Década de 60 e Tropicalismo no Brasil

• Aluno (a): Dahanne Vieira Salles, Erick Miyasato, Fernando O. Viana, Gabriel Pereira, Marcelo Akeo Takiy, Marcus Borgonove, Marjorie Yuri Enya, Paulo G. Bastos, Rafael Farinaccio eThiago A.R. Oliveir 

 

Introdução ao movimento tropicalista e a efervercência cultural da década de 60 no Brasil, assunto trabalhado através de mídias que permitam uma análise sob o viés do tema: Rebeldia e Juventude.

 

A década de 60 foi marcada mundialmente pela forte presença da atuação jovem no universo cultural que expandiu suas influências aos meios políticos e sociais.  No Brasil, é nesse período que grandes mudanças nas estruturas sociais e políticas germinam; uma década de efervercência cultural em todo páis. No plano político, víamos o golpe militar e as inflamadas comunidades ligadas aos movimentos de esquerda.

 

No plano internacional, tínhamos a Guerra Fria como grande fonte polarizadora do mundo.  Tudo isto levava o país, a sociedade e a cultura a um estado de estagnação, dividida entre o senso comum e a dita “resistência” da esquerda brasileira.

 

Avessos a isso, existia um grupo de jovens artistas, músicos e compositores que não estavam satisfeitos com os rumos que música nacional estava tomando. Armados com uma proposta de ruptura com os padrões estabelecidos e trazendo ao cenário cultural brasileiro uma grande mistura de idéias, estilos, tendências e linguagens, com elementos da cultura jovem mundial como o rock, os sons eletrônicos da guitarra elétrica e o colorido da psicodelia hippie misturados a movimentos da vanguarda erudita, este grupo tinha por objetivo criar uma música “universal”.

 

Para os artistas tropicalistas era plenamente possível unir o erudito ao popular. Já com a ditadura militar no Brasil e a entrada maciça dos movimentos culturais exportados principalmente por Estados Unidos e países da Europa Ocidental, os tropicalistas procuraram incorporar os elementos culturais estrangeiros, misturando-os aos já conhecidos traços típicos da música brasileira (Isso nos remete ao antropofagismo apresentado pelos modernistas na semana de 22). O tropicalismo veio com a força de uma onda no cenário cultural, provocando inicial assombro e espanto por parte do tradicional público consumidor da cultura pop nacional e, posteriormente, provocando certa repulsa por sua estrutura teoricamente não politizada.

 

Tal repulsa era apoiada no discurso que bradava e acusava o movimento tropicalista como sendo um movimento raso, que certamente perderia força com o passar do tempo. Porém, vemos hoje, mais de 40 anos após a fundação do movimento, que este veio para modernizar e abalar a estrutura não somente musical, mas também cultural brasileira. Segundo Rogério Duarte, em “Tropicália – 20 anos”, o tropicalismo não foi um movimento, mas um momento de um movimento que começou muito antes .[1]

 

E começara com a Bossa Nova. Os artistas da tropicália misturaram os caracteres da Bossa Nova com o samba, o rock, a batida clássica, a rumba, o baião e o bolero. Duarte também afirma que Glauber Rocha, Oscar Niemeyer, Lina Bo Bardi e Zé Celso, com seu Teatro Oficina, foram artistas considerados do movimento tropicalista. O autor é enfático ao revelar que o Tropicalismo se diferencia fundamentalmente da Semana de Arte Moderna por ser algo sem nenhuma programação.

 

Para ele, a Tropicália nasceu do experimento dos jovens dos fins década de 60 e contagiou todos os elementos da sociedade da época, como a arquitetura, a moda e a literatura e não pode ser compreendido por nenhum dos movimentos da época, nem pela esquerda, nem pela direita, pois não foi compreendida sua identidade e sua idéia de totalidade . [2] Totalidade essa que pode ser entendida como abraçar a cultura estrangeira produzida pelos jovens das nações européias e estadunidense, inflamando o movimento jovem no Brasil. Um movimento de rompimento com a alta cultura abordando a cultura de massa e digerindo e incorporando a cultura exportada por aqueles países.

 

Tropicalismo: Um movimento nascido nos festivais.

O ano era 1967 e o evento era o Terceiro Festival de Música Popular Brasileira, promovido pela emissora de televisão Record. As músicas eram Domingo no Parque e Alegria, Alegria, de Gilberto Gil e Caetano Veloso, respectivamente. Este é o ponto que a História marca como sendo o ponto crítico, a energia inicial do movimento Tropicalista. O baião plástico de Gilberto Gil e a marchinha timbrada das guitarras de Caetano Veloso e Beat Boys trouxeram à tona e ao grande público a proposta do movimento Tropical, que era mudar o pensamento de como a música era feita e trabalhada no país.

 

No ano seguinte, 1968, Caetano e Gil participaram do Terceiro Festival Internacional da Canção, com É proibido proibir e Questão de Ordem, com o objetivo de chocar o público. Inovadores, os dois foram alvo de vaias e críticas, sendo desclassificados do concurso. Ainda no ano de 1968, a rede Record produzia o Quarto Festival de Música Popular Brasileira, festival que foi ganho pelo irreverente e genial Tom Zé com sua música intitulada São São Paulo. Ainda neste festival, vimos a participação dos Mutantes com 2001 e Gal Costa com Divino, maravilhoso.

 

Panis et Circencis

O tropicalismo foi finalmente sintetizado em sua forma mais expressiva e pura com o lançamento do disco Tropicália ou Panis et Circencis liderado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Os Mutantes, Gal Costa e o maestro Rogério Duprat, entre outros artistas. Ali, os jovens tropicalistas demonstravam em suas músicas toda a proposta do movimento: “reiterar sobre a impossibilidade da canção ser um veículo ideológico coerente e orgânico, sobretudo se estiver submetida aos ditames da indústria cultural” [3]

 

Por fim, o tropicalismo representava uma nova forma de libertação, inerente ao espírito jovem da época, à necessidade de se libertar de forma concisa dos padrões estéticos estabelecidos pela politicagem efervescente. Por meio da música, das letras, do cinema e trazendo ao cenário cultural nacional algumas das formas de ruptura e misturando as vanguardas, do rebelde rock’n’roll da geração hippie, ao samba e à bossa nova, à rumba e aos mais diversos estilos e expressões existentes no Brasil, o Tropicalismo visava uma nova produção cultural no Brasil.

 

  • [1]DUARTE, Rogério. Tropicália – 20 Anos, SESC, 1987.
  • [2]DUARTE, Rogério, op. cit., 1987.
  • [3] NAPOLITANO, Marcos. O Tropicalismo no Contexto dos Festivais. Artigo publicado originalmente para ser apresentado no Seminário “Tropicalismo 30 anos: a explosão e seus estilhaços”, Universidade de Brasília, 1997.