Quilombos

Nome: Claudius Roberto dos Santos da Silva
Numero: 5683332
Prof: Antonia Terra
Matéria: Ensino de História: Teoria e Prática

 

 

Tema:

 

  •  Quilombos
  •  Definição de quilombos pelas autoridades coloniais
  •  O entorno das áreas quilombolas (não eram sociedades isoladas à margem do sistema escravista)
  •  Participação dos quilombos em movimentos sociais e rebeliões
  •  O paradoxo dos quilombos e sua idealização (não era uma volta total às origens culturais africanas e derrubar a ideia de heroísmo atribuído a estas comunidades)

Objetivo:

 

          Durante um longo período, a historiografia brasileira tem tratado o assunto Quilombo com pouca importância ou de modo tendencioso. Passando uma ideia equivocada do que era um quilombo (área onde todos eram recebidos de “braços abertos” e onde não havia hierarquias), como os seus membros se relacionavam com o seu entorno e sua estrutura social; criando, também, um mito sobre a cultura interna desta sociedade. Esta forma de ver os quilombos contaminou os livros didáticos e, por fim, as salas de aula.
           O propósito deste trabalho é demonstrar dentro de uma perspectiva histórica algumas mistificações relacionadas aos quilombos (mistificações que são perpetuadas pelos manuais de história e por professores que pecam mais pela falta de conhecimento do assunto e pela escassa produção sobre o tema que por má-fé) e elucidá-las da forma mais clara e simples possível. E também apresentar um esquema de aula que tenha uma proposta didática clara e que esclareça e dissolva os velhos paradigmas.

 

Duração das atividades:

 

          Serão ministradas 3 aulas, contando cada uma com 50 minutos – aproximadamente.

 

Desenvolvimento das atividades:

 

          Como é difícil falar de um tema tão negligenciado, fica também complicado encontrar fontes materiais e documentais que auxilie nas atividades. Como nas duas primeiras aulas trataremos de temas que envolvem o entorno dos quilombos e sua rede de comunicação e trocas, utilizaremos mapas que deixam claro que os quilombolas não se encontravam isolados.

Aula 1:

           Utilizaremos dois mapas:
                1) Quilombos do Recôncavo da Guanabara – Rio de Janeiro – século XIX. Ele auxiliará no esclarecimento dos posicionamentos estratégicos de alguns quilombos próximos a rios (que serviam como escoamento de produtos), áreas urbanas e fazendas produtoras. Mapa encontrado em: Gomes, Flávio dos Santos. Quilombos do Rio de Janeiro no séc. XIX; in: Liberdade por um fio; organização: Reis, J.J.; Gomes, Flávio dos Santos. Segunda reimpressão. 1996. São Paulo. Companhia das Letras. Pág. 264.

                2) Norte do Maranhão – século XIX. Deixa bem nítido a formação de mocambos em áreas de difícil acesso (além dos campos inundados da baixada). Porém, próximos a vilas e rios, possibilitando o comércio e evitando o total isolamento. Observando estes mapas vemos, também, que muitos quilombos penetravam em áreas de índios, sendo encarados como invasores – pelos nativos – tanto quanto os brancos. Mapa encontrado em: Assunção, Matthias Röhrig. Quilombos Maranhenses; in: Liberdade por um fio; organização: Reis, J.J.; Gomes, Flávio dos Santos. Segunda reimpressão. 1996. São Paulo. Companhia das Letras. Pág. 435.  

 

Assuntos trados em sala:

Primeiro – Definição de Quilombo: De acordo como as autoridades coloniais os quilombos eram a junção de três ou mais escravos fugidos. Porém, para nossos estudos, vamos caracterizar os quilombos como um agrupamento de pessoas (negros fugidos, libertos, mestiços, por vezes índios e brancos desertores ou marginalizados sociais) que formam uma comunidade com características próprias e relações sociais originais. Que é resultado do mundo escravista colonial, mas não está à margem desta sociedade.

Segundo – Relação de conflito com grupos do entorno: não era incomum para alguns mocambos o saque a tropeiros e comerciantes. Alguns quilombos praticavam o rapto de mulheres nas senzalas e em tribos indígenas. Tanto os saques quanto o roubo de mulheres provocava um sentimento de rancor dos grupos atacados com relação aos quilombos. Assim como a visão que algumas tribos indígenas tinham dos quilombos que eram formados nas suas regiões; visão esta, que os taxava de invasores tanto quanto os brancos.

 

Aula 2:

           Utilizaremos dois mapas:

                1) Seqüência de mapas de quilombos: Quilombo de São Gonçalo, Quilombo do Ambrósio, Quilombos de um dos Braços da Perdição. Mostrando a estrutura interna dos quilombos, a distribuição das construções internas, a localização, a vigilância, a proteção dos quilombos e comprova que havia uma produção agrícola para subsistência. Mapas encontrados em: Gomes, Flávio dos Santos. A Hidra e os Pântanos – introdução. Primeira edição. 2005. São Paulo. Polis/ ed. UNESP. Págs. 371, 372, 375.

                2) Imagem dos quilombos da Baixada Santista. Ela mostra quilombos que se aproveitam da proximidade das áreas urbanas para sobreviverem.

 

Assuntos trados em sala:

Primeiro – O entorno dos Quilombos: os mocambos tinham uma relação muito mais forte do que se pensa com os grupos vizinhos (áreas urbanas, produtoras, comerciantes, escravos de senzalas, libertos e índios). Ora a relação era de parceria, proteção e benefício mútuo; ora de conflito e rancor. Não era incomum que os quilombolas comercializassem, através de troca. Os lucros destas transações faziam com que os comerciantes avisassem os quilombolas das expedições militares do governo colonial. Os Quilombolas também usavam atravessadores para as vendas de seus produtos. Como muito destes trabalhadores (atravessadores) eram libertos, ou até mesmo escravos de ganho, os amocambados tinham informações das senzalas e das agitações políticas e sociais das áreas vizinhas. Estas redes de contatos traziam às comunidades de fugitivos informações de áreas distantes como: cidades próximas, regiões e províncias vizinhas, áreas coloniais espanholas, francesas e inglesas, etc.

Segundo – Participação dos quilombos em movimentos sociais e rebeliões: devido a informações políticas e sociais de áreas vizinhas, dadas pelos contatos dos quilombos, não era incomum que os habitantes destas comunidades se aproveitassem das notícias e incitassem grupos descontentes – como, por exemplo, os escravos das senzalas – a uma rebelião. No Brasil os quilombolas participaram de inúmeras revoltas como, por exemplo, a Balaiada no Maranhão. O terror que causava a ideia de uma revolta de escravos em larga escala, incitada pelos quilombolas, levava os senhores de engenho e os poderes coloniais a encararem os quilombos como um ameaça ao sistema escravista.

 

Aula 3:

Nesta terceira aula, com o assunto mais esclarecido aos alunos, faremos uma aula expositiva com os seguintes assuntos:

 

Primeiro – O paradoxo dos quilombos: muitos autores viam os mocambos como a única resistência negra ao sistema escravista. Na verdade, eles estavam inseridos ao sistema escravista capitalista, dependiam dele para sobreviver e completava este sistema. Logo, não estavam à margem do mesmo. Mas como era formado este quadro? Era comum que os excedentes da produção dos quilombos abastecessem as áreas urbanas próximas e fornecessem produtos aos comerciantes. Os quilombolas cobravam taxas dos tropeiros e comerciantes que passavam nas estradas e nos rios próximos aos quilombos; davam proteção aos libertos, desertores e outros, e fazia acordos com os fazendeiros vizinhos. Todas essas práticas nos mostram que os quilombos não estavam à margem do sistema; mas, sim, inserido a ele.

Segundo – Idealização dos quilombos: a maior idealização criada sobre os quilombos ocorreu no final da década de 70. Época de um forte “pan-africanismo” que aqui no Brasil ficou caracterizado pelo “quilombismo” de Abdias do Nascimento. Ao redor dos estudos sobre os quilombos foram forjados símbolos de uma identidade étnica. Mecanismo muito utilizado pela militância negra. Nesta época foi criada a ideia de heroísmos e mitificação dos líderes quilombolas e dos quilombos. A militância da década de 1970 fez dos quilombos símbolos de heroísmo em luta, resistência cultural e volta às origens africanas, criando uma identidade étnica nacional. Isso serviu como ferramenta de luta contra a discriminação racial. Porém, o heroísmo e a volta total, no interior dos quilombos, a uma cultura africana é um mito. O quilombo não é uma cópia da cultura africana. Ele é resultado de uma troca de culturas de povos vindos da África, nativos e europeus (lembrando que no interior do quilombo conviviam negros de várias origens africanas, mestiços e até índios e brancos). Logo, uma nova cultura, um novo tipo de relação social. Enfim, uma nova sociedade. Algo criado nas Américas, uma cultura americana – ou melhor: afro-americana.

 

Atividade de avaliação:

 

Dividir a sala em cinco grupos, cada grupo receberá um mapa e analisará o mesmo – levando em consideração a estrutura do mapa e as aulas. Os alunos deveram apresentar suas impressões sobre os mapas para a sala (isso é o mais importante na avaliação).
 
Bibliografia e Referência de leitura:

ALMEIDA, A. W. B. de. Terra de preto, terra de santo, terra de índio: uso comum e conflito. Humanidades. Rio de Janeiro, 1998.

FLAMARION S. CARDOSO, Ciro. Escravo ou camponês? O protocampesinato negro nas Américas. Brasiliense. São Paulo. 1998.

GENOVESE, Eugene. Da rebelião à revolução: as revoltas de escravos nas Américas. São Paulo: Global. 1983.

GOMES, Flávio dos Santos. A hidra e os Pântanos – introdução. Primeira edição. 2005. São Paulo. Polis/ ed. UNESP.
____. O “campo negro” de Iguaçu: escravos, camponeses e mocambos no Rio de Janeiro (1812-1883). Estudos Afro-asiáticos (Rio de Janeiro), n.25, dez. 1993.

MACHADO, Maria Helena P. T. . Entorno da autonomia escrava: uma nova direção para história social da escravidão. Revista Brasileira de História (São Paulo), ANUPUH/Ed. Marco Zero, v.8, n.16, p. 143-60, mar-ago. 1988.

REIS, J.J.; GOMES, Flávio dos Santos. Liberdade por um fio; organização: Reis, J.J.; Gomes, Flávio dos Santos. Segunda reimpressão. 1996. São Paulo. Companhia das Letras.

AnexoTamanho
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