Juventude e a Violência

• Aluno (a): Dahanne Vieira Salles, Erick Miyasato, Fernando O. Viana, Gabriel Pereira, Marcelo Akeo Takiy, Marcus Borgonove, Marjorie Yuri Enya, Paulo G. Bastos, Rafael Farinaccio eThiago A.R. Oliveir 

 

Introdução a questão da violência no circulo juvenil, através da análise de mídias/documentos pensaremos esse corpotamento dentro de uma tema maior que é a Juventude e Rebeldia.

 

A juventude é uma fase difícil. O adolescente é uma mistura de criança e adulto, de espontaneidade e responsabilidade. A tensão interior a que o jovem está submetido, quando não canalizada ou controlada, acaba exteriorizando-se em forma de rebeldia. Quando as tensões externas ao jovem também o oprimem, essa rebeldia pode acabar se tornando extremamente violenta. O uso indiscriminado de drogas, roubos, furtos e violência gratuita, são formas extremas da rebeldia, da tensão pela qual o jovem passa, transformada em violência. Porém, rebeldia, com ou sem causas, não pode passar para a violência sem causa.

 

Nem sempre a rebeldia acaba em violência. Muitas vezes, ela é extremamente benéfica, se tornando um dos motores da sociedade devido ao seu poder de mudança. Não apenas os gestos violentos mostram a inconformidade do jovem diante do mundo. A música, o jeito de se vestir e as idéias também demonstram o desejo de mudança. Durante a ditadura militar no Brasil, por exemplo, o jovem foi uma das figuras mais importantes na luta contra a opressão do governo, lutando política e culturalmente, através de músicas como Cálice de Chico Buarque, do teatro de Plínio Marcos e do cinema-novo de Glauber Rocha. Temos, além disso, o rock, um movimento jovem que mudou o mundo nos anos 50 e 60 e continua influenciando até hoje a maneira de pensar.

 

Ainda na década de 50, Marlon Brandon e James Dean representavam a rebeldia da juventude e seus filmes mostravam as opressões e violências sofridas pelos jovens daquela geração. Nos anos 60, foi a rebeldia jovem que derrubou os tabus sobre o corpo e a sexualidade, principalmente feminina, já que antes a mulher era vista como propriedade do marido. O mega show em uma fazenda nos EUA, chamado de Woodstock, talvez tenha sido o maior símbolo da rebeldia dos anos 60. Era um grito do chamado movimento hippie que teve amplo apoio da população contra a guerra do Vietnã e que se estendeu até 1975.

 

A violência entra cedo na vida do jovem. A própria escola é violenta. A rigidez das maneiras de se sentar, se portar ou falar, violentam a alma jovem, que quer ser livre. As cadeiras sempre no mesmo lugar, quando não fixas ao chão, imobilizam o adolescente. Até os horários não são naturais para o adolescente, que biologicamente necessita de mais sono nessa idade. O jovem, então, repassa essa violência para outras pessoas ou para a própria instituição, depredando a escola, ou ainda violentando os mais novos e mais fracos, que não têm culpa alguma da opressão do sistema.

 

Mais tarde os jovens violentam pessoas comuns, que não possuem meios de se defender, como minorias, ou seja, uma extensão do que acontecia antes. A violência é tão intrínseca à nossa sociedade que muitas vezes só nos damos conta de sua extensão quando esta atinge nossos amigos e familiares ou são alardeadas pela imprensa do país. Ao contrário do que a mídia nos passa, a violência juvenil não ocorre apenas nas classes economicamente baixas. Pesquisas nos mostram que os crimes cometidos contra o patrimônio e contra a pessoa vêm crescendo nas classes média e alta, assim como a escolaridade desses criminosos.

 

Uma boa parte dessa violência se deve ao crescente número de usuários de drogas entre os jovens de classe mais favorecidas economicamente. As drogas foram usadas pelos hippies na década de 60 como uma forma de protesto. O lema “Sexo, drogas e Rock’n’roll” era a palavra de ordem contra o sistema, era sua forma de rebeldia. Porém o uso sem sentido das drogas hoje em dia descaracteriza-a como um símbolo de rebeldia, acabando apenas por contribuir para a criminalidade, sempre atribuída à violência. A violência é ainda incentivada pela ampla gama de programas e games infantis que têm a violência como tema. De desenhos animados com pequenas lutas entre animais domésticos, como os famosos Tom e Jerry, a animes sangrentos que mostram com enorme detalhe de lutas, ossos quebrados e mortes a programação de televisão expõe as crianças desde cedo a violência gratuita e sem censura.

 

Ao fim de cada desenho todos voltam ao normal, como se a violência a eles imposta nada lhes causasse. Esta situação piora se pensarmos nos games e programas voltados aos jovens, com a manipulação precisa de armas e games voltados a roubos, assaltos e uso de drogas. Um bom exemplo de game deste tipo é a série de jogos GTA. Faltam, muitas vezes, lugares apropriados para o jovem canalizar essa rebeldia de maneira proveitosa para ele e para a sociedade. Distante de atividades culturais e próximo a um mundo que o oprime, muitas vezes o jovem apenas reproduz aquilo que lhe foi feito sempre, sem parar para refletir.

 

Faltam também oportunidades e políticas públicas para o jovem se sentir menos oprimido, maneiras de incluí-lo na sociedade de maneira menos violenta. Se hoje em dia a rebeldia é tímida, a violência não o é. Politicamente, pode-se dizer que boa quantidade dos jovens é atualmente alienada, não se interessando por problemas políticos, econômicos, sociais ou ambientais. Resta ao jovem rebelar-se dentro de casa, brigando com os pais, assumindo o controle da situação.

 

Cada vez mais ausentes, mais voltados ao mercado de trabalho e com menos tempo para a família, os pais evitam a opressão, disfarçando-a em uma relação de compra e venda, na qual os filhos comportados ganham prêmio e presentes, e os rebeldes não. Mas a violência lá fora continua. E em um mundo que não lhes fornece outras repostas, os jovens são cada vez mais as vítimas e os autores da violência. Resta aos pais e à sociedade, em vez de apenas reprimir com mais violência, reiniciando o ciclo, encontrar outras maneiras de explorar a rebeldia juvenil, de maneira a torná-la benéfica, um motor de novas idéias e pensamentos.