História dos africanos no Brasil

• Aluno (a): Alunos da disciplina Ensino de História: Teoria e Prática, do 2o. semestre de 2008- FFLCH, História, USP
• Disciplina USP: Ensino de História - Teoria e Prática (FFLCH - HISTÓRIA - USP)
• Docente responsável: Prof. Antonia Terra
 

Proposta de confrontaçao historiográfica a partir de textos e imagens de livros didáticos sobre a questão dos africanos no Brasil.

 

 

A proposta aos alunos de graduação: tema, objetivo e material

 

A professora Antonia Terra propôs a seus alunos de graduação, no ano de 2008, que pensassem em uma sugestão de material didática para se estudar com os alunos a diversidade de explicações históricas e suas controvérsias, a partir da seguinte idéia de "controvérsia": "controvérsia é o antagonismo ou o conflito entre interpretações oferecidas por autores diferentes para um mesmo tema histórico"

 

O objetivo da proposta era debater com os alunos uma CONTROVÉRSIA HISTÓRICA, confrontando interpretações ou explicações distintas de um tema histórico presente em diferentes livros didáticos. O material utilizado seriam textos, imagens, tabelas e etc., encontrados em livros didáticos e relacionados a um tema histórico previamente escolhido pelo grupo de trabalho.

 

Sequência Didática

 

Tema histórico: História Africana

Textos e imagens para confrontação historiográfica: 1A

 

"O processo de destruição sócio-cultural do negro incia-se aí, para acenturar-se durante a adaptação ao trabalho, nos engenhos. O negro era arrancado à sua comunidade, à sua família, aos seus valores, ao seu espaço, mergulhado abruptamente nos trabalhos forçados, para sustentar uma sociedade que ele não entendia, que o desprezava e recusava-se a vê-lo como ser humano.

 

Seu sistema de crenças e valores era profundamente abalado, deixando-o muitas vezes em estado de absoluta apatia. "Chamava-se novo ou boçal o negro recém chegado da África, aturdido com o tipo de sociedade que encontrava aqui, incapaz de exprimir-se senão na sua língua natal e ainda distinguível pelas marcas tribais que trazia no rosto".

 

(Carneiro, Édison, "Ladinos e Crioulos", Civilização, Rio, 1964, epígrafe)

Antonio Mendes Jr. Brasil História: vol1, Colônia. São Paulo, 1976. Brasiliense, p.106.

 

1B J.B. Debret - início do século XIX.

 

J.B. Debret

 

1C

"A superioridade do elemento branco, fortalecido pela imigração, percebe-se através da lnta assimilação dos demais grupos que formam a população brasileira. Segundo estatísticas recentes, existem no Brasil 60% de brancos, 20% de mulatos, 10% de mamelucos, 8% de negros e 2% de indígenas." Antonio R. Rollo. História do Brasil e Geral. SP: Companhia Editorial Nacional, 1958.

 

2A

"Em geral, no entanto, os negros mostraram-se, desde o descobrimento, eficientes, ativos, afetivos e dedicados. A eles deve a vida econômica do Brasil uma colaboração valiosíssima. A colonização seria bem mais difícil não fôra esse auxílio, quer nos campos, quer nas oficinas, quer nas minas, quer nos serviços urbanos e domésticos. As mães pretas, nos lares brasileiros, foram de um desvêlo, de uma vigilância, de um sacrifício mesmo, incalculáveis. Até mesmo nas lutas, como combatente, o negro provou ser valente e decidido.

 

Quando se defendeu a colônia contra a invasão holandesa, eles pelejaram destemerosamente comandados por Henrique Dias que era também de cor preta. E nunca deixaram, depois, de se revelar bons soldados. Teve, portanto, várias faces a atuação do negro na obra de nossa construção nacional: eles plantaram os nossos primeiros canaviais e fabricaram os nosso promeiros açúcares; cultivaram os campos de algodão, de fumo, de milho e de café; extraíram o ouro das minas e acharam os diamantes.

 

Deram-nos a receita do vatapá, da canjica, da moqueca, do bobó, do acarajé, da pamonha, do anguzô; cantaram para que aprendessemos suas cantigas e dançaram as suas danças: lundus, candomblés, batuques, maracatus, e com essas toadas e passos familiarizaram-nos com o ganzá, a marinha, o atabaque, e outros instrumentos musicais do seu uso. Na nossa língua tornaram correntes e sonoras palavras como quitanda, cacimba, calunga, zabumba, mocambo, birimbau, maribondo, muxoxo, quiabo, quitute, samba e dezenas mais; nas nossas almas infiltraram muito de sua doçura, da sua bondade, da sua saudade, dando-nos um pouco desses sentimentos nos tratamentos de "Sinhá", de "IoIô", de "IaIázinha".

" Mário Sette. História do Brasil: 3a série. São Paulo: 1944. Ed. Melhoramentos. pp.73;75.

 

2B

Rugendas.

Imagem retirada do livro: Joelza Ester Rodrigues.

História em documento. Imagem e texto. SP: FTD, 2000.

 

Rugendas

2C

"De dia, enquanto os escravos adultos iam trabalhar, as crianças negras e brancas brincavam juntas e aprendiam com as amas negras as mesmas canções e histórias. À noite, as crianças negras iam para a senzala e ali conviviam com os escravos, compartilhando seus costumes, crenças, rituais religiosos e momentos de lazer. Ouviam o som da atabaques e acompanhavam os passos ligeiros da dança africana nos terreiros."

 

3A

"As msnifestações culturais coletivas também foram maneiras de expressar a rebeldia, preservando danças, rituais fetichistas africanos, a capoeira e amúsica. A feitiçaria é considerada, por alguns historiadores, como a dimensão mais agressiva desta resistência, pois os cativos, pressupondo deter o domínio do desconhecido, acreditavam poder controlar as atitudes de seus senhores e determinar sua morte. Feiticeiros e feiticeiras eram muito temidos, e alguns chegaram a causar enorme insegurança às populações locais nos núcleos urbanos coloniais e, particularmente, na Capitania de Minas Gerais, durante o século XVIII.

 

Da  mesma forma, os batuques causavam receio entre os brancos e as autoridades coloniais, ao crirem um clima de sobrenatural" (BOTELHO, Ângela Viana; REIS, Liana Maria. Dicionário Histórico Brasil: colônia e Império. Belo Horizonte: O Autor, 2001. p.153)

 

Adhemar Marques. Pelos caminhos da História - Ensino Médio - volume único. 1a ed. Curutiba: Positivo, 2006.

 

Questões problematizadoras:

 

1A: Segundo o autor, quais os elementos que caracterizam os africanos no Brasil?

1B: Identifique as semelhanças e diferenças entre as pessoas representadas nas imagens.

1C: Partindo do dado de que metade da população brasileira hoje é afro-descendente, qual é a intenção do autor em diminuir, naquele contexto, o número dessa população no total da população brasileira?

 

Geral

 

1: Quais as violências que os africanos sofriam na sua chegada ao Brasil?

2A: Como o autor descreve o papel e a participação do africano na construção da sociedade brasileira?

2B: Como o autor expressa a relação entre os africanos e a sociedade colonial brasileira na imagem?

2C: De acordo com o autor, quais as proximações e as distâncias entre as culturas brancas e negras?

3A: Segundo o autor, de que forma o africano expressava sua cultura diante de sua condição de escravizado?

 

Final:

Diante dos textos e das imagens, como e por que você compreende a presença da cultura africana no mundo em que você vive?