Filme: A História Oficial

Aluno (a): Alessandro Mildo Gonçalves Ferreira, Fransergio Perini de Oliveira, Nádia Mangolini, Mayara Miranda e Rafael Vaz de Souza.
Docente responsável: Maurício Cardoso

 

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Ficha Técnica

Título original: La Historia Oficial

Gênero: Drama

Ano de Lançamento (Argentina): 1985

Duração: 112 min

Direção: Luis Puenzo

 

A História Oficial, dirigido por Luis Puenzo, conta a história de Alicia, uma professora de História de classe média que, em plena ditadura militar da Argentina, parece viver normalmente e acreditar nas informações transmitidas pelo governo ditatorial.

O filme coloca em evidência uma Alicia que depois de ser confrontada por seus alunos e depois da chegada de sua velha amiga Ana (que havia sido exilada pelo regime) começa a perceber que as coisas vão além do que diz a “versão oficial”. Alicia descobre que Ana havia sido torturada pela ditadura e passa a desconfiar que sua filha adotiva possa ser uma filha de prisioneiros políticos, torturados ou assassinados que acabavam por ser levadas para adoção.

Ao buscar a origem de sua filha, Alicia entra em conflito com o marido, que parece ter alguma relação com o aparelho repressor da época. Nesse aspecto, ela passa a ter contato com a realidade política argentina em 1983: protestos de pessoas à procura de familiares desaparecidos (conhecemos as mães e avós da Plaza de Mayo*).

Ao final de sua jornada Alicia acaba por abrir os olhos para a verdadeira história que o ocorre diante de si. Lançado em 1985, A História Oficial é o início da construção de uma memória, que a princípio teve a tarefa de lembrar problemas ainda não solucionados: pessoas ainda “desaparecidas”, pessoas eternamente marcadas pelo trauma da tortura causada pelo estado, e pessoas que tiveram suas famílias destruídas. A Narrativa do filme é extremamente interessante se pensarmos no papel de uma professora de História dentro da escola. A imagem de uma historiadora que desconhece o que se passa em seu país, assim como o retrato de uma classe média que decide fechar os olhos para a realidade, serve como ponto de discussão sobre o papel que cada pessoa possui na sociedade e o que ela faz para mudá-la ou não. A mudança pela qual passa a personagem central (Alicia) é mote para mostrar aos alunos dentro da sala de aula, como a tomada de consciência de alguém é fator decisivo na construção de um país. Inicialmente alheia à realidade de seu país, Alicia consegue ir além do que se via nos jornais e livros didáticos e muda de “lado” ao entrar em contato com o que talvez seja o mais simbólico impacto da opressão ditatorial: as mães e avós que tiveram seus filhos e netos presos ou raptados pela repressão. Vencedor do Oscar de melhor filme estrangeiro, o filme de Luis Puenzo nos lembra que sempre é possível abrir os olhos e enxergar além da história oficial.

*Site das Avós da Plaza de Mayo: http://www.abuelas.org.ar