UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO

 

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

UMA HISTÓRIA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO: UM DESAFIO PEDAGÓGICO Profa. Dra. Antonia Terra de Calazans Fernandes

 

VITOR MORAIS GRAZIANI (Número USP 11252343)

 

 

A PAULISTANA: HISTÓRIA, CIDADE E MÚSICA NA SALA SÃO PAULO

 

UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO 

FACULDADE DE FILOSOFIA, LETRAS E CIÊNCIAS HUMANAS DEPARTAMENTO DE HISTÓRIA

UMA HISTÓRIA PARA A CIDADE DE SÃO PAULO: UM DESAFIO PEDAGÓGICO

Profa. Dra. Antonia Terra de Calazans Fernandes 

VITOR MORAIS GRAZIANI (Número USP 11252343)

 

 

 

 

MAESTRA PAULISTANA: HISTÓRIA, CIDADE E MÚSICA NA SALA SÃO PAULO

 

Trabalho apresentado como requisito

para conclusão da disciplina Uma História para a Cidade de São Paulo: um Desafio Pedagógico.

 

 

Alegria, bela centelha divina, filha dos Campos Elíseos,

nós adentramos, ébrios de fogo, o teu santuário, ó divindade!

Teus sortilégios reúnem o que os costumes separaram à força; todos os homens tornam-se irmãos

sob tuas asas protetoras.

Ode An Die Freude. Friedrich von Schiller.

Tradução livre de Samuel Titan Jr.

 

 

Canto porque canto porque sai

Canto porque canto porque voa

 

Canto porque canto

Canto pelos neurastênicos ares desta vastidão cósmica (des)humana...

 

Mas canto porque se não cantasse Morreria sufocado e só No canto do meu canto.”

Voz Dissonante. Vitor Morais Graziani.

 

SUMÁRIO

 

I. INTRODUÇÃO: CONHECENDO O ESTUDADO .......................................... p. 05

 

II. JUSTIFICATIVA: GRITO INCESSANTE POR OLHARES .......................... p. 06

 

III. OBJETIVOS DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA .................................................. p. 08

 

IV. ESTRUTURA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA ................................................ p. 09

 

V. PROJETO – SEQUÊNCIA DIDÁTICA A SALA SÃO PAULO: HISTÓRIA,

 

CIDADE E MÚSICA” ........................................................................................................ p. 09

 

A. AULA 01: ANTES DA SALA: CAFÉ, IMIGRAÇÃO, DESENVOLVI- MENTO URBANO E A INVENÇÃO DE UMA CULTURA SINFÔNICA .................... p. 09

 

B. AULA 02: A RESSURREIÇÃO: A ESTAÇÃO DE TRENS TORNA-SE SALA DE CONCERTOS E O VELHO CENTRO PROMETE RENASCER .................. p. 28

 

C. AULA 03: DESAFIOS EM ABERTO: UM FUTURO URBANO E MU- SICAL PARA A SALA ..................................................................................................... p. 50

 

VI. EPÍLOGO: ENTRE SONHOS E ABISMOS .................................................. p. 83

 

VII. BIBLIOGRAFIA ............................................................................................ p. 84

 

VIII. ANEXO: FOTOGRAFIAS DA SALA ......................................................... p. 90

 

I. INTRODUÇÃO: CONHECENDO O ESTUDADO

 

Este projeto didático possui como principal intuito trazer à tona, em sala de aula, um debate multifacetado sobre o uso cultural e urbano-social da cidade e, consequentemente, levar os alunos e alunas nele envolvidos a questionarem os processos de construção da estrutura hierquica da cidade em que vivem. Para tal, centraremos nossos esforços em um edifício que consegue unir a História, a cidade e a música: a Sala São Paulo, principal sala de concertos do país, eleita pelo jornal inglês The Guardian como uma das dez melhores salas de concerto do mundo1, sede da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo (OSESP)- consensualmente a maior referência, atualmente, em música sinfônica na América Latina2 e parte integrante do edifício onde também se encontra a Estação Júlio Prestes, inicialmente pertencente à Sorocabana e hoje estação da linha 8 Diamante, da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).

 

O projeto se ergue sob a base de estudar, no campo histórico, a construção do edifício, ligada ao momento de declínio do ciclo cafeeiro em consequência à Crise de 1929 e a ascenção da industrialização, mas também se permite um estudo sobre o campo histórico-musical paulista a partir da OSESP e seu desenvolvimento alcançado com a inauguração da Sala, em 09 de julho de 1999, data de aniversário da Revolução Constitucionalista de 1932. No que diz respeito à cidade, a partir do edifício-sede da Sala, é possível estudar a ascensão e queda da região em que se situa, os Campos Elíseos, ao mesmo tempo que permite compreender os afluxos populacionais que em o Paulo aportaram advindos do interior na atual Estação Júlio Prestes. Não obstante, ainda sobre a cidade, é possível pensar no que a existência da Sala, ainda em

1999 e a hoje –, significou e significa para uma região que está tão degradada, especialmente com o acúmulo de grandes levas de usuários de entorpecentes nos arredores da Sala. No campo musical, por fim, a Sala permite estudar o desenvolvimento cultural trabalho continuamente in progress que, tendo-a como epicentro, colocou São Paulo como a capital latino-americana da sica de concerto, bem como permitiu o desenvolvimento de projetos educacionais da OSESP, como a Academia da OSESP e o projeto Descubra a Orquestra, que apresenta o mundo da música de concerto a estudantes de escolas das redes pública e privada

além    do    Festival    Internacional    de    Inverno    de    Campos    de    Jordão    que,    de

 

 

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1. https://www.theguardian.com/travel/2015/mar/05/10-worlds-best-concert-halls-berlin-boston-tokyo

 

2. https://www.terra.com.br/esportes/automobilismo/osesp-uma-orquestra-brasileira-no-circuito- internacional,b9b18c6427099310VgnVCM3000009acceb0aRCRD.html

 

alguns anos para , tem as aulas dos alunos bolsistas sediadas na Sala tentativas essas que, não sem problemas, tentam reverter a herança cultural do elitismo que ronda o ambiente da música de concerto e torna-la mais acessível e democtica.

 

II. JUSTIFICATIVA: GRITO INCESSANTE POR OLHARES

 

Mas por que escolher a Sala São Paulo para ser levada à sala de aula? É inegável que o Brasil tem experimentado um fenômeno de aversão cultural nos últimos tempos e isso se comprova com a gritante amea às instalações culturais do estado de São Paulo, na qual se inclui a OSESP, com os cortes anunciados pelo governador João Doria Jr. em abril de 2018 junto a seu secrerio da pasta econômica, Henrique Meirelles, o que colocaria em xeque o funcionamento de inúmeros mecanismos de cultura, inclusive a OSESP, mesmo sendo essa, como dito, a mais importante orquestra sinfônica da América Latina3. A OSESP e as atividades paralelas a ela que transcorrem na Sala São Paulo vão além das apresentações regulares semanais que são uma exceção para os quadros orquestrais do país. Dentro do escopo da Fundação OSESP há elementos de formação e divulgação de conhecimento, como a Academia da OSESP, que forma novos músicos, e a Editora da OSESP, que edita, revisa e publica partituras de compositores brasileiros. Somam-se ainda iniciativas como o programa Descubra a Orquestra”, citado, e os Concertos Matinais”, concertos gratuitos realizados todos os domingos pela OSESP ou por orquestras parceiras. Nesse sentido, a OSESP e o complexo cultural no qual se encontra envolto a Sala São Paulo é produtor e emulsificador de cultura musical justamente em um país onde mal se conhece Heitor Villa-Lobos, o maior compositor brasileiro, reconhecido internacionalmente pela singularidade de suas obras.

 

Ora, em um momento de crise ético-política no segmento cultural, em que a própria OSESP se ameaçada, urge para que se propague o conhecimento sobre a importância que se representam, para a cidade, o estado de São Paulo e o país, os trabalhos ali realizados. Nesse sentido, trabalhar tal temática em sala de aula, para um público de ensino médio, que está formando suas matizes culturais e construindo suas atividades cidadãs, é mecanismo de afirmação da importância da Sala São Paulo e da OSESP no polo cultural que nos cerca e que não é conhecido por todos; e se o é, não o é por completo: falta, muitas vezes, a informação dos

programas de inclusão que existem e que foram supracitados.

 

 

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3. https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/08/politica/1554741080_908161.html

 

É evidente, porém, que problemas e eles serão tratados. 20 anos depois de sua inauguração e passada a euforia dos anos primeiros, hoje, a Sala São Paulo se tornou uma espécie de banker no centro de uma das regiões mais degradadas da cidade de São Paulo, onde parte da elite financeira goza de requintes grandiosos que soam dissonantes à pobreza do lado de fora, onde um alto-falante toca constantemente uma música que de nada serve para resolver o problema – e esse alto-falante tem sido uma das poucas iniciativas tomadas na construção de uma relação entre Sala e entorno, embora se esbocem mudanças, como a construção de uma concha acústica na praça em frente à Sala4 e a recente estreia, em 03 de novembro de 2019, da Missa Nóia, de Arrigo Barnabé, encomendada pela OSESP para o Coro da OSESP5.

 

Deve-se, entretanto, antentar-se para o positivo ali produzido que é gigante comparado à possíveis fatores negativos. É inegável o crucial ponto de inflexão na história da música em São Paulo que a Sala representa, assim como são indimensionáveis os avanços alcançados nos últimos anos por conta dele. Sob esses, recaem nossos olhares, sem deixar de ter uma preocupação social com o projeto que essa representa. Cabe aqui um panteses: o autor que aqui vos escreve é frequentador da Sala São Paulo, assim como dos concertos da OSESP e tem dificuldades em imaginar as penúrias que enfrentaria para ouvir o que hoje escuta na Sala antes dela. Acredito, porém, que caiba, na tessitura do projeto que segue, um distanciamento às convicções pessoais – o que se torna dever do historiador em se tratando de temas que venham a lhe ser caros. Tento, nesse sentido, elencar as qualidades que, particularmente enxergo na Sala, a partir de trabalhos acadêmicos com destaque à tese de Doutorado de Ricardo Teperman, sobre a inauguração da Sala –, bem como não deixar de apontar os efeitos colaterais que ainda insistem em soarem negativos na Sala os incontáveis desafios para uma efetiva democratização do espaço, que há anos se desenha em projetos que, aos poucos, vão se consolidando e na sua relação com a cidade que a acolhe. Busco assim, por meio de fontes terceiras das mais variadas: desde acadêmicas à musicais –, mostrar a importância da Sala e da OSESP, claro, movido pela convicção essa sim, pessoal da importância que ambarepresentam em incontáveis esferas.

 

 

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4. TEPERMAN, Ricardo Indig. Concerto e desconcerto: um estudo antropológico sobre a Osesp na inauguração da Sala São Paulo. São Paulo, 2016. Tese (Doutorado) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. p. 305.

5. Para mais informações sobre a Missa Nóia, de Arrigo Barnabé, ver em http://www.salasaopaulo.art.br/upload/2019-livretos/2019-site-livreto-cor04.pdf

 

Em fala antes do concerto da OSESP, junto a convidados, no dia 04 de julho de 2019, em comemoração aos 20 anos da inauguração da Sala, o diretor artístico da Orquestra, músico, crítico literário, ensaísta e ex-professor universirio, Arthur Nestrovski, pedia ao público que continuasse a defender o projeto da OSESP que, em suas palavras, era erigido sobre o tripé de valores de “cultura, educação e democracia.6  Este projeto vem para honrar as palavras e o pedido de Nestrovski.

 

III. OBJETIVOS DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA Este projeto tem como objetivos os seguintes: a. No campo da História:

01. Permitir a compreensão da construção de São Paulo como metrópole;

 

02. Permitir a compreensão dos impactos do ciclo econômico do café no estado de São Paulo e sua deterioração com a Crise de 1929;

03. Levar o aluno à compreensão da importância exercida pela Sorocabana na primeira metade do século XX no estado de São Paulo;

04. Levantar indagões sobre a reflexão de um estilo artístico de uma obra e o período político de sua feitura; 

b. No campo da cidade: 

01. Entender os afluxos populacionais que desembarcaram em São Paulo a partir da estação da Sorocabana e suas relações com o entorno da estação; 

02. Compreender as relações exercidas entre o poder público, moradores e a região de Campos Elíseos nos momentos antes e depois da inauguração da Sala São Paulo; 

03. Compreender o que representa, para a cidade e para o bairro de Campos

 

Elíseos, – em termos de erros e acertos – a inauguração da Sala São Paulo;

 

c. No campo da música: 

01. Permitir a construção de uma história da cultura sinfônica paulistana e da

 

OSESP no imaginário dos estudantes;

 

 

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6. https://www.youtube.com/watch?v=fk4kXF7-4zg&t=2815s. Fala aos 47 minutos do vídeo. Acesso em 09 de setembro de 2019.

 

02. Compreender a importância de uma orquestra para a educação, para a música e para a cidade que a sedia;

 

03. Compreender o papel decisivo da Sala São Paulo no processo de evolução técnico-musical da OSESP;

 

04. Buscar dimensionar a importância social dos projetos musicais de inclusão desenvolvidos na Sala São Paulo.

 

IV. ESTRUTURA DA SEQUÊNCIA DIDÁTICA

 

Público-alvo: turmas de Ensino Médio;

 

 

• Duração: três aulas de 2h (dois módulos/aula de 1h por conjunto de aula);

 

Aula 01: Antes da Sala: café, imigração, desenvolvimento urbano e a invenção de

 

uma cultura sinfônica;

 

Aula 02: A Ressurreão: a estação de trem torna-se sala de concertos e o velho centro

 

promete renascer;

 

• Aula 03: “Desafios em aberto: um futuro urbano e musical para a Sala;

 

Utilização de textos, imagens, documentos, trechos de obras musicais, dentre outros, previamente instruídos, far-seo necessários e essenciais para o desenrolar do curso e entendimento do conteúdo por parte dos alunos e alunas;

 

A estruturação das aulas pelo docente deve se dar sempre por meio de reflexões

 

direcionadas aos alunos, atuando como um provocador” mediante os materiais anaisados.

 

 

V.  PROJETO:  SEQUÊNCIA  DIDÁTICA   “A  SALA  SÃO  PAULO:  HISTÓRIA, CIDADE E MÚSICA”

 

A. AULA 01: ANTES DA SALA: CAFÉ, IMIGRAÇÃO, DESENVOLVIMENTO URBANO E A INVENÇÃO DE UMA CULTURA SINFÔNICA

 

INTRODUÇÃO: APRESENTAÇÃO DO CURSO

 

Nesta parte, o docente deve buscar refletir o elencado no capítulo Justificativa do presente trabalho, enfocando o início da construção de uma consciência sobre a Sala São Paulo;

O docente inicia perguntando aos alunos: Quem conhece esse prédio?. E

 

aponta para a foto abaixo:

 imagem estacao julio prestes

Fonte da imagem: http://cidadedesaopaulo.com/v2/atrativos/estacao-julio-prestes/

 

 

Ø O docente deve trabalhar a partir das respostas dos alunos. É recomendável que se dê preferência, inicialmente, aos que respondam que não conhecem o prédio. À sala, neste momento, se justo, cabe indagar: O que vocês acham que funciona neste prédio?.

Ø  Abre-se espo aos que conhecem o prédio para responderem. Duas serão as respostas mais diretas a serem consideradas: estação de trem e/ou sala de concertos. O docente deve trabalhar a partir de uma

delas:

 

§    Se  estação  de  trem,  cabe  trabalhar  a  questão  da presença do trem em nossas vidas perguntar aqueles que andam de trem regularmente, entre outras similares;

§    Se sala de concertos (resposta a qual deve ser dado maior enfoque), trabalhar a pergunta: O que é uma sala de concertos?Cabe ao docente explicar, resumidamente, o que é um concerto, bem como falar sobre a música sinfônica considerações existenciais sobre a música de concerto podem ser ditas, por exemplo, o fato da música sinfônica existir unicamente por conta do silêncio, pelo fato de aharmonias e ritmos se modularem pelo intervalo de ausência de som (silêncio) sob o qual estão cadenciados os instrumentos, a partir da batuta do regente7.

 

Nesse momento, o docente faz uma brevíssima explicação. Diz que o edicio é a Sala São Paulo, sede da OSESP, e, além de ainda ser estação de trens, é uma importante sala de concertos, espaço destinado a espetáculos de música. Finaliza apresentando o programa de aulas:

 

Ø  Aula 01: “Antes da Sala: café, imigração, desenvolvimento urbano e a invenção de uma cultura sinfônica. Nesta aula, o estudo se concentrará no período anterior às discussões sobre a Sala. Refletiremos sobre a São Paulo cafeeira, da imigração, que se afirma enquanto metrópole, centrada na construção da Estação Sorocabana, hoje Júlio Prestes. Finalizaremos com um estudo histórico da OSESP

Ø Aula 02: A Ressurreição: a estação de trens torna-se sala de concertos e o velho centro promete renascer. Nesta aula, estudaremos o processo do qual frutificou-se a Sala: por que uma sede para a OSESP? Por que a antiga Estação Sorocabana? Quais os impactos da Sala para a OSESP? Iniciaremos, também, a longa discussão aprofundada na terceira aula sobre as relações entre a sala e seu entorno.

Ø     Aula 03: Desafios em aberto: um futuro urbano e musical para a Sala.” Nesta aula, discutiremos mais afundo o que se deu com a Sala, a OSESP e os Campos Elíseos de 1999 ano de inauguração da Sala

até o presente momento. Centraremos nossos esfoos em dois eixos: o projeto de democratização da música pela OSESP e as relações  entre  a  Sala  e  seu  entorno,  ocupado  por  usuários  de

entorpecentes.

 

 

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7. Para essas e outras informações, ver WISNIK, José Miguel. O Som e o sentido: Uma outra história das músicas. 3ª ed São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

 

 

 

PARTE A: A CONSTRUÇÃO DA METRÓPOLE

 

 

 

O docente inicia apresentando aos alunos a seguinte imagem e perguntando-os que cidade é essa?:

 imagem são paulo em 1872

 

Fonte da imagem: https://iphotochannel.com.br/fotografia-documental/militao-de- azevedo-e-a-cidade-em-movimento

 

Ø  O docente ouve as respostas e responde dizendo que é São Paulo, tratando-se de uma fotografia do século XIX. Para esclarecer a situação, convida os alunos à uma leitura conjunta do trecho que segue: 

 

São Paulo tinha 31 385 habitantes em 1872, quando foi realizado o primeiro senso nacional. Ficava atrás não do Rio de Janeiro, de Salvador e Recife, cidades nascidas na vocação de centros importantes, mas também de Belém, Niterói, Porto Alegre, Fortaleza e Cuiabá. São Paulo era a prima pobre, a enjeitada, a excluída capital distante e roceira de uma província que passara os três primeiros séculos e meio de vida imersa no sono das coisas que ainda não aconteceram. Os registros feitos mais ou menos por essa época pelo primeiro fotógrafo da cidade, o carioca Militão Augusto de Azevedo, revelam um vilarejo de casebres mal-ajambrados, ruas de terra batida, charcos, raras pessoas na rua, animais dormitando pelas esquinas. E isso foi ontem, em termos históricos.

[...]

 

São Paulo é feita de travessias bruscas. No segundo censo nacional, de 1890, a população dobrou 64 934. Numa contagem promovida pelo governo do estado em 1893, apenas três anos depois, dobrou de novo 130 775. E no terceiro censo nacional, em 1900, tinha 239 820 habitantes. Já era a segunda cidade brasileira, atrás apenas do Rio de Janeiro.” 

 

TOLEDO, Roberto Pompeu de. A capital da vertigem: Uma história de São Paulo de 1900 a 1954. I. ed Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. pp. 16 – 17. 

 

Ø  O docente deve instigar os alunos a refletir o que pode ter levado às profundas mudanças apresentadas no texto. Vale dizer que, para Roberto Pompeu de Toledo, a o Paulo de antes de 1900 é A Capital da Solio8, enquanto para após essa data é A Capital da Vertigem9. Como entender essa mudança de paradigmas? O docente deve perguntar: De que é composta uma cidade?” Ao responderem: De pessoas, esse deve responder perguntando, E de onde vem as pessoas que habitam São Paulo?” Esperam-se respostas das mais variadas, com ênfase aos italianos. O professor deve responder perguntando: E essas pessoas chegaram aqui quando?” Caso os alunos não infiram que chegaram no período descrito no

texto, o docente dá essa informação;

 

 

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8. TOLEDO, Roberto Pompeu de. A capital da solidão: Uma história de o Paulo das origens a 1900. Iª  

ed – Rio de Janeiro: Objetiva, 2003 

9.                                                        . A capital da vertigem: Uma história de o Paulo de 1900 a 1954. Iª e 

Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

 

PARTE B: SÃO PAULO, 1900 1929: O BERÇO ECONÔMICO DO PAÍS E O

 

DESENVOLVIMENTO URBANO

 

O docente deve questionar: Mas por que essas pessoas vinham para São Paulo?. Aguarda-se a resposta de que vieram para trabalhar na lavoura do café. O docente então questiona: Mas essas pessoas eram empregadas ou proprierias nas lavouras de café?. Aguarda-se a resposta de que eram empregadas. Questiona-se, então, quem eram os proprierios. O docente fala sobre os Baes” do Café;

 

O docente pergunta:Mas o que a cidade de São Paulo tem a ver com isso?” Aconselha-se desenvolver as respostas dos alunos, direcionando para a leitura conjunta do trecho que segue:

 

A partir da década de 1870, São Paulo tornou-se palco privilegiado para transformões socioeconômicas, urbanísticas, físicas e demográficas. Pressionada pela prosperidade da lavoura cafeeira e pelas tensões derivadas do fim da escravidão no país, a antiga cidade se transformava na ‘metrópole do café’: um entreposto comercial e financeiro. Foi a época da criação do Instituto Butantã (que produziu soros à base de veneno de cobra), da inauguração da iluminação elétrica e dos transportes públicos orquestrados pela estrada de ferro. Novas vias foram abertas, prolongaram-se velhas estradas, ampliaram-se largos, e surgiram novos jardins públicos.

 

Tantas alterões levariam a mudanças claras no comportamento da população local. Em São Paulo, a ‘boa sociedade descobriu novos hábitos sociais nos bailes, no turfe, no trottoir e nas noitadas no teatro. E também em São Paulo o processo de urbanização implicou oembelezamento’ da cidade, mas igualmente a expulsão da pobreza. Se a infraestrutura da cidade foi alterada com a abertura de novos bairros e ruas elegantes como a avenida Paulista, casebres e favelas foram destruídos, com o objetivos de garantir o prolongamento e ampliação de ruas, largos e praças.

 

SCHWARCZ, Lilia Moritz. STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. ed.

 

São Paulo: Companhia das Letras, 2015. p. 327.

 

 

Ø  O docente deve iniciar os questionamentos e reflexões sobre a leitura perguntando o porquê de São Paulo ser um palco privilegiado para as transformações pelas quais passou. Cabe questionar: o que é um entreposto comercial e financeiro?” Esse  fato  impede  a  construção  de  uma  vida  social  na metrópole? Torna a cidade meramente com função econômica? Vale ressaltar o que o próprio texto demonstra com as mudanças no comportamento da população como as noitadas no teatro, em referência ao Theatro Municipal, inaugurado em 1911 e palco da Semana da Arte Moderna de

1922.

 

Ø  Cabe ao docente sintetizar que São Paulo se constrói enquanto uma metrópole que, embora com centralidade financeira, mantém uma vida social, no campo popular anarquizada pela confluência dos imigrantes que se alojavam na cidade10  e no campo mais elitizado, centrado em ambientes aristocratizados como o próprio Theatro Municipal.

 

PARTE C: MIGRAÇÕES E DESENVOLVIMENTO URBANO

 

O docente deve questionar: Mas como chegavam em São Paulo esses imigrantes?, Por que alguns aqui ficavam?, Do que se ocupavam esses que aqui ficavam?. Ao trabalhar as respostas, o docente deve se atentar ao fato de que a ocupação em São Paulo ocorre junto ao desenvolvimento econômico, a partir das prodões no interior, sobretudo no oeste do estado, de café;

 

• O docente deve convidar os alunos à leitura do seguinte trecho: 

 

O trem, que desde 1865, com a inauguração da São Paulo Railway, apelidada de ‘A Inglesa’, e mais tarde conhecida como Santos-Jundiaí, impregnava a cidade com seus trilhos, determinava mudanças importantes na fisionomia urbana. Outras duas estradas de ferro elegeriam a cidade como ponto de partida, a Sorocabana e a Estrada de Ferro do Norte (a futura Central do Brasil), ambas entradas em operação no mesmo ano de 1875. A Inglesa inauguraria, em 1901, sua nova e esplêndida estação, no mesmo lugar onde existira a acanhada estação primitiva, no bairro da Luz. Era toda feita com materiais importados da Inglaterra, acom um regio inspirado no Big Ben, e desde logo se impôs como um dos símbolos do progresso

paulistano. A Estação Sorocabana e a Estação do Norte, como a outra, começaram em prédios

 

 

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10. Para mais informações, ver SEVCENKO, Nicolau. Orfeu extático na metrópole. São Paulo: Companhia das Letras, 1992.

 

modestos, mas já nos mesmos lugares em que, futuramente, ergueriam, respectivamente, a Estação Júlio Prestes e a Estação Roosevelt, a primeira também no bairro da Luz, a segunda no do Brás. A presença das estações gerou novos fluxos de trânsitos e condenou ao ostracismo os antigos, usados pelas tropas de burros. Com isso subúrbios surgidos como pousos de tropa, como a Freguesia do Ó e a Penha, conheceram o isolamento e a decadência. As estações de trem inauguraram fluxos entre elas e o Centro que vieram se sobrepor amplamente às históricas entradas da cidade pela várzea do Carmo, caminho de quem vinha a cavalo, ou das mercadorias que chegavam no lombo dos burros.” 

 

TOLEDO, Roberto Pompeu de. A capital da vertigem: Uma história de São Paulo de 1900 a

 

1954. Iª ed – Rio de Janeiro: Objetiva, 2015. p. 28.

 

 

Ø  Em complemento ao texto, e antes de analisa-lo, o docente apresenta a fotografia abaixo:

 

 maestra paulista 3

Fonte da fotografia: Google Earth. Em preto, trechos ferroviários.

 

 

Ø  O docente deve questionar aos alunos, inicialmente, qual o papel das linhas ferroviárias e das estações de trem na região central da cidade de São Paulo. Para que servem? Qual o impacto que essas construções dão à morfologia urbana local? As respostas do docente devem se fundamentar na questão da guetificação e segregação socio-espacial que tais espos geram para a cidade reforço à ideia da ferrovia como barreira urbana intransponível;  Deve-se se somar à isso o questionamento sobre a ocupação de tais espos pelos que aportavam em tais estações: quais espos ocupavam? Para onde iriam? (Estas informações serão completadas mais adiante com a leitura de trechos de Concerto e desconcerto: um estudo antropológico sobre a Osesp na inauguração da Sala São Paulo ao refletirmos sobre a origem do bairro de Campos Elíseos);

Ø  Por fim, o docente deve se atentar à questão da estação Sorocabana.

 

Cabe a este dizer que a então estação Sorocabana é hoje a Sala São Paulo. Cabe refletir quais os novos fluxos de trânsito” que essas construções geraram. Para tal, o docente convida à leitura do trecho que segue:

 

 

A relativa melhora da situação financeira com a chegada dos anos 1920 estimulou a construção de uma nova estação, cujo projeto foi encomendado ao arquiteto Christiano Stockler das Neves, em 1925. Autor dos projetos para a Estação D. Pedro II, no Rio de Janeiro, e para a Estação do Norte, em São Paulo, o arquiteto é descrito mesmo por autodeclarados admiradores como retrógrado ou reacionário, tecnicamente atualizado e esteticamente conservador. Em agosto de 1929, Stockler das Neves publicou um libelo contra a pretensa arquitetura moderna” na Revista Architectura e Construões, em que defendia sua opção pelo estilo Luiz XVI modernizado’ para a Estação Sorocaba e afirmava: A utilização do ArNouveau só fez desvalorizar as construções. Deve-se respeitas a tradição.’”

 

TEPERMAN, Ricardo Indig. Concerto e desconcerto: um estudo antropológico sobre a Osesp na inauguração da Sala São Paulo. São Paulo, 2016. Tese (Doutorado) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. p. 235.

 

Ø O docente deve questionar: qual o significado de uma obra encarregada a um reacionário” em pleno momento de efusão cultural no Brasil, como se comprova com a Semana de Arte Moderna de 1922 e, na música, por exemplo, com a estreia, em 1926, do Choros 10 Rasga o Coração, de Heitor Villa-Lobos? Seria, também, um recado da oligarquia paulista? O docente convida, então, à análise da imagem que segue

 imagem sala são paulo

FELIZARDO, Luís Carlos. Colunas Coríntias na Sala São Paulo. 1999. IN: TEPERMAN, Ricardo Indig. Concerto e desconcerto: um estudo antropológico sobre a Osesp na inauguração da Sala São Paulo. São Paulo, 2016. Tese (Doutorado) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de o Paulo. p. 61.

 

Ø O docente deve refletir junto aos alunos e alunas: alguma referência explícita ao Brasil nas colunas? Cabe dissecar a influência coríntia; portanto grega, dessas. O reacionarismo do arquiteto se baseia, assim, no culto aos valores da Antiguidade Clássica. O docente deve retornar à pergunta: trata-se de um recado da oligarquia ao mundo das artes? Por que não escolher um arquiteto mais ligado às pautas modernistas? O docente convida, então, à leitura do trecho que segue:

 

Burguês na tipologia e na composição social, aristocrata no imaginário, os Campos Elíseos serviram à forja de uma ideia de cidade disciplinada, refinada, exclusiva, estribada naquilo que a sociedade paulista podia evocar como sua vieille roche, seu padrão ximo de refinamento e distinção nata. Foi e ainda é o bairro mais associado aos ‘barões’ do café.

 

MARINS, Paulo César Garcez. Um lugar para as elites: os Campos Elíseos de Glette e Nothmann no imaginário urbano de São Paulo”. IN: LANNA, Ana Lúcia Duarte et al (Orgs.). São Paulo, os estrangeiros e a construção das cidades. São Paulo: Alameda, 2011. p. 231.

 

Ø  O docente deve questionar os alunos a simbologia de se instalar uma estação de trens de autoria de um arquiteto reacionário” (TEPERMAN, 2016 p. 235.) em um bairro “aristocrata no imaginário” (MARINS, 2011, p. 231). O docente deve trazer, também, duas questões, preparatórias às pximas aulas: o texto de Marins ainda descreve os Campos Elíseos? A Sala São Paulo, hoje, representa o ideal reacionário” do arquiteto Christiano Stockler das Neves?

Ø  Vale, uma vez mais, uma citação aos entraves da construção da sala e o conservadorismo por detrás dela:

 

Iniciadas em 1926, as obras da Estação Sorocabana se arrastaram por 12 anos, tumultuadas pela crise de 1929, por mudanças políticas e por brigas do arquiteto com a administração da ferrovia. Já em 1928, no entanto, foi inaugurada de maneira parcial a ala das plataformas, Dois anos depois, era a vez do concourse (pátio), o grande salão que dava acesso a elas. Conforme explica o pesquisador Ricardo Teperman em estudo sobre a OSESP, Stockler das Neves havia previsto entradas separadas para passageiros de primeira e segunda classes.

Aos primeiros seria reservada a menina dos olhos do projeto, o Grande Hall, com 48 metros de comprimento, vinte de largura e 24 de altura, e anunciado como ´o maior salão do Brasil`, explica (TEPERMAN, 2016, p. 236.) O enorme pé direito seria sustentado por 32 colunas coríntias e coroado por uma majestosa aboda com vitrais.”

 

FRESCA, Camila. Sala São Paulo 20 anos. IN: FUNDAÇÃO OSESP, Sala São Paulo: 20 anos (encarte distribuído nos concertos de comemoração dos vinte anos de inauguração da Sala São Paulo, em julho de 2019. Disponível online em: http://www.salasaopaulo.art.br/upload/2019- livretos/2019-site-ssp20anos.pdf). p. 13.

 

Ø  Cabe ressaltar que a inauguração da Estação, ocorrida apenas em

 

1938, se dá após o auge do ciclo cafeeiro paulista e em meio ao crescimento da atividade industrial. Aquele que a nomeia, Júlio Prestes, não obstante, foi importante nome de tal elite. O docente deve questionar se essas informações reforçam a visão da arquitetura do prédio da Sorocabana como uma resposta conservadora da elite paulista. Sobre isso, o docente convida para a leitura do texto que segue, sob o qual as reflexões devem continuar:

 

Assim, a inauguração da Estação Sorocabana pode ser considerada o último mbolo da era ferroviária paulista. Ela receberia o nome atual Estação Júlio Prestes em 1951, em homenagem ao ex-presidente do Estado de São Paulo, falecido pouco tempo antes e que havia tido um papel decisivo no prolongamento da Sorocabana, quebrando o monopólio da companhia inglesa. Júlio Prestes estava no poder quando o prédio da Sorocabana foi parcialmente inaugurado, em 1928.”

 

FRESCA, Camila. Sala São Paulo 20 anos. IN: FUNDAÇÃO OSESP, Sala São Paulo: 20 anos (encarte distribuído nos concertos de comemoração dos vinte anos de inauguração da Sala São Paulo, em julho de 2019. Disponível online em: http://www.salasaopaulo.art.br/upload/2019- livretos/2019-site-ssp20anos.pdf). p. 14.

 

Ø  O docente deve questionar quais os significados e simbologias por trás do fato de Júlio Prestes dar nome à estação nas condições acima descritas. Por que Júlio? Qual sua relevância para a causa? Deve-se retomar a pauta da resposta arquitetônica conservadora: estaria ela apoiada e ancorada no Estado?

 

 

• O docente convida à análise do quadro que segue:

DO AMARAL, Tarsila. Estrada de Ferro Central do Brasil. Óleo sobre tela. 1924.

DO AMARAL, Tarsila. Estrada de Ferro Central do Brasil. Óleo sobre tela. 1924. Fonte: https://virusdaarte.net/tarsila-estrada-de-ferro-central-do-brasil/

Ø  O docente deve questionar como a ferrovia se relaciona com a cidade no quadro. Ela interage com a cidade ou a segrega? A ferrovia é elemento do desenvolvimento urbano da cidade ou dificultador desse processo, ao passo que impede a construção de novas habitões? Para uma melhor reflexão sobre as respostas, passa-se ao próximo tópico.

 

• O docente convida para um exercício de escuta.

 

Ø   Exercício   de   escuta   I:    Heitor   VILLA-LOBOS.   Bachianas Brasileiras nº 04: IV. Tocata (O Trenzinho do Caipira) Um poco moderato. (1933). 

 

a)   Disponível via Spotify: https://open.spotify.com/album/507kSNpxDAiuk71KjpKHUT. Roberto Minczuck rege a Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo interpretando, de Heitor Villa-Lobos, a Tocata das Bachianas Brasileiras nº 04. (Acesso em 29.10.2019).

b)   Disponível via  YouTubehttps://www.youtube.com/watch?v=wIG4h7lvj4Y.

 

Roberto Minczuck rege a Orquestra Sinfônica Brasileira interpretando, de Heitor Villa-Lobos, a Tocata das Bachianas Brasileiras nº 04. (Acesso em 29.10.2019). 

 

Ø  O docente apresenta também, aos alunos, os versos que Ferreira Gullar fez sob a peça que se ouviu, parte integrante de seu Poema Sujo e que seguem abaixo:

 

lá vai o trem com o menino

 

lá vai a vida a rodar

 

lá vai ciranda e destino cidade e noite a girar

lá vai o trem sem destino

pro dia novo encontrar correndo vai pela terra

vai pela serra vai pelo mar

 

cantando pela serra do luar correndo entre as estrelas a voar

no ar

piuí! piuí piuí 

no ar

 

piuí piuí piuí

 

GULLAR, Ferreira. Poema Sujo. 1ª ed. – São Paulo: Companhia das Letras, 2006. pp. 46 – 47

 

 

Ø  O docente deve convidar os alunos e alunos, após a escuta da obra, a refletirem sobre a escuta musical do país e do viajante que aporta em São Paulo em meio à grandiosidade de uma estação como a Júlio Prestes. O docente deve perguntar se alguém se sente representado ao ouvir a pa de Villa-Lobos. Finaliza-se com a leitura do seguinte trecho:

 

[...] A tocata final, mais conhecida por Trenzinho do Caipira, é uma encantadora peça descritiva das impressões de uma viagem nos pequenos trens do interior do Brasil. Villa-Lobos, nesta ia musical, não quis descrever simplesmente uma locomotiva em marcha, mas fazer uma obra brasileira, emprestando-lhe delicada melodia nacional.” 

 

MARIZ, Vasco. História da música no Brasil. 2ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,

 

1983. p. 135.

 

 

PARTE D: DA CAFEICULTURA À INDUSTRIALIZAÇÃO

 

Ø  Como   entender   a   transição   na   economia   paulista      e,   por consequência final, do país – do ca rumo à industrialização? Como lida a sociedade paulistana com tal  e como isso se recai sob  construção de um operariado e de uma cultura urbana? O docente convida, então, à leitura do trecho que segue. 

 

Qual seria então a proveniência dos capitais iniciais das indústrias brasileiras? Quem foram os nossos primeiros empresários? Ora, mais uma vez cabe sublinhar que várias pesquisas convergem para um mesmo ponto: nossa primeira industrialização, 1880 1930, grosso modo, originou-se da importão de máquinas modernas custeadas pelo mundo agrário tradicional.

[...]

 

Tal qual ocorria em vários lugares, os fazendeiros paulistas investiam os recursos extras da lavoura de exportação na compra de máquinas. Muitos viam nesse investimento uma forma de complementar as atividades agrícolas. [...]

O que, porém, teria levado São Paulo a se tornar o principal polo industrial e quando isso ocorreu? Ora, uma vez mais adentramos em um campo de infindáveis polêmicas, cabendo aqui sintetizar a explicação mais recorrente. Primeiramente, cabe ressaltar que os paulistas possuíam a mais próspera atividade agcola do país. Desde a década de 1830, o café havia se tornado o principal item da economia brasileira. No ano de 1900, o produto rendia, em exportões, dez vezes mais do que o úcar, vinte vezes mais do que o algodão e quase trinta vezes mais do que o tabaco; somente a borracha que estava vivendo seu período áureo podia rivalizar com o café; mesmo assim, o fruto do extrativismo nos seringais da Amazônia contribuía, no quadro das exportões, com um quarto do que representava a matéria-prima da popular bebida matinal.

Alimentada por férteis terras e por estradas de ferro que viabilizavam a expansão da fronteira agcola em regiões bastante afastadas do litoral, a lavoura cafeeira paulista, entre 1886 e 1910, aumentou sua participação na produção nacional de 42% para 70%, deixando muito atrás seus vizinhos fluminenses. Números ainda mais impressionantes quando recordamos que, na última data mencionada, o Brasil controlava cerca de 75% da prodão mundial, o que significava dizer que os paulistas produziam aproximadamente metade do ca comercializado no mundo; produção que, em 1906, implicava a exportação de algo não muito distante de um bilhão de quilos!

Ora, tal situação garantia o ingresso de polpudas rendas para a economia local, ampliando o mercado consumidor e as fontes de renda para o investimento fabril. Além de contar com recursos abundantes que podiam ser canalizados para a indústria, os paulistas dispunham ainda de outras vantagens que os capacitavam a superar industrialmente as demais regiões brasileiras. Uma delas foi a de ter recebido milhões de imigrantes europeus, que competiam com os ex-escravos no mercado de trabalho, fazendo com que, até aproximadamente a década de 1920, os sarios localmente pagos fossem inferiores aos despendidos por empresários cariocas e gaúchos; havendo casos, como o das indústrias de vestuário e de calçado, em que tais vencimentos eram a inferiores à média nacional, incluindo aí as regiões nordestinas atrasadas. [...]

Tendo em vista essa relação, ao mesmo tempo complementar e contraditória, entre lavoura exportadora e indústria, compreende-se por que não houve uma veloz revolução industrial paulista, mas sim um processo de transformação econômica lento e cheio de percalços. A mesma afirmação é, com certeza, válida para o resto do Brasil, que somente em meados da década de 1940 assistiu à indústria superar a agropecuária no conjunto das riquezas nacionais.” 

 

DEL PRIORE, Mary. VENANCIO, Renato. Uma Breve História do Brasil. Iª ed. – São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010. pp. 236 – 240.

 

 

Ø  O docente deve questionar a ambivancia entre o projeto econômico da elite cafeicultora paulista, refletindo sobre o produto de capital esperado por essa elite: ca ou bens industriais? O docente deve, também, refletir sobre qual foi o papel desta elite no desenvolvimento da cidade de São Paulo: com as indústrias, permitiram a erupção de uma metrópole ou elementos que mostram que outros atores com  intenções  próprias,  a  exemplo  da  chegada  dos  imigrantes europeus? O docente finaliza com a pergunta, em caráter retórico e reflexivo: quem inventou a São Paulo urbana?11

Ø  O docente deve, também, refletir sobre a questão da freneticidade da

indústria desenvolvida a meados da década de 1940. Ponto a ser fundamentado no exercício de escuta que segue.

 

 

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11. Para maiores embasamentos em tal reflexão, vale novamente SEVCENKO, Nicolau. Op. cit.

 

Epílogo: música e exploração industrial. O docente convida para o exercício de escuta que segue:

 

 

 

Ø  Exercício de escuta II:  Cláudio SANTORO. Impressões de uma  Usina de Aço. (1943).

 

 

 

a)    Disponível via YouTubehttps://www.youtube.com/watch?v=edCghYpxNkc

 

Ligia   Amadio   rege   a   Orquestra   Sinfônica   Nacional      UFF

 

interpretando, de Cláudio Santoro, Impressões de uma Usina de Aço

 

– Homenagem à Siderúrgica Nacional. (Acesso em 02.11.2019).

 

 

Ø  Para a análise da escuta, o docente convida à leitura do texto que segue:

 

[...] Na sua primeira versão de 1943, a obra ainda se chamava Numa Fundição de Aço (... da emoção causada pela visão do o em estado de ebulição’, como se encontra no manuscrito.’) [...]

 

Em depoimento gravado, o compositor comenta:

 

[...] Essa pa eu fiz primeiro para a Rádio Tupi... me pediram para fazer um programa em homenagem à Siderúrgica Nacional em seus 40 anos. Escrevi essa peça, impressionista pelo aspecto do barulho de uma usina – chamei de usina mas era uma fundição deo. [...]

 

Consta no programa do concerto de 4 de maio de 1946:

 

[...] É uma pa de caráter nitidamente impressionista, o que vale dizer, contém as

 

impressões musicais sugeridas ao autor pelo tema em epígrafe.’”

 

SANTORO, Alessandro. Notas de programa: Impressões de uma Usina de Aço. IN: FUNDAÇÃO OSESP, Sala São Paulo: 20 anos (encarte distribuído nos concertos de comemoração dos vinte anos de inauguração da Sala São Paulo, em julho de 2019. Disponível online em: http://www.salasaopaulo.art.br/upload/2019-livretos/2019-site-ssp20anos.pdf). pp.

73 – 74.

 

Ø  O docente deve questionar, a partir da obra apresentada, a crueldade, a freneticidade, o rigor industrial então em voga. Deve questionar aos alunos como percebem tal na obra de Cláudio Santoro e, também, se em algum momento a escuta da obra os deixou incomodados (como se a música não lhes soasse agradável). O docente deve questionar os alunos as imbricões de tais fatos na atividade de construção da então Estação Sorocabana e, como se ve à frente, na reformulação do espaço para abrigar a Sala São Paulo. Finaliza-se com o questionamento se é válido tal atividade econômica ante ao apresentado em Impressões de uma Usina de Aço.

 

PARTE E: A INVENÇÃO DE UMA CULTURA SINFÔNICA E O SURGIMENTO DA OSESP

 

 

Ø O docente deve iniciar esta parte da aula com os seguintes questionamentos: para que serve uma orquestra sinfônica? Por que ela é importante para uma cidade? Afinal, o que é uma sinfonia?

Ø  As respostas podem ser amplas e as respostas do docente devem ser conduzidas à introdução da ideia geral e propósitos da OSESP. Observações mais específicas são válidas também, como: a) a orquestra sinfônica tem o papel de executar um determinado tipo de música, que exige um contingente considerável e que, também, não pode ser apresentado sob quaisquer circunstâncias, seja ela de pessoas ou estruturais; b) uma orquestra sinfônica de qualidade, que tenha alguma ligação com sua cidade, pode, além de produzir, em nível profissional, prodões locais, também levar o nome da cidade junto ao seu sucesso mundo afora; a cidade se desenvolve, nem que nominalmente ou idealisticamente, com o desenvolvimento da orquestra; c) a sinfonia é uma forma musical típica, que já passou por inúmeras transformações: originada como a abertura da ópera italiana, desenvolvida em Viena e solidificada na forma romântica de Beethoven, teve seus limites rompidos com o avançar do tempo por figuras     como     Gustav     Mahler      e     Dmitri     Shostakovich.12

 

 

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12. Para maiores informações sobre o conceito primário de sinfonia, ver CARPEAUX, Otto Maria. O livro de ouro da História da Música. 5ª ed. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. pp. 139 143.

 

 

 

Ø  O docente deve, nesse sentido, buscar dimensionar a importância da existência de um projeto fixo de orquestra cabe retomar o trecho lido de Lilia Schwarcz e Heloísa Starling em Brasil: Uma Biografia no que se refere às noitadas no teatro. Como garantir as noitadas no teatro” sem um corpo artístico fixo? O docente convida, então, à leitura do trecho que segue: 

 

A OSESP foi fundada oficialmente em 1954, embora já estivesse em funcionamento desde o ano anterior. Sob a batuta do pianista, maestro e compositor João de Souza Lima, seu primeiro regente titular, o conjunto funcionou por pouco tempo. Novos registros de atividade aparecem em 1964, quando o maestro Bruno Roccella tornou-se seu novo regente e diretor artístico. Finalmente, em 1973, após um recesso de mais de cinco anos, a OSESP passa por uma nova reestruturação, conduzida por Eleazar de Carvalho. Depois de quase dez anos de residência no Teatro Cultura Artística, entre 1979 e 1986, com temporadas memoráveis, a orquestra viu-se novamente em situação precária, sem sede e sem recursos. 

 

Nos últimos anos de vida de Eleazar, a OSESP apresentava-se no Memorial da América Latina, que não possuía condições acústicas adequadas para a música sinfônica. Além disso, a orquestra não era titular do espo e quando o teatro estava ocupado com outras atividades, via- se obrigada a ensaiar no restaurante do memorial. Os salários dos músicos eram baixos e às vezes atrasavam. Os quadros da orquestra estavam defasados e muitas vezes era necessário alterar a programação, com peças que não exigissem grande orquestração.”

 

FRESCA, Camila. Sala São Paulo 20 anos. IN: FUNDAÇÃO OSESP, Sala São Paulo: 20 anos (encarte distribuído nos concertos de comemoração dos vinte anos de inauguração da Sala São Paulo, em julho de 2019. Disponível online em: http://www.salasaopaulo.art.br/upload/2019- livretos/2019-site-ssp20anos.pdf). p. 30.

 

Ø  O docente deve questionar a cronologia apresentada sobre a História da OSESP e as condições nas quais se desenrola seu percurso histórico. Deve-se apontar o atrelamento da oficialização do corpo artístico, em 1954, com o quarto centenário da cidade de São Paulo e a necessidade de um nome de peso fixo, como Eleazar de Carvalho, para a também fixação do projeto. Deve-se, também, se atentar-se aabandono que passa a OSESP a partir de 1986: por que a Orquestra cai em esquecimento? Trata-se de esquecimento ou não entendimento da dinâmica necessária para o efetivo funcionamento de uma orquestra digna de renome e reconhecimento? Cabe apontar que nem com Eleazar à frente do projeto essa obteve espo. É neste cenário de esquecimento, para não se dizer abandono, que florescerá o projeto de construção da Sala São Paulo como sede oficial da OSESP, concretizado em 09.07.1999 e tema de nossa próxima aula.

 

 

B.  AULA  02:  A  RESSURREIÇÃO:  A  ESTAÇÃO  DE  TREM  TORNA-SE  SALA  DE CONCERTOS E O VELHO CENTRO PROMETE RENASCER

PARTE A: A RESSURREIÇÃO DA OSESP

 

O docente deve retomar os aspectos finais da aula 01, com ênfase ao cenário de abandono e esquecimento no qual se encontrava a OSESP naquele momento. Feita tal recapitulação, devem ser feitas as seguintes questões: como ressuscitar” a OSESP? Por que ressuscitar? As reflexões devem se concentrar nas respostas iniciais à parte E da aula 01, enfatizando a importância de uma orquestra de qualidade e, acrescido à isso, o fato de que uma sede própria (de qualidade) torna-se fator de consolidação de um processo de maior assistência à um projeto cultural como a OSESP ao passo que estrutura física fixa para essa, além de um espo que tem em sua razão de existência a música sinfônica e que, portanto, não teria os problemas acústicos enfrentados, por exemplo, no Memorial da América Latina. Acerca da questão da ressurreão, o docente deve abrir caminhos para reflexões que serão melhor abordadas em outros momentos, como a questão do renascer de um sonho maior o de um Centro habitável” que teria na Sala e na OSESP suas âncoras, assim como em outros projetos posteriores como a Pinacoteca do Estado e o Museu da Língua Portuguesa. Feita esta introdução, o docente convida à leitura do trecho que segue:

No dia 13 de setembro de 1996, Eleazar era velado no Teatro Municipal de São Paulo. Durante todo o tempo, músicos se revezavam em torno do esquife, tocando em homenagem ao maestro. Num desses momentos, Gilberto Siqueira, trompetista da OSESP, improvisou um discurso emocionado. Dizia que ali estava um homem que tinha devotado sua vida à música, e que apesar de ter conseguido tantas coisas, não teve êxito em dar uma sede à orquestra ele próprio, ao ser velado, precisava de uma casa emprestada’. Dizia esperar, ainda, que os políticos realizassem o sonho de Eleazar. Segundo relatos, nesse momento o então governador do Estado, Mário Covas, chegava ao velório. Siqueira não tinha essa informação, mas os presentes entenderam que o recado era dado a Covas, que foi vaiado e retirou-se rapidamente. 

 

É provável que o governador soubesse que, a essa altura, estava no radar uma nova reformulação da OSESP que incluía a aquisição de uma nova sede. Já em 1995, o então secretário de Cultura, Marcos Mendonça, e assessores sondavam espos possíveis. [...]

Ao mesmo tempo, o maestro John Neschling era sondado por Mendonça durante suas férias no Brasil, em julho do mesmo ano. Quando Eleazar morreu, em setembro, Neschling topou assumir o projeto da ‘nova OSESP desde que fossem observadas uma série de condições, como o número de músicos, o sario, o repertório e a quantidade de concertos. A ‘condição primeira’, segundo Neschling, era a existência de uma sede.”

 

FRESCA, Camila. Sala São Paulo 20 anos. IN: FUNDAÇÃO OSESP, Sala São Paulo: 20 anos (encarte distribuído nos concertos de comemoração dos vinte anos de inauguração da Sala São Paulo, em julho de 2019. Disponível online em: http://www.salasaopaulo.art.br/upload/2019- livretos/2019-site-ssp20anos.pdf). pp. 16 – 17.

 

Ø  O docente deve, mais uma vez, atentar-se à questão da necessidade de uma sede para a Orquestra. Por que teria John Neschling colocado como “condição primeira para sua vinda à OSESP a existência de uma sede? Cabe, mais uma vez, refletir sobre as implicações que ter uma sede própria pode dar à Orquestra e, em última expressão, também à cidade, como apontado antes (a sede torna-se local fomentador de um determinado tipo de manifestação cultural, a qual, por sua vez, encontra nela um meio regular para ser exercida). Sobre isso, o docente convida à leitura do trecho que segue: 

 

Os argumentos técnicos ou pragmáticos, ainda que pertinentes, não esgotam o sentido da existência de uma casa’ da orquestra. A Sala São Paulo é a face mais visível da orquestra, seu cartão postal e seu cartão de visitas. [...] Como se a Sala pudesse tornar visível e palpável algo que de resto é pura passagem do tempo.

A criação da Sala São Paulo foi estratégica para a consolidação do projeto da orquestra, algo que não escapou a observadores sagazes como o maestro George Olivier Toni, que declarou, já no dia da inauguração: Hoje não é a orquestra que garante a sala de concertos. Neste momento é a sala de concertos que garante a existência da orquestra. [...].

 

Pelo menos três razões dão consistência e profundidade à intuição [...] de Olivier Toni. [...] Finalmente, como disse Neschling, porque a existência de uma sede suntuosa tornava a orquestra quase uma obrigação. 

 

E ainda, porque o concerto sinfônico não é apenas música música nunca é apenas música mas uma experiência social, que começa antes e termina depois das reverberações acústicas, e não se esgota nelas.”

 

TEPERMAN, Ricardo Indig. Concerto e desconcerto: um estudo antropológico sobre a Osesp na inauguração da Sala São Paulo. São Paulo, 2016. Tese (Doutorado) Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. pp. 246 – 247.

 

Ø  O docente deve ressaltar dois aspectos do trecho lido: a) a questão da Orquestra ter como dever o primor ante à suntuosidade do edifício, Deve-se problematizar a questão da suntuosidade”, a partir das reflexões feitas na primeira aula acerca da escolha arquitetônica da Sala; b) a questão de música nunca ser apenas música: cabe ao docente questionar sobre a questão da “experiência social” por trás do “assistir a um concerto: como tal implica na existência de uma sede? O fato de se ter um lugar fixo reforça as relações sociais exercidas pelo público? O primor da Orquestra acompanha sentimentos incalculáveis para o exercício da cidadania paulistana (e brasileira; e universal)?

 

Como encontrar a sede da OSESP? O docente deve questionar aos alunos: que lugar pode ser uma sala de concertos? Pode-se apresentar um concerto em qualquer lugar? Qual a qualidade necessária para tal? As respostas vêm junto à leitura do trecho que segue:

 

Marcos Mendonça convidou Mario Garcia para um almoço com John Neschling, Ismael Solé e Chris Blair, da Artec, no último dia da passagem do maestro pelo Brasil em novembro de 1996. Ao saber que nenhum dos espos visitados havia sido aprovado pelo engenheiro americano, e que a solução com a qual eles passariam a trabalhar, sem entusiasmo, era a construção de um prédio novo algo mais caro e mais complicado , Garcia sugeriu que visitassem a Estação Júlio Prestes. Como o próprio maestro relata em seu livro de memórias, a ideia lhe pareceu ‘pura loucura’, a tal ponto que preferiu volt