Livro: Diário de uma expedição

Aluno (a): Laerte Matias Fernandes, Thiago Alves de Oliveira, Conrado Barbosa Silva, Denis Anderson Costa, Ícaro dos Santos Mello, Fabio de Souza Jorge, Angélica Brito Silva e Thassia Ferreira Ramos
Docente responsável: Maurício Cardoso

 

 

Euclides da Cunha foi um grande escritor e sociólogo que registrou um dos maiores genocídios da história brasileira. Graças ao seu olhar aguçado nós conhecemos hoje uma versão diferente sobre Canudos (este arraial, que foi destruído com a desculpa de serem monarquistas desejosos em por fim ao império), quando lemos a descrição minuciosa de Euclides notamos que o problema vai muito além dessa suposta teoria da conspiração. O texto de Euclides acordou o Império do litoral e os fez lembrar que existia um povo perdido adentro do sertão e que era necessário notar a sua presença.

O Diário de uma expedição foi inicialmente publicado como artigos no jornal O Estado de S. Paulo. São fragmentos de pensamentos, momentos, reflexões que vão desde a euforia de defender o Império quanto a preocupação com aquela guerra contra brasileiros miseráveis. Aqui é possível acessar ao Diário de uma expedição

Bordo do “Espírito Santo”, 7 de agosto de 1897.

Nesse primeiro tópico vemos Euclides da Cunha descrever como estão os ânimos dos soldados. Ele descreve a ansiedade dos soldados, eles querem realizar bem o seu papel de defensores da República. Tanto Euclides da Cunha quanto os soldados que ele descreve estão imbuídos de um dever patriótico, eles tem certeza de que o que estão por fazer é o correto. Tanto que a primeira parte do documento acaba com um sonoro “A República é imortal!”.

Bahia, 15 de agosto de 1897.

Euclides aborda a questão de Canudos como um novo momento na história brasileira, pois em sua opinião a Monarquia havia sido conivente com uma política em que a doença e vícios se proliferam, já a República vem para “corrigir” os erros com essa população esquecida e marginalizada. A república não estaria destruindo Canudos, mas sim o vasto Brasil desconhecido, tentando trazer a “limpeza”, tirar dessa sociedade republicana esses desvios morais e viciantes que Canudos representaria. Ele vê em Antônio Conselheiro um homem louco, um produto de seu meio. Fica uma sensação, através dos primeiros relatos, de que Euclides da Cunha acha necessário a destruição do arraial. E ele diagnostica um quadro de atraso sócio-intelectual como na passagem “... recebemos uma lição... Os que aqui governam reconhecerão os inconvenientes graves que resultam, de um lado dessa insciência deplorável em que vivemos acerca das regiões do interior de todo desconhecidas muitas, e, de outro, o abatimento intelectual em que jazem os que as habitam”.

Bahia, 16 de Agosto de 1987.

Ao chegar aqui e assaltado logo por impressões novas e variadas, perturbadoras de um juízo seguro, acredito, às vezes, que avaliei imperfeitamente a situação e dominado talvez pela opinião geral...

Euclides da Cunha ao chegar ao arraial depara-se com uma verdade que o incomoda, como um arraial tão pobre, com pessoas subnutridas, um intenso ataque por parte do exército, como eles ainda resistem? Talvez a sua opinião estaria errada? É interessante perceber como ele fica impressionado com a resistência dos jagunços, eles estão perdendo a batalha mas continuam persistindo.

Canudos, 26 de Setembro de 1897.

O último relato do documento é um misto de espera angustiada com algo perplexo. Todos aguardam o fim da batalha, ocorreram muitas baixas de ambas as partes, o exército aguarda o restante dos jagunços, eles são poucos. O relato de Euclides acaba com um aspecto de mistério e espanto. Em suas palavras “Há em toda esta luta uma feição misteriosa que deve ser desvendada”, ele não entende como esses jagunços ainda resistem, como a igrejinha de Monte Santo continua até o fim sendo a base desses sertanejos. Com que armamento eles continuam essa batalha? Com que forças? O texto é encerrado com uma visão da igreja que ainda resiste e os jagunços que permanecem lutando quase sem forças.

 

"Ruínas da Igreja Velha de Sto. Antônio" (Flávio de Barros - 1897)

 

 

"Ruínas da Igreja Velha de Sto. Antônio" (Flávio de Barros - 1897)