História Indígena

Disciplina USP: Ensino de História - Teoria e Prática (FFLCH - HISTÓRIA - USP)
Docente responsável: Prof. Antonia Terra
Aluno (a): Alunos da disciplina de Ensino de História: teoria e prática do 2o. semestre de 2008, FFLCH - História, USP.
 

 

 

Proposta de confrontação de pontos de vista sobre a história indígena, a partir de trechos e idéias de livros e materiais didáticos.

A proposta aos alunos de graduação: tema, objetivo e material

 

A professora Antonia Terra propôs a seus alunos de graduação, no ano de 2008, que pensassem em uma sugestão de material didática para se estudar com os alunos a diversidade de explicações históricas e suas controvérsias, a partir da seguinte idéia de "controvérsia": "controvérsia é o antagonismo ou o conflito entre interpretações oferecidas por autores diferentes para um mesmo tema histórico".

 

O objetivo da proposta era debater com os alunos uma CONTROVÉRSIA HISTÓRICA, confrontando interpretações ou explicações distintas de um tema histórico presente em diferentes livros didáticos. O material utilizado seriam textos, imagens, tabelas e etc., encontrados em livros didáticos e relacionados a um tema histórico previamente escolhido pelo grupo de trabalho.

 

 

O material produzido

Tema histórico:

 

História Indígena

 

Textos sugeridos para o confronto historiográfico:

Texto 1

- Oliveira Lima. História da Civilização. 1919.

"Para Oliveira Lima, História é o registro da vida do mundo civilizado. As gentes selvagens não têm história. Pré-história abrange o estudo anterior à organização social e à documentação política"

 

Texto 2

- Gilberto Cotrim. História e Consciência do Mundo. 1994

"O desenvolvimento da civilização - as grandes mudanças na sociedade, na economia e na técnica"

A partir da revolução neolítica, algumas sociedades, em várias regiões do mundo, sofreram grandes transformações culturais. O conjunto dessas transformações marcam um novo estágio do desenvolvimento humano conhecido como civilização. O estágio da civilização costuma ser assinalado pelos seguintes eventos:

- Aparecimento de classes sociais - surgem ricos e pobres, exploradores e explorados, senhores e escravos.

- Formação do Estado - organiza-se um governo que administra a sociedade e controla a força militar (exército).

- Divisão social do trabalho - divide-se cada vez mais a atividade dos membros da sociedade, surgindo trabalhadores especializados como metalúrgicos, ceramistas, barqueiros, vidraceiros, sacerdotes, comandantes militares etc.

- Aumento da produção econômica - com o desenvolvimento das técnicas agrícolas, da criação de animais e do artesanato, a produção econômica crece bastante. Além dos bens necessários ao consumo imediato, as sociedades começam a produzir excedentes, armazenando vários produtos para a troca comercial.

- Registros escritos - acompanhando o nascimento das primeiras cidades, desenvolvem-se a escrita, a numeração, os pesos e as medidas e o calendário.

 

Texto 3

- Raymundo Campos. História Geral. 1991 [Os antigos povos americanos...]

"Espalhando-se pelo continente americano, esses povos, que já pertenciam à espécie do Homo sapiens, tiveram diferente ritmos de desenvolvimento cultural: alguns permaceram no estágio Paleolítico, outros chegaram ao Neolítico. A passagem para a civilização foi realizada pelos que habitaram a Mesoamérica (México e América Central) e a região andina, que vai do Equador ao norte do Chile"

 

Texto 4

- Renato Mocellin e Rosiane de Camargo. Passaporte para a História, 2004.

"Do ponto de vista do europeu, a História do Brail começou com os "descobridores" portugueses, que "permitiram aos índios entrar para a história", pelo menos nos seus capítulos iniciais. De certa forma, é verdade, pois os nativos brasileiros raramente são estudados. Ainda são apresentados como os mesmo da época da chegada de Cabral ao nosso litoral, ignorando-se as mudanças ocorridas nos últimos quinhentos anos.

 

Vale lembrar que "índio" é um conceito criado pelos europeus. Quando Cristóvão Colombo chegou à América, pensou ter desembarcado nas Índias, daí ter chamado os nativos de índios. Do ponto de vista biológico, os indígenas brasileiros não constituíram (e não constituem) um todo homogêneo. Variavam em altura, cor de pele, corpulência, aspectos sociais, culturais etc.

 

Os "índios" brasileiros falavam (e ainda falam) os mais diversos idiomas. O tupi, por ser falado pelas tribos litorâneas que primeiros entraram em contao com os portugueses foi elevado, pelos missionários cristãos, à condição de "língua geral"".

 

Texto 5

- Circe Bittencourt e Maria Eliza Ladeira. A Hsitória do Povo Terena, 2000.

 

Linha do tempo

 

Texto 6

- Luiz Donisete Benzi Grupioni. MEC. Cadernos da Tv Escola. Índios no Brasil 1. 2001.

"Basicamente, as informações apresentadas na maioria dos livros didáticos foram produzidas nos primeiros séculos da colonização por cronistas, viajantes e missionários (ver Rocha, 1984, p29) Outra falácia consiste em encarar os índios sob um paradigma evolucionista: eles fariam parte de uma 'comunidade primitiva', representante da origem da humanidade, em uma escala temporal dentro da qual a sociedade européia estaria no ápice do desenvolvimento humano.

 

Ao  entrar em contato com informações desse tipo, os alunos podem ser levados a ver as sociedades indígenas como algo do passado e, além do mais, como povos inferiores. Os manuais didáticos operam com a noção de um índio "genérico", ignorando a diversidade que sempre existiu entre os inúmeros grupos"

 

Questões problematizadoras:

 

Texto 1:

Para o autor, quem possui história? E quem seriam os selvagens?

 

Texto 2:

Segundo o autor, quais as caracterísiticas de um povo civilizado?

 

Texto 3:

Por que os povos que não habitavam a Mesoamérica não tinham história?

 

Texto 4:

Por que do ponto de vista europeu a História do Brasil começou com os portugueses?

 

Texto 5:

Quais histórias são contadas na linha do tempo? Quais as diferenças e semelhanças entre elas?

 

Texto 6:

Qual a afirmação do autor? Comente-a considerando os textos anteriores.

 

Fechamento:

Escreva um texto defendendo o argumento de que todos os povos possuem história.