Os índios na cidade de São Paulo: passado e presente.

Nome: Eva Aparecida dos Santos Disciplina: História Pedagógica de São Paulo Professor: Antonia Terra Calazans Fernandes

 

     Os “índios” já estavam presentes nas terras que hoje chamamos de Brasil quando aqui chegaram os europeus. Durante esses cinco séculos muita coisa mudou na vida desses habitantes nativos, “os índios”, que na verdade não eram até aquele momento “índios”, mas sim várias etnias de povos distintos uns dos outros, que somente a partir da chegada dos europeus passaram a ser denominados assim; daí a primeira mudança. As demaiscomeçaram a ser percebidas e a gerar conflitos a partir do instante que chegar e partir não foi a proposta dos europeus; eles chegaram e decidiram se estabelecer, decidiram também interferir na vida dos anfitriões.

     O presente estudo se propõe a encaminhar o professor em seu trabalho junto aos alunos, auxiliá-lo na abordagem da temática indígena tendo em vista a importância do assunto, sobretudo num momento como o de agora onde debates acirrados acerca do lugar do indígena na sociedade brasileira é motivo de acirradas discussões nos meios de comunicação, e onde a falta de informação da população sobre o assunto faz com que interesses de grupos manipulem a sua opinião. O objetivo das propostas que serão expostas a seguir não se dispõe a moldar o ponto de vista dos alunos; o que pretende é exercitar o aluno no aprimoramento do seu senso crítico. A escola faz parte da sociedade e, junto com as demais instituições sociais, participa da formação da personalidade do indivíduo, do desenvolvimento de seu intelecto, portanto, não pode se abster das discussões que permeiam a sociedade. Poderíamos também dizer que a temática indígena se justifica na sala de aula pela necessidade de valorizar as origens do Brasil, mas isso não seria muito diferente do que já ocorre, onde o “índio” é visto como coisa do passado e geralmente está presente no ensino de História apenas nos anos inicias que sucedem o “desembarque”; é aclamado como o habitante nativo, o mais antigo ancestral, mas logo deixa de existir, negando com isso mais de 500 anos de resistência e luta pela vida. Pretendemos, portanto, mostrar que o índio existe, está em todos os lugares, e não apenas nas distantes aldeias que aparecem nos documentários.

     Pretendemos propor ao professor que leve os alunos a entender o porquê de tantos conflitos ao longo da história, explicados, na maioria dos casos, pela “selvageria do índio”. A proposta pedagógica apresentada a seguir sugere ao professor que conduza os alunos nas reflexões acerca dos subtemas propostos. Algumas questões que propomos para auxiliá-lo nessa tarefa devem servir apenas como instrumentos com os quais o professor deverá aguçar o interesse dos alunos pelos documentos, não precisam ser, portanto, utilizadas de modo tradicional, onde o aluno responde cada questão e o professor corrige; quando a proposta é refletir, não há certo ou errado, apenas considerações. Os indígenas, ainda que invisíveis, para a maioria da população estão presentes em todos os cantos do país, inclusive em São Paulo, uma das maiores cidades do mundo; cidade que abriga uma gigantesca variedade de povos, e que no que se refere ao “índio” não é diferente, dezenas de etnias vivem na cidade. O passado de São Paulo também é marcado pela presença indígena, o que só reforça a abordagem do tema.

     Quanto ao que diz respeito ao público alvo da proposta, devido a complexidade do tema julgamos que pode abarcar alunos da segunda e terceira série do ensino médio e alunos de EJA,do ensino médio.

     Abaixo explicaremos detalhadamente o objetivo de cada subtema:

 

O lugar do índio na sociedade atual:

 

_ o objetivo dessas aulas é informar o aluno sobre as discussões atuais acerca da figura do “índio” e sua participação na sociedade; as tabelas estão presentes para mostrar o outro lado da controvérsia. Os documentos estão dispostos de modo a permitir que o aluno os analise e tire suas próprias conclusões sobre o tema.

 

O lugar do índio na sociedade do século XVI:

 

_ a escolha dos documentos tem o objetivo de mostrar aos alunos que os “índios”, ao contrário do que tradicionalmente se aprende nos livros didáticos, formavam uma sociedade organizada e não ficaram maravilhados a avistar o europeu; não correram para beira da praia para trocar riquezas naturais por bugigangas, mas sim estabeleceram acordos, que para alguns deles, foram vantajosos num primeiro momento. _ o segundo objetivo é mostrar através dos documentos que os problemas envolvendo terras indígenas começam no século XVI, a partir do estabelecimento dos aldeamentos e da conseqüente interferência dos colonizadores nas estruturas das sociedades indígenas. _ novamente esperamos com isso que o aluno analise e tire suas próprias conclusões sobre o assunto.

 

Os índios na cidade.

_ neste bloco o objetivo é mostrar com o documento 7 que os indígenas de donos da terra passam a ser “inquilinos” dos ex-hóspedes, e que o domínio das terras indígenas por terceiros data do século XVI. _os documentos seguintes se referem ao tempo presente e aos “índios” que estão vivendo nas cidades, na maioria dos casos devido à usurpação de suas terras. O objetivo é mostrar que, ao contrário do que comumente pensamos, há milhares de “índios” na cidade, certamente que em número extremamente menor que na época do “desembarque”, mas que é uma população ativa, que luta por espaço e sofre com os problemas relacionados à questão da terra, da moradia, e, sobretudo do preconceito. _ sugerimos nesse bloco que o professor promova um debate a partir do tema.

 

Os índios da Aldeia Tekoa Pyau.

 

_ objetivo mostrar a quantidade das terras indígenas em relação às proporções territoriais do Estado. _ mostrar as precárias condições de estrutura dos guaranis que residem em uma aldeia próxima ao centro da cidade. _mostra que os “índios” lutam por manter suas tradições ainda em um ambiente “hostil”. _ pede-se ao professor que discuta com a classe as condições de vida dos guaranis do Pico do Jaraguá.

 

O que é ser índio?

 

     O objetivo desta aula é que os alunos repensem o papel do “índio” na sociedade. A proposta é que escrevam novamente um texto sobre o assunto, mas agora depois de discutir vários aspectos dos problemas que envolvem a figura do “índio” e das terras, e após lerem a charge que dá a questão da legitimidade indígena em outro ponto de vista, por questionar também a legitimidade do não-índio.

     A proposta de um trabalho final se justifica porque a temática indígena é ampla no que concerne aos subtemas que podem ser analisados e por considerar que a presente proposta pedagógica abordou apenas uma ínfima fração do tema ao se concentrar, sobretudo nos problemas relacionados às terras indígenas. A sugestão dada ao professor é que dê aos alunos a orientação necessária aos alunos para fazer um trabalho sobre os indígenas, mas que os dê liberdade para escolher o subtema que preferir.

 

Atividades Propostas para aula 1 e 2: O lugar do índio na sociedade atual.

 

Documento 1:

     “Eu não sou contra o índio, de jeito nenhum! Nem posso porque contam que minha bisavó era índia legítima. Acho que todo brasileiro também é assim, tem um pouco de sangue de índio. Mas pelo que ouço dizer, os índios têm terra demais, parece que mais que a França ou Portugal. Deve haver uma grande exploração nisso porque os índios que sobraram são pouquinhos ...Tem gente que quer se passar por índio, mas é igualzinha a nós, brancos. Se eles tomarem quase todas as terras, o que vai ficar para o agricultor branco?”

 

(o trecho acima se refere à transcrição do depoimento de um adolescente, morador de uma favela, cuja família migrara de uma região rural do nordeste; a intervenção do jovem ocorreu durante um debate referente ao “Dia do Índio”em uma escola pública do Rio de Janeiro).1

 

Documento 2:

     As dimensões continentais do Brasil costumam ser apontadas como um dos alicerces da prosperidade presente e futura do país. As vastidões férteis e inexploradas garantiriam a ampliação do agronegócio e do peso da nação no comércio mundial. Mas essas avaliações

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1 Oliveira, João Pacheco de. Muita terra para pouco índio? Uma introdução (crítica) ao indigenismo e à atualização do preconceito. In: Grupione, Luís Donizete Benzi ; Silva, Aracy Lopes da (org.). A Temática Indígena na Escola: novos subsídios para professores de 1º e2º grau. MEC/ MARI/ UNESCO, Brasília, 1995. p.61.

 

nunca levam em conta a parcela do território que não é nem será explorada, porque já foi demarcada para proteção ambiental ou de grupos específicos da população. Áreas de preservação ecológica, reservas indígenas e supostos antigos quilombos abarcam, hoje, 77,6% da extensão do Brasil. Se a conta incluir também os assentamentos de reforma agrária, as cidades, os portos, as estradas e outras obras de infra-estrutura, o total alcança 90,6% do território nacional. (...) Com a intenção de proteger e preservar a cultura de povos nativos e expiar os pecados da escravatura, a legislação brasileira instaurou um rito sumário no processo de delimitação dessas áreas. (...) Índio que não é índio, negro que não é negro, reservas que abrangem quase 80% do território nacional e podem alcançar uma área ainda maior: o Brasil é mesmo um país único. Para espertinhos e espertalhões.

(fonte: http://veja.abril.com.br/050510/farra-antropologia-p-154.shtml. Especial: A farra da antropologia oportunista. Leonardo Coutinho; Igor Paulin; Júlia de Medeiros.

 

Documento 3:

Tabela 1- Número de terras indígenas e superfície, segundo a situação fundiária no Brasil- 2005.

Situação fundiária Número Superfície (há)
Total 604

106.926.281

Confirmada 123

926

Delimitada 28

1.527.518

Declarada 32

8.734.035

Homologada 32

4.980.521

Regularizada 389

90.191.203

 

Fonte: Fundação Nacional do Índio, Diretoria de assuntos fundiários (texto fonte: www.ibge.gov.br/tendencia_demografica/indigenas )

 

Obs: cada 100 hectares equivale a 1 quilometro e a extensão territorial do Brasil é de 8.547.043 quilômetros quadrados, enquanto a das terras indígenas, nem todas regularizadas é de 106.926.281 hectares, ou seja, 1.063.592, 81 quilômetros. Abaixo: mapa das terras indígenas no Brasil (todas as terras destacadas se referem a terras demarcadas ou em negociações)2 .

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2 A escolha desse mapa, mesmo que precário, no que diz respeito as informações que deveria conter, se justifica pela qualidade das imagens e por que o objetivo da proposta é que os alunos tenham apenas uma noção da porção do território brasileiro que esta sendo ocupado ou pleiteado pelos índios.

 

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(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Terras_ind%3%Adgenas )

 

     Professor os documentos 1 e 2 se referem a visões acerca da posição do indígena na sociedade brasileira, a sugestão é que você juntamente com os alunos leia os textos e analise a tabela e o mapa; feito isso proponha à classe um debate sobre os conteúdos analisados. Para facilitar o trabalho com os alunos sugerimos algumas questões:

     _Do que tratam os documentos selecionados? Quais os problemas levantados por eles? Qual a preocupação apontada por quem fala no texto 1 e no 2? O que há de comum entre esses textos, e quais as diferenças? O faz com que o indígena seja considerado um índio verdadeiro?

     _ Após a analise dos documentos o professor deve pedir aos alunos para que escrevam um texto no qual expressem suas opiniões acerca do tema abordado; esses textos devem ser entregues ao professor.

     (Obs: embora as terras destinadas as comunidades quilombolas e as reservas ambientais são alvo de críticas, elas não serão abordadas na presente proposta porque os indígenas são o principal objeto do estudo) Atividades propostas para aula 3 e 4: O lugar do índio na sociedade do século XVI.

 

Documento 4:

     “Quando Martim Afonso aportou à ilha de São Vicente, essa parte do Brasil pertencia aos pacíficos índios guaianases, que habitavam o planalto situado ao norte da cadeia marítima mas que, numa certa época do ano, costumavam descer até o litoral para procurar ostras e outros moluscos.

     Na ocasião em que os portugueses entraram na baía, alguns índios pescavam à beira da praia. Assustados pelo tamanho dos navios europeus, eles se puseram em fuga, indo relatar aos seus companheiros da aldeia que haviam visto canoas enormes, as quais, comparadas com as suas, eram como as mais altas árvores da floresta em relação à grama dos campos, e que homens de pele branca tinham desembarcado delas, parecendo dispostos a se estabelecer ali.

     O chefe dos índios considerou um insulto a conduta dos homens brancos e mandou avisar todos os caciques das vizinhanças sobre o que se passava. Acima de tudo, apressou-se a comunicar o fato a Tebyriçá, que chefiava as aldeias dos campos de Piratininga e por quem toda a nação dos guaianases tinha muito respeito, pois nenhum outro chefe era tão poderoso e tão valente guerreiro”.3

 

Documento 5:

     “Na década de 1530, Tibiriçá consentira na formação de uma aliança com os estranhos, certamente tendo em vista a vantagem que esta lhe proporcionaria sobre seus inimigos tradicionais. Com a chegada dos primeiros jesuítas, no meio do século, autorizara a edificação de uma capela rústica dentro de sua aldeia e permitira que os padres convertessem seu povo, ele próprio sendo o primeiro catequizado. Os jesuítas por sua vez, expressaram sua reverência por esse índio considerado exemplar sepultando-o no interior da modesta igreja de São Paulo de Piratininga.”4

 

Documento 6:

     “A partir de 1560, com a fundação da vila de São Paulo, mais três aldeamentos foram instituídos: São Miguel, Nossa Senhora dos Pinheiros e Itaquaquecetuba, todos no planalto nas imediações da vila, abrigando, sobretudo os tupiniquim e Guaianá. Um quarto aldeamento jurídico, Nossa Senhora da Conceição, acolheu um grupo de “guarulhos”introduzidos, por volta de 1580, pelos padres. (....) Estas novas aglomerações rapidamente começaram a substituir as aldeias independentes, transferindo para a esfera portuguesa o controle sobre a terra e o trabalho indígena. Em princípio instituídas com a intenção de proteger as populações indígenas, na verdade os aldeamentos aceleraram o processo de desintegração de suas comunidades. À medida que os jesuítas subordinaram novos grupos à sua administração, os aldeamentos tornaram-se concentrações improvisadas e instáveis de índios provenientes de sociedades distintas.”5

     A sugestão que propomos nesta aula é que o professor leia os textos junto com os alunos, em seguida peça para que se reúnam em grupos e analisem os documentos, e depois apresentem para os colegas as conclusões do grupo. O objetivo é que o professor oriente os alunos nessa reflexão e caso perceba que os alunos encontram dificuldades para articular os

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3 Saint-Hilaire, Auguste de. Viagem à Província de São Paulo. Editora Itatiaia, Belo Horizonte/ Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1976. p.18 4 Monteiro, John Manuel de. Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. p.17. 5 Monteiro, John Manuel. Idem. p. 43

 

documentos os auxiliem, pedindo que na leitura e entendimento considerem algumas questões:

Texto 4: Por que os índios se incomodaram com a presença dos europeus no litoral? Os índios correram por que? Os índios faziam parte de uma comunidade organizada? Por que? Por que o chefe dos índios achou um insulto os europeus desembarcarem e desejarem se estabelecer no litoral? Por que o chefe dos guaianases foi contar da chegada dos europeus ao chefe Tebyriçá? O que pretendia?

Texto 5: O que os portugueses ganhavam aliando-se ao chefe Tibiriçá? Por que os jesuítas precisaram da autorização do índio Tibiriçá para se estabelecerem, construírem uma igreja e converterem os índios em Piratininga.

Texto 6: De acordo com o texto qual a diferença entre os aldeamentos e as aldeias independentes? O que quis dizer o autor quando disse que os “aldeamentos tornaram-se concentrações improvisadas e instáveis de índios provenientes de sociedades distintas”?

_ Como viviam os índios antes e depois da chegada dos europeus? Pontue as mudanças (de acordo com os textos).

Obs: aldeia: aquela formada por vontade dos índios, sem interferência de terceiros; aldeamento: formado por organizações não-índias, a exemplo dos jesuítas.

 

Atividades propostas para aula 5 e 6: Os índios na cidade.

 

Documento 7:

     “Por seu turno, os índios de São Miguel pediram uma doação de terras mais claramente associada ao passado indígena, uma vez que visavam terras próximas ao local de Ururaí, antiga aldeia de Piquerobi. É importante frisar, no entanto, que o capitão-mor, embora autorizasse as doações, não reconhecia os direitos tradicionais dos índios à terra, justificando-a antes por “a maior parte deles serem cristãos e terem suas igrejas e estarem sempre prestes para ajudarem a defender a terra e a sustentá-la”.6

 

Documento 8:

     “Poucos se dão conta da existência de comunidades indígenas mesmo hoje no município, dando continuidade a um processo já antigo de movimentos de população e de recriação de identidades ameríndias. De modo mais surpreendente ainda, o censo 2000 revelou a cifra algo inacreditável de 62 mil índios no Estado de São Paulo, o que tornaria essa unidade federal detentora da segunda maior população indígena do país, ficando atrás apenas do Amazonas.”7

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6 Monteiro, John Manuel. Idem. p.45. 7 Monteiro, John Manuel. Dos Campos de Piratininga ao Morro da Saudade: a presença indígena na história de São Paulo. In: Porta, Paula (org.).História da cidade de São Paulo: a cidade colonial. vol. 1. São Paulo, Paz e Terra, 2004. p.21.

 

Documento 9:

     “Na cidade de São Paulo, estima-se que haja mais de 1.000 Pankararu, do estado de Pernambuco que vivem em favelas como a Real Parque e Paraisópolis, no bairro de Morumbi. Os Pankaruru iniciaram sua migração de cerca de 2.200 km para a cidade de São Paulo depois que populações rurais não indígenas invadiram suas terras, no município de Tacaratu, interior de Pernambuco. Conforme um líder urbano, apesar de haver migração Pankararu para a cidade de São Paulo desde as décadas de 1950 e 1960, em 1990 eram apenas 150, com o número crescendo rapidamente em conseqüência da expulsão de suas terras.”

(fonte: http:/www.funai.gov.br/ultimas/revista_7htm#001 Revista Brasil Indígena Ano I N° 6 Brasília/ DF Set-Out/2001 “As Chamadas “aldeias urbanas” ou índios na cidade”.Stephen G. Baines.

 

Documento 10:

     Segundo o último Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem cerca de 35 mil indígenas vivendo na Grande São Paulo, 25 mil apenas na capital paulista. Entretanto, a experiência da Opção Brasil tem mostrado que o número é muito maior: a entidade estima que haja pelo menos 50 mil indígenas na Grande São Paulo. "Pelas nossas pesquisas, conhecemos muita gente que não foi entrevistada", explica Marcos. Outra hipótese é que os entrevistados não tenham se identificado como indígenas. (...) "A maior dificuldade do índio que vive na cidade é ser reconhecido como tal. Ele tem que ser identificado pelo que é e não pelo que a sociedade quer que ele seja". O historiador Maurício Fonseca, membro do Fórum Permanente de Culturas Populares, considera que comunidades desaldeadas - fora de sua aldeia - merecem mais atenção porque lutam para tentar manter sua cultura numa situação adversa. "Não há espaço para plantar, para praticar os rituais". "Na cidade, a gente vive como branco e não como índio. Muitos não falam que são indígenas porque, se o fizerem, não serão aceitos no emprego, ou então ganharão menos", lamenta Marcílio da Silva, liderança da etnia atikun e estudante de engenharia. "Garanto que, se tivesse recurso na aldeia, não tinha nenhum índio morando em São Paulo". (Fonte: www.reporterbrasil.org.br/exibe.php/id=993 “Agenda Indígena paulistana quer tirar povos da invisibilidade” Beatriz Camargo)

     Professor peça aos alunos que se reúnam em grupos e analisem os documentos apresentados, não esquecendo de os relacionar com tudo o que aprenderam até agora sobre o tema, após isso peça para que cada grupo exponha aos colegas a conclusão a que o grupo chegou.

 

Documento 11:

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(fonte:euricofotografia.blogs.com/2009/05/grupo-d...)

 

     Nas fotos vemos índios equatorianos se apresentando nas ruas de São Paulo.

     Professor a partir dos documentos apresentados inicie um debate com a classe acerca das condições de vida dos indígenas na cidade. Para auxiliar nas discussões sugerimos algumas perguntas a respeito dos documentos, mas o interessante é que você peça aos alunos para elaborarem as questões que auxiliaram no debate.

Documento 7: Por que os índios, que antes eram os donos das terras, precisaram pedir aos “brancos” que lhes concedessem terras? Por que só os índios que fossem “cristãos” poderiam ganhar terras, se antes da chegada dos europeus elas pertenciam a todos independentemente da religião?

Documento 8: Você sabia que havia tantos índios morando em São Paulo? Por que?

Documento 9: Por que os Pankararu tiveram que sair de suas terras? Por os Pankararu vivem em favelas?

Documento 10: Por que alguns índios não dizem que são índios? Por que para o índio que vive fora da aldeia é mais difícil manter suas tradições? Por que o índio ganha menos que o branco?

Documento 11: Por que os índios que aparecem na foto se vestem como os índios dos filmes norte-americanos? Por que os índios que aparecem na foto precisam se “fantasiar” de índios?

     _Você acha que os índios que vivem em São Paulo sofrem algum tipo de discriminação por parte da sociedade não-índia? Por que?

Atividades propostas para as aulas 7 e 8: Os índios da Aldeia Tekoa Pyau.

 

Documento 12:

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Mapa das terras indígenas em São Paulo. (fonte:http://www.funai.gov.br-mapa )

 

Documento 13:

     “De acordo com Márcia Martim, professora da Aldeia Tekoa Pyau, situada no Pico do Jaraguá, região metropolitana de São Paulo pertencente à etnia guarani Nhandeva8 os índios chegaram ao local em 1964, a primeira família foi a da Cacique Jandira, que hoje esta com quase 80 anos, mas que ainda tem força para lutar pela manutenção das tradições do seu povo. Quanto aos problemas enfrentados pelos índios que residem nas chamadas “aldeias urbanas” estão relacionados, sobretudo ao preconceito da sociedade não-indígena. Segundo relatou, os índios do Pico do Jaraguá estão em uma área muito pequena, o que altera significativamente os padrões de vida indígena, que acostumados a se organizarem em clãs familiares, situados a certa distancia um do outro, vivem espremidos entre várias outras famílias.

Outro problema se relaciona às práticas culturais; o artesanato guarani, por exemplo, necessita de vários tipos de madeira para sua confecção; mesmo estando próximos a uma área de mata, retiram dela apenas a taquara9, muitas madeiras precisam vir de fora, o que onera o custo do artesanato. Ainda do ponto de vista cultural, a aldeia sofre influência de vários grupos religiosos, que buscam converter os indígenas. Conseguir emprego não é tarefa fácil para o índio “mesmo que o índio não tenha as características físicas geralmente atribuídas a ele, quando se diz que mora na aldeia logo torcem a cara”. Apesar desses, entre outros problemas, os guaranis não desanimam e lutam por manter sua identidade e tradições, no momento negociam junto a CDHU a construção de moradias que melhor se aproximem do estilo arquitetônico guarani; lutam também para legalizarem suas terras, a maior parte do mísero espaço, menos de dois hectares, destinados a eles e que abrigam mais de cem famílias ainda está em processo de litígio. Ela lembra que essa área está fragmentada, cortada pelas rodovias Bandeirantes e Anhanguera; “dois amigos nossos” brinca seu padrasto. Mas enquanto aguardam a decisão do litígio movem uma ação na justiça para obter mais um pedaço de terra na mesma região, onde possam plantar e criar os filhos, “viver na cidade sem perder nossas características e ensinar as nossas crianças o valor de nossa cultura”.” (transcrição de entrevista realizada por Eva Aparecida dos Santos no dia 27 de junho de 2010).

 

Documento 14, galeria de fotos:

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8 Embora a entrevistada seja da etnia Guarani Nhandeva, a aldeia não é formada apenas por sub-grupos Nhandeva. 9 Muitas espécies são protegidas de plantas são protegidas por lei, e outras tradicionalmente utilizadas pelos guaranis não são encontradas nessa região.

 

Foto da entrada da aldeia (fonte: http:/www.znnalina.com.br/jaragua/imagens/tribo )

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Foto do CICI escola para as crianças até seis anos. (fonte: foto de Ricardo Santos Oleski)

 

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(fonte: http://farm4.static.flicker.com)

 

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Desenhos de crianças da aldeia (fonte: Ricardo Santos Oleski)

 

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Artesanato da aldeia exposto na aldeia. (fonte: http://convivenciaepaz.org.br )

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Artesanato da aldeia exposto em loja fora da aldeia. (fonte: http://www.iande.art.br/loja )

 

     Após a exibição dos documentos e imagens pede-se ao professor que discuta com os alunos as condições de vida dos indígenas da aldeia do Pico do Jaraguá, como é conhecida a aldeia Tekoa Pyau. Deixe que os alunos falem livremente sobre as impressões que tiveram e sobre o que aprenderam nessas aulas.

     Atividades propostas para aula 9: O que é ser índio?

    

     Professor nesta aula a sugestão é que peça aos alunos para ler novamente o documento de número 1, em seguida apresente a ele a charge que corresponde ao documento 15, após lerem e analisarem a charge peça a eles que respondam (novamente) o que significa ser um índio legitimo e se a sociedade não-índia também deveria preservar certos elementos culturais para não se descaracterizar. Para que o aprendizado dos alunos sobre a temática indígena seja mais aprofundado sugerimos que o professor peça um trabalho final onde os alunos devam pesquisar sobre qualquer grupo, ou individuo indígena que habita (habitou) a cidade tendo em vista todos os aspectos que possibilitam ou impossibilitam sua vivencia na cidade, os problemas e a superação dos mesmos, o modo com que esses grupos se articulam dentro de uma sociedade como a de São Paulo, as suas expectativas, etc. O importante, apesar da orientação do professor para os trabalhos é que os alunos possam abordar o assunto que desejarem.

 

Documento 15:

(charge: Fradim/ Índio10).

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10 - Macedo, Ana Vera Lopes da Silva. Estratégias Pedagógicas: A Temática Indígena e o Trabalho em Sala de Aula. . In: Grupione, Luís Donizete Benzi ; Silva, Aracy Lopes da (org.). A Temática Indígena na Escola: novos subsídios para professores de 1º e2º grau. MEC/ MARI/ UNESCO, Brasília, 1995. pp.554-556.

 

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Bibliografia:

Macedo, Ana Vera Lopes da Silva. Estratégias Pedagógicas: A Temática Indígena e o Trabalho em Sala de Aula. In: Grupioni, Luís Donizete Benzi; Silva, Aracy Lopes da (org.) A temática indígena na Escola: novos subsídios para professores de 1º e 2º grau. MEC/MARI/UNESCO, Brasília, 1995. pp.554-556.

Monteiro, John Manuel de. Negros da Terra: índios e bandeirantes nas origens de São Paulo. São Paulo, Companhia das Letras, 1999. p.17.

Monteiro, John Manuel de. Dos Campos de Piratininga ao Morro da Saudade: a presença indígena na história de São Paulo. In: Porta, Paula. História da cidade de São Paulo: a cidade colonial. vol.1. São Paulo, Paz e Terra, 2004. p.21.

Oliveira, João Pacheco de. Muita terra para pouco índio? Uma introdução (crítica) ao indigenismo e à atualização do preconceito. In: Grupioni, Luís Donizete Benzi; Silva, Aracy Lopes da (org.) A temática indígena na Escola: novos subsídios para professores de 1º e 2º grau. MEC/MARI/UNESCO, Brasília, 1995. p.61.

Saint-Hilaire, Auguste de.Viagem à Província de São Paulo. Editora Itatiaia, Belo Horizonte/ Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1976. p.18.

 

Outras referências:

http://veja.abril.com.br/050510/farra-antropologia-p-154.shtml. www.ibge.gov.br/tendencia_demografica/indigenas http://pt.wikipedia.org/wiki/Terras_ind%3%Adgenas http://www.funai.gov.br/ultimas/revista http://reporterbrasil.org/exibe.php/id=993 euricofotografia.blogs.com/2009/05/grupo-d... http://www.funai.gov.br-mapa http://znnalina.com.br/jaragua/imagens/tribo http://farm4.static.flijer.com http://convivenciaepaz.org.br http://www;iande.art.br/loja

Agradeço a colaboração dos colegas de turma Ricardo Santos Oleski (fotos) e Maira Moraes de Carvalho pela colaboração.

AnexoTamanho
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