OS DOIS LADOS DE UMA REALIDADE

Sequência Didática

OS DOIS LADOS DE UMA REALIDADE

Marcela D’Elia

 

 

Introdução

O tema desenvolvido nesta sequência didática será o paralelo entre as realidades nazistas e judaicas, durante a Segunda Guerra Mundial, na Europa. Para isso, trataremos de relatos escritos – hoje, transformados em literatura – fotos, documentários e, por fim, charges que expressam as  realidades vividas por  nazistas, dentro de sua ideologia; e judaica, que, por sua vez, sofre as consequências desta ideário. Poderíamos fazer o paralelo entre nazismo e judeus dentro de cada estratégia didática. Mas optamos por fazer diferente: vamos inserir os alunos na ideologia nazista em todas as esferas e, uma vez que eles estiverem bem inseridos nesta realidade, vamos apresentá-los às consequências que este regime totalitarista causou na população judaica. Para isso, trabalharemos com as mesmas estratégias didáticas, mas, desta vez, apresentando a versão dos judeus. A intenção com isso é causar um maior impacto nos alunos entre a ideologia nazista e judia, uma vez que eles teriam o contato ao longo de duas aulas somente com o nazismo para, somente depois, ter o choque de uma realidade paralela e totalmente distinta – também em duas aulas. A última aula será uma proposta de atividade prática para os alunos levando em consideração os conteúdos que foram aprendidos ao longo das quatro primeiras aulas. A intenção desta atividade é dar autonomia para os alunos ao mesmo tempo que estimula seu senso crítico e análise iconográfica – usaremos charges nesta aula. Sendo assim, esta sequência didática terá no total cinco aulas.

A importância deste tema escolhido se dá, uma vez que desenvolve uma visão dos vencidos – hoje muito trabalhada pela historiografia – ao mesmo tempo que legitima a situação vivida pelos mesmos (aqui, no caso, os judeus) a partir da ideologia e realidade do grupo dominante, os nazistas. Logo, a percepção de duas realidades em um conflito é fundamental para um aluno desenvolver um senso crítico no sentido que pode entender o contexto histórico que resultou nesta realidade ao mesmo tempo que compreende os dois lados de um conflito; e, quem sabe, pode se familiar mais com uma das duas lutas e até defendê-la. Além disso, este tema é muito atual, uma vez que nos remete imediatamente à situação atual da Faixa da Gaza, entre Israel e Palestina. Neste contexto é fundamental demonstrar para os alunos que a disputa entre duas raças ainda é um tema extremamente atual e presente na política internacional. No caso do tema da Palestina, o mais interessante ainda é que um dos personagens do conflito esteve presente na Segunda Guerra, que iremos tratar nesta sequência didática em primeiro lugar: os judeus. Ou seja, novamente 70 anos após o fim da Segunda Guerra, os judeus ainda estão envolvidos em conflitos de raça; só que, desta vez, como dominantes e não vencidos – desenvolveremos isto mais tarde, neste trabalho.

 

Não só devido ao conteúdo e a profundidade do tema, mas também por que a questão da Segunda Guerra e algumas (quase todas) violências vividas pelos judeus podem ser muito chocantes aos olhos de um espectador leigo, optamos por focar esta sequência didática para o terceiro ano do Ensino Médio. Além disso, o desenvolvimento deste senso crítico, associado a análise de imagens, excertos, vídeos e charges (que serão desenvolvidas nesta sequências) são fundamentais para os alunos utilizarem no vestibular, assim como no exame no ENEM. Logo, a sequência é benéfica para os alunos em termos de conteúdo, uma vez que Segunda Guerra é um tema muito frequente nestas provas, ao mesmo tempo que irá desenvolver uma linha de raciocínio critico fundamental e distintivo para os alunos realizarem a prova.

 

A escolha do terceiro ano do Ensino Médio também é importante, pois, para essa atividade, é fundamental que os alunos tenham já um conhecimento básico do contexto e características da Segunda Guerra Mundial. Isto porque o propósito aqui é uma análise comparativa, a partir do uso de diversas estratégias didáticas e da critica e análise de cada uma destas.

 

 

Objetivos

 

1. Desenvolver nos alunos uma consciência histórica que permita-os identificar, dentro de um contexto, duas realidades distintas – geralmente compostas por posições sociais, politicas e ideológicas distintas;

 

 

2. Permitir que os alunos percebam o quanto é rico os materiais que podem ser usados para se entender e conhecer um determinado tema. Além disso, buscamos maior interesse dos alunos ao utilizar diversas estratégias didáticas distintas;

 

 

3.  Aproximação do  conteúdo da Segunda Guerra Mundial com a realidade atual dos alunos. Isto trará maior significado ao conteúdo histórico aprendido por eles, uma vez que a discussão ainda é muito atual;


4. Desenvolvimento de um senso crítico que foge do senso comum e que permite que os alunos visualizem questões atuais com um olhar diferenciado.

 

 

Estratégias (lembrando que é necessário que os alunos estejam aprendendo o conteúdo sobre Segunda Guerra Mundial ou que já possuam algum conhecimento prévio sobre o tema):

 

 

- BLOCO 1: NAZISMO -

 

Aula 1 – Nazismo na literatura e na mídia (1h total):

 

(35 minutos) Uso da obra Minha Luta de Adolf Hitler para ilustrar as principais ideologias do nazismo acerca da inferioridade e superioridade das raças, com especial foco para os judeus. A intenção, porém, é mostrar uma frase que Hitler afirma sua crença sobre a inferioridade das raças a partir da miscigenação, porém sem abordar a que situação ele possa estar se referindo. O autor, todavia, deverá ser mencionado. Com isso, sugere que se faça algumas perguntas aos alunos.

 

 

“Em poucas palavras, o resultado do cruzamento de raças é, portanto, sempre o seguinte: A) Rebaixamento do nível da raça mais forte;

B) Regresso físico e intelectual e, com isso, o começo de uma enfermidade,  que progride devagar, mas  seguramente.  Provocar  semelhante  coisa  não  passa  então  de  um  atentado  à  vontade  do Criador1.”

 

 

Perguntas:

 

-  O  que  Hitler  que  dizer  com  essa  afirmação? Vocês  estão  familiarizados com  essa ideologia nazista?

- Quais eram suas crenças sobre as raças? Havia distinção entre raças para ele?

 

- Quais raças poderiam gerar as consequências citadas por ele nos excertos? Dê exemplos.

 

- Qual é a raça superior e mais pura, segundo Hitler?

 

 

 

Respostas: Hitler sugere na frase que há distinção entre as raças e que a miscigenação de uma raça superior com uma raça inferior pode afetar a qualidade da primeira, visto que a segunda “mancharia” suas boas qualidades. Algumas raças inferiores para Hitler e que, consequentemente,  poderiam  afetar  a   integridade  de  outras  são:  judeus,  ciganos, deficientes físicos e mentais, homossexuais entre outros. Com relação a raça superior, para

                                                                                                                                                                                                                                

1 HITLER, Adolf. Minha Luta. p. 186-187.

2 HITLER, Adolf. Minha Luta. p. 195, 196 e 199.


Hitler, é de se esperar que os alunos citem a raça ariana. Aqui, abrir espaço para os alunos compartilharem algumas características que eles saibam sobre a raça ariana. Dado a idade dos alunos, é de se supor que eles tenham um mínimo de familiaridade com o tema. Pode- se  abrir  uma  discussão  para  os  alunos  contribuírem  com  seus  conhecimentos  sobre Segunda Guerra (especialmente Terceiro Reich, ideologia nazista e holocausto) para fazer uma espécie de retomada do conteúdo geral.

Após essa breve discussão, é interessante a leitura de um excerto de Hitler sobre a sua concepção sobre os judeus:

 

 

O judeu é que apresenta o maior contraste com o ariano (...) Sua compreensão não é o produto de evolução própria, mas de pura imitação (...) O judeu só conhece a união, quando ameaçado por um perigo  geral  (...)  Por  isso  também  é  que  o  povo  judeu,  apesar  de  suas  aparentes  aptidões intelectuais, permanece sem nenhuma cultura verdadeira e, sobretudo, sem cultura própria (...) O judaísmo não é uma raça, mas uma religião. A mentira estende-se igualmente à questão da língua dos  judeus;  esta  não  lhes  serve  de  veículo  para  expressão,  mas  sim  de  máscara  para  seus pensamentos.  Falando francês, seu modo de pensar é judeu; torneando versos em alemão não faz

seo fazer transparecer o espírito de sua raça2.

 

 

 

- Para Hitler, o judaísmo é uma raça impura? Ou o judeu, para ele, não é nem uma raça?

 

- Não sendo então o judaísmo uma raça, qual é o maior problema dos judeus? Por que

 

Hitler os despreza? O judaísmo é uma ameaça para a pura raça ariana?

 

 

 

Resposta: O judaísmo não é considerado uma raça por Hitler, pois, para ele, o judaísmo é uma religião. Sendo assim, o judeu pode estar “infiltrado” em qualquer país e, assim, pode começar a disseminar a sua crença neste meio, a partir da própria língua local. Sendo assim, relacionando-se com outras raças, o judeu pode manchar o sangue destas. Logo, o judeu pode destruir uma raça sem aviso prévio, uma vez que ele está em todo lugar. Este é o maior problema do judeu no caso da Alemanha nazista: a ameaça para a raça ariana.

 

 

(25 minutos) Passar o documentário Auschwitz: Inside de Nazi State (Primeiro episódio da temporada - 2005 – BBC – 45 minutos). Este é um documentário muito interessante que aborda princípios da ideologia nazista, ao mesmo tempo que já irá introduzir os alunos no tema do sofrimento causado aos judeus pelos nazistas. O interessante do uso aqui é que: primeiro os alunos entraram em contato com as ideologias nazistas e sua aversão pelos

 

                                                                                                                                                                                                                                

2 HITLER, Adolf. Minha Luta. p. 195, 196 e 199.


judeus por meio dos excertos da obra de Adolf Hitler; agora, eles verão essas ideologias na “prática” no sentido que o documentário explicita os ações que foram tomadas pelos nazistas com relação aos judeus. O documentário tem 45 minutos no total, portanto, 2/3 do mesmo  será  exibido  nesta  aula  e  o  restante  na  próxima  aula.  O  documentário  está disponível no Netflix.

 

 

Aula 2 – Nazismo na fotografia (1h total):

 

(20 min) Exibição do restante do documentário.

 

 

(40 min) Análise e discussão iconográfica sobre imagens do nazismo, seus soldados, sua propaganda e outros temas. Devido à primeira aula e à exposição do documentário, os alunos já estarão mais familiarizados com esse tema o que, provavelmente, facilitará a análise iconográfica nesta segunda etapa.

 

Imagem 1:

 

Imagem 2:

 

- Quem são os integrantes dessa foto? Em que local eles estão? O que suas expressões demonstram? Quais sentimentos? Eles vivem em um período conturbado ou tranquilo da história?

    

Resposta: Esta foto data de dezembro de 1944 e mostra funcionários e oficiais da SS rindo distraidamente e cantando; e relaxando em um abrigo, respectivamente. Curiosamente, esta foto foi tirada em Auschwitz, um dos maiores campos de concentração do governo nazista. Enquanto os oficiais posavam para essa foto, diversos judeus sofriam as condições terríveis de uma vida em um campo de concentração. É interessante reforçar aqui a disparidade real entre nazistas e judeus, separado apenas por alguns metros de distância dentro de Auschwitz. (http://rarehistoricalphotos.com)


Imagem 3:

 

Imagem 4:

 



 

- O que está acontecendo nestas fotos? Qual o significado do símbolo que aparece nas imagens? As pessoas demonstram algum tipo de linguagem corporal? Qual? As fotos representam um grande número ou um pequeno conglomerado de pessoas?

 

 

Resposta: A primeira foto diz respeito a um discurso de Hitler em Berlin, 1939 e a segunda data de 1934. Em ambos os casos, vemos eventos nazistas que envolvem um grande número de pessoas a favor da ideologia defendida por Hitler. A suástica (símbolo nazista) aparece em todas as fotos e, no caso da primeira, a reverência característica dos nazistas também pode ser identificada. (http://rarehistoricalphotos.com)

 

 

Imagem 5:

 

-  Quais  são  as  expressões  destas  pessoas?  Você  acha  que  elas  fazem  parte  do conglomerado das duas fotos acima? Porque? Se sim, o que justifica a resposta?

 

Resposta:  As  pessoas  estão  com  expressões  ativas,  ao  mesmo  tempo  que  fazem  a veneração nazista. Por isso, podemos afirmar que elas provavelmente estão participando de algum evento nazista, além de apoiarem a ideologia. Outro elemento que legitima esta resposta é a presença, novamente, da suástica na foto. A foto é de 1938 e mostra um grupo


de pessoas saudando a campanha de Hitler para a união da Áustria e a Alemanha. (http://rarehistoricalphotos.com)

 

Imagem 6:

 

 

 

Tradução do texto: “O judeu: iniciador da guerra, prolongador da guerra” (1943-1944)

 

 

 

- O que representa este pôster? Qual ideologia está por trás dele? Qual é a finalidade deste pôster? Quem está sendo representado nele? O pôster apresenta uma visão negativa ou positiva desta pessoa representada? Porque? Aonde esta pessoa representada está? De quem são estas mãos e o que elas representam?

    

Resposta:   A   propaganda   nazista   e   os   pôsteres   eram   estratégias   de   marketing

 

frequentemente usadas pela ideologia como forma de ou reforçar sua própria identidade ou de menosprezar um outro grupo. Aqui, no caso, o pôster representa um judeu – sempre aparentado com características feias e frequentes (como o nariz grande). Além disso, o judeu é apontado como causador e prolongador da guerra. Ou seja, a causa de todos os problemas pelo qual a Europa (e o mundo) passavam naquele contexto. O judeu está atrás


de uma cortina com um fogo e uma multidão com as mãos erguidas, semelhante a uma condenação em praça publica. (http://www.bytwerk.com)

 

 

Imagem 7:

 

 

- Quem é este homem sentado? De  que  ideologia  vocês acreditam que ele é defensor? Porque? Qual é a sua expressão? O  que  ela  indica?  Porque  ele está com está expressão?

 

 

Resposta: Esta foto foi tirada em setembro de 1933. Este homem é  Jeseph Goebbels, ministro da propaganda do partido nazista. Sua expressão é de desgosto e isto  se  deu  pois  ele  descobriu que o fotógrafo que estava tirando a sua foto, naquele exato momento, era judeu. Este momento capturado é um claro exemplo da aversão dos nazistas pelo povo judeu. A expressão de

Goebbels realmente é capaz de expressar uma gama de sentimentos extremamente complexos e negativos. (http://rarehistoricalphotos.com)

 

 

- BLOCO 2: JUDAÍSMO -

 

Aula 3 – O judaísmo na literatura e na mídia:

 

(35 minutos) Para contradizer os ideais contidos na obra de Adolf Hitler, iremos expor excertos do Diário de Anne Frank que exemplificam brilhantemente bem as consequências que a ideologia nazista pode causar nos judeus. Antes disso, é importante fazer uma breve exposição sobre Anne Frank, quem foi essa menina, sua história e, infelizmente, seu fim extremamente precoce. A edição oficial do diário publicado pela Editora Record apresenta


um prefácio com um resumo da vida de Anne, assim como a de sua família que pode facilmente ser utilizado como base teórica para essa breve introdução à personagem. Transcrevemos alguns excertos que podem ser utilizados na exposição da vida de Anne – aqui, o texto não é para seu lido, é para ser usado apenas como base para uma exposição por parte do professor. A exposição sobre a vida de Anne deve ser acompanhada de uma foto sua:

 

(http://www.theatlantic.com)

 

 

“Anne Frank nasceu em 12 de junho de 1929. Ela morreu aprisionada no campo de concentração de Bergen-Belsen,  três meses antes de completar 16 anos. Otto H. Frank [pai de Anne] foi o único membro  da família  que sobreviveu  ao Holocausto.  Ele morreu  um 1980  (...) Anne  escreveu  um diário entre 12 de junho de 1942 e 1o. de agosto de 1944. A princípio, guardava-o para si mesma. Até que, certo dia de 1944, Gerrit Bolkestein, membro do governo holandês no exílio, declarou em

transmissão   radiofônica   que,  depois  da  guerra,  esperava   recolher   testemunhos   oculares   do sofrimento do povo holandês sob ocupação alemã e que estes pudessem ser postos à disposição do público.

Impressionada  com aquele discurso,  Anne Frank decidiu que publicaria  um livro a partir de seu diário, quando a guerra terminasse (...) A última anotação no diário de Anne data de 1o. de agosto


de 1944. Três dias depois,  em 4 de agosto,  as oito pessoas  que se escondiam  no Anexo  Secreto foram  presas.  Miep  Gies  e  Bep  Voskujil,   as  duas  secretárias   que  trabalhavam   no  prédio, encontraram  as  folhas  do  diário  de  Anne  espalhadas  pelo  chão.  Miep  Gies  guardou-as  numa gaveta. Depois da guerra, quando  não havia mais dúvidas  de que Anne estava morta, ela deu o

diário, sem lê-lo, ao pai da menina, Otto Frank.3

 

 

Agora algumas informações sobre a vida de Anne, narradas por ela mesma:

 

 

 

Meu pai, o pai mais adorável que conheço, só se casou com minha mãe quando tinha 36 anos, e ela, 25. Minha irmã Margot nasceu em Frankfurt am Main, na Alemanhã, em 1926. Eu nasci em 12 de junho de 1929. Morei em Frankfurt até completar 4 anos. Como éramos judeus, meu pai emigrou para a Holanda em 1933, quando se tornou diretor-administrativo  da Dutch Opekta Company, que fabrica produtos para fazer geleia. Minha mãe, Edith Hollander Frank, juntou-se a ele na Holanda em setembro,  enquanto  Margot e eu fomos mandadas  a Aachen, para ficarmos com a nossa avó. Margot foi para a Holanda  em dezembro,  e eu, em fevereiro,  quando  me puseram  sobre a mesa

como presente de aniversário para Margot4.”

 

 

Passada essa breve exposição sobre a vida de Anne, é sugerido que se exponha alguns de seus depoimentos e que estão diretamente relacionados com as consequências da ideologia nazista sobre o grupo dos judeus:

 

 

Sábado, 20 de junho de 1942

 

Depois de maio de 1940, os bons momentos  foram poucos e muito espaçados:  primeiro veio  a  guerra,  depois,  a  capitulação,  em  seguida,  a  chegada  dos  alemães,  e  foi  então  que começaram  os sofrimentos  dos judeus. Nossa liberdade foi gravemente  restringida  com uma série de decretos antissemitas:  os judeus deveriam usar uma estrela amarela; os judeus eram proibidos de andar nos bondes; os judeus eram proibidos de andar de carro, mesmo em seus próprios carros; os judeus deveriam fazer suas compras entre três e cinco horas da tarde; os judeus só deveriam frequentar barbearias e salões de beleza de proprietários judeus; os judeus eram proibidos de sair às ruas entre oito da noite e seis da manhã; os judeus eram proibidos de frequentar teatros, cinemas ou ter qualquer  outra forma de diversão;  os judeus eram proibidos  de ir a piscinas,  quadras  de tênis, campos de hóquei ou a qualquer outro campo esportivo; os judeus eram proibidos de ficar em seus jardins ou nos de amigos depois das oito da noite; os judeus eram proibidos de visitar casas de cristãos; os judeus deveriam frequentar escolas judias etc. Você não podia fazer isso nem aquilo,

mas a vida continuava5.”

 

 

 

 

 

                                                                                                                                                                                                                                

3 FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank: Edição Integral. pp. 6-8.

4 Idem, Ibidem, p. 17.

5 FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank: Edição Integral. P. 18.   


Questões:

 

- Segundo Anne, qual foi o momento crucial para a mudança na vida dos judeus? O que estava acontecendo no contexto mundial neste período?

- Todas as restrições aos judeus buscavam quais objetivos? De que forma estes objetivos relacionam-se com a ideologia de Hitler a respeito dos judeus? (Retomada da aula 1)

- O que vocês acham destas restrições? Expressem suas opiniões.

 

 

 

Respostas: O momento crucial para a mudança na vida dos judeus foi o ano de 1940, inicio da Segunda Guerra Mundial e, a partir do momento que os alemães (nazistas) assumiram o poder. Relembrando as citações da obra de Adolf Hitler, a questão fundamental acerca dos judeus era que eles, uma vez sendo uma religião e não uma raça, estavam infiltrados em diversas nações de línguas distintas. Logo, facilmente podiam se miscigenar com essa população local e, consequentemente, poderiam ameaçar a pureza desta. Sendo assim, estas restrições tem como objetivo principal o máximo de separação possível entre judeus e outras raças dentro de uma nação e até com outras religiões, como no caso dos cristãos. Uma vez que os judeus não encontram-se com arianos, pois não frequentam os mesmos locais e, quando frequentam, são em horários distintos, isso diminuiria ao máximo o risco de judeus relacionarem-se com arianos e, portanto, evitava a “destruição” da pura raça

ariana.

 

A parte que abre para os alunos expressarem suas opiniões é interessante para ouvi- los  e  entender  quais  são  suas  concepções  acerca  de  todas  essas  proibições.  O(a) professor(a) pode instigá-los ainda mais com perguntas do tipo: vocês se imaginariam vivendo em tal condição restritiva? Quais são as restrições que algumas classes vivem nos dias de hoje? – Aqui, podemos chegar a discussão dos negros que, mesmo não havendo nenhuma lei que define isto, são restringidos de visitarem alguns lugares pela simples ideologia da maioria da população). Além disso, é interessante questioná-los se conhecem alguma realidade em que haja restrições (não necessariamente nesta intensidade, mas pode ser em algum nível inferior). Se eles tocarem no assunto da Palestina e Israel, melhor ainda! Se isto não acontecer, é importante que citemos, pois trabalharemos com isto na última aula, quando realizaremos uma aproximação com o tema da Segunda Guerra e a realidade atual da conjuntura internacional.

 

 

Por fim, iremos discutir um último exceto escrito por Anne Frank:


Quarta-feira, 8 de julho de 1942

 

Aconteceu  tanta coisa, que é como se o mundo inteiro tivesse virado de cabeça para baixo. Mas, como você pode ver, Kitty [como Anne se referia ao diário], ainda estou viva, e, como diz papai, isso é o mais importante.  Estou viva, sim, mas não me pergunte onde nem como. Você provavelmente não está entendendo uma palavra do que estou dizendo hoje, por isso vou começar contando o que aconteceu naquela tarde de domingo.

Às três horas, a campainha tocou. Não ouvi porque estava na varanda, lendo preguiçosamente  ao sol. Um pouquinho depois, Margot apareceu na porta da cozinha, parecendo muito agitada.

- Papai recebeu uma notificação da SS – sussurrou ela – Mamãe foi ver o Sr. van Dann. (O Sr. van

 

Dan é amigo e sócio no trabalho.)

 

Fiquei pasma. Uma notificação: todo mundo sabe o que isso significa. Visões de campos de concentração e celas solitárias passaram por minha mente. Como poderíamos deixar papai ir para um destino assim?

- Claro  que  ele não  vai – declarou  Margot,  enquanto  esperávamos  mamãe  na sala  de estar.  – Mamãe foi procurar o Sr. van Dann, para perguntar se podemos ir amanhã para o esconderijo. A família van Dann vai conosco. Vamos ser sete no total6.”

 

 

Neste momento, deixar os alunos pensarem um pouco sobre esta parte do relato que é extremamente delicada. O quanto a vida dos Frank foi afetada? Em um instante, a vida da família Frank virou complemente “de cabeça para baixo”. Além disso, posteriormente ficamos sabendo através do diário que, na verdade foi Margot, a irmã de Anne que recebeu a notificação, e não o pai. A mãe havia contado esta “mentira” para proteger as filhas. Por isso, deixar os alunos pensarem respeito de uma situação na qual uma menina de 16 anos é intimada pelos nazistas para ser conduzida a um campo de concentração. Outra questão importante para ser colocada é a seguinte: qual é o tamanho da consciência acerca da realidade de época que Anne possuía? Isto é, ela sabia exatamente o que receber uma intimação significava, mesmo em tão pouca idade (13 anos). É possível afirmar que as crianças  nessa  idade  tem  uma  consciência  desta  nos  dias  de  hoje?  Se  sim,  em  que situações? O que uma situação de guerra é capaz de fazer com as pessoas? Todas estas questões são abertas e colocadas para os alunos expressarem as suas opiniões e para terem, aqui, uma oportunidade de reflexão profunda.

 

 

(25  minutos)  Exibição  do  documentário  Touched by  Auschwitz (2015  –  BBC  –  45 minutos), o qual é um belo paralelo ao documentário que será exibido no primeiro bloco desta sequência didática. Enquanto o primeiro apresenta uma visão dos campos de concentração de Auschwitz a partir da ideologia nazista e a partir de uma “justificativa”

                                                                                                                                                                                                                                

6 FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank: Edição Integral. P. 29.


para o envio dos judeus para este local; este segundo documentário expõe os depoimentos dos judeus que sobreviveram à Auschwitz e até os dias de hoje para relatar a sua experiência. Assim como no diário de Anne Frank, aqui busca-se mostrar o outro lado da questão: de que forma a ideologia nazista interferiu mais do que profundamente na vida destes judeus que viveram na década de 40. Metade do documentário será exibida nesta aula e metade na próxima. A intenção disso é que ao mesmo tempo que o documentário na primeira aula dá uma legitimidade a discussão que foi feita; a outra metade dele na aula seguinte é importante para relembrar os alunos do tema e permitir uma maior imersão na discussão que virá a seguir.

 

 

Aula 4 – O judaísmo na fotografia (1h total)

 

(20 minutos) Exibição do restante do documentário Touched by Auschwitz.

 

 

 

(40 minutos) De acordo com a mesma intenção do documentário, o objetivo aqui é traçar um  paralelo  entre  as  imagens  analisadas  no  bloco  do  nazismo  –  que  exprimem tranquilidade (em alguns momentos), poder, dominância, confiança e vida em uma classe social “privilegiada” – e a realidade vivida pelos judeus durante o período da Segunda Guerra: que, depois dos relatos de Anne Frank e do documentários, os alunos perceberão que não foi nada simples.

 

 

Imagem 1:



 

- Quem é essa menina? Que classe social, grupo ou religião ela é pertencente? O que ela está desenhando? O que é esta representação? Porque ela desenhou desta maneira? Há algo com ela? Se sim, o que?

 

 

Resposta:  Esta  menina  é  Tereszka,  uma  menina  que  cresceu  em  um  campo  de concentração, em uma foto datada de 1948 – um período posterior ao final da Segunda Guerra Mundial. Pela idade que ela aparenta ter na foto, percebemos que ela é de pouca idade e que, por isso, ela realmente nasceu durante os períodos mais problemáticos da guerra. Esta claro que esta criança não é inocente e já vivenciou as realidades mais tenebrosas que um ser humano “normal” pode cogitar enfrentar. Devido aos seus traumas passados quando criança, ela foi encaminhada a um local para crianças com distúrbios. Quando perguntada para fazer uma representação do que ela consideraria como sendo um lar, o resultado é este que vemos na fotografia. (http://rarehistoricalphotos.com)

 

 

Imagem 2:

 

- Quem é está pessoa? Ela é do sexo masculino ou feminino? Por que? Quantos anos essa pessoa parece ter? O que é esta vestimenta que ela possui? O que sua expressão diz? Ela


aparenta estar em uma boa ou má condição? Por que? Que sentimentos que essa imagem passa?

 

 

Resposta: Esta pessoa na imagem, é uma menina. Esta informação por si só é interessante, pois ela está com a cabeça raspada e, geralmente, as mulheres tem cabelos um pouco mais compridos como característica própria. Ela está assim, pois, quando os judeus chegavam nos campos de concentração, todos tinham suas cabeças raspadas por diversos motivos, sendo o principal dele a distinção entre as outras raças e grupos da sociedade.

Ela é uma menina russa de apenas 18 anos. E, nesta situação, ela encontrava-se no campo de concentração de Dachau, no momento que estava sendo libertada, em 1945 – data do final da guerra. Seus olhos dizem muita coisa: incredulidade? Sua alma é profunda e ela está em claros sinais de desnutrição dada a magreza de seu corpo. Esta vestimenta que ela está usando é um dos uniformes característicos dos campos de concentração utilizados pelos judeus. (Aqui, perguntar aos alunos de eles conhecem a obra O Menino do Pijama Listrado, de John Boyne que claramente faz alusão a esta vestimenta que, na verdade, não era pijama coisa nenhuma). Diferente de Auschwitz, Dachau não era um campo de extermínio, mas as situações vivenciadas pelos judeus que lá ficaram está longe de ser “recomendável” (http://www.theatlantic.com)

Para esta situação, temos um relato de Anne Frank que pode ser extremamente agregador:

 

 

“Gestapo  [polícia  nazista]  está tratando  todos eles [os judeus] muito mal e transportando-os  em vagões de gado para Westerbork, o grande campo em Drenthe, para onde estão mandando todos os judeus.  Deve  ser  terrível  em  Westerbork.  As pessoas  não  tem  praticamente  nada  para  comer  e menos ainda para beber, já que só existe água uma hora por dia, e há somente um banheiro e uma pia para vários milhares de pessoas. Homens e mulheres dormem no mesmo cômodo, e as mulheres e  crianças  costumam  ter  as  cabeças  raspadas.  Fugir  é  quase  impossível;  muitas  pessoas  têm

apancia de judias, e são marcadas pelas cabeças raspadas7.”

 

 

Este relato de Anne se aplica ao que vemos na foto? Deixar os alunos refletirem...

                                                                                                                                                                                                                       

7 FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank: Edição Integral. p. 64.


Imagem 3:

             

- Quem são essas pessoas? A que grupo social elas pertencem? Há mais de um grupo social representado nesta foto? Se sim, quais? Qual é a principal diferença entre eles? O que está acontecendo no momento desta foto? O que suas expressões e linguagem corporal nos dizem?

 

 

Resposta: Nesta imagem, um grupo de judeus está sendo levado de um gueto (local onde os judeus normalmente residiam dentro das cidades) por soldados alemães. A foto data de

1943. Suas expressões demonstram medo, angústia e rebaixamento social, quando comparada às expressões, vestimentas e postura dos oficiais à direita da foto – bem vestidos, confiantes e com claro posicionamento de superioridade, além do fato de estarem fortemente armados.


Imagem 4:

 

 

Esta imagem deve ser colocada ao final para gerar uma discussão acerca das vantagens nazistas sobre as judaicas em um nível que ultrapassava apenas o ideológico. Aqui não faremos perguntas sobre a imagem sem nenhuma informação prévia sobre ela. Portanto, deve-se apresentar a foto e falar que trata-se de um soldado nazista, na Bélgica, em 1944. Depois disso, questionar os alunos: ele está armado? Se sim, quanto? Muito ou pouco? A Alemanha estava bem preparada para a guerra? Que guerra os judeus estavam lutando? Eles tinham preparação para uma ameaça nesta escala?

Ou seja, deve-se buscar incitar nos alunos um senso crítico no sentido que os nazistas não estavam acima dos judeus e os oprimiam apenas no sentido ideológico. Talvez este não fosse nem mesmo o mecanismo de maior coerção dos nazistas, pois, na maioria dos casos, os judeus mantinham-se firme à sua religião. Na realidade, os nazistas eram detentores do poder bélico e de uma organização que permitia uma coerção pela esfera psicológica: os judeus eram reprimidos pela violência e pelo puro e simples medo da morte. (http://ww2today.com)


Segundo Anne Frank:

 

 

 

“Noite após noite, veículos militares verdes e cinzas cruzam as ruas. Eles batem em todas as portas, perguntando se ali mora algum judeu. Em caso positivo, toda a família é levada embora. Caso contrário, eles passam para outra residência. É impossível escapar de suas garras a não ser que você se esconda. Eles costumam andar com listas, só batendo nas portas onde sabem que há uma grande captura a ser feita. Costumam oferecer recompensa, tantos florins por cabeça (...) À noite, quando está escuro, costumo ver longas filas de gente boa e inocente com crianças chorando, andando sem parar, controladas por um punhado de homens que as empurram e batem até elas quase caírem. Ninguém é poupado. Os doentes, os velhos, as  crianças, os  bebês e as  mulheres grávidas –  todos  são  forçados a

marchar em direção à morte8.”

 

 

 

- BLOCO 3: DISCUSSÃO NOS DIAS DE HOJE –

 

Aula 5: Uso de charges para trabalhar uma questão muito atual (1h total)

 

Neste último bloco, o objetivo é trazer a discussão feita nas quatro primeiras aulas para o panorama atual dos alunos. Esta etapa é fundamental, pois, a partir do momento que os alunos refletem sobre a sua própria realidade dentro de uma aula de história é quando o conteúdo e as informações são muito mais bem consideradas. Afinal, qual é o uso principal da história, senão o estudo do passado para compreensão do presente? É interessantíssimo mostrar para os alunos que a discussão racial e religiosa ainda está presente na conjuntura internacional. Para isso, trataremos do conflito entre Israel e a Palestina. Esta escolha foi feita, pois apresenta um mesmo personagem nos dois contextos de Segunda Guerra e conflito da Palestina, que é o judeu. Todavia, - e isto é extremamente importante deixar muito claro para os alunos – no primeiro momento, os judeus sofreram muito devido à ideologia nazista, como vimos nas aulas até então e, neste caso, estes eram os vencidos; mas, neste segundo contexto de conflito entre Israel e Palestina, os judeus estabelecem-se no posicionamento dos vencedores, uma vez que utilizam um armamento bélico praticamente  desproporcional  ao  dos  palestinos  e  frequentemente  envolvem-se  em conflitos sem justificativas muito definidas.

Ou seja, os judeus estariam agindo da maneira como foram tratados pelos nazistas? Houve, aqui, uma inversão de papéis? Discutir se é possível para um povo que viveu o

 

                                                                                                                                                                                                                                

8 FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank: Edição Integral. p. 80.  


Holocausto praticar ataques violentos a outros povos em uma escala considerável. O que os alunos acham desse posicionamento atual de Israel? Seria um mero mecanismo de defesa? E os palestinos? Qual é o posicionamento dos alunos sobre eles? E mais: este conflito envolve só o passado vivido pelos judeus ou muitas outras questões, como é o caso do ponto religioso que engloba toda aquela região do Oriente Médio? Caso os alunos conheçam pouca coisa sobre a situação atual da Palestina e de Israel, dar uma breve explicação sobre o tema e, se necessário apropriar-se de mapas para auxiliar a exposição.

 

Atividade: Após esta breve exposição sobre o conflito Israelo-Palestino, a sugestão é que se proponha uma atividade. O objetivo, aqui é dar a liberdade de os alunos trabalharem por eles mesmos. Para isso, eles devem dividir-se em quatro grupos, nos quais cada um discutirá uma charge. Após a discussão, é interessante que cada grupo faça um pequeno texto, um brainstorm ou alguns tópicos que resumam as questões que a charge traz. Após isso, cada grupo irá apresentar as questões presente em suas charges para os outros. Os demais grupos estão abertos para fazer

questionamentos e para complementarem à discussão. E, por fim, o professor pode incitar mais ainda a discussão a partir de perguntas – algumas das quais já foram descritas acima. O ideal é que os alunos apresentem suas charges, identifiquem o ponto jocoso, discutam o seu contexto e as críticas sócio-políticas que elas possuem.

Como qualquer tema delicado como este e a Segunda Guerra Mundial, nem todas as questões serão sanadas e nem esta é a intenção desta aula de fechamento – ou continuidade? O propósito é deixar mesmo os alunos se questionando e irem embora da aula com estas questões. Isto permite que eles busquem, por si só, respostas no futuro. É isto mesmo: esta aula não deve ser um fechamento, mas uma continuidade: a abertura dos alunos para o senso crítico, para uma nova realidade, uma nova maneira de enxergar diversos aspectos da história e da política internacional. Se os alunos, ao deixarem a sala, se sentirem cidadãos no mínimo um pouco diferentes, o objetivo desta sequência didática foi cumprido.

Respostas e questionamentos das charges:

 

Soldado judeu e a família palestina: Esta charge foi escolhida justamente porque se assemelha e muito à foto que analisamos da família sendo retirada do gueto pelos soldados nazistas, porém de maneira invertida. Antes, os judeus estavam indefesos, em más condições e em um posicionamento inferior. Aqui, o judeu – o israelense – é quem está no poder, enquanto o palestino apresenta-se em uma condição simples, inferior e de medo, a julgar por suas expressões. Além disso, relembrar aqui os alunos da semelhança bélica entre este soldado judeu e o soldado nazista que analisamos também na fotografia. De novo, Israel “ganha” essa guerra pela ideologia ou pelo simples poderio bélico? Os palestinos, nesta esfera, possuem alguma chance contra Israel? Não há, aqui, um desequilíbrio assim como houvera entre os nazistas e os judeus?

 

Punições  dos  israelenses  contra os palestinos: Esta charge também é   curiosíssima   no   sentido   que afirma novamente a inversão dos papéis que ocorre com os judeus no contexto da Segunda Guerra x conflito Israelo-Palestino. Ou seja, dentre as diversas “punições coletivas sobre Gaza” impostas por Israel está: “energia e combustíveis cortados, comida e remédios escassos, espaço aéreo vigiado, fronteiras fechadas”. Quais destas punições foram vivenciadas pelos judeus na Segunda Guerra e que agora são impostas, pelos próprios, a um outro povo? A sátira fica por conta da punição final, as câmaras de gás – que, aqui, fazem uma alusão direta ao Holocausto.

 

Judeu  –  o  bode  expiatório:  Neste  caso  é interessante ressaltar, novamente, o posicionamento inferior do judeu, não só por posicionamento social mas também por poderio bélico, no contexto da Segunda Guerra. Porém, mesmo estando em uma condição inferior, o judeu é acusado de estar derrotando as tropas nazistas, o que seria praticamente impossível dado as diversas questões que já foram discutidas ao longo dessa sequência didática. Ou seja, o judeu é colocado como culpado, mesmo não tendo condições de se comportar como tal.

 

 

Palestino – o bode expiatório: Esta charge é interessantíssima, pois é exatamente o oposto da charge anterior. Ou seja, ela expressa muito bem a inversão do papel dos judeus nos dois contextos distintos. Antes o judeu era o bode expiatório acusado pelos nazistas (no caso da charge, pelo próprio Hitler); agora, o judeu é o acusador e o palestino é  o  bode  expiatório.  E  porque  bode

expiatório? Porque o judeu o acusa de antissemita, ou seja, um preconceituoso e incitador do ódio contra a sua religião, quando, na verdade, o palestino só está reivindicando o seu direito à terra da Palestina. O palestino é literalmente apontado como o culpado do conflito quando, na verdade, só está lutando pelos seus direitos. Não foi exatamente isso que ocorreu com os judeus na Segunda Guerra? Luta pelos seus direitos ao passo que os nazistas eram os representantes do preconceito?

 

 

Bibliografia

 

ABUD, Katia Maria. Ensino de História. São Paulo: Cengage Learning, 2010. ARENDT, Hannah. Origens do Totalitarismo. São Paulo: Companhia das Letras 1989. FRANK, Anne. O Diário de Anne Frank: Edição Integral. Rio de Janeiro: Record, 2015. HITLER, Adolf. Minha Luta. São Paulo: Editora Moraes, 1983.

ZALABA, Antoni. Os Enfoques Didáticos. In: O Construtivismo na Sala de Aula. Editora

 

Ática, pp. 153-196.

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