Contracultura e Movimento Hippie

• Aluno (a): Dahanne Vieira Salles, Erick Miyasato, Fernando O. Viana, Gabriel Pereira, Marcelo Akeo Takiy, Marcus Borgonove, Marjorie Yuri Enya, Paulo G. Bastos, Rafael Farinaccio e Thiago A.R. Oliveir 

 

 

Introdução ao universo da contracultura e do movimento hippie.

 

A passagem da década de 50 para a década de 60 foi um período de grandes transformações na sociedade norte-americana. Os anos 50 trouxeram aos Estados Unidos um grande crescimento econômico e a sua consolidação enquanto superpotência capitalista perante o resto do mundo. Porém, estes avanços na economia surtiram impacto negativo em muitos setores da sociedade, que não viam os frutos da prosperidade do país e a riqueza serem distribuídos igualmente.

 

O que realmente acontecia era os ricos aumentarem cada vez mais seu poder aquisitivo e os pobres terem cada vez mais dificuldade de se estabelecer. Esta desigualdade, portanto, foi crescendo à medida que o mercado norte-americano se fortalecia e o que parecia progresso foi, passo a passo, descontentando parte da população.

 

E foi justamente na década de 60 que muitos jovens se posicionaram contra os valores da sociedade norte-americana - ter um bom carro, um bom emprego, constituir uma família, em suma, ser bem sucedido pessoal e profissionalmente. Esta década é marcada por um grande número de jovens, frutos do baby-boom do pós-Segunda Guerra Mundial (a taxa de natalidade nos anos da guerra e do pós-guerra aumentou consideravelmente e trouxe consigo reflexos posteriores, afinal os bebês da década de 40 se tornariam jovens colegiais e universitários durante a década de 60). Foram estes jovens, que formavam uma boa parte da população norte-americana do período, que fizeram parte do movimento que chamamos Contracultura.

 

A contracultura nada mais é do que a negação dos valores impostos pela sociedade norte-americana que valorizava o indivíduo que tivesse um bom carro, um bom emprego, dinheiro e uma família, por exemplo. Muitos foram os grupos da contracultura norte-americana, mas certamente os representantes mais importantes desta corrente foram os hippies. Diante de toda a desigualdade social e das contradições vistas na sociedade dos anos 60 – de um lado, prosperidade, crescimento econômico e aumento da riqueza para alguns e do outro a desigualdade social interna, a desigualdade racial, a Guerra do Vietnã e muitas idéias conservadoras, moralistas e retrógradas – os jovens da contracultura, em geral, passaram a defender valores exatamente opostos aos valores daquela sociedade.

 

Segundo o pensamento destes jovens, o que haveria de bom em uma sociedade que, apesar de defender a liberdade não a vive de fato? Uma sociedade que prega a igualdade, mas que segrega e discrimina os negros dos brancos, os homens das mulheres? Um país que enriquece, leva o capitalismo a outros países, mas joga bombas Napalm no Vietnã, mata famílias indefesas e crianças? Que sociedade é esta? É exatamente o tipo de sociedade que os jovens da contracultura não querem. Por isso, muitos deles foram presos ou fugiram para viver em comunidades autônomas, recusando-se a servir ao Exército na Guerra do Vietnã. E recusar-se a servir o Exército não é apenas contrariar a lei. Recusar o serviço militar é crime inafiançável nos EUA e o serviço militar obrigatório norte-americano é extremamente valorizado pelos setores mais conservadores da sociedade.

 

Defensor dos ideais conservadores norte-americanos e constantemente usado para impor este ideologia a outros países, o Exército estadunidense funciona da mesma maneira até os dias de hoje, vide o histórico recente de guerras dos Estados Unidos contra Afeganistão e Iraque. O mais importante movimento da contracultura, que teve enorme influência nos costumes da geração dos anos 60, irradiando-se pelo mundo todo, foi certamente o movimento hippie. Para eles, se a sociedade americana era capaz de cometer um crime daquele vulto, atacando uma pobre sociedade camponesa no sudeste asiático, ela deveria ser rejeitada.

 

Em contraposição ao americano comum, que cortava o cabelo rente como um militar, os hippies usavam e cultuavam o cabelo despenteado, comprido, e a barba. Andavam sujos também, afinal o americano comum sempre tomava banho. Os hippies ainda utilizavam brim e sandálias, em contraposição ao terno e à gravata. Repudiavam a sociedade urbana e industrial, propondo o comunitarismo rural e a atividade artesanal, vivendo da fabricação de pequenas peças, de anéis e colares. Se o tabaco e o álcool eram a marca registrada da sociedade tradicional, aderiram à maconha, aos ácidos e às anfetaminas. Foram os grandes responsáveis pela prática do amor livre, pela abolição do casamento convencional e pela cultura do rock.

 

O mais importante marco desta geração foi o Festival de Woodstock, um festival musical realizado em uma fazenda, no interior de Nova Iorque, no qual 500 mil jovens se reuniram durante três dias, convivendo durante todo este tempo em algo que funcionou como uma grande comunidade hippie. Lá, eles dormiam, alimentavam uns aos outros (quem possuía comida, alimentava quem não tinha o que comer) e curtiam as bandas que se apresentaram no festival – muitas delas com músicas e letras de protesto e crítica social e contra a Guerra do Vietnã, como Joan Baez, Janis Joplin, Jimmy Hendrix, Country Joe, The Who e John Sebastian.

 

A contracultura marcou o final da década de 60 e continuou durante a década de 70, espalhando-se dos Estados Unidos para o resto do mundo. As músicas de protesto, a cultura hippie e a negação aos valores da sociedade norte-americana expandiram-se para os outros continentes, adequando-se aos mais diferentes contextos e tomando as mais diferentes formas. No Brasil, por exemplo, as influências da contracultura serão tardias e sem os mesmos efeitos políticos, restringindo-se apenas às características estéticas – roupas coloridas e os cabelos compridos, ou seja, a aparência hippie (também chamada de hippie de boutique).

 

Mas nos Estados Unidos, o movimento da contracultura deu novo fôlego a diversos outros movimentos que ocorreram durante a década de 70, como o movimento pela democracia racial, nos EUA. Não podemos negar, portanto, que a contracultura, além de marcar toda uma geração em todo o mundo, contribuiu para uma série de mudanças de comportamento na sociedade, por meio da contestação dos valores e da necessidade que eles viam de transformar a sociedade na qual viviam.