Moradia nas grandes cidades.

Aluno (a): Eva Aparecida dos Santos
Docente responsável: Antônia Terra Calazans
Disciplina USP: Ensino de História: Teoria e Prática

Seqüência didática para alunos de ensino fundamental II.  Tema: Moradia nas grandes cidades.

 

Objetivo:

 

Discutir questões referentes ao acesso à moradia nas grandes cidades. Desenvolver uma atividade de pesquisa sobre especulação imobiliária. Desenvolvimento: O professor deve apresentar aos alunos o problema de acesso à moradia, e ajudá-los a compreender que a restrição à moradia é apenas parte das carências que sofre grande parte da população das cidades brasileiras. O objetivo é induzir os alunos a desenvolver um senso crítico a respeito do assunto e identificar que a moradia é parte do problema, tendo em vista que moradia precária ou falta dela acarreta uma série de outros problemas como doenças, restrição ao lazer, incêndios, enchentes, etc. Ao professor cabe estimulá-los e para introduzi-los ao tema; a sugestão é que o professor introduza o tema perguntando aos alunos onde moram, qual a condição de suas casas: própria, alugada, emprestada, etc; saber se seus pais pretendem comprar uma casa ou não; e saber a importância que eles, os alunos, dão à moradia. Em seguida o professor pode explicar como era o acesso a terra no passado e como ficou após a promulgação da Lei de Terras de 1850. Em seguida o professor pode mostrar a eles a imagem 1 (favela de Paraisópolis), e fazer aos alunos algumas perguntas para incentivá-los a levantar hipóteses sobre o tema:

 

(Abaixo algumas perguntas que podem ser úteis ao professor nesse momento)

 

Inicialmente o professor pode pedir para que eles descrevam o que vêem, o objetivo é que os próprios alunos localizem o máximo de detalhes e hipóteses sobre a imagem.

- O que o fotografo pretendia mostrar ao retratar essa imagem?

-Quais as semelhanças e as diferenças retratadas pela imagem?

-As condições de vida dos moradores dessas habitações são as mesmas? Por que?

-O acesso à água é o mesmo entre os moradores do prédio e os da favela?

-Áreas de lazer estão presentes em ambas às imagens? Por que?

-O espaço ocupado pelas pessoas que habitam as moradias é o mesmo? Por que isso acontece?

-Quais profissionais trabalharam na construção dessas casas (pedreiro, engenheiro, arquiteto, etc)?

 

Em seguida o professor pode mostrar a imagem 2 (favela da marginal) e pedir aos alunos que comparem com a primeira. Depois pergunte a eles porque acham que algumas pessoas vivem em habitações precárias e outras não.

 

Em seguida o professor pode ler junto com os alunos um trecho do texto de Roberto Lobato Corrêa sobre a questão da especulação do espaço urbano[1]:

 

     Na sociedade de classes verificam-se diferenças sociais no que se refere ao acesso aos bens e serviços produzidos socialmente. No capitalismo as diferenças são muito grandes, e maiores ainda na América Latina. A habitação é um desses bens cujo acesso é seletivo: parcela enorme da população não tem acesso, quer dizer não possui renda para pagar o aluguel de uma habitação decente e, muito menos comprar um imóvel. Este é um dos mais significativos sintomas da exclusão que, no entanto, não ocorre isoladamente: correlatos a ela estão a subnutrição, as doenças, o baixo nível de escolaridade, o desemprego ou subemprego e mesmo o emprego mal remunerado.

     Os grupos sociais excluídos têm como possibilidades de moradia os densamente ocupados cortiços localizados próximo ao centro da cidade _velhas residências que no passado foram habitadas pela elite e que se acham degradadas e subdivididas _, a casa produzida pelo sistema de auto construção em loteamentos periféricos, ou conjuntos habitacionais produzidos pelo Estado, via de regra também distante do centro, e a favela.


[1] Corrêa, Roberto Lobato. O Espaço Urbano.São Paulo, Ed. Ática,1989.

Corrêa, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. São Paulo, Ed. Ática, 1989.

 

 

Após isso seria interessante que o professor indagasse dos alunos o que entenderam do texto. Alguns conceitos presentes no texto como “sociedade de classes”, “capitalismo” e até mesmo quando o autor denomina moradia como um “bem produzido socialmente” podem necessitar de uma explicação mais complexa do professor, mas ainda assim a sugestão é que o professor tente inicialmente fazer com que os alunos opinem sobre o entendimento do texto, para depois auxiliá-los.

 

Uma terceira imagem que retrata a ocupação de um terreno da prefeitura no Jardim Limoeiro, Zona Leste de São Paulo pode ajudar o professor mostrar aos alunos uma das estratégias de um grupo de moradores carentes para reivindicar junto à prefeitura de São Paulo e a CDHU a construção de moradias populares. Nesse caso a sugestão é que o professor pergunte aos alunos sobre as condições das moradias no acampamento, algumas questões podem ajudá-lo a desenvolver o interesse dos alunos. - Onde os moradores conseguem água para abastecer o grupo? - As habitações são seguras? Por que? - Se chover o que vai acontecer no acampamento? - A região parece próxima da área central da cidade ou não? - Há pessoas retratadas na imagem? Como são? -O que estão fazendo? -Há construções próximas do acampamento? Como são? -Em que isso pode ajudar que essas pessoas consigam uma casa?

 

Como atividade o professor pode dividir a sala em grupos e distribuir a cada grupo(s) uma atividade de pesquisa sobre o tema. Após pesquisarem os alunos devem apresentar o resultado para que todos tenham a possibilidade de aprender sobre todos os temas.

 

Segue abaixo algumas sugestões:

 

a)      Um grupo pode pesquisar junto a familiares e conhecidos sobre as condições das moradias que habitam: própria ou alugada, emprestada, parentes e caso comprada ou alugada quais as dificuldades para pagar o aluguel; financiar. E sobre as condições materiais do imóvel e da área que ele foi construído: próximo ao centro, áreas periféricas, áreas de proteção ambiental, etc. A comodidade também deve ser levada em conta na pesquisa: saber se a casa abriga confortavelmente todos os moradores, quantas pessoas ocupam cada cômodo.

b)      Um segundo grupo deve verificar junto a jornais, Internet, outras fontes o preço dos aluguéis e dos imóveis nas diversas regiões da cidade. Ver qual a região oferece os melhores preços considerando as condições materiais dos imóveis, o tamanho, distância em relação ao centro da cidade. Pode ser sugerido aos alunos buscar auxílio junto a um corretor de imóveis para indicar a eles em quais épocas do ano os preços dos imóveis são mais baratos ou mais caros, e porque isso ocorre.

c)      Uma pesquisa junto às imobiliárias do próprio bairro pode ser feita por outro grupo de alunos eles poderiam buscar o mesmo tipo de informação do grupo anterior, mas em âmbito local, seria um modo dos alunos perceberem as diferenças nas condições sociais e no acesso à moradia dentro do próprio bairro.

d)     Outra sugestão para os alunos diz respeito aos movimentos pela moradia, os alunos podem procurar saber se há no bairro ou nas imediações (associação de moradores, igrejas, grupos de terceira idade, etc) algum grupo que luta pela causa da moradia popular e/ou buscar pessoas que já participaram de algum: saber como funcionam; quantas moradias o grupo conseguiu, como funciona a negociação com a prefeitura; quais as dificuldades para chegar no valor desejado (imóvel e prestações); se há outras reivindicações, além da moradia; outras estratégias usadas pelo grupo, excetuando-se as ocupações.

 

Bibliografia:

 

Corrêa, Roberto Lobato. O Espaço Urbano. São Paulo, Ed. Ática, 1989.

skyscrapercity.com   (imagem 1- Paraisópolis).

geografia.seed.pr.gov.br  (imagem favela Marginal).

 

Eva Aparecida dos Santos (imagem ocupação: Movimento dos Sem-Teto pela Reforma Urbana filiado à Frente de Luta pela Moradia (FLM), grupo Força Habitacional II. A área ocupada fica na Estrada do Limoeiro s/nº, (atrás do CEU Limoeiro) Jardim limoeiro, São Paulo).

 

favela

 

favela da marginal

 

S6305041