Centro de São Paulo - Roteiro de visita

 
• Disciplina USP: Ensino de História - Teoria e Prática
• Docente responsável: Profa. Antonia Terra de Calazans Fernandes
• Aluno (a): A atividade foi organizada pelo aluno: Rodrigo Inácio da Costa - FFLCH - História, USP
 
 
Sugere-se dois roteiros de visita ao Centro da cidade de São Paulo, propostos por alunos do curso de graduação em História, matriculados na disciplina "Ensino de História
 
- Teoria e Prática", ministrada pela Profa. Antonia Terra C. Fernandes durante o segundo semestre de 2008. Os roteiros acompanham mapas e fotografias, antigas e atuais, e têm como objetivo subsidiar a formulação de um estudo do meio com alunos do Ensino Médio.
 

Objetivo
Esta atividade, ligada à disciplina Ensino de História - Teoria e Prática, objetiva ser um subsídio para a formulação de um estudo do meio com alunos, à princípio do ensino médio, pelo centro de São Paulo, a fim de que conheçam um pouco mais de sua história, trabalhando as dimensões de presente-passado através das transformações observadas na paisagem e em confrontação aos mapas e históricos dos lugares. O objetivo, dessa forma, é incitar nos alunos um olhar menos naturalizado sobre os espaços urbanos a sua volta.
 

O Trajeto e o Tempo - o Tema
O trajeto escolhido, a ser reavaliado pelos(as) possíveis profissionais segundo suas próprias prerrogativas, procurou contemplar uma diversidade de temporalidades contidas na história da cidade e suas ruas, largos, praças e monumentos, discutindo suas nomenclaturas, instalações, condições, formas e reformas, bem como seus significados no tempo. O presente trajeto proposto inicia-se pelos logradouros atuais: Rua Sete de Abril, passando pela Praça da República até o Largo do Arouche; depois, toma a Avenida São João, cruzando a Ipiranga, e chegando até o Largo do Paiçandú (Paissandú); prossegue então até a rua Santa Ifigênia por toda sua extensão até a Praça Júlio Prestes, depois até a Estação da Luz pela Avenida Duque de Caxias e Rua Mauá, concluindo o trajeto no Parque da Luz.

 
Neste sentido, o tema principal é a própria diversidade da cidade e suas memórias em várias dimensões. Entretanto, um sub-tema proposto seria o da escravidão na cidade: seria um caminho para se trabalhar a escravidão e o processo de abolição de forma mais ampla. Além disso, levantando questões sobre a memória construída sobre a cidade de São Paulo.
 
No decorrer do passeio, após breves paradas de observação do ambiente, serão lidos os históricos ora expostos, discutindo as implementações e transformações entre os alunos. Mudanças sofridas nos espaços e nos nomes, com o objetivo de verificar transformações que respondam ao contexto de cada época. Além do papel do "poder público" (tanto o governo como a população, e a interação destas duas esferas) na duração, demonstrar e refletir como atuaram os indivíduos, e quais as formas variadas de contar sua história, compreendendo semelhanças e diferenças, por exemplo, entre os monumentos encontrados em alguns logradouros públicos no trajeto, como símbolos narrativos do passado e de uma memória, e nisto mostrando as fontes de onde foram tiradas as informações - incluindo a leitura dos mapas.
 

Sugestões de questões/atividades
No decorrer e no fim do passeio vão sendo feitas perguntas que contemplem a proposta descrita acima, tais como:
 
- Ruas:
O que representa o nome de uma rua? Quais as possíveis explicações para seus nomes? E quais são os significados contidos neles?
 
- Esculturas e monumentos:
O que é uma escultura? Pedir para que os alunos as descrevam. Quais seus usos? Quais as motivações para a criação das obras? Acham importante ter monumentos na cidade? Por quê? Para que e para quem servem? Há semelhanças e diferenças eles? Quais e por quê? Já conheciam alguma escultura/monumento? Se sim, quando? O que achou? Explicar sucintamente o que são monumentos, quais suas possíveis formas de representação de uma memória e de uma história, e suas dimensões em relação às formações identitárias (local, regional, nacional, internacional).
 
- Parques e praças:
Notaram semelhanças e diferenças? Quais? Como estão hoje e como eram no passado? Quais seus usos durante o tempo? É importante ter áreas verdes na cidade? Por quê? Dentre as questões trabalhadas, perguntar aos alunos o que mais lhes instigou - sendo interessante que levem câmeras fotográficas para o registro.
 
Perguntar também qual foi a principal questão abordada nos estudos do meio, se acharam importante e porquê. Fazer referência e indicações de filmes que tiveram o espaço do centro como cenário ou como questão/problema. Um exemplo é o filme "Cabra-Cega", que teve uma de suas cenas finais filmadas no Parque da Luz. Juntamente às indicações cinematográficas, também mencionar e pedir para citarem obras literárias e musicais (nacionais ou não) que conheçam, assim como videoclipes que contenham referências aos espaços visitados. Comparar as fontes em suas formas, autorias e mensagens, deixando aberta a possibilidade de se pensar em outros espaços além do centro de São Paulo. A atividade pode ser feita com alunos do ensino fundamental, no entanto, necessita de algumas adaptações como o próprio tamanho do trajeto, bem como reformulações das questões levantadas.
 

Breve histórico dos principais pontos do trajeto
 

1. Rua Sete de Abril
A Rua 7 de Abril teve origem entre os anos de 1786 e 1798. Nessa época, era governador da Capitania de São Paulo o capitão general Bernardo José de Lorena, Conde de Sarzedas, responsável por várias providências sobre o calçamento da cidade, alinhamento de ruas e construção de estradas. Coordenou, também, a reconstrução de uma pequena ponte sobre o ribeirão Anhangabaú, próximo da atual Ladeira da Memória, que ganhou o nome de Ponte do Lorena. Em frente à ponte, foi aberta mais tarde a rua que foi chamada de Rua Nova da Ponte do Lorena. Em 1814, o engenheiro Daniel Pedro Muller a ela se referiu como Estrada para a “Cidade Nova”. Anos depois, a população já a chamava de Rua da Palha. Para este nome, a explicação mais aceita refere-se à cobertura (telhado) das casas que existiam nessa rua feitos de sapê ou palha, técnica muito comum em áreas rurais.
 
Nos primeiros anos do século XIX, a então Rua da Palha era constituída por casas humildes, algumas não passando mesmo de casebres, habitadas por gente muito pobre e, após 1828, por estudantes da Faculdade de Direito. Em 1855, o jornal Correio Paulistano a ela se referiu como um penhasco que deveria ser galgado por alguém que quisesse seguir dos Piques para o bairro da Luz. O nome 7 de Abril foi sugerido pela primeira vez no dia 04/05/1831 pelo vereador Cândido Gonçalves Gomide para “perpetuar-se a memória da gloriosa vitoria conseguida no Rio de Janeiro pelo povo contra o poder injusto e iníquo, vitória que libertou a pátria do pesado jugo que a oprimia “. Referia-se ele à Abdicação de D. Pedro I ao trono brasileiro que, naquela época, foi considerada como a segunda Independência do Brasil. Porém, ele sugeriu que este nome fosse aplicado à antiga Rua do Rosário, hoje 15 de Novembro. Tal alteração não foi aceita e o nome foi aplicado à Ponte do Lorena. Porém, também aqui o nome foi esquecido. No dia 8 de maio de 1873, o vereador Alves Pereira sugeriu a mudança de Rua da Palha para Rua 7 de Abril, porque ela seguia para o largo de mesmo nome. A sugestão foi aprovada.

 

2. Praça da República
A atual Praça da República começou a ser formada ainda no século XVIII nas terras que pertenciam ao tenente José Arouche de Toledo Rendon, ficando conhecida como “Praça dos Milicianos”. Anos depois, ali se realizavam festas, cavalgadas e touradas. Por isso, seu segundo nome foi o de “Praça dos Curros”. Entre 1872 e 1875, a praça passou algumas reformas com a finalidade de transformá-la num centro pitoresco e de descanso. Posteriormente, com a Proclamação da República, os vereadores paulistanos alteraram o nome de várias ruas e praças da cidade que lembravam o antigo regime. Assim, a “Praça 7 de Abril” passou a ser chamada definitivamente de “Praça da República”. A partir de finais do século XIX e início do XX, a Praça da República passou por grandes transformações. Ali foi construído um belo edifício onde funcionava a antiga “Escola Normal” e os seus jardins foram completamente remodelados com a implantação de lagos e pontes.
 
O edifício fora projetado por Francisco de Paula Souza, construído por Ramos de Azevedo e inaugurado em 1894. Conhecida popularmente como a “Escola da Praça”, seu edifício era símbolo das aspirações políticas e sociais da República. Na década de 1970, a “feira hippie” foi oficializada pelo então prefeito Faria Lima e, por muitos anos, foi uma grande referência de lazer para o paulistano e visitantes da cidade. A construção da Estação República do Metrô, ainda em meados daquela década, trouxe a ameaça de demolição do prédio da Escola Caetano de Campos e da descaracterização da praça, mas os calorosos protestos da população levaram a empresa a uma mudança no projeto. O prédio da escola foi tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico do Estado de São Paulo) em 1975, a escola foi transferida e o edifício passou a abrigar a sede da Secretaria Estadual de Educação. Desde então, inúmeras manifestações de professores da rede pública de ensino tiveram como destino a praça da República, eleita espaço privilegiado para a realização de assembléias e mobilizações por melhores salários e condições de ensino.
 

3. Largo do Arouche
Por volta de 1820, foi implantada uma praça para exercícios militares que englobava os atuais “Largo do Arouche” e “Praça da República”. O largo, em particular, ficou então conhecido como “praça da legião”. No seu interior havia uma pequena lagoa que foi aterrada nos últimos anos do século XIX. Nesse sentido, a antiga “praça da legião” passou a ser conhecida também como “Tanque do Arouche”. A partir de 1810, o Marechal Rendon (introdutor da cultura do chá na cidade e primeiro diretor da Faculdade de Direito de São Paulo) abriria as primeiras ruas da região entre as atuais Praça da República e a Av. São João, mas reservou como logradouro público a área do Largo, redundando na constituição da atual Rua do Arouche – em 1842, os mapas da cidade já mostram esta rua aberta mas sem qualquer denominação, fato este que se repetiu no mapa de 1868; em 1881, ela seria considerada como o trecho final da “Rua 7 de Abril” e, por isso, ela ficou conhecida com este nome.
Em 1890, ela já aparece com o nome de “Rua do Arouche” que se mantém até hoje. Em 1865, vereadores realizaram uma revisão dos nomes das ruas de São Paulo, alterando aquela denominação para “Campo do Arouche”. A partir de sua urbanização e calçamento em finais do século XIX, adotou-se informalmente o nome de “Largo do Arouche”. Em 1910 (Lei 1.312 de 26/04) parte do largo, entre as ruas do Arouche e Sebastião Pereira passou a chamar-se “Praça Alexandre Herculano”. Em 1913, através da Lei 1741 de 18/09, revogou-se a Lei 1.312 e todo o espaço voltou a ter a denominação de “Largo do Arouche”.
 

4. Busto a Luis Gama – Autor: Yolando Mallozzi. Data de implantação: 1931, feito de bronze e granito.
Em processo de tombamento: Res. 44/Conpresp/923. Luis Pinto da Gama nasceu na Bahia por volta de 1830. Aos 10 anos foi vendido como escravo pelo pai, um fidalgo português, para sanar dívidas de jogo, se separando de sua mãe, Luísa Maim, mulher livre. Contudo, ninguém se interessava em comprá-lo em cidades do interior paulista devido à fama de rebeldia que tinham os escravos baianos após a revolta dos Malês (1835), mas acabou sendo comprado no Rio de Janeiro, indo parar na cidade de São Paulo como escravo doméstico. Nessa fase de sua vida aprendeu a ler e escrever. Oito anos mais tarde (1848) foge e aparece como praça (guarda) da Força Pública de São Paulo, onde atuou por mais 8 anos, depois como escrivão e amanuense*. Antes, havia sido preso por se defender de insultas. Foi demitido por defender um escravo fugido. Desde então, passou a atuar como rábula** e jornalista. Em 1859 escreve Primeiras Trovas Burlescas de Getulino, obra única que lhe confere espaço para expor suas idéias no meio da elite, ressaltando a cultura afro-brasileira. Em quase 30 anos, ajudou a libertar centenas de escravos (mulheres, crianças, homens e idosos), sofrendo, quase sempre, inúmeras ameaças dos senhores escravistas, até falecer em agosto de 1882. Não chegou a ver a assinatura da lei áurea, mas observou a grande maioria dos escravos alcançando a liberdade antes da lei. Conta-se que estiveram presentes cerca de 3000 pessoas acompanhando seu cortejo por ruas paulistanas, dentre as quais muitos de seus admiradores, exescravos e aliados à causa abolicionista.
 

5. Praça Júlio Mesquita
Esta praça foi aberta nos primeiros anos do século XX e, no dia 22 de setembro de 1924, recebeu a sua primeira denominação como “Praça Vitória” através do Ato nº2.456. No dia 10 de maio de 1927, através do Ato nº 2.773, o seu nome foi alterado para “Praça Júlio Mesquita”, Doutor nascido em Campinas (1862-1927). Faleceu em São Paulo. Estudou da Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, escreveu para o jornal “A República” na década de 80 do séc. XIX. Tornou-se colaborador da “Gazeta de Campinas” e do “A Província de São Paulo”, atual “O Estado de São Paulo”; foi nomeado secretário geral do Estado e, em seguida, secretário do primeiro presidente de São Paulo, Prudente de Morais. Júlio Mesquita foi jornalista, historiador, contista, biógrafo e político.
 

6. Avenida Ipiranga
A atual Av. Ipiranga originou-se com a união de dois famosos “becos” que existiam na antiga São Paulo. O 1º deles era o “Beco do Mata-Fome” (trecho entre as atuais Ruas Araújo e Consolação), já aberto desde finais do século XVIII e muito utilizado por tropeiros que conduziam o gado proveniente do interior e que seguiam em direção do antigo Matadouro localizado no bairro da Liberdade. Provavelmente derive daí o seu nome: Beco do Mata-Fome porque por ele passava o gado que forneceria a carne para “matar a fome” dos paulistanos. O 2º, existente desde os primeiros anos do século XIX, era o “Beco dos Curros”, numa continuação do primeiro e que o ligava ao antigo “Largo dos Curros”. Em 28/11/1865, a Câmara Municipal de São Paulo determinou a abertura de uma nova rua que teria início no Beco do Mata-Fome, seguiria pelo traçado do Beco dos Curros, passaria pela Praça da República e, cruzando a “Ladeira São João”, terminaria na antiga “Rua Alegre” – atual Av. Cásper Líbero. O nome “Ipiranga” foi aplicado ao novo logradouro em decorrência do fato de que na mesma época (1865), formou-se em São Paulo uma Comissão Nacional para a construção de um monumento na colina do Ipiranga (no bairro de mesmo nome), com a finalidade de perpetuar o ato de D. pedro I que proclamou a Independência do Brasil naquele local em 7 de Setembro de 1822. Com a designação de “rua”, a Ipiranga permaneceu até meados dos anos 30. Por essa época, começaram a ser abertas as grandes avenidas em São Paulo. Em 1934, ela passou a ser oficialmente uma “Avenida”, por conta dos trabalhos de alargamento de seu leito que somente foram concluídos entre 1938 e 1940.
 

AVENIDA SÃO JOÃO
– A história da Avenida São João remonta a 1651. Naquele ano, os paulistanos Henrique da Cunha Gago e Cristóvão da Cunha solicitaram à Câmara Municipal a doação de terrenos na área delimitada pelos Ribeirões Anhangabaú e Yacuba. Nascia assim uma tosca trilha de terra batida que fazia a ligação dessas propriedades com a chamada colina histórica de São Paulo. Com o passar do tempo, esse rústico caminho passou a ser conhecido como “Ladeira do Acú”, numa abreviação de Yacuba. A ladeira iniciava-se no antigo Largo do Rosário – atual Praça Antonio Prado – e terminava nas proximidades do Largo do Paissandú.
 
Desse ponto em diante, ela transformava-se na “Estrada de Jundiaí”, caminho muito utilizado por tropeiros que seguiam em direção ao interior do Estado. Para transpor o Ribeirão Anhangabaú, existia uma ponte conhecida como “Ponte do Acú”. Por isso a Ladeira do Acúera também conhecida como “Ladeira da Ponte do Acú”. E como Ladeira do Acú, a São João permaneceu durante todo o século XVIII. Seu nome trata-se de uma homenagem a São João Batista, considerado o “protetor das águas” na tradição católica. Buscando as raízes dessa homenagem, verificamos que os cursos d’água que cruzavam a antiga “Ladeira” eram considerados perigosos para os antigos paulistanos: Yacuba ou Acú, significa em Tupi “Água Envenenada”; esse córrego margeava o atual edificio dos Correios e desaguava no Anhangabaú que, também no Tupi, significa “Águas Assombradas” ou Águas do Diabo”.
 
No final do século XVIII e início do século XIX era uma região de matas e local onde se escondiam assaltantes e escravos fugidos. Por tudo isso, as procissões em homenagem a São João Batista tinham como roteiro certo uma passagem pela Ladeira do Acú. Assim a tradição tomou vulto e a Ladeira passou a ser conhecida como “Ladeira de São João Batista”. No dia 28/11/1865, o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra sugeriu que a ladeira “da ponte do Acú” fosse denominada como “Ladeira de São João”. Mais tarde, assim como a Ipiranga, ela se transformaria em Rua e, depois, em Avenida São João. Entre 1910 e 1937, sucessivas reformas, alargamentos e prolongamentos foram realizados. Numa de suas últimas reformas, entre as décadas de 80 e 90, a construção do novo “Vale do Anhangabaú” alterou o seu início, dando origem ao “Boulevard São João”.
 

7. Largo do Paiçandú (antigo PAISSANDÚ)
Seu nome foi alterado pelo Decreto 15.635, de 17 de janeiro de 1979. Local bastante úmido, ali existiam algumas nascentes de água que, ao escoarem para o Anhangabaú, formavam algumas lagoas. A principal delas, bem no centro do atual largo, era chamada de “Tanque do Zunega” (sargento-mor, proprietário da área no séc. XVIII). Por essa mesma característica, no início do século XIX o local passou a ser conhecido como “Praça das Alagoas”. No dia 28/11/1865, o espaço recebeu o seu nome definitivo de “Largo do Paissandú”, uma referência à Batalha de Paissandú, travada no dia 02 de janeiro de 1865, no Uruguai, e que antecedeu a Guerra do Paraguai. A batalha tomou este nome porque ocorreu na cidade uruguaia de “Paissandú” entre as tropas do Brasil (chefiadas pelo General Mena Barreto) e do Uruguai (sob o comando de Venâncio Aires) contra as tropas paraguaias comandada por Leandro Gomez.
 

8. A Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos
Construída em 1737, esteve inicialmente na atual Praça Antonio Prado (na época o antigo Largo do Rosário), transferindo-se para o Largo do Paissandú em 1906, devido a reformas do então prefeito Antonio Prado. Essa mudança enfrentou várias dificuldades, desde a rejeição de alguns moradores vizinhos ao Largo do Paissandú a problemas de áreas de alagamento, por estas próximo às margens do rio Anhangabaú, ainda não canalizado na época, o que determinou o reforço de suas estruturas. Ainda em 1940, sob a administração Prestes Maia, houve mais uma ameaça de desapropriação e realojamento da sede da irmandade com a proposta de construir no local um monumento a Duque de Caxias, de Victor Brecheret, o qual, com a decisão de mantê-la no largo, se encontra hoje na Praça Princesa Isabel. A Irmandade existe em São Paulo desde inícios do séc. XVIII, constituída por negros escravos e libertos4. Ao lado da Igreja, existe a estátua da “Mãe Preta”, obra do escultor Júlio Guerra, implantada em 1955. Ali se realizam rituais católicos e afro-brasileiros e se fazem oferendas de flores, bebidas, alimentos, além de pedidos em pedaços de papel. Em nossos dias, a igreja continua como ponto de encontro da comunidade afro-paulistana. Na década de 1930, o Largo do Paissandú era um ponto de reunião de intelectuais e boêmios, hoje abriga moradores de rua e serve de ponto para garotas de programa.
 

9. Rua Santa Ifigênia
A Rua Santa Ifigênia remonta a finais do século XVIII e início do século XIX quando ela foi aberta. No ano de 1810, ela já aparece representada em antigos mapas da cidade, mas ainda sem denominação. Naquela época, ela começava no Largo de Santa Ifigênia e terminava na atual Rua Vitória. Com forte vocação comercial, a Rua Santa Ifigênia abrigou, no início do século XX, várias das melhores lojas de tecidos, peles e chapéus femininos. A sua clientela era formada principalmente pelas ricas famílias que moravam no então elegante bairro dos Campos Elíseos. A partir das décadas de 1940 e 1950, surgem as primeiras lojas especializadas em material elétrico e eletrônico. Estas, por sua vez, começam a predominar neste logradouro e, nas décadas de 70 e 80, já eram a maioria. Porém, o seu nome está ligado à igreja de Santa Ifigênia, cuja história se remete ao ano de 1758.
 
Naquela época, foi criada a Irmandade de Santa Ifigênia e Santo Elesbão, instalada inicialmente na igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. No local onde hoje encontra-se a Igreja de Santa Ifigênia, já deveria existir, desde 1720, uma pequena capela. Em 1795, as imagens de Santa Ifigênia e Santo Elesbão foram transferidas para esta capela que, a partir de então, passou a ser conhecida como igreja de Santa Ifigênia. Com o crescimento do número de devotos, fez-se necessário aumentar a capela. Reformas foram realizadas nos anos de 1798, 1817 e 1899. Em 1911, a antiga igreja foi demolida e iniciou-se a construção da atual, em estilo gótico romano, inaugurada em 1912. Durante as obras, as imagens ficaram instaladas na igreja de Nossa Senhora dos Homens Pretos. Durante a revolução de 1924, A Igreja e o Viaduto de Santa Ifigênia foram bombardeados. Os telhados de ardósia foram substituídos e os vitrais recuperados pela casa Garcia. A Igreja ainda mantém suas fachadas crivadas de balas. Entre 1930 e 1954, período da construção da nova catedral da Sé, a Igreja funcionou como Catedral provisória de São Paulo. A igreja de Santa Ifigênia foi tombada pelo CONPRESP em 1992, e o seu acervo artístico está disponível à visitação pública. A igreja atual foi inaugurada no início da década de 1910.
 

10. Praça Júlio Prestes
O estadista Julio Prestes de Albuquerque (1888-1946), nascido em Itapetininga, foumou-se bacharel pela Faculdade de Direito de São Paulo. Foi eleito presidente da República, mas não tomou posse devido a revolução de Getúlio Vargas em outubro de 1930.
 

11. Estação da Luz
Por volta de 1893 surge a estação da Luz, por decisão da SPR (a antiga São Paulo Railway – SPR ou popularmente “Ingleza” – foi a primeira estrada de ferro construída em solo paulista entre 1862 e 1867 por investidores ingleses e o Barão de Mauá; ligando Jundiaí a Santos, transportou durante muito anos – até a década de 30, quando a Sorocabana abriu a Mairinque-Santos – o café e outras mercadorias, além de passageiros). A nova estação foi finalmente inaugurada em março de 1901, quando a antiga já havia sido demolida (a demolição havia se iniciado em maio de 1900). Em 1946, o prédio foi destruído por um incêndio, dois dias antes do final da concessão governamental de 90 anos, voltando a pertencer à União sob o nome de E. F. Santos-Jundiaí (EFSJ). O nome pegou e é usado até hoje, embora nos anos 70 tenha passado a pertencer à RFFSA, e, em 1997, tenha sido entregue à concessionária MRS, que hoje a controla.
 
O tráfego de passageiros de longa distância terminou em 1997, mas o transporte entre Jundiaí (noroeste) e Paranapiacaba (sudeste) continua até hoje. Desde o final de 1996, os então ainda existentes trens de passageiros deixaram de sair dali, sendo transferidos para a estação da Barra Funda. A Luz, então, passou a ser apenas uma estação dos trens metropolitanos da CPTM, que hoje vêm da região este da cidade e param um pouco antes, na estação Júlio Prestes. Em 2004, coincidindo com os 450 anos da cidade de São Paulo, a estação da Luz foi entregue restaurada, tanto em sua arquitetura, quanto em suas plataformas, agora readaptadas para os atuais trens metropolitanos. Em 2006, ali foi inaugurado o Museu da Língua Portuguesa, mudando as características para as quais a estação foi construída. Trens, ali, hoje (2008), somente nas plataformas, no andar inferior – onde sempre estiveram. Existem ali 4 plataformas, das quais 3 funcionam. Todas para trens da CPTM5.
 

12. Parque da Luz
A data do mandato de sua construção vem dos finais de 1798, então denominado “Horto Botânico” ou Jardim Botânico, no bairro da Luz. Mas este foi somente inaugurado em 1825 e teve a participação de donativos de proeminentes cidadãos paulistanos. Em outubro daquele ano, fica a cargo do seu primeiro inspetor, o então marechal José Arouche de Toledo Rendon. Em 1938 é renomeado para Jardim Público. Em 1842 toma as formas ainda atuais, de uma cruz grega, no projeto feito pelo engenheiro civil Bresser. O projeto de 1877 contemplou a construção da torre, do coreto e da queda d’água, dois anos depois. O de 1890 tem a gruta e o mirante, nos mesmos locais de hoje. Ainda nessa época a parte central foi avançada em direção à Av. Tiradentes e foi construído o Liceu de Artes e Ofícios, atual Pinacoteca do Estado de SP. Com a expansão da avenida, sua entrada principal passou a se dirigir à estação da Luz, servindo de passagem para quem ia da Afonso Pena para a estação; e, na mesma época de mudança de século, o parque foi todo rodeado de grades, vindas da fábrica de ferro Ipanema, na região de Sorocaba, sendo retirados em 1930. Recebe iluminação a gás em 1904, e em 1933 a luz elétrica. O parque da Luz, seu nome mais comum hoje, possui ainda, entre outras esculturas, a herma de Giuseppe Garibaldi6 no centro, instaurado em 1910 por Olavo Bilac. Depois de outras tantas transformações, o parque hoje abriga casais, famílias inteiras, repentistas, cantores e artistas anônimos, além de estudantes que frequentam a Pinacoteca e o Museu da Língua Portuguesa, inaugurado recentemente.
 

Forografias atuais: