Livro: Juventude Hitlerista

• Aluno (a): Fabiana Marchetti 

 

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Análise do livro A Juventude Hitlerista, como fonte para o desenvolvimento da questão relacionada a propaganda nazista, sob o prisma do tema: Rebeldia e Juventude.

 

Autora: Susan Campbell Bartoletti

Editora: Relume Sumará, Rio de Janeiro

Lançamento: 2006

 

O Significado dos Núcleos da Juventude Hitlerista na vida dos Jovens alemães” Adolf Hitler sempre foi consciente da necessidade de conquistar os jovens na construção de uma nova Alemanha. Para cativá-los e propagar sua ideologia o líder e o Partido Nazista usaram de muitas ferramentas, estando entre elas a formação de núcleos liderados e freqüentados por jovens: a Juventude Hitlerista. Com a finalidade de pregar a ideologia do Nacional Socialismo, seus frequentadores realizavam atividades, as quais envolviam uma disciplina militar e estimulavam maneiras de pensar e agir que os formassem dentro dos critérios nazista de bons alemães.

Este livro coloca lado a lado alemães que participaram da Hitlerjugend (Juventude Hitlerista em alemão) por motivos diferentes, proporcionando-nos um olhar prismático sobre o significado da atuação destas milícias no dia-a-dia e na atuação política dos rapazes e moças da Alemanha nesse período. Uns foram até as últimas conseqüências em nome da lealdade, outros se arrependeram ao entender o que realmente se passava dentro dos grupos ou se irritaram com o excesso de disciplina imposta pelos líderes.

Assim se faz necessário entender por que, como e quando entraram, permaneceram ou sairam desses grupos? A Juventude Hitlerista propriamente dita só podia ser integrada por jovens dos 14 aos 18 anos, antes disso havia outros níveis de formação: Pimpf e Jovem Camarada. Após os 18 anos, havia os grupos de Cooperação para o Trabalho. Para as mulheres também havia uma estrutura dividida por faixa etária: Jovens Donzelas (10 aos 14) e Liga das Moças Alemãs (14 aos 21). Esse conjunto de classes juvenis possuía, ao fim, a mesma finalidade e utilizava recursos muito semelhantes para treinar e doutrinar seus jovens.

Contudo, é preciso ter em mente que essa estrutura desarticulava ou mascarava a verdadeira função desses núcleos na sociedade alemã, pois a consciência de que participavam de uma célula política do partido de Hitler não estava presente nos garotos e garotas desde os seis anos de idade. A Juventude Hitlerista era, para muitos deles, um ambiente de convívio social onde estavam todos os amigos, praticando esportes, disciplinando-se, acampando, etc.

A atividade política consciente só se dava de fato quando já estavam mais velhos e envolvidos pela ideologia que os doutrinara desde pequenos. Assim a rebeldia e a presença de ideais característicos da juventude já eram moldadas antes mesmo de surgirem ou de amadurecerem. É claro que admiradores dos desfiles militares, dos discursos inflamados do Füher, repletos da vontade de reerguer seu país, não faltavam para dar vida a esses núcleos de maneira consciente.

Alguns dos relatos do livro transparecem bem que a vontade de mudar a realidade dura da Alemanha era um fato, porém ao mesmo tempo os jovens não sabiam exatamente como fazer isso e se colocavam ao lado da ideologia propagada intensamente em todos os lugares através da organização e de slogans os quais privilegiavam o resgate da figura da autoridade, que seria capaz de liderar as ações modificadoras. Uma vez integrantes da Juventude Hitlerista, os que não desistiam numa súbita tomada de consciência ou por outros motivos mais simples, os jovens passavam a crer ainda mais no seu poder de mudar aquela realidade através de um caminho único: as diretrizes do Partido Nazista ditadas pelo Füher.

Diante deste quadro deve-se pensar que estes jovens sentiam-se donos de uma rebeldia que não era compreendida por todos, pois as ações e ideais de Hitler eram vistos com desconfiança por muitos pais e mães, mas não refletiam o porque desta incompreensão. Muitas vezes os próprios jovens desconfiavam da necessidade de excluir e prejudicar seus amigos judeus, mas tratavam logo de parar de pensar e começavam a agir conforme havia sido determinado.