Filme: Across the Universe

• Aluno (a): Alec Ichiro Ito, Caroline Gusman Anelli, Débora Machado Visini, Iris Czeresnia Kochen, José Augusto Romano Manhani, Laís Cardoso de Andrade, Luciana Saab e Michele Virgilio Aquino Dias. 

 

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Anáslise do filme Across the Universe, inserido dentro do contexto o movimento hippie para tratar do tema: Rebeldia e Juventude.

 

Ficha técnica

Título original: Across the Universe

Gênero: Musical

Duração: 131 min

Ano de lançamento (EUA): 2007

Direção: Julie Taymor

 

“Across the Universe” estimula porque é musical. Com a trilha composta somente por faixas do Beatles e vozes em sua maioria agradáveis e bem treinadas (com destaque para Dana Fuchs, que interpreta claramente uma versão de Janis Joplin), o filme divide-se entre alguns momentos interessantes e outros que lembram qualquer outro filme comum sobre adolescentes apaixonados.Estamos na década de 60, Jude (Jim Sturgees) é um jovem inglês que decide embarcar para os Estados Unidos em busca de seu pai. Lá conhece Max (Joe Anderson), rapaz rico e irresponsável, e Lucy (Evan Rachel Wood), sua irmã, exemplo típico de boa moça de família norte-americana.

O filme embarca então em uma busca de caracterização do contexto político e social da época enquanto Jude torna-se amigo de Max e apaixona-se por Lucy. Max decide sair de casa e buscar liberdade em Nova York; lá, juntamente com Judy, hospedam-se na pensão de uma cantora de rock onde vivem outros jovens, em um bairro alternativo da cidade.

Assim, vão surgindo encarnados em personagens, nos cenários ou nas situações as temáticas gerais (e mais conhecidas) dos anos 60: liberdade, música, conflitos militares (dentro do próprio EUA e a Guerra do Vietnam) com jovens alistados à força, drogas, psicodelismo, movimentos estudantis, amor livre, e até homossexualidade.

O problema é que Across the Universe acaba por pintar esse panorama de maneira superficial. Cada personagem encarrega-se de ser afetado por uma dessas questões e personificar as situações ou “tipos” da época (como exemplo a já citada Janis Joplin e seu parceiro guitarrista Jojo (Martin Luther), o tipo Jimi Hendrix), e até mesmo Bono aparece como Dr. Robert, uma espécie de hippie que leva o grupo em uma viagem (nos dois sentidos da palavra) regada a LSD.

O filme trabalha ainda com as cores dos cenários, no estilo “flores e cores” da ideologia hippie, e efeitos especiais que aludem ao psicodelismo – em parte pelo musical, em parte pelo espírito da época. O trabalho final é agradável, e dá para curtir uma boa música, mas as reflexões não conseguem se aprofundar.

Não terminamos de ver o filme pensando nas tensões políticas que marcaram a década, mas sim em tirarmos nosso álbum favorito dos Beatles da estante e colocar para tocar. Mesmo mais próximo do fim, quando os conflitos entre estudantes e a polícia se agravam, a mocinha Judy continua a parecer só uma mocinha, e o romance continua a tomar a atenção central da trama.

O clima da época, visto sob uma ótica contemporânea idealizadora e saudosista, serve mais para atribuir uma atmosfera ainda mais sonhadora e romântica ao amor. Assim, o filme estrutura-se em torno do casal amoroso e acaba por ser um drama com a problemática romântica mais comum (“será que eles ficarão juntos no final?”), com citações ao contexto político e social conturbado da época, o que até permite, se essa for a intenção clara do espectador, algumas reflexões introdutórias sobre os anos 60 no que ele teve de mais revolucionário. Vale a pena pelo pequeno espetáculo, de qualquer forma.