Livro: Mortos e desaparecido políticos: reparação ou impunidade

 

 

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Autor: Janaína Teles Editora (São Paulo): Humanitas FFLCH/USP, 2001 Elaborado a partir da transcrição dos debates no seminário do mesmo nome, realizado em abril de 1997 na USP. O livro aborda as contradições do processo de implementação da Lei dos Desaparecidos e seus desdobramentos, reunindo artigos que contribuem para a reflexão sobre os mistérios de nossa história recente. Aqui apresentamos comentário de três artigos que compõe o livro e que nos serve para trabalhar a questão da Construção da Memória durante o período da ditadura militar no Brasil.

Lembrar para Esquecer

Autor: Ismail Xavier In: TELES, Janaína; Mortos e desaparecido políticos: reparação ou impunidade Autor: Janaína Teles Neste interessante texto de Ismail Xavier, teórico do cinema, temos uma análise sobre a presença e os efeitos da mídia enquanto construtora de memória (no caso a Rede Globo), através da perspectiva cinematográfica do Melodrama. A discussão de memória presente no artigo é bastante ampla, pois dialogando com o artigo de Maria Aparecida de Aquino presente no mesmo livro, aborda a questão do papel e do poder da Rede Globo e de grandes meios de comunicação na abordagem, na discussão e na escolha de artigos de memória, e como há um direcionamento nesses artigos, dependendo do que pretende o necessita a empresa. Para isso, Xavier perpassa a estrutura do melodrama para entender a forma de produção e articulação de memória desses meios enquanto apropriações de formas melodramáticas de linguagem, tornando o debate sobre a construção de memória da imprensa, e a sua própria construção enquanto autor do artigo, extremamente rica.

Um certo olhar

Autora: Maria Aparecido AQUINO In: TELES, Janaína; Mortos e desaparecido políticos: reparação ou impunidade A historiadora Maria Aparecida de Aquino focaliza a construção de memória da Rede Globo quanto ao regime militar brasileiro, procurando através de programas e minisséries da rede aspectos de posicionamento da emissora principalmente quanto a resistência no período. Com isso, a autora encontra uma postura de “esquecimento” do período, trazendo uma construção de memória ligada a absorção na democracia de ambas as partes da dicotomia da ditadura; e uma postura de sempre se colocar como a investigadora da verdade, causando legitimação enquanto formadora de conteúdo, se baseando na busca pela verdade no período militar. Ambas as formas inserem essa análise em um debate sobre construção de memória, não só que a imprensa faz sobe os eventos, mas faz sobre a si mesma, e sua postura de entreposto entre os fatos e a verdade.

O “desaparecimento forçado de pessoas na Argentina: uma política contra-revolucionária

Autor: Osvaldo Coggiola In: TELES, Janaína; Mortos e desaparecido políticos: reparação ou impunidade Sob uma perspectiva marxista de luta de classes, Osvaldo Coggiola neste artigo aborda a ditadura militar argentina observando suas bases e suas rupturas com o governo peronista; os movimentos grevistas ( que para o autor constituem as grandes faces da luta contra a ditadura); as articulações classistas que compõe o governo militar e a resistência a ele e a guerra das Malvinas. Interessante a reflexão de como o professor constrói uma memória ligada as sua convicções políticas, e principalmente através da luta de classes direciona o olhar na memória, perpassando articulações políticas e a questão da guerra das Malvinas. Interessante notar também que em seu artigo, Coggiola faz um paralelo com a situação Chilena, demonstrando a possibilidade de pensar comparativamente as diferentes experiências ditatoriais e militares na América do Sul, e como articuladas podem pertencer a um processo que torne a memória dos períodos mais próximas uma das outras.