Filme: Hair

• Aluno (a): Dahanne Vieira Salles, Erick Miyasato, Fernando O. Viana, Gabriel Pereira, Marcelo Akeo Takiy, Marcus Borgonove, Marjorie Yuri Enya, Paulo G. Bastos, Rafael Farinaccio, Thiago A.R. Oliveir 

 

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Análise do filme Hair através do prisma da Contracultura e do Movimento Hippie

 

Ficha Técnica

Título Original: Hair

Gênero: Musical

Tempo de Duração: 120 minutos

Ano de Lançamento (EUA): 1979

Estúdio: CIP Filmproduktion GmbH

Distribuição: United Artists

Direção: Milos Forman

 

O filme Hair, de Milos Forman, é uma adaptação de um musical da Broadway de mesmo nome (Hair: The American Tribal Love-Rock Musical), de autoria de Galt MacDermot, Gerome Ragni e James Rado, que fez estrondoso sucesso, sobretudo entre os jovens, durante o final da década de 60.

O filme conta a história de Claude Hooper Bukowski, um ingênuo jovem de Oklahoma convocado a juntar-se às forças armadas norte-americanas em combate na Guerra do Vietnã. Em seu caminho até Nova Iorque, o jovem conhece um grupo de Hippies, com quem passa seus últimos dias antes de se apresentar ao Exército.Um dos atributos que marcaram a juventude da década de 60, nos Estados Unidos e no resto do mundo, foi a extrema preocupação com as causas sociais. A luta por direitos e por igualdade social serviu de combustível para inúmeras manifestações contra o sistema capitalista, a exploração dos pobres pelos mais ricos e a guerra. Trata-se de uma forma de rebeldia, de ruptura e de contestação dos ideais vigentes na sociedade capitalista norte-americana – pautada no individualismo.

Em contraposição a este modelo de sociedade, os jovens hippies – membros da contracultura norte-americana – viviam em comunidades nas quais os valores do espírito coletivo, a liberdade e o amor livre eram os princípios fundamentais. Hair consegue nos transportar para estes anos, não apenas pela caracterização dos personagens, mas também por toda a ideologia que esta obra nos traz. O filme faz um retrato da juventude hippie norte-americana, contrária à Guerra do Vietnã e à política imperialista de seu país, adepta do amor livre, da paz entre as pessoas, da harmonia do homem com a natureza e do uso livre de drogas – assunto que é amplamente mostrado no filme e nas letras das músicas.

As críticas à sociedade norte-americana são constantes durante todo o filme, sobretudo nas letras das músicas. Dentre as diversas músicas deste filme, algumas tornaram-se clássicos que marcaram esta geração e a representação que temos dela, como Aquarius e Let The Sunshine In, presentes nas festas temáticas dos anos 60 e 70 até os dias de hoje. E é exatamente nas músicas que está a riqueza do filme. As letras das canções fazem uma crítica direta aos valores da sociedade atacada pelos hippies e nos mostram muito de seus ideais. É por isso que, a partir de agora, discutiremos o que é abordado em algumas das letras.

  • Aquarius, a primeira música do filme nos alerta para o início de uma nova era, a Era de Aquário, na qual a paz regerá os planetas e o amor prevalecerá entre os homens. Trata-se não só do slogan Paz e Amor, característico da contracultura Hippie, mas também de um apelo anti-guerra;
  • Na canção Ain’t Got No, os jovens hippies listam uma série de coisas que eles afirmam não possuir (entre elas emprego, Deus, religião, carro), em uma clara intenção de negar muitos dos valores da sociedade e demonstrar desprendimento com as coisas mundanas. É importante ressaltar que os principais valores da sociedade norte-americana são aqui descartados: a fé cristã, o apego a objetos de consumo, a família e a guerra;
  • Na passagem do filme em que Claude, Berger e seu amigos infiltram-se em uma festa da alta sociedade, após as ameaças de expulsão, Berger canta I Got Life, cuja letra afirma que, apesar de diferentes, os hippies são anatomicamente iguais aos demais da festa, mas com a diferença: a de terem liberdade para viver. Esta letra exalta o estilo simples de vida dos hippies, que os torna mais livres que aqueles cercados pela ideologia capitalista;
  • Em Hair, canção que dá nome ao filme, os hippies fazem uma ode aos cabelos compridos e explicam o porquê de deixarem os cabelos crescer. Questionam também o preconceito que sofrem por serem cabeludos (Meu cabelo é como o que Jesus usava... Maria amou seu filho, por que minha mãe não me ama?). Até mesmo um trecho do hino norte-americano é usado nesta música culto às madeixas compridas;
  • A espiritualidade dos jovens hippies está ligada ao uso das drogas, no filme. No transe de alucinação  após o uso de drogas as cores ganham destaque, além de elementos religiosos, como Krishna e outros ícones do hinduísmo. Alusões ao cristianismo também são feitas, mas sempre vinculadas ao delírio causado pelas drogas – e muitas vezes ridicularizadas. Isso pode ser observado na seqüência da música Be In (Hare Krishna);
  • Músicas de protesto contra a violência da guerra como Walking In Space e 3-5-0-0 fazem alusão aos mortos na Guerra do Vietnã e criticam, de maneira sarcástica, os Estados Unidos, criticando severamente o Exército norte-americano e a política intervencionista do país. Além disso, condenam as mortes desnecessárias e a destruição da beleza que é a vida na Terra. Em Walking In Space, os hippies afirmam estarem de olhos bem abertos para todas as injustiças que acontecem na guerra, ao contrário do resto da sociedade, que continuava mergulhada na escuridão.