Filme: Deus e o diabo na terra do sol

Aluno (a): Laerte Matias Fernandes, Thiago Alves de Oliveira, Conrado Barbosa Silva, Denis Anderson Costa, Ícaro dos Santos Mello, Fabio de Souza Jorge, Angélica Brito Silva e Thassia Ferreira Ramos
Docente responsável: Maurício Cardoso


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Ficha Técnica

Gênero: drama

Tempo de duração: 110 min.

Ano de lançamento (Brasil): 1964

Direção: Glauber Rocha

O filme de Glauber Rocha trás com grande complexidade assuntos como a miséria e o fanatismo religioso, ambos assunto que permeiam a sociedade nordestina.

Deus e o Diabo na terra do sol foi filmado entre 1963-64, um momento de verdadeira crise e reflexão social. A história nos é contada de uma forma muito expressiva. É uma ótima opção para se mostrar/exemplificar como a miséria combinada com o abandono leva as pessoas a extremos.

O filme conta a saga de um jovem casal, Manuel e Rosa.

Manuel, sertanejo, após uma discussão com o coronel da região na hora da partilha do gado passa a ser perseguido, por esse motivo foge com sua esposa. A partir desse momento será a história passa a ser contada com personagens fictícios mas que em alguns casos remetem a personagens de fundo histórico. Digo isso a respeito da alusão feita à comunidade religiosa de Canudos que é tratada no filme com a presença de um “novo Antônio Conselheiro” o beato Sebastião e de um cangaceiro – Corisco – que muito lembra Lampião.

Os elementos constituintes do povo sertanejo estão claramente representados: a extrema religiosidade, a miséria, o latifúndio, o coronelismo e o banditismo social.

A ingenuidade do sertanejo também surge com os momentos em que Manuel sempre tem esperança que no futuro ele melhorará de vida e uma sensação de isolamento, pois não existe por parte de Manuel uma consciência de que o mesmo ocorre com outros sertanejos.

Podemos observar no filme que os protagonistas estão em uma “espécie de transe” durante quase toda a narrativa, depois de fugirem da fazenda, Rosa e Manuel irão transitar durante a história como pessoas que sofrem com esse mundo e não acham seu lugar.

O final deixa-nos ainda mais perplexos por não apresentar uma conclusão exata. O filme nos apresenta diversas críticas, das quais se destacam, entre outras, a cena da partilha do gado entre o vaqueiro Manuel e o coronel Morais, interessantíssima, pois é possível ver a tensão existente entre as classes, com o mais fraco sofrendo as penas pelo gado ter morrido devido ao clima árido.

Outro detalhe interessante é o ataque repentino do coronel sobre o vaqueiro, é uma cena em que fica bem claro a posição em que se considera estar o coronel, ele trata Manuel como se fosse uma de suas propriedades, como se fosse o próprio bicho que pode receber punições por contrariá-lo e o desfecho surpreende, pois em um ato inusitado o vaqueiro reage àquela violência e por ter se levantado contra a classe opressora terá que pagar com a morte da própria mãe e depois com a interminável fuga.

O filme mostra também uma crítica ao fanatismo calcado em dogmas quando fala sobre a comunidade religiosa. Cabe destacar as cenas que representam Monte Santo. Elas estão embriagadas de um sentimento complexo e confuso.

Na narrativa também está presente o momento do massacre de Canudos, os protagonistas são salvos para registrarem o fato e servirem como testemunha dessa crueldade. O título Deus e o Diabo na terra do Sol nos trás novos questionamentos. Nessa complexa obra seria possível classificar quem é o mal e quem é o bem? Na terra do Sol, o sol escaldante que não deixa o verde crescer, fica a dúvida de quem estaria do lado de Deus nesse vai e vem de emoções, ora o fanático religioso que se mostra cruel, ora o cangaceiro justiceiro que quer trazer a justiça ao sertão, fazer a revolução.

O fim do filme também deixa muitas dúvidas. A fala “um dia o mar se tornará sertão e o sertão se tornará mar” se perde e se mistura com a fuga de Manuel e Rosa essa que se perde durante a corrida deixando a dúvida “Será que ele a abandonou? Por quê?”, “Será que alcançaram o mar?”. Dúvidas que não são respondidas, mas só pelo fato de suscitarem um questionamento já se tornam interessante.