Filme: Woodstock, 3 Days of Peace & Music

• Aluno (a): Dahanne Vieira Salles, Erick Miyasato, Fernando O. Viana, Gabriel Pereira, Marcelo Akeo Takiy, Marcus Borgonove, Marjorie Yuri Enya, Paulo G. Bastos, Rafael Farinaccio, Thiago A.R. Oliveir 

 

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Análise do Filme WOODSTOCK, 3 DAYS OF PEACE & MUSIC sob o prisma do tema: Rebeldia e Junventude

 

Ficha Técnica

Título Original: Woodstock, 3 days of Peace & Music

Gênero: Documentário

Tempo de Duração: 184 minutos

Ano de Lançamento: 1970

Direção: Michael Wadleigh

 

O documentário Woodstock, 3 days of Peace & Music, é um relato ousado, captado ao vivo e a cores de um dos maiores eventos da contracultura do século XX. Ao contrário do que muitos pensam, esta não é uma reconstituição ou encenação do famoso festival e sim a compilação do material recolhido por Michael Wadleigh durante os dias do evento.

Idealizado por quatro jovens norte-americanos, John Roberts, Joel Rosenman, Artie Kornfeld e Michael Lang, este festival inicialmente aconteceria em uma cidade afastada de Manhattan, chamada Woodstock. Apesar da cidade ter sido trocada, seu nome ficou incorporado ao evento, que passou a ser chamado de Festival de Woodstock.

O lugar escolhido para sua realização foi a pequena cidade de Bethel, com cerca de 2500 habitantes, no interior do estado de Nova Iorque. Inicialmente, Woodstock era programado para ser um festival como outro qualquer, com cobrança de ingressos, e visando puramente a diversão e apreciação do Rock and Roll. Para atrais os jovens, entretanto, os organizadores do evento trataram de vincular o festival ao sentimento antiguerra do final da década de 60, com o slogan “Três dias de Paz e Música”.

Atraídos pelo rock e pelo lema, homens e mulheres vieram de todas as partes do país, chegando ao ponto de, no primeiro dia de festival, as cercas que separavam pagantes de não pagantes serem derrubadas, fazendo com que todos que por ali passassem, chegassem e se acomodassem nas áreas próximas ao festival. Com isso, o público que era estimado em 200 mil pessoas ao longo dos três dias, beirou o meio milhão. Passando de boca em boca, hippies do país inteiro se deslocaram para a cidadezinha de Bethel, e foram celebrar a paz, o amor e o Rock and Roll durante três dias e três noites, parando apenas para recuperar as forças para o dia seguinte.

Podemos considerar o festival de Woodstock como um dos eventos mais marcantes desta geração, marcada pela contracultura Hippie, em resposta à situação do país, em guerra contra o Vietnã. Todo o sentimento antiguerra e a Era de Aquarius (disseminada com o musical da Broadway, Hair) contribuíram para que o festival, mais do que um evento musical, se tornasse um estado de espírito. O documentário acompanha o evento desde o início da montagem dos palcos, com a escolha do local e a intenção dos idealizadores do festival em reunir ali os jovens para que eles aproveitassem três dias destinados à celebração da paz, do amor e do Rock ‘n’Roll.

Mostra também como as milhares de pessoas que ali ficaram os três dias enfrentaram juntas a falta de estrutura do evento, que não esperava comportar tamanha concentração de jovens. Durante três dias, Woodstock foi um exemplo de comunidade Hippie, gerida por todos, na qual o coletivo fazia a diferença. Quem tinha comida, alimentava quem não tinha; quem não tinha onde dormir ou se abrigar da chuva, dividia um pedaço de lona com quem o tinha.

As imagens de crianças, muitas crianças com seus pais – durante a execução de Younger Generation, de John Sebastian –, contribuem para a mensagem de que o modelo de comunidade experimentada em Woodstock é um modelo a ser seguido pelas futuras gerações. Entrevistas e mais entrevistas. Depoimentos dos jovens participantes, de moradores da região na qual o evento aconteceu – alguns a favor e alguns contra a realização do evento, queixando-se do barulho do uso de drogas, da perda de colheita, do trânsito – lojistas – que em seus depoimentos comemoram o aumento das vendas e vêem o festival com bons olhos – e até mesmo dos organizadores do evento.

A maior voz no documentário, entretanto, são as imagens. Inúmeras imagens de pessoas convivendo em meio a milhares de pessoas, comendo, dormindo, se divertindo, descansando, sentadas, andando... Entre as entrevistas, que são sempre intercaladas com imagens das pessoas no evento, temos a apresentação das bandas no festival – algumas delas apenas, pois nem todas estão presentes no documentário.

Joe Cocker, Janis Joplin, The Who, Jimmy Hendrix, Santana e John Sebastian marcam presença no documentário com performances fantásticas. Talvez a atmosfera do evento e a importância de Woodstock no nosso imaginário façam com que estas apresentações pareçam impecáveis. Durante os três dias de festival, o que se formou em Woodstock foi uma enorme comunidade Hippie. A ausência de comida, água e suprimentos não foi problema para os jovens que lá estavam. A ordem era ajudar ao próximo, curtir tudo aquilo em paz.

A cooperação entre as pessoas foi uma das marcas do festival, que ocorreu sem grandes problemas. Não houve nenhum registro de violência e, muito pelo contrário, sabe-se que lá em meio a toda multidão nasceram três crianças. E não apenas isso, foi em Woodstock que se firmou o principal bastião de celebração da cultura Hippie e ganhou ainda mais força o movimento contra a Guerra do Vietnã. Não à toa, até hoje o festival de Woodstock é lembrado por muitos como símbolo da contracultura e como um movimento idealizado de jovem pra jovem. Um marco na história da humanidade, que a juventude conseguiu imortalizar.