Arqueólogos acham objetos do século 19 na cracolândia

Aluno (a): Alessandra Oliveira Soares - nº USP 5681409
Disciplina USP: Ensino de História: Teoria e Prática
Docente responsável: Prof.ª Antonia Terra

 

 

O tema:

     A idéia inicial dessa seqüência didática é de que ela seja mais um instrumento para que o professor trabalhe com os alunos dentro da sala de aula de forma a tornar a aula mais atrativa e envolvente, auxiliando no desenvolvimento e conhecimento dos alunos.

     Atividade terá como base a reportagem Arqueólogos acham objetos do século 19 na cracolândia, de Ricardo Westin, da Folha de São Paulo, e assim pode-se trabalhar com os alunos dentro do tema do Patrimônio, História e Arqueologia, que por conseqüência envolve as temáticas sobre os diferentes tipos de sociedade, além de trabalhar com a cultura material. Assim, acima de tudo, essa atividade, visa dar

consciência histórica que permite valorizar/preservar a cultura material e a memória da nossa sociedade e de outras que nos procederam em nível local, regional ou nacional. Estudiosos de vários países e órgãos como a UNESCO já demonstraram com muita ênfase que a preservação do patrimônio cultural depende, principalmente, do conhecimento e de uma educação voltada à compreensão e valorização da diversidade.1

 

     Neste sentido, a Arqueologia “é a área do conhecimento que estuda as sociedades do passado através dos vestígios materiais por elas deixados tendo em vista compreender os seus modos de vida” 2, estuda a cultura material,

 

... que é composta pelos artefatos que são produtos diretos do trabalho humano, como também os chamados ecofatos e os biofatos, que são efeitos da natureza da relação entre o homem e seu ambiente. Nesse sentido, podem ser considerados vestígios arqueológicos

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1 NOELLI, 2004, p. 1413. No texto o autor ainda cita sobre o Brasil: “Diante da realidade de um país multicultural, a educação patrimonial precisa (e com urgência!) estar presente nas redes de ensino e deveria ser considerada um objeto relevante de reflexão por aqueles que pensam e articulam a educação brasileira. (...) ‘parceria entre cultura material, educação patrimonial e ensino de história’ e a ‘construção da cidadania a partir da educação patrimonial’.” Ibid., p. 1414.

2 CARNEIRO, 2009, Guia Temático.

 

tanto os objetos produzidos e utilizados em diversos contextos sociais, como as ‘marcas’ na paisagem deixadas pelos diferentes grupos humanos ao ocupar uma região.3

 

     Desta forma a Arqueologia aproxima-se da História onde,

 

O registro arqueológico é constituído pelos resultados fossilizados da ação humana, cabendo ao arqueólogo reconstituir esta ação e indo tão longe quanto possível para recuperar os pensamentos que ela expressa. Se o conseguir, o arqueólogo torna-se um historiador (Childe, 1969: 29)4

 

     O estudo de outras sociedades ou sociedades do passado auxilia a percepção do aluno de que estas mesmas sociedades não são somente sociedades que devem ficar enterradas no passado, como se fossem ultrapassadas, no sentido de serem menos desenvolvidas, mas sim a partir do contato, do choque de contraste com essas sociedades, discutir suas observações, favorecendo

 

“...o desenvolvimento de visões críticas e o entendimento das trajetórias individualizadas de cada cultura como produto de um processo histórico. Este conhecimento potencializa o entendimento do outro, a compreensão do diferente e desqualifica o preconceito.” 5

 

     Assim, podemos fazer das palavras que são ditas ao museu, no excerto abaixo, também palavras ao professor, onde o público seria o aluno:

 

O objeto museológico não é neutro e é o museu que faz desvelar não somente o seu sentido cultural, mas o introduz numa rede de repertórios simbólico. Cabe ao museu promover a relação entre as pessoas de diferentes culturas, preparar seus visitantes para serem gourmets culturais, pessoas habilitadas a viver a diferença e a promover a tolerância diante da diversidade e da pluralidade. A democracia participativa moderna aponta uma nova atitude social e os museus podem efetivamente colaborar para o exercício dessa forma de cidadania: uma nova sociabilidade estão por ser criadas e acreditamos que a

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3 Ibid. A autora ainda cita: “Cabe salientar que os vestígios encontrados não correspondem à totalidade de ações e transformações que constituem a cultura material das sociedades humanas nos passado, uma vez que nem todos os materiais conseguiram “sobreviver” à ação da natureza e do homem até nossos dias. Esses estudos são realizados para entender como era a vida dessas populações: o que comiam, como conseguiam seus alimentos, o modo como suas casas eram construídas, a maneira como se locomoviam, em que acreditavam, enfim, como era sua organização social e política, levando-se em consideração suas permanências e mudanças. Trata-se, portanto, do estudo das sociedades humanas em seu funcionamento e transformação.”

4 Citado em: COREDEIRO; HIRATA, 2009, p.23.

5 Ibid., 2009, p. 24.

 

diversidade, a pluralidade e a tolerância são as bases para uma cidadania fundada na cooperação e na solidariedade como ética. 6

 

     A atividade

 

     A atividade aqui proposta tem como objeto utilizar duas aulas sendo trabalhado em cada aula 4 slides7, com discussão entre os alunos e auxilio do professor em explicações e esclarecimentos de dúvidas, assim como com a composição de uma redação na segunda aula, ficando a critério do professor a composição em sala de aula ou como atividade extra para casa, assim como a limitação do tamanho da redação.

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6 CURY, 2005, p.315.

7 A atividade aqui é apresentada em slides, no entanto ela pode ser adaptada conforme as possibilidades estruturais da escola em que a atividade for realizada, não havendo data show, pode ser apresentado em retroprojetor com transparência e no caso de não haver nenhuma das duas possibilidades o professor pode distribuir imagens impressas e colocar as questões em lousa, o importante ao final da atividade é aquilo que o aluno assimilar e entender do assunto a partir da discussão que será levantada.

 

 

 Slide 1

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     A intenção de mostrar primeiro a imagem sem nenhuma fonte de referência, visa aguçar no aluno o interesse pelo que se trata tal imagem, trabalhando suas funções cognitivas, pois antes do que o que o aluno vê diante dele na sala de aula ele traz consigo referências 8, tudo isso trabalhado a partindo da discussão do que se trata tal imagem. ____________________________

8 Nesse sentido mais uma vez podemos nos apropriar do que diz Cury: “Independente de seu capital cultural, o público faz um uso de exposições a partir de seu cotidiano. Isso equivale dizer que a antropologia é compreendida pelo público a partir de referências de seu cotidiano. Distanciar as exposições antropológicas desse cotidiano é distanciar as pessoas das discussões antropológicas, distância que consiste em dissonância cognitiva, fato que prejudica qualquer processo de comunicação museológica da antropologia e, assim, da arqueologia.” CURY, 2005, p.216.

 

Slide 2

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Com esse segundo slide, o professor observará nos alunos o nível de conhecimento dos alunos sobre a arqueologia.

 

 

Slide 3

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     Com esse slide, o professor a partir da discussão feita anteriormente, sobre o que é arqueologia, define junto com os alunos o que se trata a arqueologia, abrindo espaço para se falar sobre a cultura material, assim como esclarecer dúvidas dos alunos sobre o assunto.

 

 

Slide 4

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     Com o 4ª slide fecha-se a seqüência de discussão da primeira aula sobre o que aqui propomos. Assim com ele retomamos a primeira imagem, esperando que o aluno associe a imagem vista a artefatos arqueológicos e lançamos mais uma questão a de que se o aluno tem ou faz alguma idéia de onde tenham sido encontrados os objetos ali exposto, pedindo que deixem suas idéias anotadas para ser trabalhado na próxima aula.

 

 

 Slide 5

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     Retomando a aula anterior o professor perguntará aos alunos se eles se recordam da última pergunta feita na aula anterior, assim mostrará aos alunos a imagem com todas as referências de onde ela foi retirada. Assim perguntará aos alunos sobre possíveis dúvidas em relação ao conteúdo desse slide.

 

 

Slide 6

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     O 6º slide trata-se de uma leitura conjunta dos dois primeiros parágrafos da reportagem, assim pode-se trabalhar com os alunos as imagens estereotipadas que eles possam ter em relação a arqueologia, como a de que descobertas arqueológicas só ser feita em regiões antigas, ou somente na Europa! E assim também, tratar do que se tratam os vestígios que os arqueólogos encontram.

 

Slide 7

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     Após a discussão anterior, o professor fará um resumo do que trata a reportagem e discutirá com os alunos as duas questões levantadas neste 7º slide, uma vez que a descoberta deste sítio arqueológico foi feito a partir de um mapeamento previsto em lei, e trata-se de uma arqueologia de prevenção que deve ser feita em grandes obras, como no caso a construção de um prédio. Desta forma será introduzida uma discussão de sobre o que é o patrimônio, onde pretende-se a partir da discussão chegar-se ao conceito de patrimônio, assim como o de patrimônio cultural.

 

Slide 8

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     O último slide traz uma proposta para que o aluno desenvolva um texto contendo aquilo que ele apreendeu e o que ele associou disso com a História, sendo uma forma do mesmo fixar o que foi desenvolvido, assim como trabalhar sua cognição, quando deve associar o que viu e o que disso faz parte a História.

 

 

Bibliografia:

 

BESSEGATTO, Mauri Luiz. “O patrimônio em sala de aula: fragmentos de ações educativas”. Santa Maria: UFSM/LEPA: 2003.

CARNEIRO, Carla Gibertoni. “Ações educacionais no contexto da arqueologia preventiva: uma proposta para a Amazônia”. Tese de Doutorado, São Paulo: Museu de Arqueologia e Etnologia - USP, 2009. Disponível em: http://www.teses.usp.br/

COREDEIRO, Sílvio; HIRATA, Eliane (orgs.). “Siracusa: leituras de uma cidade Antiga”. Labeca: São Paulo, 2009.

CURY, Marília Xavier. “Comunicação Museológica: Uma perspectiva teórica e metodológica”. Tese de Doutorado, São Paulo: Escola de Comunicação e Artes – USP, 2005.

NOELLI, Francisco Silva. “Educação Patrimonial: relatos e experiências”. In: Educ. Soc., Campinas, vol. 25, n. 89, p. 1413-1414, set./dez. 2004. Disponível em:

http://www.cedes.unicamp.br

 

Fontes / Anexo:

FOLHA ON LINE

WESTIN, Ricardo. “Arqueologos acham objetos de século 19 na cracolândia”, São Paulo. 24/09/2009. Disponível em: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u628520.shtml 24/09/2009 - 09h21

 

Arqueólogos acham objetos do século 19 na cracolândia

RICARDO WESTIN da Folha de S.Paulo

 

     Um grupo de arqueólogos descobriu 2.344 utensílios domésticos do século 19 soterrados em plena cracolândia, a área mais degradada do centro de São Paulo. Foram encontrados pratos, xícaras, moringas, vasos, potes e até penicos, entre muitos outros objetos, feitos de materiais como porcelana, cerâmica, louça e vidro e que ajudam a contar a história da cidade. A maior parte está despedaçada e será reconstruída.

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Fragmentos de pratos de decoração do século 19 que foram encontrados no local, em uma área de 7.000 metros quadrados

 

     "Foi uma grande surpresa. Normalmente não passa pela cabeça de um arqueólogo encontrar tantos vestígios tão bem preservados numa cidade como São Paulo", afirma Paulo Bava Camargo, do grupo Zanettini Arqueologia.

     Localizada no meio de uma região onde hoje vagueiam viciados em crack --daí o apelido cracolândia--, a quadra em questão é delimitada pelas ruas Timbiras, Andradas, Aurora e General Couto de Magalhães e tem 7.000 metros quadrados. No local funcionou um estacionamento até o ano passado, quando o quarteirão foi desapropriado pelo Estado.

     Ali serão erguidas uma escola técnica e a nova sede do Centro Paula Souza (entidade responsável pelas escolas técnicas e pelas faculdades de tecnologia estaduais). O governo de São Paulo quer os edifícios prontos até o fim do ano que vem.

     Por exigência da legislação, o Centro Paula Souza teve de realizar uma avaliação arqueológica no terreno. Os arqueólogos foram à cracolândia em junho passado e viram vestígios de 150 anos atrás brotar logo nas primeiras escavações.

 

20 réis

 

     Entre os achados há objetos nacionais e importados. Alguns são finos, cuidadosamente pintados a mão. Outros são rústicos e até mesmo defeituosos. Isso sugere que naquela quadra conviviam ricos e pobres.

     "No final do século 19, São Paulo estava dividida. Havia os Campos Elíseos e a República, áreas de ocupação mais nobre, e o Bom Retiro, onde viviam os imigrantes, os trabalhadores. Era no meio delas que se dava o encontro [das classes sociais]", explica Bava Camargo.

     Essa região era o coração de São Paulo. A poucos passos estão as estações ferroviárias da Luz e Júlio Prestes, construídas justamente naquela época.

     No quarteirão escavado também foram encontradas pás, machadinhas, ferraduras e moedas -uma é de 20 réis, em cobre, e circulou entre 1868 e 1871. Isso mostra que, além de residencial, a área também tinha comércio. Os arqueólogos creem na existência, por exemplo, de uma estrebaria.

     Segundo o arqueólogo Bava Camargo, o fato de não haver um sistema organizado de coleta do lixo -São Paulo só contou com esse serviço na virada para o século 20, em resposta a uma epidemia de febre amarela-, as famílias enterravam ou simplesmente atiravam os entulhos no quintal de casa.

     O Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional) analisará o relatório redigido pelos arqueólogos para decidir o destino dos objetos históricos. Paulo Zanettini, o líder do grupo que fez as escavações, gostaria de vê-los expostos na própria região da Luz.

     "Descobertas desse tipo mostram que o passado de São Paulo é muito mais rico do que se imagina", diz Bava Camargo.

 

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