Música Caipira

Docente responsável: Maurício Cardoso
Aluno (a): Laerte Matias Fernandes, Thiago Alves de Oliveira, Conrado Barbosa Silva, Denis Anderson Costa, Ícaro dos Santos Mello, Fabio de Souza Jorge, Angélica Brito Silva e Thassia Ferreira Ramos
 

 

Caipira, sertanejo ou sertanista, não importa a nomenclatura usada ou o estereótipo aplicado, atualmente a visão que produzimos do morador do sertão sempre está ligada a imagens de antigos filmes, programas de televisão e gravuras do início do século XX. Provavelmente porque hoje em dia é cada vez mas difícil distinguir um morador do interior e um da metrópole a não ser por suas experiências vividas, afinal, com o grau de interação comunicativo da sociedade tudo se mescla e tende-se a perder a individualidade das culturas.

Renato Teixeira,um dos principais nomes na propagação do “espírito” caipira nas músicas (embora ele não seja do interior, sendo natural de Santos) em sua música Rapaz Caipira explicita muito bem a perda do caráter natural da música sertaneja, e crescente  influência de culturas externas principalmente a Estado-Unidense. Fora a perda de identidade destacada nesta música, um dos temas recorrentes na música caipira e mesmo nos filmes é o preconceito sofrido e a intolerância com os habitantes do sertão.

Mesmo tais temas sendo recorrentes a temática mais vista é a saudade, a nostalgia, seja a do sertanejo que vive na metrópole  e tem saudade de sua terra ou o sertanejo que tem saudade dos antigos tempos do sertão, recorrendo sempre à idéia de que tudo um dia foi mais agradável, organizado e correto. Mas esse tema não é exclusivo do cenário cultural caipira, é na verdade matéria-prima para a produção da cultura popular brasileira.

É certo que não nos devemos prender à idéia de que o tema da nostalgia seja o eixo principal da cultura sertaneja, quando na verdade ela se estende em um gigantesco leque de temas, tendo como base a simplicidade da vida caipira, mesmo sobre a conhecida imagem das dificuldade da vida no sertão. A música, a poesia e a pintura sertaneja, seja ela do sul, do sudeste ou nordeste não se limita localmente; tais tópicos não formam somente a cultura paulista, ou a mineira, a gaúcha, a goiana ou a nordestina, mais do que culturas locais elas são formadoras da cultura e da identidade brasileira e por mais que sua transmissão esteja comprometida sobra o fio de confiança naqueles que perpetuam a herança.

 

Rapaz Caipira, Renato Teixeira

 

Qui m'importa, qui m'importa

O seu preconceito qui m'importa

Você diz que eu sou muito esquisito

E eu às vezes sinto a sua ira

Mas na verdade assim é que eu fui feito

É só o jeito de um rapaz caipira

Qui m'importa, qui m'importa

O seu preconceito qui m'importa

Se você quer maiores aventuras

Vá pra cidade grande qualquer dia

Eu sou da terra e não creio em magia

É só o jeito de um rapaz caipira

Qui m'importa, qui m'importa

O seu preconceito qui m'importa

Se dá problema eu subo na picape

E no horizonte eu tiro a minha linha

Quando me acalmo é que eu volto pra casa

Esse é o jeito de um rapaz caipira

 

Com um suave toque de humor, Renato Teixeira através de acordes simples e ritmo suave, coloca junto a uma bela melodia uma bela letra que acima de tudo critica a visão da metrópole sobre o caipira e a deturpação que a crescente influência da música sertaneja de consumo, que por sua vez é influenciada pela música country dos Estados Unidos, provoca sobre a música caipira.

Em resumo, Renato Teixeira busca o retorno a música sertaneja de raiz, o que ele mesmo chama de música originalmente brasileira.