Filme: A Outra História Americana

• Aluno (a): Alec Ichiro Ito, Caroline Gusman Anelli, Débora Machado Visini, Iris Czeresnia Kochen, José Augusto Romano Manhani, Laís Cardoso de Andrade, Luciana Saab e Michele Virgilio Aquino Dias. 

 

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Análise do filme A outra história americana, inserido dentro do movimento skinhead, sob o prisma do tema: Rebeldia e Juventude.

 

Ficha Técnica

Nome Original: American History X

Gênero: Drama

Duração: 118 min

País de origem: EUA

Ano de lançamento: 1998

Diretção: Tony Kaye

 

O filme retrata o subúrbio de uma cidade norte americana, que tem parte de sua população composta por negros e imigrantes, dentro desse contexto estão inseridos os irmãos Danny (Edward Furlong), o mais novo, e Derek (Edward Norton) que cumpri pena por matar dois negros, com o emprego de flashbacks, o cárcere guia o filme como uma linha condutora.

O início da trama acontece quando Danny entrega uma resenha ao professor do livro Mein Kampf, escrito por Adolf Hitler, que o leva a coordenação para conversar com o diretor da escola, um homem negro que  conhece os problemas da família de Danny por já ter lidado com o irmão Derek, quando mais novo. O diretor propõe ao garoto um novo trabalho, com o nome de “American History X”, cujo principal objetivo era desvendar o mundo neonazista que permeia a vida dos irmãos.

Derek, que é um verdadeiro herói para Danny, é o líder do movimento que controla o bairro e tem muitos seguidores, após cumprir três anos de pena volta para casa reformado e com o objetivo de tirar o seu irmão desse mundo racista, as vésperas do caçula se tornar o principal da gangue.

As cenas em que Derek está na prisão se entrelaçam com as cenas da vida de Danny e suas lembranças da época de glória do movimento skinhead que seu irmão encabeçava. Derek começa a se despir de preconceitos quando é hostilizado por neonazistas companheiros de cárcere e se aproxima de um negro companheiro de trabalho, nesse meio ele percebe que muito antes de conhecer o discurso de Adolf Hitler, dentro de sua casa seu pai, um bombeiro de família exemplar, já aderia ao racismo de forma plena e quando este fora assassinado por negros, uma válvula de escape ativou o ódio, que só se apurou com a ausência da figura paterna na adolescência.

A percepção de que o seu irmão estava sendo enterrado na cova em que Derek cavou faz com que ele use todo o seu poder de persuasão e fraternidade para tentar tirar o irmão de um caminho sem volta.

Do ponto de vista crítico o filme tem alguns pontos negativos, ele marca insistentemente que os jovens skinheads são recrutados em arruaceiros e pessoas problemáticas para esvaziar uma ideologia do “poder branco” proveniente de pessoas mais velhas, portanto os skinheads são apenas rebeldes baderneiros que se apegam a uma ideologia vã, quando na verdade sabemos que existe muito mais envolta do problema, como o isolamento social e a falta de oportunidade e perspectiva de vida que leva os jovens das classes mais baixas a atacarem pessoas que são fracas e tem menos do que eles, os estrangeiros e negros.

O racismo é um assunto que poderia ter sido mais bem trabalhado a partir da experiência paterna de Derek, é muito fácil reconhecer um racista pela cabeça raspada e pelas tatuagens no corpo, mas, além disso, o racismo está enraizado na sociedade, o filme até transparece isso quando o preso negro, amigo de trabalho de Derek, conta que foi condenado há seis anos por roubar uma televisão, porém quebra todas as expectativas quando ao final chega com uma fórmula conservadora de “moral da história” que simplifica o racismo de maneira infeliz, varrendo para baixo do tapete tudo o que foi trabalhado ao longo do filme, todos nós temos, infelizmente, nossos pequenos preconceitos, e ninguém os larga de uma hora para outra de maneira tão simples como o filme demonstra.