A Ditadura Militar como exemplo de uma história que ainda permanece

 

 

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO USP

SEQUÊNCIA DIDÁTICA

A Ditadura Militar como exemplo de uma história que ainda permanece

 

 

Rafael Ferreira de Campos

 

Nº USP: 8030440

 

Ensino de História: Teoria e Prática VESPERTINO Antônia Terra

SÃO PAULO – 2014

 

 

TEMA: A Ditadura Militar como exemplo de uma história que ainda permanece

 

 

Inicialmente, o professor deve considerar que para maior aproveitamento da atividade por parte dos alunos, é necessário ter acesso aos seguintes equipamentos: Notebook, retroprojetor e, dependendo do caso, um dio . Caso não for possível a utilização dos mesmos, a disponibilização de textos, sicas e imagens serão restabelecidos de acordo com o critério do docente.

 

 

OBJETIVO: Através de debates, análise de textos, charges e sicas, trabalhar o o Regime Militar propriamente dito situando as práticas de tortura e repressão e os movimentos de protesto , como também as suas permanências. A ideia é que as atividades mostrem aos alunos a proximidade existente entre eles e a disciplina de História, assim como a sua importância para o desenvolvimento de uma consciência crítica.

 

 

DURAÇÃO TOTAL: 215 minutos (aproximadamente cinco aulas). Deve-se levar em consideração que a duração das atividades pode ser maior ou menor dependendo bastante do interesse da turma.

 

 

 

ATIVIDADE 1 (35 minutos)

 

 

 

O professor deve introduzir a ditadura militar aos seus alunos através de algumas charges que sugerem a impunidade dos militares que participaram dos casos de torturas e mortes no período ditatorial. O objetivo dessa atividade é descobrir o quanto seus alunos conhecem do tema proposto. Ao mostrar essas charges com a ajuda do retroprojetor, o professor poderá fazer algumas perguntas para os induzir a uma alise mais abrangente.

 

 

Imagens disponíveis no site:

https://latuffcartoons.wordpress.com/tag/ditadura-militar/

 

 

 

 

1. Qual é a situação representada no cartoon?

 

2. Como está dividido o cenário?

 

3. Quem é/era o senhor com boina militar?

 

4. Como ele está agindo?

 

5. O que são os ossos que estão embaixo da terra?

 

6. É um cartoon agravel de se olhar? O que ele sugere?

 

 

 

 

1. Qual personagem se assemelha bastante com o da charge?

 

2. Por que seu nariz é o cano de uma arma?

 

3. Por que seu nariz estáo grande assim?

 

4. O que sua farda e a pose de contingência sugere?

 

5. Por que uma de suas mãos está suja de sangue?

 

6. O que sugere o mbolo da caveira em sua boina?

 

 

 

 

1. Por que o senhor está segurando alguns crânios?

 

2. Por que ele está escondendo os crânios do cachorro?

 

3. O que sugere a imagem do cachorro?

 

4. O que é a “Comissão da Verdade”?

 

5. O que sugere o assobio e os olhos para cima?

 

6. Quem é o senhor?

 

7. O que sugere o pijama? Se que ele não estaria vivendo uma vida feliz?

 

 

 

 

ATIVIDADE 2 (45 min)

 

 

 

O professor deve introduzir aos seus alunos o estudo da Ditadura Militar no Brasil. Para isso, deve fazer uma linha do tempo no quadro-negro com os principais acontecimentos do período, como essa imagem sugere:

 

 

 

 

A linha do tempo é uma descrição ou registro de eventos e personagens organizados em função de sua ocorrência. Vale lembrar que a sua real função o é fazer com que os alunos decorem datas, mas sim organizar os eventos em ordem cronológica com o intuito de facilita o entendimento dos mesmos.

 

 

Observação: O professor deve preencher a linha do tempo que esta no quadro-negro conforme ele apresenta o assunto.

 

Ao término dessa atividade, o professor deve pedir aos alunos que estes entrevistem alguns parentes e/ou pessoas mais velhas conhecidas que viveram durante a Ditadura Militar e lhe perguntem suas impressões sobre o regime. Os alunos deverão tanto anotar as impressões das pessoas entrevistadas quanto escrever em uma folha de papel alguns pontos abordados por elas durante as entrevistas. Segue alguns exemplos de perguntas que poderão ser feitas:

 

 

  •  Vofoi a favor ou contra a ditadura militar? Por q?
  • Algm que vo conhecia ou tinha contato foi preso durante o regime?

 

Quem?

 

  •  Vo sente ou o sente falta do regime militar? Por quê?
  •  Vo se lembra de como era o clima instaurado durante o Regime?
  •  Na sua opino, quais foram os pontos positivos e os pontos negativos da

 

Ditadura Militar?

 

 

 

 

Observação: Outras perguntas poderão ser elaboradas. No entanto, é importante que elas sejam sempre neutras, evitando induzir o entrevistado a qualquer tipo de resposta. Sendo assim, cada aluno deve entrevistar no

mínimo três pessoas.

 

 

 

 

 

ATIVIDADE 3 e 4 (40 minutos)

 

 

 

O professor deve organizar a classe em formato circular e pedir para que os alunos exponham suas experiências provindas da atividade proposta na aula anterior. Os alunos deverão relatar uma escie de resumo do que ouviram das pessoas entrevistadas. O professor não deve forçar que se seus alunos relatem o resultado de suas pesquisas, a menos que ningm se retrate. Conforme os resultados são revelados, estes deverão ser anotados no quadro-negro com o intuito de mostrar para a classe que as ideias dos entrevistados se mostrarão divergentes em alguns casos e convergentes em outros.

Logo depois, o professor devediscutir cada uma das características do regime apresentadas no quadro-negro. Partindo do pressuposto de que a atividade provavelmente revelará que ainda hoje a Ditadura Militar pode ser considerada como um tópico pomico, o docente alerta seus alunos sobre a necessidade do estudo da História para o desenvolvimento de uma personalidade crítica e reflexiva acerca do mundo que nos rodeia e das informações que nós absorvemos.

Podemos observar também, que nesse momento os alunos, que antes já tinha um papel central nas aulas (visto que a evolução da mesma depende deles) terão a oportunidade de deixar de vez para trás o seu caráter passivo da educação tradicional para se tornarem agentes. Essa será uma das oportunidades que o professor da ao aluno para que ele retrate em sala de aula algo pximo ao seu mundo.

 

 

ATIVIDADE 5 (35 minutos)

 

 

 

Leitura compartilhada do texto Nas prisões e na polícia, um Brasil que o se redemocratizou de Lúcia Nader. O texto pode ser disponibilizado através do retroprojetor e também através da distribuição de pias para todos os alunos, que deve ser feita anteriormente ao início da primeira atividade.

O texto se de extrema importância para trazer o problema da Ditadura Militar para mais perto da realidade quotidiana. A autora discute a necessidade de uma redemocratização em dois aspectos da vida nacional que pouco mudaram desde o fim da ditadura: O sistema prisional brasileiro e forma através da qual a polícia lida com a sociedade (especialmente com os mais pobres).

No decorrer da leitura, o professor deve ter em mente que deve pará- la constantemente para questionar aos alunos sobre suas diferentes compreensões e tamm para instigá-los a pensar no texto através da perspectiva das permanências e das mudanças desde a época ditatorial. Como sugestão do direcionamento da leitura, serão colocadas possíveis perguntas a serem efetuadas aos alunos no final dos parágrafos mais densos.

 

 

Texto disponível no site:

 

http://www.conectas.org/pt/acoes/justica/noticia/16991-50-anos-do-golpe

 

 

 

Desde o fim da ditadura, o Brasil viveu um período de avanço incrível em vários setores. O primeiro e mais óbvio é o da democracia formal. Com eleições livres, os brasileiros voltaram a decidir quem governa o País e quem faz as leis que regem a vida em sociedade. No campo econômico, houve estabilização da moeda, com controle da inflação e outros avanços. No campo

social, as políticas de combate à pobreza e diminuição das desigualdades tiveram resultados louváveis. Os índices de analfabetismo e de mortalidade infantil caíram, o ingresso em universidades se estendeu a uma camada antes inalcançada da população e a imprensa se viu livre da inconcebível censura pvia.

 

 

1. Para a autora, o fim da ditadura foi algo positivo? Houve melhorias?

 

2. Quais são os avanços que a autora do texto lista com o fim da Ditadura

 

Militar?

 

 

 

Mas há no mínimo dois aspectos da vida nacional que pouco mudaram desde o fim da ditadura. O primeiro deles é o sistema prisional brasileiro. O segundo é a polícia e a forma como ela lida com a sociedade, especialmente com os mais pobres.

Nos anos 1960 e 1970, a tortura era dirigida contra dissidentes políticos. Esta prática brutal continua existindo. Pode não ser mais dirigida contra o "inimigo interno", os comunistas e opositores, mas segue firme contra as mais de 550 mil pessoas presas hoje no Brasil. Para quem duvida, basta ver o que aconteceu em janeiro do ano passado, na Penitenciária Estadual de Vila Velha III, no Espírito Santo. , 52 presos foram castigados sentando no piso escaldante da quadra do presídio, das 12h às 14h, nus. As fotos recebidas pela Conectas mostram presos sem pedaços do corpo, queimados no chão quente.

 

 

1. Quais são os dois aspectos da vida nacional que pouco mudaram desde o fim da ditadura?

2. Mesmo a ditadura tendo acabdo, ainda há lugares onde ocorrem práticas de tortura?

3. Em suma, quais lugares são esses? Quem são os torturadores?

 

 

 

A ONU considera que a tortura é sistetica e diária, de norte a sul do Brasil. Isso significa que não se trata de abusos pessoais ou desvios de conduta, mas de uma política integrada ao sistema, um traço da política de segurança da ditadura que custa desaparecer.

1. Qual a posição da ONU frente às torturas?

 

 

 

De mãos dadas com isso, está a polícia. A violenta repressão contra as manifestações iniciadas em junho apenas deram maior visibilidade entre a elite brasileira para um padrão militarizado e arcaico de uso da força. Trouxe à superfície o fato da polícia ter sido uma das pouquíssimas áreas que não se democratizou com a adoção da Constituição de 1988, mantendo, em seu artigo

144, a polícia militar. Polícia essa que está no topo das mais violentas do planeta, sendo responsável por 5 mortes por dia, 2 mil por ano. O regime hierárquico, as punições disciplinares, o rigor da caserna, as prisões administrativas, o coturno e a ordem unida são elementos que afastam a polícia de uma abordagem civil. O cidadão passa a ser visto como inimigo a ser combatido e não como aquele a quem deveria prestar um serviço e garantir a segurança.

 

 

1. O abuso da polícia é resquício de q?

 

2. Por que a autora acredita que a políciao se redemocratizou?

 

3. O que afasta a polícia de uma abordagem civil?

 

4. Quais são as consequências desse afastamento?

 

 

 

Junta-se a isso a pouca coordenação entre a polícia militar e a polícia civil, fazendo com que na prática tenhamos "duas meia-polícias" - e quase nenhum respeito aos limites da ordem democrática. A cada 100 homicídios apenas 8 são esclarecidos no Brasil, deixando assim aberta a ferida de que, na falta de processos investigativos dignos desse nome, acabemos por tornar a polícia um agente de criminalização da pobreza. Não resta vida da prevancia de critérios sociais e raciais na abordagem e investigação policial.

Não se trata de ignorar os avanços. Ningm em consciência nega que é melhor viver num país democrático onde não existem Atos Institucionais derrubando garantias individuais, como aconteceu com o AI-5 e seus dispositivos secretos. Mas a celebração da democracia o pode ignorar o fato de que, nas prisões e na polícia, ainda há muito a ser feito para nos orgulharmos de termos virado a página, 50 anos as o golpe.

1. Por que a autora defende que a polícia é um agente de criminalização da pobreza?

2. Qual a conclusão da autora? Para ela, o que deve ser feito?

 

 

 

 

 

ATIVIDADE 6 (60 minutos)

 

Nesta atividade, os responsáveis pela análise das duas músicas propostas serão os alunos. Eles deveo, por eles mesmos, localizar as críticas dos compositores feitas ao regime militar. Nesse momento, os alunos terão a oportunidade de por em prática o que aprenderam com as aulas anteriores. A única coisa que caberá ao professor é guiá-los na análise caso estes estejam com dificuldades.

 

 

OBSERVAÇÃO 1: Para a realização da atividade, é necessário que as sicas sejam tocadas no rádio, assim como duas letras também deverão ser disponibilizadas através do retroprojetor.

 

 

OBSERVAÇÃO 2: Os alunos deverão se separar em grupos de no ximo cinco pessoas para analisarem as músicas.

 

 

PRIMEIRA MÚSICA: Mosca na Sopa de Raul Seixas

 

 

 

A sica Mosca na Sopa, lançada em 1973, é sem dúvida uma das mais conhecidas de Raul Seixas. Através da utilização de metáforas, o músico lança uma poderosa crítica a censura do regime ditatorial instaurado no Brasil desde a institucionalização do AI-5. A música sugere que nem mesmo se utilizando do método mais cruel, os militares jamais conseguirão calar a voz das massas oprimidas. Na sica, a mosca seria a representação povo e dos grupos de oposição, enquanto o homem perturbado por ela, é na realidade, o

pprio regime militar.

 

Eu sou a mosca

 

Que pousou em sua sopa

 

Eu sou a mosca

 

Que pintou pra lhe abusar

Eu sou a mosca

 

Que perturba o seu sono

 

Eu sou a mosca

 

No seu quarto a zumbizar

 

 

 

E não adianta Vir me dedetizar Pois nem o DDT

Pode assim me exterminar

 

Porque vo mata uma

 

E vem outra em meu lugar

 

 

 

-"Atenção, eu sou a mosca

 

A grande mosca

 

A mosca que perturba o seu sono

 

Eu sou a mosca no seu quarto A zum-zum-zumbizar Observando e abusando Olha do outro lado agora

Eu tô sempre junto de você Água mole em pedra dura Tanto bate a que fura Quem, quem é?

A mosca, meu irmão!"

 

 

 

 

 

 

 

Observação: Foram cortadas as partes repetidas da sica.

 

SEGUNDA MÚSICA: Cálice de Chico Buarque

 

 

 

Cálice é uma canção escrita e originalmente interpretada por Chico

 

Buarque e Gilberto Gil em 1973, mas foi lançada somente em 1978 por ter sido

proibida de ser gravada e cantada. No entanto, sabe-se que Gilberto Gil desafiou a censura e cantou a sica em um show para os estudantes, na Politécnica, em homenagem ao estudante de geologia da USP Alexandre Vanucchi Leme, morto pela ditadura. Ainda naquele ano, no evento Phono 73, festival promovido pela Polygram, Chico Buarque e Gilberto Gil tiveram os microfones desligados quando iam começar a cantar Cálice, por decisão da ppria produção do show, queo quis criar problemas com a ditadura.

 

 

Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue

 

Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue

Como beber dessa bebida amarga Tragar a dor, engolir a labuta Mesmo calada a boca, resta o peito Silêncio na cidade não se escuta

De que me vale ser filho da santa Melhor seria ser filho da outra Outra realidade menos morta Tanta mentira, tanta força bruta Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue

Como é difícil acordar calado

 

Se na calada da noite eu me dano Quero lançar um grito desumano Que é uma maneira de ser escutado

Esse silêncio todo me atordoa

 

Atordoado eu permaneço atento

 

Na arquibancada pra a qualquer momento

 

Ver emergir o monstro da lagoa Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue

De muito gorda a porca não anda De muito usada a faca já não corta Como é difícil, pai, abrir a porta Essa palavra presa na garganta Esse pileque horico no mundo De que adianta ter boa vontade Mesmo calado o peito, resta a cuca Dos bêbados do centro da cidade Pai, afasta de mim esse cálice

Pai, afasta de mim esse cálice Pai, afasta de mim esse cálice De vinho tinto de sangue

Talvez o mundo não seja pequeno Nem seja a vida um fato consumado Quero inventar o meu pprio pecado Quero morrer do meu pprio veneno Quero perder de vez tua cabeça Minha cabeça perder teu juízo

Quero cheirar fumaça de óleo diesel

 

Me embriagar até que algm me esqueça

 

 

 

No final da atividade, os grupos deverão exr para o restante da sala os principais pontos levantados durante a análise das sicas. O docente deve ainda, pror um debate que ligue as sicas passadas em sala de

aula às permanências da Ditadura Militar apresentadas por Lúcia Nader em seu texto Nas prisões e na polícia, um Brasil que não se redemocratizou. aqui algumas perguntas para nortear o debate:

 

 

1. Qual foi o papel da “mosca na sopa para a redemocratização do país?

 

2. Que papel pode ter a mosca na sopanos dias de hoje?

 

3. hoje em dia, muitas coisas que se mantém no sigilo?

 

4. Ainda há tanta mentira e tanta força bruta”?

 

 

 

ATIVIDADE 5 ( Avaliação - Deve ser feita em casa)

 

AVALIAÇÃO: Contando que a classe tem 30 alunos, os mesmos deverão se dividir em grupos de a no ximo três pessoas para redigirem um texto de a no ximo três páginas sintetizando todos os debate feitos em sala de aula. O texto também deve obrigatoriamente possuir uma essência crítica que evidencie a participação do aluno.

 

Observação: A avaliação deve ser feita em casa e com um prazo de entrega equivalente a duas semanas.

 

 

 

REFERÊNCIA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA DO ESTÁGIO

 

Pessoa, Fernando. Soares, Bernardo. Zenith, Richard (org). Livro do desassossego composto por Bernardo Soares, ajudante de guarda-livros na cidade de Lisboa. 2. ed. São Paulo, SP, Companhia das Letras, 2006.

 

ZABALA, Antoni. As seências didáticas e as seqüências de conteúdo. In: A prática educativa - Como ensinar. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998.

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