Saúde – Encontra-se na Hemeroteca da Biblioteca Amadeu Amaral – Pasta História do Bairro Jardim da Saúde. Perceber a forma como o autor retrata a vida no bairro, o comércio. Porque não existe este tipo de fonte para os outros bairros?

     Anexo 4 – “Qualidade de Vida” – Uma publicação da Associação de Moradores do Jardim da Saúde. Com a organização dos moradores conseguiram ter força diante do poder publico, existe nos outros bairros alguma forma de organização? Se não, porque? Como criar uma?

     Anexo 5 - No anexo 6, consta um novo mapa com informações sobre o tombamento o novo zoneamento.

 

 

Bibliografia

 

Santos, Carlos José Ferreira dos. Nem tudo era Italiano – São Paulo e Pobreza 1890 – 1915. São Paulo: Fapesp / Annamblume, 2003.

 

GLEZER, Raquel, Chão de Terra e outros ensaios sobre São Paulo, p. 22. http://www.amjs.org.br/resolucaotombamento.htm

 

Caldeira, Teresa Pires do Rio. Cidade de Muros – Crime, segregação e cidadania em São Paulo. SP: Editora 34: Edusp 2000. Pag. 211.

 

http://revistapesquisa.fapesp.br/?art=660&bd=1&pg=1&lg=

Alcina Ferreira Jorge, O Bairro do Jardim da Saúde. “História dos bairros de São Paulo. Prefeitura Municipal- Secretaria de Educação e Cultura- Departamento de Cultura. 1970.

 

Outras Referências Moradores e ex-moradores entrevistados

 

Cosimo Cataldo – Italiano – 80 anos – Mora no Jardim da Saúde há 50 anos - Aposentado.

 

Márcia L. de S. Oliveira – 42 anos – Atualmente mora no bairro da Vila Moraes – Mas viveu toda a infância no Bairro da Água Funda – Ass. Administrativa.

 

José Marques Guimarães – 73 anos – Atualmente mora em Itajubá / MG – Trabalhou 50 anos na Aliperti - Aposentado.

 

Francisco Ferreira – 52 anos – Atualmente morador de Diadema – Tem um comércio na Vila Santo Stéfano - Comerciante.

 

Maria das Neves Rodrigues Silva - 52 anos – Moradora da Vila Santo Stéfano há 30 anos - Cozinheira.

 

 

ANEXOS

 

Anexo 2 - Mapa do Jardim da Saúde Anexo 4 - AMJS Qualidade de Vida Anexo 5 parte 1 - Abaixo Assinado Tombamento Anexo 5 parte 2 - Abaixo Assinado Tombamento Anexo 5 parte 3 - Abaixo Assinado Tombamento Anexo 6 Novo mapa zoneamento JD