On the Road, um Contra-Destino Manifesto

• Aluno (a): Fernando Augusto Fileno 

 

 

Análise do livro On the Road de Jack Kerouac sob a perspectiva do tema: Rebeldia e Juventude.

"... estamos perdendo tempo neste ostracismo, temos que pegar a estrada agora... Isso mesmo, estamos prontos pra partir?"

 

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Jack Kerouac, Geração Beat

Livro: On the Road

Autor: Jack Kerouac

Ano: 1957

 

Beat significa beatífico ou pelo menos era como Jack Kerouac gostaria que o termo fosse encarado, pois foi exatamente das palavras deste escritor e de um grupo de poetas, prosadores e artistas da década de 50 que a Beat Generation foi fundada. Não se trata apenas de um punhado de pequenos talentos ansiosos por viverem a seu modo de suas obras, falamos da corporificação de um espírito elevado surgido do pós guerra, insatisfeitos com o lar e a sociedade que os comprimiam, compenetrados em uma busca que lhes dariam uma nova fé.

 

Citando o próprio Jack Kerouac, John Clellon Holmes frisaria que o principal objetivo dessa procura era de ordem espiritual.[1]

 

A intenção deste artigo, entretanto, não é se perder no jogo intrincado da filosofia deste movimento de contra-cultura que conheceu o seu declínio nos anos 60, mas antes entendê-lo como reação a sociedade que o engendrou. O fim da Segunda Guerra Mundial deu início a uma era de grande prosperidade para a nação mais poderosa do mundo, um terreno fértil que germinou o “american way of life” baseado no consumo em massa, convívio urbano e principalmente valores tradicionalistas.

 

Foi então, neste ambiente de conservadorismo e conformismo que a Geração Beat nasceu. Dentro desta perspectiva de circunscrição de origens, devemos entender também o perfil do americano moderno como resultado de um processo histórico que tem seu marco fundamental na aventura dos pioneiros do Oeste, marcado na narrativa do passado norte-americano como o episódio que ficou conhecido como o Destino Manifesto. Da mesma forma que acreditamos que o espírito da civilização norte-americana foi moldado através deste ímpeto desbravador, pensamos que as viagens empreendidas pelos profetas da cultura Beat não eram orientadas apenas pelo impulso estradeiro – tinham antes uma razão mais particular que envolvia uma necessidade de renovação interior – era o que Kerouac queria mostrar quando pintou sua obra máxima, On the Road, com filosofia, reflexão, epifanias, revelações suscitadas pelas pequenas coisas e incidentes estranhos como explica Cláudio Willer, um dos estudiosos no Brasil sobre o assunto. [2]

 

Logo, colocamos seu livro mais conhecido, compilação das própria experiências do escritor em suas viagens no mesmo patamar de significação que teve o Destino Manifesto para sociedade americana, no caso, On the Road para uma geração.

 

Beats e Jack Kerouac

 

Jean-Louis Lebris de Jack Kerouac nasceu em 12 de março de 1922 em Lowell, Massachussetts; de origem franco-canadense, tinha um avô que teria migrado da região de Quebec para os Estados Unidos no final do século XIX. Da creditada origem nobiliárquica de sua família a proletarização nos EUA, Jack Kerouac teria uma vida de inconstâncias, seu pai, Leo, tinha uma gráfica e sua mãe, Gabrielle, teria mais tarde que trabalhar em uma fábrica de sapatos para ajudar no orçamento da família.

Da infância em Lowell, teve na adolescência o despertar de duas grandes vocações: o esporte e a escrita. A insistência no rugby teve vida curta, somente enquanto estudou com bolsa em Columbia, quanto às qualidades literárias só lhe fariam conhecido posteriormente. Kerouac tinha “planos grandiosos de uma vida inteira escrevendo sobre o que via com os próprios olhos e com suas próprias palavras”, desejo íntimo que nunca fora respeitado por seu pai que sempre pensou no seu filho como um desocupado.[3]

Desacostumado a se estabelecer no mesmo lugar por muito tempo, Kerouac esteve em constante mudanças, tendo até uma curta passagem pela Marinha Mercante; seu rumo só daria uma guinada quando travaria conhecimento com alguns dos seus grandes amigos; Neal Cassady, William Burroughs, Allen Ginsberg e outras peças de um conjunto variado que lhe cederiam influência. Seria inclusive juntos, que Ginsberg e Kerouac decidiriam se tornar grandes escritores. Novos amigos e novas experiências – nesta fase de sua existência que Kerouac seria apresentado às drogas, seria a benzedrina, narcótico ao qual ele nunca pararia de usar, que lhe faria mais forte, mais confiante, mais orgulhoso e lhe permitiria “ir tão longe a ponto de experimentar verdadeiras visões e enfrentar medos reais.”[4]

Outro do tantos motivos que Kerouac ofereceria para o desgosto do seus pais, para eles, os responsáveis por essas atitudes delinqüentes só poderiam ser as novas companhias de seu filho.

 

On the Road, obra máxima

A carreira de escritor de Kerouac só seria reconhecida em 1957 com a publicação de On the Road – pé na estrada, escrito de maneira compulsiva em 1951, ele trataria do ciclo de viagens realizadas por Kerouac, no livro representado por Sal Paradise, entre 1947 e 1950, roteiros que teriam como grande inspiração Neal Cassady, apresentado no livro como Dean Moriarty a quem Kerouac deveria uma paixão platônica. Trazendo um estilo nunca lido antes, motivaria uma turba de jovens que veriam na estrada um destino certo para o que ambicionavam buscar, um fim que talvez não tivesse conclusão. Era o que os fazia acreditar quando liam passagens que denotavam uma eterna procura: “Estávamos maravilhados, deixávamos a confusão e o absurdo para trás, e executávamos a única função nobre de nossa época: manter-se em movimento. E nos movíamos!”.[5]

On the Road foi escrito originalmente na ritmo do jazz, boêmio por natureza Kerouac encontrava nos solos de trompete de Miles Davis e Charlie Parker a cadência que expressava nas suas obras. Da frequentação às jam-sessions de bebop do Minton’s e do Apollo Theater “nasceu a idéia da equivalência literária, a prosódia bop.”[6]

Os profetas da Beat Generation se reuniam em torno do circulo de amizades de Kerouac, mesmo a expressão teria sido fruto de uma conversa entre Kerouac e Holmes que teriam discutido a natureza das gerações. A paternidade da palavra Beat remeteria a uma origem mais difusa aludindo tanto à batida do jazz como à exclamação “Man, I am beat” (cara, estou batido). Muitos foram os que compuseram esse círculo, mas devemos reconhecer antes os que estavam do lado de Kerouac: Allen Ginsberg, o mito Neal Cassady, William Burroughs, Herbert Huncke, John Clellon Holmes.

Posteriormente se juntaram ao grupo Carl Solomon, Philip Lamantia em 1948, Gregory Corso em 1950 e Lawrence Ferlinghetti e Peter Orlovsky em 1954. A literatura não foi o único vetor de expressão do movimento beat, apreciavam-se suas cores também no cinema e fotografia com Robert Frank e Alfred Leslie, na música através de David Amram e na pintura pelos traços de Larry Rivers. Todos comprometidos com a produção de algo novo, desvinculado dos cânones artísticos tradicionais, eram homens da década de 50, presenciadores dos “horrores da 2º Guerra Mundial, o genocídio de Hitler, mas principalmente, como para o conjunto dos americanos, a capacidade destruidora da bomba atômica, que teria legado a uma parcela da geração de jovens do Pós-guerra uma profunda sensação de pessimismo em relação à cultura ocidental”.[7]

 

Ambiente formativo

Começamos a esboçar então, o aspecto nauseante do útero que geraria a geração dos beats, homens que sentiriam obrigados a virar as costas à cultura artificial que invadia as casas das clássicas famílias americanas pela tela da televisão e outros meios afins que viriam com o arranque do desenvolvimento de novas tecnologias. Era a mídia de massa estimulando o consumo exacerbado. Como atenta Max Lerner, esse dinamismo surgiu na nova classe média dos EUA como “conseqüência dos modernos sistemas de produção em massa e da especialização, novas rotinas de organização, novas técnicas de venda e publicidade e da grande distribuição.”[8]

Seria então contra essa falsa prosperidade que a Beat Generation se oporia, não compartilhavam e muito menos aspiravam aos valores sociais e culturais do capitalismo americano figurado no modelo das famílias nucleares seguras e confortáveis. A formação religiosa de Kerouac advinda de sua mãe, uma católica fervorosa, foi provavelmente a única herança que seus pais lhe deixaram, dessa bagagem ele concluiu que sua missão na Terra além de escrever seria a satisfação do seu sentido de fé. No romance que tornou famoso o seu eu-personagem, por vezes ele aparece confuso e absorto, como cutuca Dean Moriarty na passagem: “- Há anos desconfio dessa sua vontade de ter um lar, uma casa, todos esses anseios fascinantes da sua alma.”[9]

Devemos nos prender então, a percepção da carência que esta geração tinha por certezas em uma sociedade aonde reinava a insegurança – era a crise moral que assolava o Estado americano – ou pelo menos como queriam fazer crer os agentes sociais portadores dos códigos morais vigentes, que viam os sintomas desta crise em qualquer questionamento ou ato de rebeldia. Esse pânico que prenunciava as crises sociais era exemplificado no controle e cuidados que eram exercido sobre os jovens.[10]

 

Matriz cultural ou uma das

Dentro deste quadro sócio-cultural, seria interessante ainda identificar a matriz moral ou pelo menos uma delas, contribuintes deste escudo de valores aos quais os Beats resistiam, falo como já indicado anteriormente, do Destino Manifesto. Mais do que uma doutrina, o discurso difundido pelo governo e pela mídia americana do século XIX revelavam uma justificativa para a expansão territorial ao Oeste. Quadro que propagaria a fama dos Estados Unidos da América como potentado do governo Imperialista por excelência. Impulso mobilizador, o Destino Manifesto fomentou a construção da nação que emergia embasada na aventura de conquista da última fronteira. Como enfatiza Frederick J. Turner em seu famoso ensaio, The Significance of the Frontier in American History: “This perennial rebirth, this fluidity of American life, this expansion westward with is new opportunities, its continuous touch with the simplicity of primitive society, furnish the forces dominating American character.”[11]

Logo, Turner, precursor de uma nova escola historiográfica, confirmaria a tradição que via neste evento de cunho quase mitológico para a sociedade, como um traço definidor do espírito do povo americano. O Oeste aparecia então para o imaginário americano não apenas como um lugar desconhecido, mas também como entidade. A última fronteira, depois de atingida, daria a ratificação da revelação que teria colocado os norte-americanos como o povo eleito na terra. Esvaziado de seu conteúdo histórico, este ardor por novas experiências avistadas no longínquo e desconhecido Oeste expulsaria jovens de suas casas em todo o leste, espelhados nos antigos pioneiros eles partiriam sem olhar para trás. Era como Kerouac pensava quando uniu dois dos aspectos mais marcantes da tradição literária americana, a estrada e o oeste, para escrever: “...uma vibrante explosão de alegria americana, era o oeste, o vento do oeste, um cântico às planícies, algo novo, há muito profetizado, vindo de longe.”[12]

 

Questão Etária

Começamos assim, a nos aproximar do problema posto em questão, o do jovem no olho do furacão. A turba de pequenos descontentes – frutos de uma decadência moral ou não – foram atacados como um cancro social que precisava ser vigiado e expurgado, como destacou Luisa Passerini, “os jovens eram percebidos como indivíduos perigosos para a sociedade e para si próprio e, ao mesmo tempo, necessitando de ajuda de particulares” 13, ficaria assim explicitado a razão pela qual o investimento do governo, no período, em intervenções que criariam reformatórios de reabilitação, comitês especializados e agências governamentais para estudo e discussão do problema dos jovens.

Assistimos desde já, o amadurecimento de tensões dentro de uma sociedade que já era imersa em profundas contradições (como qualquer regime capitalista); “ao reclamarem novos valores, os jovens estavam abrindo caminho para o advento da juventude como um grupo socialmente distinto, que mostrava uma coesão acentuada, e um auto-reconhecimento de uma comunidade dividindo uma identidade e interesses em comum.”[14]

O termo teenagers, cunhado na época, especificava um grupo social que se constituiu a parte, livres dos valores e laços tradicionais, eles se projetaram ou enveredaram por caminhos que a sociedade nunca reconheceu como legítimos. O próprio ambiente social no qual circulavam era formado principalmente por seus pares, a influência que os adultos poderiam oferecer, logo, era superficial, ou antes, significariam ecos de uma moderação repressora. No livro On the Road, Kerouac adjetiva os adolescentes como frenéticos, vibrantes, revoltos, excitados; qualidades que produziriam uma subcultura adolescente incompatível com o projeto que seus pais poderiam anteriormente ter pensado.

O comportamento impulsivo e delinqüente dos jovens na época repercutiu em variados setores da mídia, foi material para o cinema como nos filmes Rebel without a cause de 1955 e The Wild One de 1953, além de causa para grande preocupação dos setores conservadores. Em uma nação já atormentada com a ameaça atômica, o “teenager parecia ter substituído o comunista como controvérsia pública e de previsão sobre o futuro da sociedade.” [15]O próprio Burroughs chega a comentar, em um depoimento, que o movimento era mais ameaçador do que o próprio comunismo.[16]É por esta perspectiva que o movimento beat deve ser analisado, somente por este prisma poderemos entender a reação da sociedade americana ao contramundo que os Beats tentavam erguer.

 

Oposição Juvenil

O movimento beat fora depositário de atitudes, visões, expressões artísticas que influenciariam a contracultura dos anos 60, para muitos ele apareceria como uma origem certa. Essa subcultura contestadora transformaria o radicalismo em estilo de vida, o conformismo de seus pais e o estado que Paul Goodman identificou como “a doença do nada para fazer” [17]seria substituído pela oposição juvenil. “Pois o que unia esses jovens como uma geração, o que faziam muitos deles Beats era também o duplo movimento de não apenas considerar o sistema de valores sociais da sociedade americana e seus ideais falidos, mas de buscar seus próprios valores e seus próprios ideais.”[18]

Não era de estranhar, portanto, o desconforto dos olhos dos adultos da classe média e a mídia moralizante ao enxergar a nova marcha para o Oeste. Fato deste temperamento foi o termo assumido pela mídia para aludir os meninos desta geração, os Beatniks, expressão pejorativa, irônica. Fusão com Sputinik, o satélite russo, referir-se-ia ao fenômeno coletivo, a adoção que se tornou generalizada dos jovens que se vestiam e agiam como os Beats. Jack Kerouac referia a si mesmo como o “rei dos Beats”, não gostava da desvalorização que a palavra Beatnik carregava.

Dizia que somente ele entendia o significado de Beat, em sucessivas entrevistas tentava negar o estigma de que a geração beat era arruaceira, bagunceira, violenta, indiferente ou desenraizada, entretanto jamais conseguiria uma definição que satisfizesse todo o sentido desta geração como narra Ann Charters.[19] Em On the Road, demonstrava toda sinceridade que um amante jovem poderia ter, a pretensão de abandonar os caminhos centrais da vida americana era tão ardente como a sede que uma caminhada pelo deserto do Arizona fomentaria, voltar as costas para as tensões da civilização não era um desejo unicamente dele. Amparando-se sobre o artigo escrito por Marcos A. Leitão de Almeida seremos capazes de visualizar a dor de cabeça gerada pela agitação que os jovens traziam às ruas, resgatando depoimentos, divulgados em grandes veículos de comunicação da época, como os do ex-presidente Herbert Hoover, e do Reverendo Dr. Billy Graham que bradaram contra a corrupção da moral e dos costumes que seria transmitida através das “toxinas da vida moderna”, inclusive o último, reverenciando o desafio que foi o do Destino Manifesto de espalhar “os sonhos americanos e ideais para o mundo” e que deveria, por isso, ser retomado.[20]

Fica claro então, como estes valores pioneiros e fundadores foram essenciais para a cristalização do caldeirão de cultura tradicional americana, além de prestarem serviço até hoje, aos paladinos guardiões dos bons costumes. Outro dado que não pode ser relevado é a persistência que o discurso do Destino Manifesto tem na história do EUA ou de como ele nunca pode ser menosprezado quando o que se pretende é penetrar na mentalidade do povo norte-americano.

A aventura do Oeste encetada no século XIX pelos primeiros homens que cruzaram os Apalaches, na conquista de novas terras e na domesticação do desconhecido, provocou na última fronteira o choque entre a civilização e a barbárie. Esse primeiro contato foi seguido pela imposição de uma cultura considerada superior e na maioria dos casos pela supressão de outra, inferior. Esse espírito que depois seria mergulhado em tantas outras mãos de verniz para enfim ilustrar os “ideais e sonhos americanos” deve ser destacado como antagônico aos princípios que guiaram Kerouac pela Rota 6 que “conduziria diretamente à Califórnia, que era a trilha dos pioneiros americanos cem anos antes. Como aventureiros colonizadores americanos que tinham seguido antes dele.”[21]

As relações que seriam criadas então, deveriam ser forjadas sobre as bases da reciprocidade e da liberdade, não haveria confronto, mas apenas confraternização. Porta vozes de uma geração, os escritores Beats estimularam no coração dos jovens o abandono da vida de padrões regrados, a descoberta do êxtase que as drogas forneciam, a liberdade sexual; estas seriam as formas exteriores das quais o movimento lançaria mão para se irradiar, internamente o desenvolvimento encaminharia para aquisição de uma nova fé, algo para acreditar, seguindo uma estrada que talvez não tivesse fim. Esses preceitos, expressados de tantas maneiras, ecoariam em vozes que até hoje podem ser ouvidas. O trabalho realizado por Theodore Roszak sobre contracultura nos permite definir contra o que a oposição juvenil levantava-se ou para quem os Beats viravam as costas, para ele o alvo estaria na “sociedade tecnocrática”.

A tecnocracia que já estaria em estágio avançado na América seria definida pelo autor como “forma social em que uma sociedade industrial alcança o auge da sua integração organizacional. É o ideal que geralmente se tem em mente ao falar de modernização, atualização, racionalização e planejamento”[22] cujo “primeiro objetivo é manter uma rotação eficiente do aparelho de produção.”[23] É nesse meio que os adultos, após fustigados pelo açoite que as décadas de depressão e guerra vergaram, acomodar-se-iam sob a sombra fresca da segurança próspera, dessa forma, abstendo-se do controle sobre as instituições que os governavam.

Seriam então, os jovens quem rogariam para si o papel de ação ativa. A geração que sucederia a dos conformados e confortados encarregar-se-ia da função de oposição radical efetiva, levantando não somente a bandeira da crítica, mas também da criação. “É ao nível da juventude que a crítica social importante procura agora uma audiência responsiva à medida que se vai disseminando a expectativa comum de serem os jovens a agir, a provocar os acontecimentos, a assumir os riscos, a condimentar as coisas.”[24]

 

Conclusão

Concluímos à vista disso, que a Beat Generation para além de um movimento contracultural, impulsionado por um círculo definido de escritores, apareceu como uma das balizas às hordas de teenagers vagantes com tendência a revelia. Dentro deste grande tornado que alvoroçou diversos setores da sociedade americana conservadora, exatamente por eles se colocarem como bastiões do discurso coercivo do patrimônio moral que a sociedade carregava desde seus tempos formativos, podem-se divisar os pontos de tensões que colocaram contra si pais e filhos ou o radicalismo versus o conformismo. A sociedade norte-americana viu o seu sistema de valores ruir em favor da oposição juvenil que procurava por novas experiências e uma nova verdade para crer e eram das páginas de On the Road que eles encontrariam um vetor de expressão da rebeldia que lhes era inerente dada as circunstâncias histórico-culturais e inata em função da condição pueril que mantinham. Por fim, gostaríamos de finalizar com os anseios exprimidos por Roszak na introdução de seu livro: “para além destes jovens inconformistas e seus herdeiros das próximas gerações, não faço a menor idéia onde se poderá descobrir o descontentamento e inovações radicais suscetíveis de transformar esta civilização desorientada em algo a que um ser humano possa dar a designação de lar.”[25]

 

 

  • [1]HOLMES, John Clellon Holmes, “A Filosofia da Geração Beat”, in: Krim Seymor, Geração Beat. São Paulo, Brasiliense, p.15-29.
  • [2]WILLER, Claudio, Geração Beat. Porto Alegre, L&PM pocket, 2009, p. 80.
  • [3]CHARTERS, Ann, Kerouac: uma biografia. Rio de Janeiro, Campus, 1990, p. 29.
  • [4]Ibid. p. 45.
  • [5]KEROUAC, Jack, On the Road – pé na estrada. Rio de Janeiro, Ediouro, p. 145.
  • [6]WILLER, Claudio, Geração Beat. Porto Alegre, L&PM pocket, 2009, p. 40.
  • [8] LERNER, Max, Civilização Norte-americana. Rio de Janeiro, Editora Fundo de Cultura, vol.3, 1960, p. 43
  • [9]KEROUAC, Jack, On the Road – pé na estrada. Rio de Janeiro, Ediouro, p. 127.
  • [10]LERNER, Max, Civilização Norte-americana. Rio de Janeiro, Editora Fundo de Cultura, vol.3, 1960, p. 267.
  • [11]TURNER, Frederick J., The Frontier in American History. Tucson, The University of Arizona Press, 1992, p. 03.
  • [12]KEROUAC, Jack, On the Road – pé na estrada. Rio de Janeiro, Ediouro, p. 13.
  • [13]PASSERINI, Luisa, “A juventude como metáfora da mudaça social: dois debates”. IN: SCHIMMIT, Jean-Claude, LEVI, Giovanni (org.) História dos Jovens. vol. 2, Rio de Janeiro, Cia das Letras, 1995, p. 352-374.
  • [14]Ibid. p. 352-374.
  • [15]Ibid. p. 352-374.
  • [17]Citado em ROSZAK, Theodore, Para uma contracultura. Lisboa, Dom Quixote, 1971, p. 40.
  • [19]CHARTERS, Ann, Kerouac: uma biografia. Rio de Janeiro, Campus, 1990, p. 260.
  • [21]CHARTERS, Ann, Kerouac: uma biografia. Rio de Janeiro, Campus, 1990, p. 63.
  • [22]ROSZAK, Theodore, Para uma contracultura. Lisboa, Dom Quixote, 1971, p.22.
  • [23]Ibid. p. 24.
  • [24]Ibid. p. 17.
  • [25]Ibid. p. 13.