Filme: Jeca Tatu

Aluno (a): Laerte Matias Fernandes, Thiago Alves de Oliveira, Conrado Barbosa Silva, Denis Anderson Costa, Ícaro dos Santos Mello, Fabio de Souza Jorge, Angélica Brito Silva e Thassia Ferreira Ramos
Docente responsável: Maurício Cardoso

 

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Ficha Técnica

Gênero: comédia

Tempo de Duração: 95 min

Ano de Lançamento (Brasil): 1959

Direção: Milton Amaral

Mazzaropi em seu filme JECA TATU, de 1960, interpreta esse personagem que é ao mesmo tempo cômico e sofredor, transparecendo as dificuldades do campo e concretizando a imagem do caipira assim como a criada por Monteiro Lobato.

Jeca Tatu de Mazzaropi e de Monteiro Lobato (em sua primeira fase) se aproximam em praticamente todos os aspectos. Cômico em seu modo de agir, o Jeca representa o caipira, o camponês que vive com o mínimo necessário, segue um ritmo de trabalho, possui um linguajar, costumes alimentares e culturais específicos, não seguindo as imposições impelidas pelo avanço tecnológico e econômico dos grandes centros urbanos.

O filme transparece uma oposição central para a nossa análise, que é a do Jeca e o Senhor Giovanni, o fazendeiro italiano. Oposição interessante pelo fato de que o fazendeiro faz parte da economia, planta em grande escala direcionando sua produção aos grandes centros; e é um imigrante que veio suprir a falta de mão-de-obra após a abolição da escravatura e de acordo com Lobato ao ver o negro soltar o cabo da enxada... “o caboclo olha, coça a cabeça,’imagina e deixa que do velho mundo venha quem nele pegue de novo.”(Lobato, p167).

Assim como descrito por Lobato, Mazzaropi construiu seu personagem, já que, o Jeca não possui trabalhadores, tendo somente sua família como força de trabalho, além de ser preguiçoso ao extremo; o Jeca está sempre “ocupado e cansado”. Sujeito acanhado frente às situações adversas, demora para abrir a boca ou tomar qualquer atitude, na verdade, o Jeca tem muito medo de enfrentar os problemas.

Sua posição “natural” é ficar de cócoras, e é através dessa posição que o Jeca assiste aos acontecimentos políticos, sem demonstrar nenhum interesse .

No entanto, o Jeca, assim como está na propaganda do filme “Ele é preguiçoso, mas com bom coração, ele é JECA TATU”, mostra o outro lado do personagem; o lado explorado no filme dentro da trama que busca incriminar o Jeca e também expulsá-lo de suas terras. Trama que revela outra face da vida caipira e de fundamental importância para a manutenção do seu sistema de vida estou falando da vida em comunidade, bairro, vizinhanças.

Esse aspecto da vida caipira é revelado no momento que o Jeca perde tudo e os seus vizinhos, amigos, o auxiliam na reconstrução de sua vida. E nessa reconstrução vemos o papel do político, o qual refaz a vida do Jeca lhe cedendo casa e terras, fazendo com que o Jeca adquira meios mais civilizados para viver, esperando em contra partida os votos advindos do apoio desse representante do povo e bem querido da população local.

Enfim, esse personagem nos mostra bem a imagem que foi fixada no imaginário popular a respeito do caipira, sendo de forma muito extremada a representação de aspectos como a preguiça, ignorância, maus hábitos, etc. que sabemos não serem realmente dessa forma, mas sim adaptações ao meio em que vivem e que são tratadas pelos povos urbanos de forma equivocada.