Roteiro de Visita – Escola Rural do Butantan

Universidade de São Paulo
Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas
Departamento de História
Propostas de Sequência Didática:
Roteiro de Visita – Escola Rural do Butantan
Nome: Giovanna Colacioppo
Nº USP: 4268100
Disciplina: Uma história para a cidade de São Paulo: um desafio pedagógico
Profª: Antonia Terra de Calazans Fernandes
 
 
Objetivo:
A seguinte proposta de sequência didática tem por objetivo abarcar alunos do ensino fundamental I, abrindo debates sobre o modelo da escola pública, incentivando-as a fazer comparações e reflexões sobre suas próprias necessidades de aprendizado na escola, sendo realizada junto a uma visita ao bairro onde se localizava a escola rural do Butantan, além de debater as mudanças no bairro, utilizando mapas de época e mapas atuais, pondo em foco, por exemplo, o rio Pinheiros.
A intenção é montar uma visita ao instituto sem passar pelos seus museus (de rua, biológico, microbiológico e histórico), dando outro enfoque como a mudança de comportamentos, pensamentos e lugares ao longo do decorrer do tempo.
 
A Escola Rural do Butantan e a Escola em que estudamos:

 

Em sala de aula:

 

Você já imaginou como seria aprender, na escola, a fazer hortas, plantar árvores, preparar alimentos, de forma a integrar população e crescimento? Pois saiba que isso acontecia no que chamamos de Escola Rural.
Você sabia que ela já existiu na cidade de São Paulo? Isso mesmo, pertinho de onde encontramos, hoje em dia, o Shopping Eldorado, a Avenida Rebouças e a USP. Difícil de imaginar, não é?

 

Leitura: (ler antes da visita ao local, explicando conceitos e tirando dúvidas)
O que é uma escola rural?
O desenvolvimento econômico do Estado de São Paulo, principalmente com a atividade cafeeira, faz com que os profissionais da educação dos anos 1920 e 1930 repensem uma forma de educação nacional brasileira. Começa-se a construir diversas escolas para atender à realidade brasileira: nas grandes cidades, uma realidade de transição entre o rural e o urbano (lembrando que a região do Butantã era uma grande fazenda que fazia parte do Instituto Butantan). São escolas de caráter profissionalizante, ou seja, voltadas para a formação profissional de seus alunos, principalmente a agrícola, além do ensino primário. Havia tanto meninos como meninas na escola rural. O objetivo da escola era formar pessoas com caráter rígido, amantes do trabalho, para bem servir à pátria, além de fixar o homem do campo em seu meio.
 
Saída para o Instituto Butantan. (começar pela entrada da Avenida Vital Brasil)
Questão:
 Como você acha que era o bairro do Butantã há mais de 70 anos atrás
Para ajudar, observe estas duas fotos da Avenida Vital Brazil, uma das principais avenidas do Bairro: a primeira foto, de 1928, e a segunda, de 2011.
 

 

O bairro do Butantan se constitui com a idealização do Instituto, fundado por Vital Brazil, para combate de epidemias como peste bubônica e para desenvolver soros antiofídicos (picadas de cobra).
Como o Instituto lidava com seres perigosos, como cobras, e precisava de uma fazenda para manter cavalos para a produção de soro, ele foi constituído em um local praticamente desabitado, com características rurais. Sim, o Butantã já foi assim!
Veja os mapas na página seguinte comparando a região do Butantã antigamente e hoje em dia. Anote e converse com colegas: O que mudou?
Com o rio Pinheiros? (discutir a redefinição do leito do rio e suas consequências).
 

 

 

Com as ruas? (continuam as mesmas? Houve replanejamento urbano?)

 

 

Com o acesso ao bairro?

 

 

 

Para ajudar agora, veja uma foto aérea do Butantã. Encontre o Instituto!

 

 Esta área ainda parece rural para você? (explicar o conceito de rural e urbano).
 Encontre o Instituto Butantan, onde se localizava a antiga escola rural!
 
 
 
O Prédio:
Desenhe no espaço abaixo o prédio de sua escola.

 

 

 

 

 

 

Vamos agora comparar com o prédio da Escola Rural do Butantan:

 

 

Como está o prédio da escola rural do Butantan hoje em dia?

 

 

Não mudou quase nada! A casa mantém seus aspectos originais, como os detalhes em gesso, janelas grandes e pé-direito alto (explicas às crianças, se necessário). Fica no limite do que hoje em dia é a USP.
 Com o que parece o prédio da escola rural do Butantan?
 E a sua escola, com o que parece?
 Os prédios todos mudaram ao longo do tempo ou você conhece alguns que não mudaram? Dê exemplos!
 Qual a importância de preservar casas antigas como essas?
 Você acha os prédios do Instituto bem conservados? Compare este, por exemplo: a foto antiga, a foto mais nova e o que você vê agora (o prédio está em reformas)
 
 
 
As Atividades:
Veja esta mensagem dos alunos da escola rural do Butantan, em 1940.
 

Proposta: Escreva no espaço abaixo os resultados do seu ano e compare com os resultados dos alunos da escola rural! Quais as semelhanças e quais as diferenças?

 

 

 

 

Estas atividades se revertiam em benefício dos próprios alunos, como a produção de alimentos para próprio desfrute das crianças!

 

 

 Proposta: criação de uma hortinha da sala!
Com o objetivo de iniciar uma plantação da escola, em jardineiras individuais podemos começar fazendo nossa parte e colher os frutos no futuro!
(distribuir tarefas aos alunos, coisas simples e baratas como pacotinhos de sementes, quem serão os regadores da semana)
Outras muitas atividades que os alunos desenvolviam neste espaço onde estamos, além de aprender as matérias que aprendemos hoje. Crie legendas para as fotos!
 
 
 
Brincadeiras:
 
 
 
 
O que aconteceu com a escola rural do Butantan?
Hoje em dia, ela se chama Alberto Torres, e não se localiza mais dentro do Instituto. Não é mais uma escola rural devido às transformações da cidade e ao crescimento do Instituto como local de pesquisa. Ela, agora, se localiza na entrada do Instituto, na Avenida Vital Brasil. Você reparou na escola, quando entramos?
 
 
 
Ela foi nomeada em homenagem a um dos fundadores da escola rural. Como você pode ver, ainda é uma escola arborizada, e cheia de espaços dentro.
 Por que você acha que ela deixou de ser rural?
Fim da visita:
Anote as coisas que você mais gostou. Reúna-se com um grupo de colegas e debatam: como seria a escola ideal. Todos apresentarão em sala de aula! (ajudar os alunos a fazer sugestões e críticas à sua própria escola).
 
Conclusão:
O desafio para fazer uma reflexão junto com crianças de 11 a 14 anos fez-se presente ao longo de toda a composição deste trabalho. Pensar a evolução da cidade de São Paulo aliada aos modos de ensino, visando que os alunos possam fazer críticas construtivas à escola pública e possam tomar atitudes para melhorar o ambiente escolar é, para mim, essencial para a formação de cidadãos conscientes de sua parte no Estado. Decidi por não me aprofundar muito sobre a história da escola rural para focar na metodologia da escola comparada com a escola atual. Acredito que as discussões sobre a mudança da cidade de São Paulo poderiam obter resultados práticos com um público tão jovem, que poderão aprofundar esse estudo no ensino médio, em projetos em conjunto com os professores de humanidades.
 
 
Sites:
Instituto Butantan: <http://www.butantan.gov.br> Rede Alberto Torres: <http://redealbertotorres.blogspot.com/> Viva o Butantã: <http://vivaobutanta.blogspot.com>
Artigos:
MORAES, A. I. D. “Experiências inovadoras de escolas primárias rurais no estado de São Paulo: grupos escolares rurais, granjas escolares e escolas típicas rurais (1933-1968)”. Programa de Pós-Graduação da UNESP. PEREIRA, M. A. F. “Crise da educação brasileira: o problema da educação rural (São Paulo, década de 1930)”. Universidade Católica de Santos, 2011. SOUZA, R. F.; ÁVILA, V. P. S. “Para uma genealogia da escola primária rural: entre espaços e a configuração pedagógica (São Paulo, 1889-1947)”. Instituto Federal Rio-Grandense.
Fotos: Acervo do Núcleo de Documentação do Instituto Butantan.
Agradecimentos a Elisa Chaves, pelo cuidado com o acervo; a Eny Stanger, por olhar foto por foto comigo; a Suzana Fernandes, que me mostrou todo o material da escola rural. A toda a equipe do Núcleo de documentação, com quem eu tive o prazer de dividir a sala durante um ano.